Angústia e Constituição Subjetiva: Do Objeto não Significantizável ao Significante

Autores

  • Ariana Lucero Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
  • Angela Maria Resende Vorcaro Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.16.2.60-70

Palavras-chave:

angústia, objeto a, constituição subjetiva, traço unário, significante.

Resumo

O presente artigo tem por objetivo mostrar como a incidência do significante na estruturação do sujeito, tal como definido por Jacques Lacan, é concomitante a uma perda do corpo vivo. Para tanto, abordaremos a transformação que se opera no sistema conceitual lacaniano a partir do seminário sobre a angústia: do corpo do estágio do espelho ao corpo restituído às suas particularidades anatômicas. Nesse percurso, mostraremos como o traço unário se coloca como uma marca corporal que antecede o significante, já que este necessita de três tempos para ser assimilado. Ademais, trataremos da extração do objeto a e sua relação com a angústia na medida em que o afeto se coloca como causa da perda, e não como efeito da castração. Interessa-nos apontar para a presença do objeto em certo momento da constituição subjetiva em que teríamos apenas as pulsões não integradas na imagem especular. Esses objetos pulsionais, que visam apenas o gozo, coexistem independentemente de qualquer organização ou cronologia, não são socializados ou partilháveis pela cultura. Assim, interrogamos a existência desses objetos não significantizáveis lado a lado aos objetos revestidos pela função fálica. O falo como significante da perda do objeto sinaliza o desejo. Porém algo subsiste para além do desejo, produzindo angústia e requerendo novos arranjos subjetivos e pulsionais.

Biografia do Autor

Ariana Lucero, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Psicóloga, psicanalista. Mestre e Doutora em Psicologia pela UFMG (área de concentração: Estudos Psicanalíticos). Pós-doutoranda do Programa de Psicologia Institucional da UFES; bolsista da CAPES/FAPES.

Angela Maria Resende Vorcaro, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Psicanalista. Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Professora do Departamento de Psicologia da UFMG. Membro da ALI. Autora dos livros Crianças na psicanálise (1999) e A criança na clínica psicanalítica (2004).

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Publicado

05.04.2017

Como Citar

Lucero, A., & Vorcaro, A. M. R. (2017). Angústia e Constituição Subjetiva: Do Objeto não Significantizável ao Significante. Revista Subjetividades, 16(2), 60–70. https://doi.org/10.5020/23590777.16.2.60-70

Edição

Seção

Estudos Teóricos

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