Mulher, mãe e profissional: incidências discursivas na atualidade
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i2.e13503Palavras-chave:
mulher, maternidade, trabalho, Psicanálise, teoria dos discursosResumo
O presente artigo visa refletir sobre o lugar da mulher que é mãe nos discursos sociais, a incidência do discurso capitalista, conforme conceitualizado por Lacan, e as saídas possíveis aos sujeitos que se nomeiam dessa forma na atualidade. Considerando que o sujeito não está desvinculado do contexto social, busca-se contextualizar historicamente as mudanças sociais em torno da figura da mulher, dando ênfase especial à maternidade e ao trabalho. Faz-se um apanhado geral sobre o que pode representar o trabalho/ a vida profissional em termos subjetivos para as mulheres. Cabe salientar que o artigo se refere a um recorte preponderante do universo de mulheres cisgêneros e heterossexuais. O estudo é baseado na teoria dos discursos de Lacan, bem como nas ideias de autores que versam sobre o tema, para pensar os ideais da cultura, os sofrimentos advindos de um discurso capitalista e possíveis saídas. Lacan teoriza sobre a possibilidade de giros discursivos, apontando saídas possíveis frente ao engessamento que tende a acontecer quando o sujeito se situa nesse discurso. Enquanto algumas mulheres mostram-se engolfadas em ideais e ditos de totalidade e plenitude – impossíveis de serem alcançados – e sofrem nessa posição de assujeitamento, outras conseguem ocupar posições subjetivas de questionamento. Não sem sofrimento, mas fazendo possível a circulação do desejo. Espaços e movimentos da cultura que permitam tais posições questionadoras favorecem que a maternidade, conciliada à vida profissional, possa acontecer considerando as singularidades de cada mulher e a circulação do desejo.
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