Modelagem matemática da autodepuração da microbacia do Irurá no município de Santarém – Pará

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/23180730.2020.10275

Resumo

Os ecossistemas aquáticos possuem um mecanismo natural de recuperação após receberem uma determinada carga de poluentes, e tal capacidade de autodepuração pode ser analisada através da modelagem matemática. No município de Santarém, muitos corpos d’água sofrem com a crescente degradação, tornando-se necessário monitorar e avaliar a qualidade da água da microbacia e buscar respostas através da modelagem, avaliando a sua capacidade de autodepuração. O objetivo do presente estudo foi avaliar a capacidade de autodepuração da microbacia do Irurá, de um corpo d´água urbano, através da análise da autodepuração do oxigênio dissolvido (OD) utilizando modelagem matemática. A coleta de dados ocorreu nos anos de 2016 e 2017. Para o ajuste dos coeficientes da modelagem matemática foi utilizado o software Curver Expert 1.4, usando o método matemático de ajuste de funções não lineares de Levenberg-Marquardt. Foi inserido o modelo matemático de Streeter-Phelps completo levando em consideração as parcelas de déficit pontual, DBO pontual, nitrificação, demanda de sedimento, fotossíntese e respiração. Foram ajustados oito coeficientes do modelo em função dos dados experimentais de oxigênio dissolvido e do tempo de percurso d’água. Diferentemente dos outros trabalhos apresentados na literatura, os coeficientes foram obtidos através de ajuste do modelo matemático de Streeter-Phelps. A partir dos coeficientes ajustados foi possível predizer o nível de decaimento do OD a qualquer tempo de percurso do corpo d’água, possibilitando a identificação das seções com nível crítico de OD.

Biografia do Autor

Lucinewton Silva Moura, Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas -ICTA, Universidade Federal do Oeste do Pará -UFOPA.

Possui graduação em Engenharia Química pela Universidade Federal do Pará (1996), mestrado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Pará (2000), doutorado em Engenharia de Alimentos com ênfase em desenvolvimentos de processos pela Universidade Estadual de Campinas (2004) e pós-doutorado na Faculdade de Engenharia Química UFPA (2005). È Professor Associado III da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) lotado no Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA) no Bacharelado em Engenharia Sanitária e Ambiental. Atualmente é Diretor do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas - ICTA da Universidade Federal do Oeste do Pará. Foi coordenador do Bacharelado em Engenharia Sanitária e Ambiental no biênio 2016-2018. Possui larga experiencia na coordenação de cursos de graduação e em projetos de pesquisa e de extensão. È membro de um grupo de pesquisa que tem desenvolvido vários projetos de pesquisa ao longo dos últimos anos, relacionado com o grau de comprometimento dos recursos hídricos da Amazônia, objetivando identificar danos ao meio ambiente através de ações integradoras (aspectos bioecológicos, de hidrologia e geomorfológicos, combinados aos aspectos sócio-ambientais). Foi coordenador do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental/ICTA no biênio 2012 a 2014. Presidiu o núcleo Docente Estruturante do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental/ICTA-UFOPA de 2012 a 2014. Foi diretor da Faculdade de Engenharia de Minas e Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará onde fez parte da equipe de implantação do curso e pela reformulação no projeto pedagógico. Foi representante do campus de Marabá no conselho superior de Ensino pesquisa e extensão (CONSEPE) da UFPA. Foi Supervisor geral da divisão de estágio e intercambio acadêmico da Faculdade de Engenharia de Minas e Meio Ambiente/UFPA. Atua nas áreas: Química de Águas Continentais, Química Aplicada a Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos, Modelagem Matemática de Recursos Hídricos .

Raquel Freitas dos Santos, Universidade Federal do Oeste do Pará -UFOPA

Possui graduação em Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia das Águas pela Universidade Federal do Oeste do Pará (2018). Graduanda em Engenharia Sanitária e Ambiental.

Zaqueu dos Santos, Universidade Federal do Oeste do Pará -UFOPA

Possui graduação Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia das Águas pela Universidade Federal do Oeste do Pará (2018).

Mirian Santos de Sousa, Universidade Federal do Oeste do Pará -UFOPA

Possui graduação em B. I. em Ciências e Tecnologia das Águas pela Universidade Federal do Oeste do Pará (2018). Acadêmica do curso Engenharia Sanitária e Ambienta

Ruy Bessa Lopes, Universidade Federal do Oeste do Pará -UFOPA

Biólogo, possui mestrado em Produção Animal pela UNESP (2000), Ciências pela USP (2005) e Pós-Doutorado em Ecotoxicologia pelo CENA/USP (2010). Têm experiência em ecologia aplicada com ênfase na ecotoxicologia de moléculas orgânicas e poluição aquática. Atualmente é professor da Universidade Federal do Oeste do Pará.

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Publicado

2020-06-30

Como Citar

Moura, L. S., Santos, R. F. dos, Santos, Z. dos, Sousa, M. S. de, & Lopes, R. B. (2020). Modelagem matemática da autodepuração da microbacia do Irurá no município de Santarém – Pará. Revista Tecnologia, 41(1). https://doi.org/10.5020/23180730.2020.10275

Edição

Seção

Artigos