Organizações no Antropoceno: Um Diálogo entre as Práticas Organizativas e a Etnografia Multiespécies

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/2318-0722.2023.29.e13681

Palavras-chave:

Antropoceno, etnografia, etnografia multiéspecies, práticas organizativas, não-humanos

Resumo

O objetivo deste artigo teórico é pensarmos como as organizações podem ser compreendias no Antropoceno a partir de práticas organizativas. Propomos um deslocamento ontológico e epistemológico, sendo necessário um olhar crítico e político a cerca do Antropoceno, rompendo com o dualismo entre humanidade e natureza. Para tanto, como forma de diminuir a lacuna teórica presente nas práticas organizativas de Theodore Schatzki, trazemos os animais não-humanos para a discussão. Além disso, propomos que a etnografia multiespécies seja uma metodologia efetiva para mediar a lacuna teórica e metodológica das relações sociais de atores humanos e não-humanos, inclusive, em processos e cotidianos organizacionais. Esse diálogo entre o Antropoceno e as organizações permite pensarmos que as organizações “acontecem” para além do humano, assim como outros organismos também se organizam e possuem lugar nos processos organizativos. Consideramos que a humanidade não faz parte da natureza, mas é natureza, assim como as próprias organizações. Deste modo, práticas organizacionais que sejam centradas no humano acabam por apresentar uma compreensão limitada de nossa realidade social.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Valdir Costa Junior, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, Paraná, Brasil

Doutorando em Administração pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) na linha de pesquisa: Estudos Organizacionais e Sociedade. Mestre pela mesma instituição e linha de pesquisa. Trabalho minhas pesquisas sob os Estudos Baseados em Práticas (EBP), em especial sobre as práticas cotidianas de Michel de Certeau e de práticas sociais de Theodore Schatzki. De forma metodológica, trabalho com a etnografia. Sou formado pela UEM em Secretariado Executivo Trilíngue, falo e escrevo inglês fluentemente, além de ter um nível intermediário de espanhol e básico de francês. Atuo profissionalmente no ramo de comércio exterior desde 2013 com ênfase em importação. 

 

Josiane Silva de Oliveira, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, Paraná, Brasil

Sou doutora em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGA/UFRGS) com estágio doutoral realizado na Université du Québec/Canadá e estágio de pós-doutorado em Administração de Empresas/Estudos Organizacionais realizado na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV). Minha atuação tem se concentrado no campo dos Estudos Organizacionais e do Direito com foco nos Estudos Baseados em Práticas, Etnografias, Gênero, Relações Raciais, Políticas Públicas, Tecnologias e Ações Afirmativas. Atuo como pesquisadora no Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-brasileiros da Universidade Estadual de Maringá (NEIAB/UEM), associada a Associação Brasileira de Pesquisadoras/es Negras/es (ABPN), professora do Programa de Pós-graduação em Administração da Universidade Estadual de Maringá (PPA/UEM) e do Programa de Pós-graduação em Administração da Universidade Federal de Goiás (PPGADM/UFG). Atuo como editora associada da revista Organizações Sociedade (OS), seção Organizações, Teorias e Métodos, e editora adjunta da revista Cadernos de Administração (UEM). Faço parte comitê científico da área de EOR/ANPAD (2021-2023), do Conselho Fiscal da ABPN (2021-2022), assim como da Câmara de Planejamento (PLAN) e do Conselho Universitário (COU) da UEM.

Referências

Arluke, A., & Sanders, C. R. (1996). Regarding Animals. Philadelphia, PA: Temple University Press.

Baran, B., Rogelberg, S., & Clausen, T. (2016). Routinized killing of animals: going beyond dirty work and prestige to understand the well-being of slaughterhouse workers. Organization, 23(3), 351-369.

Beaujolin, R., Boudès, T., & Raulet-Croset, N. (2020). Interrelated agencies in an animal-centred organisation: the case of hunting with hounds. Culture and Organization, 27(3), 191-208.

Bispo, M. S. Methodological Reflections on Practice-Based Research in Organization Studies. BAR, Braz. Adm. Rev., 12(3), 309-323.

Clifford, J. (2011). A experiência etnográfica. Rio de Janeiro: UFRJ. 320 p.

Crist, E. (2013). On the Poverty of Our Nomenclature. Environmental Humanities, 3 (1), 129-147.

Deleuze, G.; & Guattari, F. (1997). Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol 4. São Paulo: Editora 34.

DeMello, M. (2021). Animals and Society: An Introduction to Human-Animal Studies. New York Chichester, West Sussex: Columbia University Press.

Erickson, B. (2020). Anthropocene futures: Linking colonialism and environmentalism in an age of crisis. Environment and Planning D: Society and Space, 38(1), 111-128.

Fanon, F. (2020). Alienação e Liberdade. Escritos Psiquiátricos. São Paulo: UBU Editora.

Fantinel, L. (2019). A epistemologia multiespécie nas relações entre organização e natureza: notas para discussão das fronteiras entre humanidade e animalidades. In VI Congresso Brasileiro de Estudos Organizacionais, Anais do VI CBEO.

Fantinel, L. (2020). O organizar multiespécie da cidade. In Luiz Alex Silva Saraiva; Ana Sílvia Rocha Ipiranga. (Eds.). História, práticas sociais e gestão das/nas cidades, 297-344.

Feldman, M. S., & Orlikowski, W. J. (2011). Theorizing practice and practicing theory. Organization Science, 22(5), 1240-1253.

Haraway, D. (2008). When species meet. Minneapolis: University of Minnesota Press.

Haraway, D. (2016a). Companions in conversation (with Cary Wolfe). In Haraway, D. (Ed). Manifestly Haraway. 199-299.

Haraway, D. (2016b). Staying with the Trouble: Making Kin in the Chthulucene. Durham; London: Duke University.

Júlio, A. C. (2016). Produzindo o Desfile de uma Escola de Samba: Contribuições da Epistemologia de Schatzki. Revista Interdisciplinar de Gestão Social, 5(3), 145-161.

Kirksey, S. E. (2020). The Emergence of COVID-19: A Multispecies Story. Anthropology Now, 12(1), 11-16.

Kirksey, S. E., & Helmreich, S. (2010). The emergence of multispecies ethnography. Cultural Anthropology, 25(4), 545-576.

Knight, C., & Sang, K. (2020). ‘At home, he’s a pet, at work he’s a colleague and my right arm’: police dogs and the emerging posthumanist agenda. Culture and Organization, 26(5-6), 355-371.

Krenak, A. (2019). Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras.

Krenak, A. (2021). O amanhã não está à venda. São Paulo: Companhia das Letras.

Law, J., & Lien, M. (2013). Animal architextures. In Harvey, P., Casella, E., Evans, G., Knox, H., McLean, C., Silva, C., Thoburn, N., & Woodward, K. (Eds.) Objects and Materials: A Routledge Companion. Abingdon: Routledge, 329-337.

Lien, M. E., & Pálsson, G. (2019). Ethnography Beyond the Human: The ‘Other-than-Human’ in Ethnographic Work. Ethnos, 86(1), 1-20.

Moore, J. W. (2016). The Rise of Cheap Nature. In Moore, J. W. (Ed). Anthropocene or Capitalocene? Nature, History, and the Crisis of Capitalism. Oakland: PM Press, 78-115

O’Doherty, D. P. (2016). Feline politics in organization: The nine lives of Olly the cat. Organization, 23(3), 407-433.

Oliveira, J. S., Ramos, T. G., Bernardo, G., & Rezende, L. (2016). Práticas Organizativas Memórias: um Estudo Sobre uma Organização Artesanal na Cidade de Goiás-GO. Teoria e Prática em Administração, 6(1), 16-40.

Ortner, S. B. (2006). Anthropology and Social Theory. Durham, Duke University Press.

Passos, J. S. L., & Bulgacov, Y. L. M. (2019). Da Filosofia para os Estudos Organizacionais: O Percurso Ontológico de Schatzki na Teoria da Prática Social. Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, 13(1), 1-15.

Reckwitz, A. (2002). Toward a Theory of Social Practices: A Development in Culturalist Theorizing. European Journal of Social Theory, 5(2), 243-263.

Santos, L. L. S., & Silveira, R. A. (2015). Por uma epistemologia das práticas organizacionais: a contribuição de Theodore Schatzki. Organizações & Sociedade, 22 (72), 79-98.

Sayers, J., Hamilton, L., & Sang, K. (2019). Organizing animals: Species, gender and power at work. Gender, Work and Organization, 26(3), 239-245.

Schatzki, T. (1996). Social practice: A Wittgensteinian Approach to Human Activity and The Social. Cambridge: Cambridge University.

Schatzki, T. (2002). The Site of The Social: A Philosophical Account of The Constitution of Social Life and Change. Pennsylvania: Pennsylvania State University

Schatzki, T. (2006). On Organizations as They Happen. Organization Studies, 27(12), 1863-1873.

Schatzki, T. (2016). Practice Theory as Flat Ontology. In Spaargaren, G., Weenik, D., & Lamers, M. (Eds.) Practice Theory and Research: Exploring the Dynamics of Social Life. Abingdon: Routledge, 28-42.

Schatzki, T. (2019). Social change in a material world. New York: Routledge.

Simpson, M. (2020). The Anthropocene as colonial discourse. Environment and Planning D: Society and Space, 38(1), 5371.

Smart, A. (2014). Critical perspectives on multispecies ethnography. Critique of Anthropology, 34(1), 3-7.

Tallberg, L., & Jordan, P. J. (2021). Killing Them ‘Softly’ (!): Exploring Work Experiences in Care-Based Animal Dirty Work. Work, Employment and Society, https://doi.org/10.1177/09500170211008715.

Tsing, A. (2012). Unruly Edges: Mushrooms as Companion Species: For Donna Haraway. Environmental Humanities, 1(1), 141-154.

Tsing, A. (2017). Uma ameaça para a ressurgência holocênica é uma ameaça à habitabilidade. In Tsing, A. Viver nas ruínas: paisagens multiespécies no Antropoceno. (2019). Brasília: IEB – Mil Folhas, 225-239.

Tureta, C., & Alcadipani, R. (2009). O objeto objeto na análise organizacional: a teoria ator-rede como método de análise da participação dos não-humanos no processo organizativo. Cadernos EBAPE.BR, 7(1), 50-70.

Wels, H. (2020). Multi-species ethnography: methodological training in the field in South Africa. Journal of Organizational Ethnography, 9(3), 343-363.

Wright, C., Nyberg, D., Rickards, L., & Freund, J. (2018). Organizing in the Anthropocene. Organization, 25(4), 455-471.

Wright, K. (2014). Becoming-with. Environmental Humanities, 5 (1), 277-281.

Downloads

Publicado

10.04.2023

Como Citar

COSTA JUNIOR, V.; OLIVEIRA, J. S. de. Organizações no Antropoceno: Um Diálogo entre as Práticas Organizativas e a Etnografia Multiespécies . Revista Ciências Administrativas, [S. l.], v. 29, p. 1–13, 2023. DOI: 10.5020/2318-0722.2023.29.e13681. Disponível em: https://ojs.unifor.br/rca/article/view/13681. Acesso em: 25 abr. 2024.

Edição

Seção

Artigos