Violência no namoro entre adolescentes: uma perspectiva Bioecológica do Desenvolvimento Humano
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i1.e14147Palavras-chave:
adolescência, violência, namoro, teoria bioecológica do desenvolvimento humanoResumo
Este estudo objetivou compreender as relações de namoro entre adolescentes, atravessadas por experiências de violência no seu desenvolvimento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizou como método de investigação a Inserção Ecológica, realizada em uma ONG na cidade do Recife/PE. Foram desenvolvidas entrevistas semiestruturadas, concretizadas em dois encontros com cada adolescente. As impressões e conversas informais com trabalhadores da ONG foram registradas no diário de campo. A amostra final foi composta por oito adolescentes entre 16 e 19 anos. Os dados foram analisados segundo a técnica de análise de conteúdo temática, sob a perspectiva da Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano. Os resultados indicam que as expressões de violência psicológica, digital e física foram as que mais atravessaram as relações amorosas dos adolescentes. Muitos reconheceram que já se envolveram em relacionamentos marcados pelo controle de suas atividades cotidianas e on-line, mas demonstram dificuldade na construção de contornos mais saudáveis nas relações.
Downloads
Referências
Andrade, T. A., Sampaio, M. A., & Donard, V. (2020). Análise da produção científica sobre a violência digital no namoro entre adolescentes: Uma revisão sistemática. Psico, 51(4), 1-14. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2020.4.34318
Barth, B., Wagner, A., & Levandowski, D. C. (2017). Descrição cronológica das manifestações amorosas de adolescentes do Sul do Brasil. Psicologia: Teoria e Prática, 19(3), 287-301. https://doi.org/10.5935/1980-6906/psicologia.v19n3p287-301
Basile, K. C., Clayton, H. B., DeGue, S., Gilford, J. W., Vagi, K. J., Suarez, N. A., Zwald, M. L., & Lowry, R. (2020). Interpersonal violence victimization among high school students - Youth risk behavior survey, United States, 2019. MMWR Supplements, 69(1), 28-37. https://doi.org/10.15585/mmwr.su6901a4
Borges, J. L., Heine, J. A, & Dell’Aglio, D. D. (2020). Personal and contextual predictors for adolescent dating violence perpetration. Acta Colombiana de Psicología, 23(2), 438-469. https://doi.org/10.14718/acp.2020.23.2.16
Bonell, C., Taylor, B., Berry, V., Priolo, S. R., Filho, Rizzo, A., Farmer, C., Hagell, A., Young, H., Orr, N., Shaw, N., Chollet, A., Kiff, F., Rigby, E., & Melendez-Torres, G. J. (2023). Re‐orientating systematic reviews to rigorously examine what works, for whom and how: Example of a realist systematic review of school‐based prevention of dating and gender violence. Research Synthesis Methods, 14(4), 582–595. https://doi.org/10.1002/jrsm.1644
Bronfenbrenner, U., & Morris, P. A. (2006). The bioecological model of human development. In: R. M. Lerner, & W. Damon (Eds.), Handbook of child psychology: Theoretical models of human development (pp. 35-52). John Wiley & Sons.
Bronfenbrenner, U. (2011). Bioecologia do desenvolvimento humano: Tornando seres humanos mais humanos. Artmed.
Carvalho-Barreto, A., Bucher-Maluschke, J. S. N. F., Almeida, P. C., & Souza, E. (2009). Desenvolvimento humano e violência de gênero: Uma integração bioecológica. Psicologia: Reflexão e Crítica, 22(1), 86–92. https://doi.org/10.1590/S0102-79722009000100012
Center for Disease Control and Prevention [CDC]. (2021). Preventing teen dating violence. https://www.cdc.gov/violenceprevention/pdf/ipv/TDV-factsheet_2022.pdf
Dahlberg, L. L., & Krug, E. G. (2006). Violência: Um problema global de saúde pública. Ciência & Saúde Coletiva, 11, 1163-1178. https://doi.org/10.1590/S1413-81232006000500007
DeGue, S., Le, V. D., & Roby, S. J. (2020). The dating matters® toolkit: Approaches to increase adoption, implementation, and maintenance of a comprehensive violence prevention model. Implementation Research and Practice, 1, 1-12. https://doi.org/10.1177/2633489520974981
Flach, R. M. D., & Deslandes, S. F. (2021). Love “contract” rules/breaches: The role of digital abuse. Ciência & Saúde Coletiva, 26(Suppl. 3), 5033–5044. https://doi.org/10.1590/1413-812320212611.3.34242019
Koller, S. H., Raffaelli, M., & Morais, N. A. (2020). From theory to methodology: Using ecological engagement to study development in context. Child Development Perspectives, 14(3), 157-163. https://doi.org/10.1111/cdep.12378
Lapierre, A., Paradis, A., Todorov, E., Blais, M., & Hébert, M. (2019). Trajectories of psychological dating violence perpetration in adolescence. Child Abuse & Neglect, 97(104167), 1-13. https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2019.104167
Leme, V. B. R., Prette, Z. A. P. D., Koller, S. H., & Prette, A. D. (2016). Habilidades sociais e o modelo bioecológico do desenvolvimento humano: Análise e perspectivas. Psicologia & Sociedade, 28(1), 181–193. https://doi.org/10.1590/1807-03102015aop001
Lordello, S., & Costa, L. F. (2015). Quando o príncipe vira sapo: Identificando os sinais da transformação. In: S. G. Murta, J. S. N. F. Bucher-Maluschke, & G. R. S. Diniz (Eds.), Violência no namoro: Estudos, prevenção e psicoterapia (pp. 53-73). Appris.
Love is Respect. (2019). Huddle up for health relationships: 2019 teen dating violence awareness month toolkit. https://www.loveisrespect.org/wp-content/uploads/2019/01/Huddle_Up_Print.pdf
Lucio-López, L. A., & Pietro-Quezada, M. P. (2014). Violencia en el ciberespacio en las relaciones de noviazgo adolescente: Um estudio exploratorio en estudiantes mexicanos de escuelas preparatorias. Revista Educacion y Desarrollo, 31, 61-72. https://www.cucs.udg.mx/revistas/edu_desarrollo/anteriores/31/31_Lucio.pdf
Martínez-Gómez, J. A., Bolívar-Suárez, Y., Rey-Anacona, C. A., Ramírez-Ortiz, L. C., Lizarazo-Ojeda, A. M., & Yanez-Peñúñuri, L. Y. (2021). Esquemas tradicionales de roles sexuales de género, poder en las relaciones y violencia en el noviazgo. Revista Iberoamericana de Psicología y Salud, 12(1), 1-16. https://doi.org/10.23923/j.rips.2021.01.041
Minayo, M. C. S. (2014). O desafio do conhecimento: Pesquisa qualitativa em saúde. Hucitec.
Minayo, M. C. S., Assis, S. G., & Njaine, K. (2011). Amor e violência: Um paradoxo das relações de namoro e do “ficar” entre jovens brasileiros. Fiocruz.
Nunes, M. C. A., & Morais, N. A. (2018). Gravidez pós-estupro: Considerações com base na abordagem bioecológica do desenvolvimento humano. Contextos Clínicos, 11(3), 285-296. https://doi.org/10.4013/ctc.2018.113.01
Oliveira, Q. B. M., Assis, S. G., Njaine, K., & Oliveira, R. V. C. (2011). Violência nas relações afetivo-sexuais. In: M. C. S. Minayo, S. G., Assis, & K. Njaine, (Eds.), Amor e violência: Um paradoxo das relações de namoro e do “ficar” entre jovens brasileiros (Cap. 4, pp.87-139). Fiocruz. https://doi.org/10.7476/9788575413852
One Love Foundation. (2020). 10 signs of a healthy relationship. https://www.joinonelove.org/wp-content/uploads/2020/09/10-Signs-of-a-Healthy-and-Unhealthy-Relationship-English.pdf
Paludo, S. S., Barbosa, T. P., & Barum, A. (2021). A violência contra a mulher na perspectiva bioecológica. In: J. C. Zamora, & L. F. Habigzang (Eds.), Contribuições da psicologia para enfrentamento à violência contra mulheres: Aportes teóricos e práticos (Cap. 2, pp. 51-73). Dialética.
Peralta, M. V., Fonseca-Pedrero, E., Bravo, L. G., & Piñeiro, M. P. (2019). Invisibilización de la violencia en el noviazgo en Chile: Evidencia desde la investigación empírica. Perfiles Latinoamericanos, 27(54), 1-31. https://doi.org/10.18504/pl2754-012-2019
Rey-Anacona, C. A., & Martínez-Gómez, J. A. (2021). Variables associated with dating violence victimization in colombian adolescentes. Pensamiento Psicológico, 19(1), 1-26. https://doi.org/10.11144/Javerianacali.PPSI19.vadv
Rosa, E. M., & Tudge, J. R. H. (2017). Teoria bioecológica do desenvolvimento humano: Considerações metodológicas. In: A. C. G. Dias, & E. M. Rosa (Eds.), Metodologias de pesquisa e intervenção com crianças, adolescentes e jovens (pp. 17-43). EDUFES.
Santos, T. M. (2019). Prevenção à violência no namoro: Avaliação de necessidades e desenvolvimento de intervenções. [Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília]. Repositório Institucional da UNB. https://repositorio.unb.br/handle/10482/35429
Sánchez, L., Gutiérrez, M. E., Herrera, N., Ballesteros, M., Izzedin, R., & Gómez, A. (2011). Representaciones sociales del noviazgo, em adolescentes escolarizados de estratos bajo, médio y alto, en Bogotá. Revista de Salud Pública, 13(2), 79-88. http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S012400642011000100007
Sanhueza, T., Lessard, G., Valdivia-Peralta, M., & Bustos-Ibarra, C. (2022). Points of view of Chilean adolescents about asking for help and suggestions to prevent dating violence based on an ecological systems theory. Open Journal of Social Sciences, 10(1), 458–477. https://doi.org/10.4236/jss.2022.101034
Souza, W. G. G., Lordello, S. R. M., & Murta, S. G. (2022). “Eu quero um amor”: Violência no namoro e medida socioeducativa. Revista Polis e Psique, 12(1), 211-238. https://doi.org/10.22456/2238-152X.112387
Turato, E. R. (2008). Tratado de metodologia de pesquisa clínico-qualitativa: Construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas. Editora Vozes.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Thaís Afonso Andrade, Marisa Amorim Sampaio, Véronique Donard, Priscilla Machado Moraes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Para autores: Cada manuscrito deverá ser acompanhado de uma “Carta de submissão” assinada, onde os autores deverão declarar que o trabalho é original e inédito, se responsabilizarão pelos aspectos éticos do trabalho, assim como por sua autoria, assegurando que o material não está tramitando ou foi enviado a outro periódico ou qualquer outro tipo de publicação.
Quando da aprovação do texto, os autores mantêm os direitos autorais do trabalho e concedem à Revista Subjetividades o direito de primeira publicação do trabalho sob uma licença Creative Commons de Atribuição (CC BY NC), a qual permite que o trabalho seja compartilhado e adaptado com o reconhecimento da autoria e publicação inicial na Revista Subjetividades.
Os autores têm a possibilidade de firmar acordos contratuais adicionais e separados para a distribuição não exclusiva da versão publicada na Revista Subjetividades (por exemplo, publicá-la em um repositório institucional ou publicá-la em um livro), com o reconhecimento de sua publicação inicial na Revista Subjetividades.
Os autores concedem, ainda, à Revista Subjetividades uma licença não exclusiva para usar o trabalho da seguinte maneira: (1) vender e/ou distribuir o trabalho em cópias impressas ou em formato eletrônico; (2) distribuir partes ou o trabalho como um todo com o objetivo de promover a revista por meio da internet e outras mídias digitais e; (3) gravar e reproduzir o trabalho em qualquer formato, incluindo mídia digital.
Para leitores: Todo o conteúdo da Revista Subjetividades está registrado sob uma licença Creative Commons Atribuição (CC BY NC) que permite compartilhar (copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato) e adaptar (remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim) seu conteúdo, desde que seja reconhecida a autoria do trabalho e que esse foi originalmente publicado na Revista Subjetividades.














