Sociomaterialidade no processo criativo em agências de publicidade
DOI:
https://doi.org/10.5020/2318-0722.2025.31.e15823Palavras-chave:
sociomaterialidade, processo criativo, agências de publicidade, indústria criativaResumo
Tradicionalmente, os estudos sobre criatividade têm privilegiado abordagens centradas em habilidades cognitivas individuais ou, em um nível mais amplo, nos fatores sociais e ambientais. O objetivo desta pesquisa foi analisar como os aspectos da sociomaterialidade configuram o processo criativo em agências de publicidade e propaganda, setor no qual o fenômeno da criatividade constitui o núcleo das atividades organizacionais. Inserido no contexto das indústrias criativas, o estudo parte da compreensão de que a produção publicitária envolve não apenas habilidades individuais, mas também interações contínuas entre profissionais, artefatos, tecnologias digitais e espaços de trabalho. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com a realização da técnica de observação participante em uma agência de publicidade, tendo como referência empírica as atividades do departamento de criação. Os resultados indicam que a solução criativa emerge a partir de uma assemblage criativa, constituída por humanos e não humanos, que se articula em um mundo sintético virtual viabilizado, sobretudo, pelo uso intensivo da internet e de ferramentas digitais. Ao compreender a criatividade como uma prática situada e relacional, e, ao assumir a inseparabilidade entre humanos e artefatos, este estudo contribui para uma virada sociomaterial nos estudos sobre criatividade, ampliando o entendimento do fenômeno para além de perspectivas exclusivamente psicológicas ou sociais. O estudo oferece contribuições para o campo da criatividade ao evidenciar como a materialidade potencializa e molda o processo criativo no cotidiano organizacional, fortalecendo a compreensão da criatividade como uma prática sociomaterial.
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