Teleatendimento Psicológico em Comunidades Tradicionais da Amazônia durante a Pandemia da COVID-19

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/18061230.2026.15780

Palavras-chave:

Telessaúde Mental, Povos Indígenas, Agentes Comunitários de Saúde

Resumo

Objetivo: Descrever e discutir a implantação de uma estratégia de telecuidado psicológico em comunidades tradicionais do Estado do Amazonas durante a pandemia da COVID-19. Método: Pesquisa-ação desenvolvida no projeto “SUS na Floresta”, em comunidades tradicionais de 16 municípios do Amazonas, entre maio de 2020 e dezembro de 2022. As comunidades foram selecionadas por sua inserção nas ações da “Aliança COVID-Amazonas”, considerando a vulnerabilidade territorial, a dificuldade de acesso à saúde mental especializada, a presença de populações ribeirinhas e indígenas e a articulação com Agentes Comunitários de Saúde e Agentes Indígenas de Saúde. O estudo contemplou a análise do contexto pré-pandêmico, a organização da estratégia e a análise descritiva dos dados assistenciais. Resultados: No período que antecedeu a pandemia, observou-se que as populações parda, negra e indígena apresentavam baixa cobertura de assistência em saúde mental e taxas de suicídio superiores à média nacional. O telecuidado psicológico foi estruturado com base em estratégias integradas — tele-conhecer, tele-planejar, tele-agir e tele-transformar — e contou com a atuação central dos Agentes Comunitários de Saúde, possibilitando a realização de 469 atendimentos psicológicos entre maio de 2020 e dezembro de 2022. Identificou-se uma demanda reprimida por cuidado psicológico, pois 95% dos pacientes não tinham acompanhamento prévio com psicólogos. As principais queixas envolveram ansiedade, depressão, sofrimento familiar e vulnerabilidade social. Conclusão: A experiência descrita evidenciou o potencial do teleatendimento psicológico como estratégia para a promoção da saúde mental em comunidades tradicionais brasileiras, especialmente em contextos de vulnerabilidade social e territorial. Destaca-se que, embora o sistema de saúde universal e gratuito tenha sido implementado em 1988, o “SUS na Floresta” só chegará se seguir caminhos digitais e inovadores.

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Biografia do Autor

Andréia de Azevedo Swierczynski Pitombo, Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Manaus, Amazonas, Brasil

Graduada em Administração pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA) e em Psicologia pela Universidade Nilton Lins (UNL). Especialista em Gestão de Pessoas pela Faculdade Salesiana Dom Bosco (FSDB), em Gerontologia e Saúde do Idoso pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Psicologia do Trânsito pela Faculdade Única de Ipatinga (FUNIP) e em Cuidados Paliativos e Terapia da Dor pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Mestra em Gerontologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente, é Doutoranda em Nanociências pela Universidade Franciscana (UFN) e exerce funções de pesquisadora, professora e Gerente de Projetos Tecnológicos e Ações Sociais na Pró-Reitoria de Ensino e Pós-Graduação da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI).

Ivo Emílio da Cruz Jung , Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Manaus, Amazonas, Brasil

Bacharel em Psicologia pelo Centro Universitário Franciscano (2011). Mestre em Farmacologia pela Universidade Federal de Santa Maria (2015). Doutor em Farmacologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, 2021). Psicólogo Cognitivo-Comportamental da Policlinica Darlinda Ribeiro, Pró-Reitoria de Atenção a Saúde da Pessoa Idosa, Fundação Aberta da Terceira Idade. Pesquisador da FUnATI, Estado do Amazonas. Professor do Programa de Especialização Latu Sensu em Gerontologia e Saúde do Idoso da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Coordenador da Saúde Mental do Trabalhador-FunATI.

Verônica Farina Azzolin, Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Manaus, Amazonas, Brasil

Graduada em Biomedicina pelo Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (2013). Especialista em Gestão de Saúde Publica pela UNINORTE (2023). Mestra em Farmacologia pelo programa de Pós-Graduação em Farmacologia, pela Universidade Federal de Santa Maria-RS (2016). Doutora em Farmacologia pelo mesmo programa em (2018). Pós-Doutora pelo Programa de Fixação de doutores da FAPERGS/CAPES na área de Gerontologia (2018-2020). Pós-Doutora pelo CNPq na área Gerontologia e sequelas da COVID-19 (2020-2022). Atualmente é Pró-reitora de Pesquisa na Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade e professora colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Gerontologia na Universidade Federal de Santa Maria.

Euler Esteves Ribeiro , Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Manaus, Amazonas, Brasil

Reitor da Fundação Universidade da Terceira Idade. Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Pará (1967) e Doutor em Gerontologia Biomédica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2006). Atualmente é Membro Efetivo da Cadeira No 8 da Academia Amazonense de Letras, professor convidado da Universidade de Brasília, professor convidado da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professor titular da Universidade do Estado do Amazonas, coordenador do Curso de Pós-graduação em Gerontologia e Saúde do Idoso da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas e professor convidado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Virgílio Vianna, Fundação Amazonia Sustentável, Manaus, Amazonas, Brasil

Superintendente Geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Graduado em Engenharia Florestal, com PhD em Biologia Evolutiva pela Universidade de Harvard e pós-doutorado em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade da Flórida. Atualmente, é membro da Pontifícia Academia de Ciências Sociais do Vaticano, coordenador da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável Amazônia da ONU (UN-SDSN), professor associado da Fundação Dom Cabral e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), órgão criado pelo presidente da República.

Kelly Cristina Cebalho, Fundação Amazonia Sustentável, Manaus, Amazonas, Brasil

Bióloga (Licenciada e Bacharel), especialista em Educação Ambiental, Educação Digital e Robótica Educacional. Graduanda em Pedagogia pela UNIC.

Cristina Maranghello , Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Manaus, Amazonas, Brasil

Psicóloga graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2015), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pela mesma instituição (2024). Mestranda em Ciências do Envelhecimento pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como psicóloga e pesquisadora, com foco em saúde mental de populações vulnerabilizadas, especialmente pessoas idosas e populações ribeirinhas do estado do Amazonas.

Ketlen Nascimento Gomes, Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Manaus, Amazonas, Brasil

Graduada em Psicologia. Especialista em Psicomotricidade, Gerontologia e Saúde do Idoso e Musicoterapia. Atua na Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI), onde realiza atendimento clinico individual e de grupo na Policlínica Gerontologia e através de oficinas, palestras e capacitação na área da Gerontologia na Coordenação de Ensino. Participa do projeto "Vida e Saúde do Idoso Ativo" da Secretaria Executiva Adjunta de Direitos da Pessoa Idosa (SEADPI), vinculada a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC) do Estado do Amazonas.

Márcia Batista Santoro, Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Manaus, Amazonas, Brasil

Mestra em Gerontologia pela Universidade Federal de Santa Maria - RS. Doutoranda em Ensino de Humanidade e Linguagens pela Universidade Franciscana - UFN - Santa Maria - RS. Especialista em Gerontologia pela Universidade do Estado do Amazonas - UEA. Especialista em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM-RJ e FUCAPI-AM. Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas pela Universidade Federal do Amazonas. Pesquisadora e Coordenadora de Ensino na Pró-Reitoria de Ensino e Pós-Graduação na Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade - FUnATI.

Eduardo Vélez-Martin, Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Manaus, Amazonas, Brasil

Graduado em Ciências Biológicas, Mestre e Doutor em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1990, 1997 e 2012).

Ivana Beatrice Mânica da Cruz, Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Manaus, Amazonas, Brasil

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Maria, Mestra e Doutora em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pós-Doutora na University of Califórnia, Davis-USA. Atualmente é Vice-Reitora da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI) do Amazonas, coordenando também o Núcleo de Saúde Digital da Pessoa associado à Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde (SEIDIGI-MS), e Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Imunologia Básica Aplicada da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da UFSM. É bolsista produtividade científica do CNPq (PQ1C), coordenando a linha de pesquisa em Nutri-Farmacogênomica no Envelhecimento e Doenças não-transmissíveis e transmissíveis associadas ao envelhecimento que projetos básicos e de inovação. É membro honorário da Academia Amazonense de Medicina.

Fernanda Barbisan, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (2010), Mestra e Doutora em Farmacologia pela Universidade Federal de Santa Maria, e Pós-Doutorado em Gerontologia (PNPD/CAPES-UFSM). Desde 2021 é Professora do Departamento de Patologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É coordenadora do Laboratório de Biogenômica da UFSM. Atua como docente na graduação, ministrando a disciplina de Patologia Geral para os cursos de Farmácia e Enfermagem, e é professora e orientadora nos Programas de Pós-Graduação em Gerontologia (Mestrado) e Ciências Biológicas: Farmacologia (Mestrado e Doutorado) da UFSM. É coordenadora-substituta do PPG Gerontologia e chefe substituta do Departamento de Patologia. Faz parte da Sociedade Brasileira de Biologia Celular e Sociedade Brasileira de Farmacologia.

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Publicado

2026-07-28

Como Citar

Pitombo, A. de A. S., Jung , I. E. da C., Farina Azzolin, V., Esteves Ribeiro , E., Vianna, V., Cebalho, K. C., … Barbisan, F. (2026). Teleatendimento Psicológico em Comunidades Tradicionais da Amazônia durante a Pandemia da COVID-19. Revista Brasileira Em Promoção Da Saúde, 39, 1–16. https://doi.org/10.5020/18061230.2026.15780

Edição

Seção

Artigo Original