Para além da dicotomia acadêmico-profissional: instituições da pós-graduação, regulação do conhecimento e relevância social da ciência no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/2317-2150.2026.16757

Palavras-chave:

pesquisa básica, pesquisa aplicada, pesquisa teórica orientada pelo uso, pós-graduação acadêmica, pós-graduação profissional

Resumo

O objeto deste estudo é examinar criticamente a possível artificialidade das dicotomias ciência básica/aplicada e pós-graduação acadêmica/profissional, demonstrando que ambas podem não traduzir a dinâmica real da produção científica contemporânea e, em especial, da pesquisa jurídica. Os objetivos consistem em recuperar a gênese histórica dessas divisões, analisar sua consolidação normativa no Brasil e apresentar a Pesquisa Teórica Orientada pelo Uso (PTOU) como chave de superação, evidenciando que teoria e prática são dimensões complementares da investigação. A metodologia adotada é teórico-analítica e documental, baseada em autores clássicos e contemporâneos da epistemologia e da teoria da ciência e no exame de legislação, bem como de portarias que estruturaram a pós-graduação stricto sensu. Os resultados apontam que a separação entre ciência básica e aplicada não condiz com a prática científica existente e que a distinção entre as modalidades acadêmica e profissional se mostra, pelo menos em parte, artificial, já que os programas acadêmicos, frequentemente, oferecem soluções aplicadas e os programas profissionais, muitas vezes, atualizam, reveem ou formulam modelos conceituais. A contribuição principal está em indicar que, nas Ciências Jurídicas, a integração entre teoria e prática é constitutiva. Além disso a adoção da PTOU como referência pode orientar a reformulação dos critérios de avaliação e fomento, fortalecendo a relevância social e o rigor teórico da pós-graduação brasileira.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Horácio Wanderlei Rodrigues, Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil

Doutor e Mestre em Direito pela UFSC. Estágios de PósDoutorado em Filosofia/UNISINOS e em Educação/UFRGS. Professor Permanente do PPGDJS/FURG. Professor colaborador do PPGD/UPF. Sócio fundador do CONPEDI e da ABEDi. Membro do Instituto Iberomericano de Derecho Procesal. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.

Referências

BALBACHEVSKY, Elizabeth. A pós-graduação no Brasil: novos desafios para uma política bem-sucedida. In: BROCK, Colin; SCHWARTZMAN, Simon (org.). Os desafios da educação no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. p. 275-304. Disponível em: https://www.schwartzman.org.br/simon/desafios/9posgrado.pdf. Acesso em: 11 set. 2025.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidente da República, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 11 set. 2025.

BRASIL. Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 24 mar. 2025.

BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Portaria n.º 80, de 16 de dezembro de 1998. Dispõe sobre o reconhecimento dos mestrados profissionais e dá outras providências. Brasília, DF: CAPES, 1998. Disponível em: https://cad.capes.gov.br/ato-administrativodetalhar?idAtoAdmElastic=858. Acesso em: 10 set. 2025.

BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Portaria CAPES n.º 60, de 20 de março de 2019. Dispõe sobre o mestrado e doutorado profissionais no âmbito da CAPES. Brasília: CAPES, 2019. Disponível em: https://cad.capes.gov.br/ato-administrativo-detalhar?idAtoAdmElastic=884. Acesso em: 24 mar. 2025.

BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Avaliação quadrienal 2021-2024. Brasília, DF: CAPES, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/avaliacao/avaliacao-quadrienal. Acesso em: 15 mar. 2026.

BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Diretrizes comuns da Avaliação de Permanência dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu – Ciclo Avaliativo 2025-2028. Brasília, DF: CAPES, 2025a. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/documentos/avaliacao/19052025_20250502_DocumentoReferencial_FICHA.pdf. Acesso em: 17 jul. 2025.

BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Documentos do novo ciclo avaliativo 2025-2028. Brasília, DF: CAPES, 2025b. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/acessoa-informacao/acoes-e-programas/avaliacao/sobre-a-avaliacao/documentos-do-novo-ciclo-avaliativo-2025-2028. Acesso em: 1 set. 2025.

BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Documento orientador de APCN – Direito – Área 26 – 2025-2028. Brasília, DF: CAPES, 2025c. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/avaliacao/sobre-a-avaliacao/areas-avaliacao/sobre-as-areas-deavaliacao/colegio-de-humanidades/ciencias-sociais-aplicadas/copy_of_DIREITO_DOCAREA_2025_2028.pdf. Acesso em: 17 jul. 2025.

BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Ficha de avaliação – Direito – Área 26 – Ciclo Avaliativo 2025-2028. Brasília, DF: CAPES, 2025d. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/avaliacao/sobre-a-avaliacao/areas-avaliacao/sobreas-areas-de-avaliacao/colegio-de-humanidades/ciencias-sociais-aplicadas/DIREITO_FICHA_2025_2028.pdf. Acesso em: 23 mar. 2026.

BRASIL. Conselho Federal de Educação (CFE). Parecer n.º 977, de 3 de dezembro de 1965. [Parecer Sucupira sobre a implantação da Pós-Graduação no Brasil]. Brasília, DF: CFE, 1965. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/parecer-cesu-977-1965-pdf. Acesso em: 24 mar. 2025.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior (CNE/CES). Resolução n.º 7, de 11 de dezembro de 2017. Estabelece normas para o funcionamento de cursos de pós-graduação stricto sensu. Brasília, DF: CNE, 2017. Disponível em: https://cad.capes.gov.br/ato-administrativo-detalhar?idAtoAdmElastic=199#anchor. Acesso em: 23 mar. 2025.

BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Portaria n.º 389, de 23 de março de 2017. Dispõe sobre o mestrado e doutorado profissional no âmbito da pós-graduação stricto sensu. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em: https://cad.capes.gov.br/ato-administrativo-detalhar?idAtoAdmElastic=241. Acesso em: 24 mar. 2025.

BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT - Decreto-Lei n.º 719/1969 e Lei n.º 11.540/2007). Brasília, DF: MCTI, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/fndct. Acesso em: 17 out. 2025.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN – Lei n.º 11.346/2006). Brasília, DF: MDS, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/mds/pt-br/acesso-a-informacao/carta-de-servicos/desenvolvimento-social/inclusao-social-e-produtiva-rural/sistema-nacional-de-seguranca-alimentar-e-nutricional. Acesso em: 17 out. 2025.

BUSH, Vannevar. Science: the endless frontier. Washington, D.C.: U.S. Government Printing Office, 1945. Disponível em: https://ia601304.us.archive.org/29/items/scienceendlessfr00unit/scienceendlessfr00unit.pdf. Acesso em: 24 mar. 2025.

CAPES publica novo Documento de Área do Direito para o ciclo 2025–2028: foco em qualidade, impacto e revisão na avaliação de periódicos. RBCCRIM, 8 maio 2025. Disponível em: https://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/RBCCRIM/announcement/view/21. Acesso em: 1 set. 2025.

CUNHA, Luiz Antônio. A universidade reformanda: o golpe de 1964 e a modernização do ensino superior. São Paulo: UNESP, 2007. DOI: https://doi.org/10.7476/9788539304561

FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Escola de Direito de São Paulo (FGV Direito SP). Mestrado Profissional. São Paulo, SP: FGV Direito SP, [s.d.]. Disponível em: https://direitosp.fgv.br/cursos/mestrado-profissional. Acesso em: 15 mar. 2026.

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais em Saúde é lançada em Brasília (CNDSS – Decreto de 13 mar. 2006). Agência Fiocruz de Notícias, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/comissao-nacional-sobre-determinantes-sociais-em-saude-e-lancadaem-brasilia. Acesso em: 31 out. 2025.

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP). Determinantes Sociais da Saúde (DSS - Lei n.º 8.080/1990). Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ENSP, [s.d.]. Disponível em: https://dssbr.ensp.fiocruz.br/dss-o-que-e/. Acesso em: 31 out. 2025.

GIBBONS, Michael et al. The new production of knowledge: the dynamics of science and research in contemporary societies. London: SAGE Publications, 1994. Disponível em: https://www.schwartzman.org.br/simon/gibbons.pdf. Acesso em: 24 mar. 2025.

LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: Unesp, 2000.

NOWOTNY, Helga; SCOTT, Peter; GIBBONS, Michael. Re-thinking science: knowledge and the public in an age of uncertainty. Cambridge: Polity Press, 2001. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/909063486/Re-Thinking-Science-Knowledge-and-the-Public-in-an-Age-of-Uncertainty-1st-Edition-Helga-Nowotny-onlinereading. Acesso em: 4 set. 2025.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Nova York: ONU, 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em: 17 out. 2025.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum (Relatório Brundtland). 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1991. Disponível em: https://smastr16.blob.core.windows.net/portaleducacaoambiental/sites/11/2024/05/Nosso-Futuro-Comum.pdf. Acesso em: 2 out. 2025.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). World Commission on Environment and Development. Our common future (Brundtland Report). Oxford: Oxford University Press, 1987. Disponível em: https://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/5987our-common-future.pdf. Acesso em: 2 out. 2025.

POPPER, Karl. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 1972.

POPPER, Karl. A miséria do historicismo. São Paulo: Cultrix, EDUSP, 1980.

RODRIGUES, Horácio Wanderlei. Ciência Jurídica e Pesquisa Teórica Orientada pelo Uso. Pelotas, RS: Repensar, 2025. Disponível em: https://repensar.art/paginas/html/29-ciencia-juridica-e-pesquisa-teorica.php. Acesso em: 25 mar. 2026. DOI: https://doi.org/10.61522/978-65-83766-06-9

RODRIGUES, Horácio Wanderlei; GRUBBA, Leilane Serratine. Conhecer Direito I: a teoria do conhecimento no século XX e a Ciência do Direito. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2012. Disponível em: http://funjab.ufsc.br/wp/?page_id=1819. Acesso em: 18 ago. 2025.

RODRIGUES, Horácio Wanderlei; GRUBBA, Leilane Serratine. Pesquisa Jurídica Aplicada. Florianópolis: Habitus, 2023. Disponível em: https://habituseditora.com.br/index.php?q=pja23. Acesso em: 4 set. 2025.

STOKES, Donald E. O quadrante de Pasteur: a ciência básica e a inovação tecnológica. Campinas: UNICAMP, 2005.

UNIÃO EUROPEIA (UE). Comissão Europeia. Horizonte Europa – 2021-2027. Bruxelas: Comissão Europeia, 2020. Disponível em: https://research-and-innovation.ec.europa.eu/funding/funding-opportunities/fundingprogrammes-and-open-calls/horizon-europe_en. Acesso em: 17 out. 2025.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC). Programa de Pós-Graduação em Direito. Mestrado Profissional em Direito. Florianópolis, SC: UFSC/MPD, [s.d.]. Disponível em: https://mpd.ufsc.br. Acesso em: 15 mar. 2026.

ZIMAN, John. Real science: what it is, and what it means. Cambridge: Cambridge University Press, 2000. Disponível em: https://assets.cambridge.org/052177/229X/frontmatter/052177229X_frontmatter.pdf. Acesso em: 27 mar. 2025.

Publicado

2026-07-08

Como Citar

Wanderlei Rodrigues, H. (2026). Para além da dicotomia acadêmico-profissional: instituições da pós-graduação, regulação do conhecimento e relevância social da ciência no Brasil. Pensar - Revista De Ciências Jurídicas, 31, 1–16. https://doi.org/10.5020/2317-2150.2026.16757

Edição

Seção

Eixo Temático 2 – Constituição, Instituições e Democracia no Brasil