Barreiras para a exportação de mercados emergentes: O caso das MPEs de cachaça
DOI:
https://doi.org/10.5020/2318-0722.2025.31.e16208Palavras-chave:
Comércio Internacional, pinga, alambiques, resistênciaResumo
Este estudo tem como objetivo identificar e discutir as barreiras que restringem o comércio internacional das micro e pequenas empresas (MPEs) produtoras de cachaça no Brasil. Para tanto, foi conduzida uma investigação fundamentada em pesquisas documentais, bibliográficas e na realização de entrevistas. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e examinados com base na técnica de análise temática de conteúdo. A originalidade da pesquisa reside no foco específico no setor da cachaça, produto tradicional brasileiro, analisado sob a perspectiva das micro e pequenas empresas inseridas em mercados emergentes. O estudo confirma a relevância da tipologia tradicional de barreiras, mas avança ao demonstrar que, em países emergentes, a informalidade, a fragilidade institucional e a ausência de articulação setorial configuram barreiras adicionais, que não apenas limitam a entrada das MPEs nos mercados internacionais, mas também comprometem sua permanência e competitividade no longo prazo. Como contribuição gerencial, os achados podem apoiar os produtores de cachaça de alambique interessados em exportar, ao permitir que aprendam com as experiências relatadas no estudo e ao indicar caminhos para a formulação de políticas públicas mais eficazes e alinhadas às reais necessidades das MPEs.
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