Diabetes Mellitus Tipo 1 sob o Olhar de Adolescentes em Tratamento nas Unidades de Endocrinologia de um Hospital de Referência no Sul do Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i2.e16959

Palavras-chave:

adolescência, diabetes mellitus, doenças crônicas, psicanálise

Resumo

O diabetes mellitus tipo 1 é uma doença crônica, que se manifesta frequentemente na adolescência. A convivência com uma doença crônica em uma fase permeada por mudanças multidimensionais, como é o caso da adolescência, tem sido associada à intensificação do sofrimento psíquico e dos conflitos comuns nesse período. Desse modo, este estudo propõe compreender a percepção dos adolescentes diagnosticados com diabetes mellitus tipo 1 sobre sua doença. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva. Participaram deste estudo 14 adolescentes, entre 12 e 17 anos, em tratamento ambulatorial nas unidades de endocrinologia de um hospital de referência no sul do Brasil. Como instrumentos de coleta de dados, aplicamos um questionário sociodemográfico e um roteiro de entrevista semiestruturada. As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra para análise do material. Para o tratamento dos dados, utilizamos a Classificação Hierárquica Descendente (CHD), fornecida pelo software IRaMuTeQ® (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires), a qual organiza o texto por classes de palavras associadas por significância estatística. O material foi interpretado com base na Análise Categorial Temática e no referencial teórico da psicanálise, a partir das quais foram elencadas seis categorias temáticas: 1) ser normal e ser diferente, que aborda os impactos à construção da identidade e inserção nos grupos; 2) lidando com o controle externo, que aborda os efeitos do controle parental; 3) a aceitação da doença e o desenvolvimento do autocuidado, que aborda o processo de adaptação à rotina de cuidados com o diabetes; 4) variação da glicemia e sua relação o emocional, que aborda a influência de fatores emocionais na variação glicêmica; 5) o processo de separação dos pais e o desenvolvimento da autonomia, que aborda a passagem da responsabilidade pelos cuidados dos pais para os adolescentes; e 6) estilo de vida mais saudável depois do diabetes, que aborda a mudança do estilo de vida após o diagnóstico. Concluímos que a doença afeta a forma como a adolescência é vivida, acentuando as dificuldades dessa fase. No entanto, o impacto da doença pode ser minimizado quando o adolescente e seus familiares se posicionam como participantes ativos no tratamento e manejo da doença.

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Tradução

Biografia do Autor

Larissa Rossi Silva, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná, Brasil

Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Experiência na área de políticas públicas, tendo atuado como estagiária no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) e no Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) da cidade de Ibiporã-PR.

Pricila Paveukiewicz , Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná, Brasil

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná (2009). Especialização lato sensu em Psicologia Clínica - Abordagem Psicanalítica pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2014). Possui título de Master of Arts in Psychoanalytic Studies pela Birkbeck, University of London (2022). Experiência na área de Psicologia, Psicologia Hospitalar e Psicologia Clínica. Trabalha atualmente como psicóloga no Ambulatório da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR, em atendimento a crianças e adolescentes da unidade.

Camila Cardoso Rauen, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná, Brasil

Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2002), pós-graduada pelo Instituto de Psicologia da USP (2004) em Tratamento e Escolarização de Crianças com Distúrbios Globais do Desenvolvimento, pós-graduada em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica (2020) pelo Instituto de Psicologia Sapiens. Mestre e doutoranda em Promoção da Saúde na Infância e Adolescência/ HC- UFPR. Experiência profissional, em consultório e serviço público, nas áreas da saúde e educação, voltada principalmente para as questões psíquicas da infância e adolescência. Atualmente integra equipe de psicólogos do CHC -UFPR, atuando no ambulatório de Psiquiatria da Infância e Adolescência e Neuropediatria e na preceptoria na Residência Multiprofissional do Programa de Atenção Hospitalar em Saúde da Criança e do Adolescente.

Gustavo Manoel Schier Dória , Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná, Brasil

Graduado em Medicina pela Faculdade Evangélica do Paraná (1985), Doutorado no Programa de Pós-Graduação da Saúde da Criança e do Adolescente no Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2011, com o título da tese “Avaliação dos Transtornos Psiquiátricos em Adolescentes em Conflito com a Lei” e mestrado em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP) em 1999.

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Publicado

30.11.2025

Como Citar

Silva, L. R., Paveukiewicz , P., Rauen, C. C., & Dória , G. M. S. (2025). Diabetes Mellitus Tipo 1 sob o Olhar de Adolescentes em Tratamento nas Unidades de Endocrinologia de um Hospital de Referência no Sul do Brasil . Revista Subjetividades, 25(2), 1–12. https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i2.e16959

Edição

Seção

Relatos de Pesquisa