Gente de toda cor: Cuidados Paliativos para a população LGBTQIAPN+
DOI:
https://doi.org/10.5020/18061230.2025.16395Palavras-chave:
Cuidados Paliativos, Minorias Sexuais e de Gênero, Pessoas LGBTQIAPN+, Equidade em SaúdeResumo
Este ensaio reflete criticamente sobre o acesso e a qualidade dos cuidados paliativos para a população LGBTQIAPN+. Apesar de essenciais para a qualidade de vida, esses serviços são acessados apenas por 12% da população mundial que deles necessita, um número que se agrava para grupos vulnerabilizados, como a comunidade LGBTQIAPN+. Historicamente, a assistência à saúde, moldada por paradigmas colonialistas e cisheteronormativos, perpetua desigualdades estruturais, negligenciando as especificidades culturais e identitárias. No Brasil, mesmo com políticas públicas inclusivas, como a Política Nacional de Saúde Integral LGBT, persiste uma lacuna entre a legislação e a prática. Profissionais de saúde ainda demonstram despreparo para atender adequadamente às necessidades específicas dessa população, manifestando preconceitos implícitos e explícitos. Os “discursos do não” (não diferença, não saber, não querer) operam sistematicamente como mecanismos de exclusão, invisibilizando identidades e desconsiderando configurações familiares e processos de luto dessa comunidade. Para superar essas barreiras, torna-se imperativo adotar uma abordagem decolonial e afirmativa nos cuidados paliativos. Essa perspectiva exige educação permanente dos profissionais, reconhecimento da diversidade, uso de linguagem inclusiva e respeito às redes de apoio e “famílias de escolha”. Descolonizar as práticas de saúde é um passo essencial para construir um sistema equânime, ético e humanizado, que valorize ativamente a diversidade e respeite a dignidade e individualidade de todas as pessoas, especialmente aquelas historicamente marginalizadas e estigmatizadas.
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