Depressão: Doença, Sintoma, Estrutura ou Mal-Estar Contemporâneo?
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v22i2.e11859Palabras clave:
depressão, psicanálise, sintoma, contemporâneoResumen
O presente artigo realizou uma revisão de literatura acerca do tema depressão, percorrendo as articulações teóricas desenvolvidas ao longo do século XX e início do século XXI. Diante da vasta literatura disponível, não se almejou estabelecer verdades universais sobre a depressão. Foi possível observar que a temática da depressão suscita, ainda hoje, diferentes elaborações teóricas, visto que o quadro é por vezes definido como uma doença, um sintoma, uma estrutura ou ainda um mal-estar contemporâneo. A depressão é um diagnóstico recorrente na contemporaneidade e diversos estudos foram realizados na tentativa de entender esta forma de sofrimento, abrindo a discussão sobre o estatuto desse diagnóstico. Partimos das concepções de Freud ao diferenciar a depressão da melancolia e encaminhamos a discussão através das proposições de Lacan que aproxima a depressão a uma espécie de frouxidão moral. A partir daí, conversamos com autores contemporâneos que situam o sofrimento depressivo em uma manifestação primitiva do psiquismo, anterior aos processos de simbolização e ao Édipo. Além disso, associam a depressão aos fatores do mundo capitalista, no qual a aceleração do tempo e a falência paterna são determinantes para a manifestação do sofrimento.
Descargas
Citas
Abras, R. M. G. (2011). A vida se engole a seco: Reflexões sobre a depressão na contemporaneidade. Estudos de Psicanálise, (35), 109-114. Link
Abel, M. C. (2013). Diagnóstico em Freud e Lacan: Objectivos, métodos e critérios. Psicologia, 27(2), 17-32. DOI: 10.17575/rpsicol.v27i2.420
Albertini, S. (2011). Sintoma e política. Revista Mal Estar e Subjetividade, 11(1), 285-309. Link
Askofaré, S., & Alberti, S. (2011). Estrutura e discurso: Problema e questões do diagnóstico. Revista Affectio Societatis, 8(15), 1-21. Link
Borges, S. (2015). Capitalismo e angústia. Revista Subjetividades, 15(3), 398-406. DOI: 10.5020/23590777.15.3.398-406
Campos, E. B. V. (2016). Uma perspectiva psicanalítica sobre as depressões na atualidade. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 7(2), 22-44. DOI: 10.5433/2236-6407.2016v7n2p22
Castro, M. F. M., & Massa, E. S. C. (2019). A sociedade contemporânea, os imperativos do ideal do eu e os diagnósticos de depressão. Pretextos, 4 (8), 111-127. Link
Chemama, R. (2007). Depressão, a grande neurose contemporânea. CMC.
Coppedê, D. R. (2016). O discurso da depressão: Quando dizer é sofrer (Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo). USP: Biblioteca Digital USP. Link
Coser, O. (2003). Depressão: Clínica, crítica e ética. Editora Fiocruz.
Daniel, C., & Souza, M. (2006). Modos de subjetivar e de configurar o sofrimento: Depressão e modernidade. Psicologia em Revista, 12(20), 117-130. Link
Delouya, D. (2003). Depressão. Casa do Psicólogo.
Edler, S. (2008). Luto e melancolia: À sombra do espetáculo. Civilização Brasileira.
Fédida, P. (2002). Dos benefícios da depressão: Elogio da psicoterapia. Escuta.
Ferrari, I. F. (2006). A solidão e o funcionamento dos sujeitos em tempos de inovação frenética. In Conselho Federal de Psicologia (Org.), Anais do Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental. CFP.
Ferrari, I. F., & Laia, S. (2009). Psicopatologia: A perspectiva freudiana. In V. L. Besset & H. F. Carneiro (Orgs.), A soberania da clínica na psicopatologia do cotidiano (pp. 183-213). Garamond.
Folberg, M. N., & Maggi, N. R. (2002). Declínio da função paterna e dialética da simbolização. Estilos da Clínica, 7(13), 92-99. DOI: 10.11606/issn.1981-1624.v7i13p92-99
Freud, S. (1996a). Extratos dos documentos dirigidos a Fliess: Rascunho A. In J. Strachey (Ed.), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 1, pp. 221-223). Imago. (Originalmente publicado em 1892)
Freud, S. (1996b). Extratos dos documentos dirigidos a Fliess: Rascunho B. In J. Strachey (Ed.), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 1, pp. 223-229). Imago. (Originalmente publicado em 1893)
Freud, S. (1996c). Extratos dos documentos dirigidos a Fliess: Rascunho G. In J. Strachey (Ed.), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 1, pp. 246-253). Imago. (Originalmente publicado em 1895)
Freud, S. (2013). O Eu e o Id, “Autobiografia” e outros textos. In S. Freud, Obras Completas (Vol. 16, pp. 13-74). Companhia das Letras. (Originalmente publicado em 1923)
Freud, S. (2014a). Inibição, sintoma e angústia, o Futuro de uma Ilusão e outros textos. In Obras Completas (Vol. 17, pp. 13-123). Companhia das Letras. (Originalmente publicado em 1926)
Freud, S. (2014b). Primeira parte: Os atos falhos - Introdução. In S. Freud, Obras Completas (Vol. 13, pp. 18-30). Companhia das Letras. (Originalmente publicado em 1916)
Freud, S. (2014c). Terceira parte: Teoria geral das neuroses – Os caminhos das formações dos sintomas. In S. Freud, Obras Completas (Vol.13, pp. 475-500). Companhia das Letras. (Originalmente publicado em 1917)
Freud, S. (2015). Luto e melancolia. In S. Freud, Obras Completas (Vol. 12, pp. 170-194). Companhia das Letras. (Originalmente publicado em 1917)
Gomes, L. Q., & Silva, G. S. (2018). A depressão: Da história para a clínica psicanalítica contemporânea. Revista Ciência (In)Cena, 1(6), 51-68. Link
Heguedusch, C. V., Justo, J. S., & Molina, J. A. (2017). Depressão na atualidade: Estrutura psíquica ou metáfora do psiquismo? Um diálogo entre Maria Rita Kehl e Pierre Fédida. Cadernos de Psicanálise, 39(37), 29-51. Link
Kehl, M. R. (2009). O tempo e o cão: A atualidade das depressões. Boitempo.
Lacan, J. (1993). Televisão. Jorge Zahar. (Originalmente publicado em 1974)
Lacan, J. (1997a). O seminário, livro 5: As formações do inconsciente (1957-1958). Jorge Zahar.
Lacan, J. (1997b). O seminário, livro 7: A ética da psicanálise (1959-1960). Jorge Zahar.
Lacan, J. (2005). O seminário, livro 10: A angústia (1962-1963). Jorge Zahar.
Lacan, J. (2008). O seminário, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise. Jorge Zahar. (Originalmente publicado em 1964)
Lacan, J. (2016). O seminário, livro 6: O desejo e sua interpretação (1958-1959). Jorge Zahar.
Lambotte, M-C. (2000). A estética da melancolia. Companhia das Letras.
Machado, L. V., & Ferreira, R. R. (2014). A indústria farmacêutica e psicanálise diante da “epidemia de depressão”: respostas possíveis. Psicologia em Estudo, 19(1), 135-144. DOI: 10.1590/1413-7372189590013
Maia, A. B., Medeiros, C. P., & Fontes, F. (2012). O conceito de sintoma na psicanálise: Uma introdução. Estilos da Clínica, 17(1), 44-61. DOI: 10.11606/issn.1981-1624.v17i1p44-61
Medeiros, A. A., & Matos, R. P. C. (2018). A depressão como posição subjetiva: Contribuições lacanianas. Revista Subjetividades, 18(2), 80-92. DOI: 10.5020/23590777.rs.v18i2.7264
Mendes, E. D., Viana, T. C., & Bara, O. (2014). Melancolia e depressão: Um estudo psicanalítico. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 30(4), 423-431. Link
Mendlowicz, E. (2009). A sociedade contemporânea e a depressão. Trivium: Estudos interdisciplinares, 1(1), 42-52.
Minerbo, M. (2013). Ser e sofrer, hoje. Ide, 35(55), 31-42. Link
Peret, M. F. F. (2003). A depressão na clínica lacaniana: Um estudo de caso [Dissertação de mestrado, Universidade Católica Dom Bosco]. UCDB: Mestrado e Doutorado em Psicologia - Dissertações e Teses. Link
Quintella, R. R. (2016). Depressão contemporânea e metapsicologia freudiana: Pensando a neurose na atualidade. Reverso, 38(71), 65-73. Link
Rodrigues, H. P. (2012). Estudo psicanalítico sobre os efeitos subjetivos do diagnóstico psiquiátrico de depressão [Dissertação de mestrado, Universidade de Fortaleza]. Unifor: Mestrado em Psicologia - Dissertações. Link
Rodrigues, M. J. S. F. (2000). O diagnóstico de depressão. Psicologia USP, 11(1), 155-187. DOI: 10.1590/S0103-65642000000100010
Silva, M. M. (2018). O discurso universitário e a clínica contemporânea. Cadernos de psicanálise, 40(38), 161-182. Link
Söhnle, E., Jr. (2011). A melancolia, o discurso melancólico e suas relações com a mídia e com o consumo. Signo, 36(61), 422-456. DOI: 10.17058/signo.v36i61.2517
Teixeira, A. M. R. (2008). Depressão ou lassidão do pensamento? Reflexões sobre o Spinoza de Lacan. Psicologia Clínica, 20(1), 27-41. DOI: 10.1590/S0103-56652008000100002
Teixeira, L. C. (2004). Saturno nos trópicos: A melancolia europeia chega ao Brasil [Resenha]. Revista Mal Estar e Subjetividade, 4(2), 392-398. Link
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2022 Livia Freire de Menezes Herculano, Leonardo José Barreira Danziato

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 4.0.
Para autores: Cada manuscrito deverá ser acompanhado de uma “Carta de submissão” assinada, onde os autores deverão declarar que o trabalho é original e inédito, se responsabilizarão pelos aspectos éticos do trabalho, assim como por sua autoria, assegurando que o material não está tramitando ou foi enviado a outro periódico ou qualquer outro tipo de publicação.
Quando da aprovação do texto, os autores mantêm os direitos autorais do trabalho e concedem à Revista Subjetividades o direito de primeira publicação do trabalho sob uma licença Creative Commons de Atribuição (CC BY NC), a qual permite que o trabalho seja compartilhado e adaptado com o reconhecimento da autoria e publicação inicial na Revista Subjetividades.
Os autores têm a possibilidade de firmar acordos contratuais adicionais e separados para a distribuição não exclusiva da versão publicada na Revista Subjetividades (por exemplo, publicá-la em um repositório institucional ou publicá-la em um livro), com o reconhecimento de sua publicação inicial na Revista Subjetividades.
Os autores concedem, ainda, à Revista Subjetividades uma licença não exclusiva para usar o trabalho da seguinte maneira: (1) vender e/ou distribuir o trabalho em cópias impressas ou em formato eletrônico; (2) distribuir partes ou o trabalho como um todo com o objetivo de promover a revista por meio da internet e outras mídias digitais e; (3) gravar e reproduzir o trabalho em qualquer formato, incluindo mídia digital.
Para leitores: Todo o conteúdo da Revista Subjetividades está registrado sob uma licença Creative Commons Atribuição (CC BY NC) que permite compartilhar (copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato) e adaptar (remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim) seu conteúdo, desde que seja reconhecida a autoria do trabalho e que esse foi originalmente publicado na Revista Subjetividades.














