Avaliação de uma Tecnologia de Capacitação Profissional para Psicólogas/os sobre Violência Sexual

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25iEsp.e15023

Palavras-chave:

abuso sexual, rede de proteção, avaliação de programas, capacitação profissional, formação continuada

Resumo

Este estudo avaliou uma tecnologia de capacitação profissional para psicólogas/os da saúde e assistência social que atendem crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Compuseram a amostra deste estudo psicólogas/os (n = 57; Midade = 33,68; DP = 7,66), que concluíram pelo menos 75% da capacitação e participaram das avaliações de pré e pós-teste. A maioria era do sexo feminino (82,5%), atuava em equipamento da assistência social (58%) e tinha contrato de trabalho temporário (35,1%). Os participantes responderam aos instrumentos de familiaridade com o tema do abuso sexual, crenças sobre abuso sexual e autoeficácia ocupacional no pré-teste. Após o último módulo, no pós-teste, os participantes foram submetidos a uma retestagem utilizando os mesmos instrumentos, com o objetivo de avaliar o efeito da capacitação, além do acréscimo de medidas de reação ao curso e ao desempenho do instrutor. Os resultados revelaram uma avaliação positiva por parte dos profissionais, que atribuíram altas médias às escalas de reação ao curso e de desempenho do instrutor. Verificou-se, ainda, um aumento nos níveis de familiaridade com o tema e na autoeficácia ocupacional, o que revela evidências de efetividade da capacitação. Não foram identificadas diferenças estatisticamente significativas em relação às crenças sobre o abuso sexual. Considera-se que a tecnologia de capacitação profissional se apresentou como uma importante ferramenta para a aquisição de novos conhecimentos por parte das/os psicólogas/os, inclusive para auxiliar no planejamento de futuros programas de formação profissional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mykaella Cristina Antunes Nunes , Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Ceará, Brasil

Graduada em Psicologia pela Universidade de Fortaleza - UNIFOR (2009). É especialista em caráter de Residência Multiprofissional em Atenção Hospitalar à Saúde pela UFC (2012), com ênfase em “Saúde da Mulher e da Criança”. Também em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUCPR (2023). Possui Mestrado (2014), Doutorado (2019) e Pós-Doutorado (2023) pela UNIFOR. Atua como psicóloga hospitalar na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (CH-UFC), como professora do curso de Psicologia no Centro Universitário 7 de Setembro, como orientadora de trabalhos de conclusão de curso de residência na Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE). Integra o GT Juventude, Resiliência e Vulnerabilidade da ANPEPP.

Rebeca Fernandes Ferreira Lima, Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Ceará, Brasil

Psicóloga (2012), Mestra (2014) e Doutora (2018) em Psicologia pela Universidade de Fortaleza. Realizou estágio de mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2013) e estágio de doutorado na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, Estados Unidos (2017). Realizou estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Espírito Santo (2018-2020) contemplada com a bolsa CAPES/FAPES Edital_10/2018. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Fortaleza (Edital CAPES/Família e Políticas Públicas no Brasil II) (2022-2024). Atualmente é membro do Conselho Editorial (Consulting Editors) do Journal of Research on Adolescence (2025). Integrante do GT Juventude, Resiliência e Vulnerabilidade da ANPEPP.

Normanda Araujo Morais, Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Ceará, Brasil

Graduada (2003) em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Mestra (2005), Doutora (2009) e Pós-Doutora (2011) em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Realizou o seu estágio de doutorado sanduíche (2008) na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, Estados Unidos. Estágio pós-doutoral na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), no período de fevereiro a julho de 2023. Professora Titular do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), onde coordena o Laboratório de Estudos dos Sistemas Complexos: casais, família e comunidade (LESPLEXOS). Coordenadora do PPG em Psicologia da Unifor (Outubro/2015 a Fevereiro/2022). Bolsista de Produtividade 1C do CNPq. Coordenadora do GT Juventude, Resiliência e Vulnerabilidade da ANPEPP (2017-2020).

Referências

Abbad, G. S. (1999). Um modelo integrado de avaliação do impacto do treinamento no trabalho – IMPACT. [Doutorado em Psicologia]. Universidade de Brasília.

Anjos, L. S. S., Trindade, A. A., & Hohendorff, J. V. (2021). Recebimento e encaminhamentos de notificações de casos de violência sexual pelo conselho tutelar. Revista da SPAGESP, 22(1), 22-38. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702021000100003#:~:text=Os%20principais%20meios%20de%20recebimento,Sa%C3%BAde%20(UBS)%20e%20hospitais

Aznar-Blefari, C., Lunardon, M. S., Freitas, C. P. P., & Habigzang, L. F. (2021). Avaliação de treinamento em entrevistas investigativas com crianças vítimas de violência sexual. Revista Psicologia: Organizações e Trabalho, 21(3), 1605-1614. https://doi.org/10.5935/rpot/2021.3.20623

Bandura, A. (2000). Cultivate self-efficacy for personal and organizational effectiveness. In E. A. Locke (Ed.), Handbook of principles of organizational behavior (pp. 120-136). Blackwell.

Cohen, J. (1988). Statistical power analysis for the behavioral sciences (2nd ed.). Routledge.

Conselho Federal de Psicologia. (2020). Referências técnicas para atuação de psicólogas (os) na rede de proteção às crianças e adolescentes em situação de violência sexual. https://site.cfp.org.br/publicacao/referencias-tecnicas-para-atuacao-de-psicologasos-na-rede-de-protecao-as-criancas-e-adolescentes-em-situacao-de-violencia-sexual/

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. (1988). Emendas Constitucionais de Revisão. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

Costa, D. K. G., Reichert, L. P., França, J. R. F. S., Collet, N., & Reichert, A. P. S. (2015). Concepções e práticas dos profissionais de saúde acerca da violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes. Trabalho, Educação e Saúde, 13(2), 79–95. https://doi.org/10.1590/1981-7746-sip00083

Custódio, A. V., & Cassionato, A. S. A. C. (2022). A violência sexual infanto-juvenil e o atendimento no estado do Rio Grande do Sul. Revista de Estudos Empíricos em Direito, 9, 1–33. https://doi.org/10.19092/reed.v9.604

Decreto nº 9.603, de 10 de dezembro de 2018. (2018, 10 de dezembro). Regulamenta a Lei n. 13.431, de 4 de abril de 2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência. Presidência da República. https://legis.senado.leg.br/norma/30735080

Freitas, C. P. P., Damásio, B. F., & Koller, S. H. (2016). Escala de autoeficácia ocupacional em intervenções com populações vulneráveis. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 32(4), 1-9. https://doi.org/10.1590/0102.3772e324224

Freitas, C. P. P., Habigzang, L. F., & Koller, S. H. (2015). Avaliação de uma capacitação para profissionais de psicologia que trabalham com vítimas de abuso sexual. Psico, 46(1), 38–45. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2015.1.16718

Gonçalves, H. S., & Ferreira, A. L. (2002). A notificação da violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes por profissionais da saúde. Caderno de Saúde Pública, 18(1), 315-319. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2002000100032

Jesus, D. S. S., & Aranha, M. L. M. (2018). “Reparando” a falta: Uma análise sobre a histórica “feminização” do serviço social. Anais do XVI Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social, 1(1), 1-18. https://periodicos.ufes.br/abepss/article/view/22310

Krug, E. G., Dahlberg, L. L., Mercy, J. A., Zwi, A. B., & Lozano, R. (2002). Relatório mundial sobre violência e saúde. Organização Mundial da Saúde. https://opas.org.br/wp-content/uploads/2015/09/relatorio-mundial-violencia-saude-1.pdf

Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. (1990, 13 de julho). Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm

Lei nº 12.015, de 07 de agosto de 2009. (2009, 07 de agosto). Altera o Título VI da Parte Especial do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, e o art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, que dispõe sobre os crimes hediondos, nos termos do inciso XLIII do art. 5o da Constituição Federal e revoga a Lei no 2.252, de 1o de julho de 1954, que trata de corrupção de menores. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12015.htm

Lei nº 12.650, de 17 de maio de 2012. (2012, 17 de maio). Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, com a finalidade de modificar as regras relativas à prescrição dos crimes praticados contra crianças e adolescentes. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12650.htm

Lei nº 13.431, de 04 de abril de 2017. (2017, 04 de abril). Estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e altera a Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13431.htm

Luz, J. M. O., Murta, S. G., & Aquino, T. A. A. (2017). Avaliação de resultados e processo de uma intervenção para promoção de sentido da vida em adolescentes. Trends in Psychology, 25(4), 1795–1811. https://doi.org/10.9788/TP2017.4-14Pt

Machado, C. R., Gonçalves, R., & Matos, M. (2000). Escalas para avaliação do enquadramento cultural da violência contra mulheres e crianças. Universidade do Minho.

Marra, M. M., & Costa, L. F. (2016). Caracterização do abuso sexual em clientela do CREAS. Revista Subjetividades, 16(2), 105-116. https://doi.org/10.5020/23590777.16.2.105-116

Ministério da Saúde. (2002). Notificação de maus-tratos contra crianças e adolescentes pelos profissionais de saúde: Um passo a mais na cidadania em saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/notificacao_maustratos_criancas_adolescentes.pdf

Ministério da Saúde. (2014). Linha de cuidado para a atenção integral à saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em situação de violências: Orientação para gestores e profissionais de saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/linha_cuidado_atencao_integral_saude.pdf

Ministério da Saúde. (2024). Notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil, 2015 a 2021. Boletim Epidemiológico, 54(8), 1-15. https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2023/boletim-epidemiologico-volume-54-no-08

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. (2011). Orientações técnicas: Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS. https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/documentos/04-caderno-creas-final-dez..pdf

Moreira, G. A. R., Freitas, K. M., Cavalcanti, L. F., Vieira, L. J. E. S., & Silva, R. M. (2018). Qualificação de profissionais da saúde para a atenção às mulheres em situação de violência sexual. Trabalho, Educação e Saúde, 16(3), 1039–1055. https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00156

Moreira, G. A. R., Vasconcelos, A. A., Marques, L. A., & Vieira, L. J. E. S. (2013). Instrumentação e conhecimento dos profissionais da equipe saúde da família sobre a notificação de maus-tratos em crianças e adolescentes. Revista Paulista de Pediatria, 31(2), 223-230. https://doi.org/10.1590/S0103-05822013000200014

Nunes, M. C. A., & Morais, N. A. (2021). Práticas Profissionais relacionadas às demandas de violência sexual: Revisão da literatura nacional. Psicologia: Ciência e Profissão, 41, 1-14. https://doi.org/10.1590/1982-3703003227527

Pauli, C. G., Traesel, E. S., & Siqueira, A. C. (2019). A precarização do trabalho dos psicólogos temporários no CREAS. Psicologia: Ciência e Profissão, 39, 1-13. https://doi.org/10.1590/1982-3703003188301

Pereira, C. A., Maciel, S. C., Dias, C. C. V., Alexandre, T. M. O., Oliveira, M. X., & Pimentel, C. E. (2019). Validação da Escala de Crenças sobre Abuso Sexual (ECAS) no contexto brasileiro. Psico-Usf, 24(1), 145–158. https://doi.org/10.1590/1413-82712019240112

Platt, V. B., Back, I. C., Hauschild, D. B., & Guedert, J. M. (2018). Violência sexual contra crianças: Autores, vítimas e consequências. Ciências Saúde Coletiva, 23(4), 1019-1031. https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-952624

Quebrar o Silêncio (2023, 30 de novembro). Princípios básicos para a prevenção da violência sexual contra crianças: Conhecer, identificar e agir: Guia para profissionais. Quebrar o Silêncio. https://www.dge.mec.pt/noticias/principiosbasicos-para-prevencao-da-violencia-sexual-contra-criancas-conhecer-identificar

Silva, A. C. R., & Albanese, L. (2020). Formação acadêmica e atuação do psicólogo nos Centros de Referência de Assistência Social. Pesquisas e Práticas Psicossociais, 15(4), 1-16. http://seer.ufsj.edu.br/revista_ppp/article/view/e2947/2472

Travassos, L. M. M. (2013). Representações sociais dos profissionais de CREAS acerca da violência sexual contra crianças e adolescentes [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal da Paraíba]. Repositório Institucional da UFPB. https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/tede/8952

Vega, L. B. S., & Paludo, S. S. (2015). Exploração sexual e rede de proteção na perspectiva da vítima. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 67(2), 47-60. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672015000200005

Vieira, L. J. E. S., Silva, R. M., Cavalcanti, L. F., & Deslandes, S. F. (2015). Capacitação para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes em quatro capitais brasileiras. Ciência & Saúde Coletiva, 20(11), 3407–3416. https://doi.org/10.1590/1413-812320152011.20512014

Zerbini, T., & Abbad, G. (2009). Reação ao desempenho do tutor em um curso a distância: Validação de uma escala. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 9(2), 447-463. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812009000200012

Downloads

Publicado

30.11.2025

Como Citar

Nunes , M. C. A., Lima, R. F. F., & Morais, N. A. (2025). Avaliação de uma Tecnologia de Capacitação Profissional para Psicólogas/os sobre Violência Sexual. Revista Subjetividades, 25(Esp). https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25iEsp.e15023

Edição

Seção

Dossiê: Intervenções Psicossociais em Contextos de Vulnerabilidade