Constitucionalismo cosmofóbico: uma análise contracolonial da relação entre o Estado e os quilombos do Brasil a partir da obra A terra dá, a terra quer

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/2317-2150.2026.16773

Palavras-chave:

quilombos, contracolonialismo, cosmofobia, colonialidade-modernidade, constitucionalismo

Resumo

Este texto analisa e discute como o Estado brasileiro utilizou o constitucionalismo para (re)colonizar as cosmovisões e os modos de vida das comunidades quilombolas, em contradição com a Constituição Federal de 1988 e a Convenção 169 da OIT. Essas normas foram desenvolvidas em um contexto histórico e político de reabertura democrática e promulgação de novas constituições na América Latina, marcado pelo reconhecimento da diversidade étnica e cultural. Com a incorporação da Convenção 169 da OIT, que declarou o Brasil um Estado multicultural e multiétnico, criou-se a expectativa de que os povos indígenas e as comunidades amefricanas –– como os quilombos –– finalmente alcançariam a autodeterminação política, cultural e jurídica. Nesse contexto, ocorreu também a ascensão do neoliberalismo na América Latina, sobrepondo  interesses políticos e econômicos hegemónicos em detrimento dos direitos desses grupos étnico-raciais, frustrando suas aspirações e tornando seu modo de vida insustentável. Esta pesquisa se baseia na epistemologia do pensamento crítico latino-americano e decolonial e no conceito de contracolonialismo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e multidisciplinar, com uma abordagem teórico-empírica que coloca em diálogo os campos do Direito, da Sociologia, da Filosofia e da História. Foram utilizadas técnicas de pesquisa como revisão bibliográfica e análise documental. As fontes primárias incluem livros, artigos e documentos oficiais do governo. As fontes secundárias incluem entrevistas e outros materiais audiovisuais.

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Biografia do Autor

Carlos Eduardo Famadas, Universidade Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil

Mestrando bolsista CAPES pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF); Especializado em Direito Ambiental Brasileiro pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); Membro do Grupo de Pesquisa e Extensão Crítica do Direito no Capitalismo (CriDiCa); Editor Assistente da Revista Culturas Jurídicas (RCJ); Membro e coordenador suplente da Assessoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFF (AFIDE); Membro da Comissão de Direito Ambiental da 29ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB/RJ).

Enzo Bello, Universidade Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil

Professor da Faculdade de Direito e do Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF). Editor-chefe da Revista Culturas Jurídicas (https://periodicos.uff.br/culturasjuridicas). Líder do Grupo de Pesquisa e Extensão Crítica do Direito no Capitalismo (CriDiCa-UFF). Membro do Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (NEPHU-UFF). Doutor em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Estágio de Pós-doutorado em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Estágio de Pós-doutorado em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Freddy Ordóñez Gómez, Universidad Libre, Bogotá, Colômbia

Abogado, Especialista en Epistemologías del Sur y Magister en Derecho con profundización en Derechos Humanos y Derecho Internacional Humanitario. Estudiante del Doctorado en Derecho de la Universidad Libre (Colombia). Miembro del Instituto Latinoamericano para una Sociedad y un Derecho Alternativos (ILSA). Integrante de Historia, Ambiente y Política, grupo de investigación categoría A de Minciencias (Colombia) y del Centro de Pensamiento Amazonias (CEPAM). Docente de la maestría en Derechos Humanos y Gobernanza de la Universidad Cooperativa de Colombia (Pasto) y profesor de cátedra de la Universidad Nacional de Colombia (Bogotá).

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Publicado

2026-06-09

Como Citar

Famadas, C. E., Bello, E., & Gómez, F. O. (2026). Constitucionalismo cosmofóbico: uma análise contracolonial da relação entre o Estado e os quilombos do Brasil a partir da obra A terra dá, a terra quer. Pensar - Revista De Ciências Jurídicas, 31, 1–16. https://doi.org/10.5020/2317-2150.2026.16773

Edição

Seção

Artigos Internacionais