Eu, meu Nome, meu Território: Uma Ação Clínica com “Meninos de Rua”
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i3.e15112Palavras-chave:
psicanálise, meninos de rua, nome próprio, território, instituiçãoResumo
Rupturas, violências, violação dos direitos humanos, perdas drásticas, tráfico de drogas, exploração sexual, delitos, errâncias. É na trama desses fatores que se desenha a complexa realidade de segregação social de milhares de crianças e adolescentes que vagueiam pelas ruas, pelas casas, pelas instituições, a escancarar o contexto perverso que se esforça por apagar todo e qualquer traço de humanidade dos “meninos de rua”. Este artigo resulta de uma ação de extensão, que teve por objetivo propiciar, por meio de grupo operativo, um espaço de construção coletiva acerca do nome próprio, da apropriação do sujeito e do território para adolescentes em situação de vulnerabilidade psíquica e social. Ancorando-se no referencial teórico psicanalítico, a ação clínica, assim como a construção deste texto, visaram a pôr em relevo, na vida dessas crianças e adolescentes, as funções psíquicas do nome próprio e do território, entendendo-as como constitutivas de lugares psíquicos e de espaços de pertencimento e reconhecimento para sujeitos do desejo, a despeito da dessubjetivação e da marca de exclusão que a nominação “meninos de rua” carrega.
Downloads
Referências
Barros, P. C. M. (2015). “Eu vinha rodando pela rua”: Que ponto de ancoragem para o sujeito adolescente em situação de rua? [Tese de Doutorado, Universidade Católica de Pernambuco]. Sistema de Publicação Eletrônica de Teses e Dissertações. http://tede2.unicap.br:8080/handle/tede/871
Broide, J. (2006). A Psicanálise nas situações sociais críticas: Uma abordagem grupal à violência que abate a juventude das periferias. [Tese de Doutorado]. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Broide, J. (2019). A clínica psicanalítica na cidade. In E. Broide, & I. Katz (Orgs.), Psicanálise nos espaços públicos (pp. 48-65). IP/USP.
Diego, E. (1946). Divertimentos. Ediciones Orígenes.
Douville, O. (2002). Fundações subjetivas dos lugares da adolescência. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, (23), 76-89.
Douville, O. (2008). De l’adolescence errante: Variations sur les non-lieux de nos modernités. Pleins Feux.
Douville, O. (2011). Para que serve o nome que carrego, quando minhas culturas se desmancham? Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, 14(1), 35–46. https://doi.org/10.1590/S1516-14982011000100003
Dunker, C. I. L. (2015). Mal-estar, sofrimento e sintoma: Uma psicopatologia do Brasil entre muros. Boitempo.
Ferreira, T. (2001). Os meninos e a rua: Uma interpelação à Psicanálise. Editora Autêntica.
Gerber, K. F., & Zanotti, S. V. (2020). Nome próprio: Influências teóricas e incidências clínicas da nomeação na obra de Lacan. Tempo Psicanalítico, 52(1), 61-89. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-48382020000100003
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. (2023, 23 de maio). População em situação de rua supera 281,4 mil pessoas no Brasil. https://www.ipea.gov.br/portal/categorias/45-todas-as-noticias/noticias/13457-populacao-em-situacao-de-rua-supera-281-4-mil-pessoas-no-brasil
Lacan, J. (2003). O seminário, livro 9: A identificação. Centro de Estudos Freudianos do Recife. (Trabalho original publicado em 1961-1962).
Lacan, J. (2006). O seminário, livro 12: Problemas cruciais para a Psicanálise. Centro de Estudos Freudianos do Recife. (Trabalho original publicado em 1964-1965).
Lage, S. (1992). Nomes e renomes entre os bandidos. Instituto Raul Soares https://www.fhemig.mg.gov.br/noticias/2447-instituto-raul-soares-completa-100-anos-de-historia#:~:text=Fundado%20em%207%20de%20setembro,social%20daqueles%20que%20anteriormente%20eram
Lebrun, J. P. (2010). O mal-estar na subjetivação. CMC Editora.
Mariani, B. (2014). Nome próprio e constituição do sujeito. Letras, 24(48), 131-141. https://doi.org/10.5902/2176148514428
Medeiros, R. H. A., Guarnieri, L. V., & Lima, T. S. (2022). Clínicas de território: Uma proposta metodológica de pesquisa e de práticas coletivas. Psicologia Clínica, 34(2), 243-267. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-56652022000200003
Mondardo, M. L., & Goettert, J. D. (2009). Territórios simbólicos e de resistência na cidade: Grafias da pichação e do grafite. Terr@ Plural, 2(2), 293–308. https://revistas.uepg.br/index.php/tp/article/view/1181
Pichon-Rivière, E. (2005). O processo grupal. Martins Fontes.
Pommier, G. (2013). Le nom propre: Fonctions logiques et inconscientes. Presses Universitaires de France.
Rinaldi, D. L., & Bursztyn, D. C. (2008). O desafio da clínica na atenção psicossocial. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 60(2), 32-39. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672008000200005
Rosa, M. D. (1999). O discurso e o laço social dos meninos de rua. Psicologia USP, 10(2), 205–217. https://doi.org/10.1590/S0103-65641999000200013
Rosa, M. D. (2004). A pesquisa psicanalítica dos fenômenos sociais e políticos: Metodologia e fundamentação teórica. Revista Mal-Estar e Subjetividade, 4(2), 329-348. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-61482004000200008
Rosa, M. D. (2018). A clínica em face da dimensão sociopolítica do sofrimento. Escuta.
Santos, M. (2003). Por uma outra globalização: Do pensamento único à consciência universal (10a ed.). Record.
Segers, M.-J. (2009). De l’exil à l’errance. Érès Editions.
Sousa, E. L. A. (2014). A transgressão que salva. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 17(3), 787-796. https://doi.org/10.1590/1415-4714.2014v17n3-Suppl.p787.18
Sousa, E. L. A., & Goldmeier, P. (2008). Juventude em tempos de violência. Revista Mal-estar e Subjetividade, 8(4), 991-1020. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-61482008000400007
Teixeira, B. C. A., Paravidini, J. L. L., & Neves, A. S. (2021). Psicanálise, infâncias e vulnerabilidades: As crianças nos espaços da cidade. Estilos da Clínica, 26(3), 421-434. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v26i3p421-434
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Paula Cristina Monteiro de Barros, Luis Felipe Moreira, Elio Valois Abreu Caldas de Sá, Maria Fernanda Gomes Cavalcanti Neves, Maria Luísa Pereira de Oliveira Lima, Natália Nóbrega da Cruz Souza, Sandra Maria Nunes Lorenzato, Teresa Alexandrina Maura da Motta e Albuquerque

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Para autores: Cada manuscrito deverá ser acompanhado de uma “Carta de submissão” assinada, onde os autores deverão declarar que o trabalho é original e inédito, se responsabilizarão pelos aspectos éticos do trabalho, assim como por sua autoria, assegurando que o material não está tramitando ou foi enviado a outro periódico ou qualquer outro tipo de publicação.
Quando da aprovação do texto, os autores mantêm os direitos autorais do trabalho e concedem à Revista Subjetividades o direito de primeira publicação do trabalho sob uma licença Creative Commons de Atribuição (CC BY NC), a qual permite que o trabalho seja compartilhado e adaptado com o reconhecimento da autoria e publicação inicial na Revista Subjetividades.
Os autores têm a possibilidade de firmar acordos contratuais adicionais e separados para a distribuição não exclusiva da versão publicada na Revista Subjetividades (por exemplo, publicá-la em um repositório institucional ou publicá-la em um livro), com o reconhecimento de sua publicação inicial na Revista Subjetividades.
Os autores concedem, ainda, à Revista Subjetividades uma licença não exclusiva para usar o trabalho da seguinte maneira: (1) vender e/ou distribuir o trabalho em cópias impressas ou em formato eletrônico; (2) distribuir partes ou o trabalho como um todo com o objetivo de promover a revista por meio da internet e outras mídias digitais e; (3) gravar e reproduzir o trabalho em qualquer formato, incluindo mídia digital.
Para leitores: Todo o conteúdo da Revista Subjetividades está registrado sob uma licença Creative Commons Atribuição (CC BY NC) que permite compartilhar (copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato) e adaptar (remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim) seu conteúdo, desde que seja reconhecida a autoria do trabalho e que esse foi originalmente publicado na Revista Subjetividades.














