A Pandemia da COVID-19, as fake news e o laço social das cibermassas
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i3.e14245Palavras-chave:
Psicanálise, COVID-19, Pandemia, Fake News, CibermassasResumo
Em uma fake news acerca da extensão da pandemia da COVID-19, uma usuária do Twitter “(@Thacloroquina)”, em maio de 2020, identificou-se como “católica, conservadora, anti-esquerda e robô do Bolsonaro com CPF”. “Robô com CPF” parece ser a simbolização inequívoca de um fenômeno que marca a contemporaneidade: a alienação subjetiva ao laço social midiatizado nos ciberterritórios das redes sociais, dinamizados por fake news. Este artigo relata o percurso e as principais observações de uma pesquisa para averiguar a economia do fenômeno das notícias falsas, desvelando marcas da subjetivação e da intersubjetivação na digitalidade. A hipótese é a de que, na contingência da era “pós-fática”, as fake news se constituem como fatores de enlaces sociais, conformando o que se nomeia de “cibermassas”, atualizando, ao século XXI, um fato de extensa paginação histórica. Como corpus de estudo, foram selecionadas 62 (sessenta e duas) averiguações de notícias falsas sobre a pandemia do novo coronavírus, feitas pelo “Projeto Comprova”, iniciativa de jornalismo colaborativo que investiga conteúdos “falsos” ou “enganosos” que viralizam nas redes. As análises se guiaram pelo referencial teórico da psicanálise, em especial pelos chamados “textos sociais” de Sigmund Freud, além disso, pela literatura da comunicação social.
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