Medicalização e a lógica do consumo: o complexo médico-industrial e o epistemicídio na formação médica
DOI:
https://doi.org/10.5020/18061230.2026.16144Palavras-chave:
Controle Social, Estigma Social, Indústria Farmacêutica, Medicalização, Uso de MedicamentosResumo
Este estudo analisa criticamente a medicalização enquanto tecnologia de controle social, operacionalizada mediante uma estrutura triádica interconectada, ou seja, por meio da hegemonia biomédica reducionista, da mercantilização da saúde pela indústria farmacêutica e do epistemicídio de saberes tradicionais. Ancorado nos referenciais teórico-críticos de Michel Foucault, Theodor Adorno, Max Horkheimer, Ivan Illich e Boaventura de Sousa Santos, o ensaio examina fontes culturais como os documentários Take Your Pills e Big Bucks, Big Pharma e a canção Who Put the Benzedrine in Mrs. Murphy’s Ovaltine?, articulando-as ao contexto brasileiro. Os resultados demonstram como o modelo biomédico homogeneizante — exemplificado durante a pandemia pela promoção política do “kit-covid” — marginaliza práticas baseadas em evidências. Simultaneamente, a indústria cultural naturaliza o consumo farmacológico mediante associações simbólicas entre medicamentos e ideais de desempenho, processo cujas raízes remontam à satirização da benzedrina no pós-guerra. O epistemicídio manifesta-se na supressão de saberes não hegemônicos e na conversão de desigualdades estruturais, como a sobrecarga de gênero, expressivamente medicalizada em 40,5% dos casos de depressão feminina, em patologias individuais. Conclui-se que a medicalização reproduz assimetrias coloniais à medida que vincula a saúde a lógicas de consumo, propondo-se a revisão curricular médica e a regulação da publicidade farmacêutica como estratégias para promover equidade e pluralidade epistêmica nas práticas de cuidado.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Jessica Corrêa Pantoja, José Lúcio Martins Machado, Maria Elisa Gonzalez Manso

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Ao publicar na RBPS, os autores declaram que o trabalho é de sua exclusiva autoria e assumem, portanto, total responsabilidade pelo seu conteúdo. Junto ao envio do manuscrito, autores devem encaminhar a Declaração de Responsabilidade e de Direitos Autorais assinada por todos os autores, bem como, sua contribuição individual na confecção do mesmo e deverá ser enviada no formato pdf. Os autores retêm os direitos autorais de seu artigo e concordam em licenciar seu trabalho utilizando uma Licença Pública Internacional Creative Commons, aceitando assim os termos e condições desta licença.
CC BY-NC: Esta licença permite que outros remixem, adaptem e criem a partir do artigo publicado para fins não comerciais, desde que atribuam o devido crédito aos criadores do trabalho (autores do artigo).
Link da licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0
Código legal: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/legalcode
















