O Manicômio no Cariri Cearense: Análise Arquegenealógica de sua Abertura e Fechamento

Autores

  • Leda Mendes Gimbo Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Magda Diniz Bezerra Dimenstein
  • Jáder Ferreira Leite Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v19i1.e6587

Palavras-chave:

arqueologia, genealogia, saúde mental, hospital psiquiátrico.

Resumo

Este artigo objetiva analisar as formações discursivas e não discursivas que possibilitaram a abertura de um hospital psiquiátrico na Região do Cariri cearense, entre os anos 1970 e 2016. Propõe o uso dos conceitos foucaultianos de arqueologia e genealogia enquanto método e estratégia de análise. A hipótese de pesquisa defendida é de que a abertura desse hospital faz parte de um processo amplo de instalação de hospitais psiquiátricos no Brasil e aponta para o internamento enquanto lógica massiva de intervenção em Saúde Mental no Brasil, que, embora segregacionista e excludente, se manteve até o final da década de 1980.

Biografia do Autor

Leda Mendes Gimbo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Mestre e Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Psicóloga clínica especialista em Neuropsicologia pela Unichristus. Professora no curso de graduação em Psicologia da Faculdade Vale do Salgado.

Magda Diniz Bezerra Dimenstein

Profa. Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN. Graduada em Psicologia pela UFPE (1986), Mestre em Psicologia Clínica pela PUC/RJ (1994) e Doutora em Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ (1998). Realizou estágio Pós-Doutoral em Saúde Mental na Universidad Alcalá de Henares (Espanha/2010) e em Saúde Coletiva no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da UFC (2017). Atua na área de saúde coletiva com ênfase em saúde mental, atenção primária e psicossocial, em cenários urbanos e rurais. Está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRN, orientando em nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Coordena o grupo de pesquisa ?Modos de subjetivação, Políticas Públicas e Contextos de Vulnerabilidades? (diretório de GP/CNPq). Bolsista PQ1A/CNPq. É membro do GT/ANPEPP ?Políticas de subjetivação e invenção do cotidiano?. Faz parte da diretoria da ANPEPP (Gestão 2016-18) no cargo de Presidente.

Jáder Ferreira Leite, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Doutor em Psicologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Professor Associado I, vinculado ao Departamento de Psicologia da UFRN.

Referências

Amarante, P. (1995). Loucos pela vida: A trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Amarante, P. (1997). Loucura, cultura e subjetividade: Conceitos e estratégias, percursos e atores da reforma psiquiátrica brasileira. In S. Fleury (Org.). Saúde e democracia: A luta do Cebes, (pp. 163-185). São Paulo: Lemos Editorial.

Amarante, P. (2007). Saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.

Brasil. (2012). Saúde mental em Dados - 10. Brasília: Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde/DAPE. Retrieved from <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/mentaldados10.pdf>

Cunha, C. de M. S. (2013). A fundação da Casa de Saúde Santa Teresa em Crato-CE (1970): História local, médicos e políticas públicas para a área psiquiátrica. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Deleuze, G. (2010). Conversações. (P. P. Pelbart, Trad., 34. ed.). São Paulo: Ed. 34.

Facchinetti, C., & Muñoz, P. F. N. de. (2013). Emil Kraepelin na ciência psiquiátrica do Rio de Janeiro, 1903-1933. História, Ciências, Saúde, 20(1), 239-262.

Figueiredo, J. de Filho. (2010). História do Cariri IV. (1. ed.). Fortaleza: Edições URCA – Edições UFC.

Foucault, M. (1992). As palavras e as Coisas: Uma Arqueologia das Ciências Humanas. (S. T. Muchail, Trad.). São Paulo: Martins Fontes.

Foucault, M. (2003). A vida dos homens infames. In M. B. de Moura (org.). Estratégia, poder-saber, Ditos e Escritos IV. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Foucault, M. (2005). História da Loucura: Na idade clássica. (J. T. Coelho Neto, Trad. 8ª ed.). São Paulo: Perspectiva.

Foucault, M. (2006). O poder psiquiátrico: Curso dado no Collège de France. (2. ed.). São Paulo: Martins Fontes.

Foucault, M. (2008). A arqueologia do saber. (L. F. B. Neves, Trad. 7ª ed.). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Foucault, M. (2008a). Segurança, território e população. São Paulo: Martins Fontes.

Foucault, M. (2008b). Nascimento da biopolítica: Curso dado no Collège de France. São Paulo: Martins Fontes.

Foucault, M. (2011). Em defesa da sociedade: Curso dado no Collège de France. São Paulo: Martins Fontes.

Foucault, M. (2001a). La folie n’existe que dans une société. In D. Defert (org.). Dits et écrits I, (pp. 195-198). Paris: Quarto Gallimard.

Foucault, M. (2001b). Folie, littérature, société. In D. Defert (org.). Dits et écrits I, (pp. 972-995). Paris: Quarto Gallimard.

Foucault, M. (2001c). La maison des fous. In D. Defert (org.). Dits et écrits I, (pp. 1561-1566). Paris: Quarto Gallimard.

Gimbo, F. (2016). Da ordem do discurso ao discurso da ordem: Da relação entre saber e poder em Michel Foucault. Sapere Aude: Revista de Filosofia, 7, 132-154.

Oda, A. M. G. R., & Dalgalarrondo, P. (2005). História das primeiras instituições para alienados no Brasil. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, 12(3), 983-1010.

Oliveira, C. C. de. et al. (2003). Loucura em liberdade: Vivências e convivências em Crato-CE (1930-1970). Rev. bras. enferm., 56(2), 138-142.

Resende, H. (2007). Politica de saúde mental no Brasil: Uma visão histórica. In S. Tundis & N. Costa (Orgs.). Cidadania e Loucura: Políticas de Saúde Mental no Brasil (pp. 150-165). Petrópolis: Ed. Vozes.

Schneider, D. R. et al. (2013). Políticas de saúde mental em Santa Catarina nos anos 1970 vanguarda na psiquiatria brasileira. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, 20(2), p.553-570. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702013000200011

Jornais e Revistas

Aquino. L Sanatório para o Cariri. Jornal A Ação, Crato, Ceará, 08 fev. 1965, p.5.

Aquino, L. Mendicância. Jornal A Ação, Crato, Ceará, 11 abril 1965, p.5.

(sem autoria): Crato ganhará esse ano seu hospital Psiquiátrico!. Jornal A Ação, Crato, Ceará, 20 abril 1969, p.1.

(sem autoria): Casa de Saúde Santa Teresa Funcionará esse ano, Jornal A Ação, Crato, Ceará, 30 agosto 1969, p.2.

(sem autoria): Débil mental desrespeita famílias, tirando a roupa e dizendo palavrões. Jornal A Ação, Crato, Ceará, 20 set. 1969, p.2.

(sem autoria): Inaugurada Casa de Saúde Santa Teresa em Crato, Jornal A Ação, Crato, Ceará, 27 junho 1970, p.3.

Neves, N. Salve Crato, cidade princesa, município modelo do Ceará!, Revista Itayera, Instituto Cultural do Cariri, número 18, ano 1974, p.183-185.

Leopoldo, A. Inauguração da Casa de Saúde Santa Teresa, Revista Itayera, Instituto Cultural do Cariri, número 14, ano 1970, p.65-66.

Downloads

Publicado

06.05.2019

Como Citar

Gimbo, L. M., Dimenstein, M. D. B., & Leite, J. F. (2019). O Manicômio no Cariri Cearense: Análise Arquegenealógica de sua Abertura e Fechamento. Revista Subjetividades, 19(1), Publicado em: 02/08/2019. https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v19i1.e6587

Edição

Seção

Relatos de Experiências

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)