As mulheres e o amor na clínica das toxicomanias
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i2.e15108Palavras-chave:
psicanálise, gozo, toxicomania, mulheres , amorResumo
A toxicomania pode ser pensada, sob a perspectiva da psicanálise, como um recurso diante do mal-estar suscitado pela castração, em que o sujeito se lança em uma relação particular com o objeto droga, na crença do reencontro com o objeto perdido. Nessa incessante busca por tamponar a falta, o sujeito pode acabar imerso no que Freud conceituou como compulsão à repetição, colocando-se frente à pura cultura da pulsão de morte ou, como sugere Lacan, frente ao rompimento com o pequeno “pipi”, revelando um corte com o gozo fálico. No entanto, nossa experiência mostra que, quando pensamos e tratamos essa clínica caso a caso, escutamos sujeitos que também nos fornecem outros relatos. No que se refere a algumas mulheres, por exemplo, verificamos que elas perpassam outros lugares: ao buscarem sua subsistência no outro, quando se deparam com a iminência da perda do objeto amoroso e com a impossibilidade de encobrir o real com a fantasia da completude, visada por meio do amor, passam a fazer inúmeras concessões, incluindo o uso de drogas e, por vezes, alguns crimes. Nesse caminho, o presente artigo visa abordar a relação entre a toxicomania, as mulheres e os diversos consentimentos que muitas oferecem a seus parceiros para não perderem o amor ou, mais precisamente, para não perderem a si próprias.
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