Cartografando a juventude na universidade: a saúde mental, as ações coletivas e o comum
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i3.e14958Palavras-chave:
juventude, saúde mental, ações coletivasResumo
No campo universitário atravessado pela lógica neoliberal, a juventude vivencia uma realidade constituída por relações marcadas pela concorrência e pela competitividade, pelo produtivismo acadêmico, pela fragilização dos vínculos e pelo ideal de ser empresário de si mesmo. Nesse cenário, pesquisas e dados referentes ao adoecimento psíquico de jovens universitários têm crescido nos últimos anos. Este estudo apresenta um relato de pesquisa-intervenção, com percurso metodológico cartográfico, no qual, por meio de encontros com as juventudes na universidade, foram produzidas pistas/cenas que possibilitaram tecer reflexões, entrelaçando juventude, modos de subjetivação e neoliberalismo, de modo a pensar o comum como princípio político. As pistas, tomadas como cenas, discutem ampliações da noção de saúde mental, sustentando a importância da convivência no período de formação, uma vez que a experiência universitária pode potencializar novos encontros, cujos afetos produzem outros contornos para essa vivência. Propõe-se, assim, pensar a saúde mental para além da educação em saúde mental ou dos serviços clínico-terapêuticos individuais, a partir das pistas/cenas construídas com as juventudes, de forma a apostar em uma discussão capaz de mobilizar o conceito do comum. Desse modo, sustenta-se a importância de ações coletivas no espaço universitário, que podem produzir torções em noções arraigadas de responsabilização e de culpabilização individual em relação ao sucesso ou ao fracasso, bem como em relação a uma suposta saúde mental a ser constantemente otimizada. Nessa aposta, torna-se possível pensar o comum como princípio político, desprivatizando o sofrimento e recoletivizando-o.
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