Entre o Desamparo e a Escritura: Uma Experiência de Leitura de Textos-Fragmentos de Clarice Lispector
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i3.e14602Palavras-chave:
literatura, psicanálise, leitura, escritura, Clarice LispectorResumo
Este ensaio propõe o trabalho conjunto da psicanálise com a literatura, utilizando a leitura – sustentada por uma posição ética de desamparo (Hilflosigkeit) diante do texto – como um gesto de interseção entre esses dois campos. Assim, no diálogo com teóricos psicanalistas e não psicanalistas, recolhemos textos-fragmentos da obra de Clarice Lispector, tomando-os como campo de atravessamento entre literatura e psicanálise. Ao ler um texto, o leitor é convidado a percorrer diferentes caminhos pela página, no entanto, é necessário que ele esteja aberto ao texto e que corra o risco de permitir que esse texto o trabalhe. Nesse aparente silêncio da leitura, o leitor trabalha a partir da ausência do escritor, encontrando-se em um estado de desamparo. É nesse momento que o texto se torna um lugar terceiro, um outro, o qual pode suscitar, no leitor, o desejo de escritura.
Downloads
Referências
Assis, M. de. (1986). A mosca Azul. Em M. de Assis, Obra completa (pp. 487-489). Nova Aguilar.
Barthes, R. (2005). Sade, Fourier, Loyola. Martins Fontes.
Barthes, R. (2012). O rumor da língua. WMF Martins Fonte.
Barthes, R. (2013). Aula: Aula inaugural na cadeira de semiologia literária do Colégio de França, pronunciada dia 7 de janeiro de 1977. Cultrix.
Barthes, R. (2015). O prazer do texto. Perspectiva.
Blanchot, M. (2011). O espaço literário. Rocco.
Borelli, O. (1981). Clarice Lispector: Esboço para um possível retrato. Nova Fronteira.
Carone, A. M. (2008). A lucidez imperfeita: Ensaio sobre Freud como escritor [Tese de doutorado, Universidade Federal de São Carlos]. Repositório Institucional da UFSCar. https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/4751/1809.pdf?sequence=1&isAllowed=y
Castello Branco, L. (2011). Chão de letras: As literaturas e a experiência da escrita. Editora UFMG.
Castello Branco, L. (2019). Os ínvios caminhos: Escrever, ler, psicanalisar. cas’a edições.
Castello Branco, L. (2020). Breve glossário imperfeito de noções em tradução (em que se explicam não-todas). In L. Castello Branco (Org.), Shoshana Felman e a coisa literária: Escrita, loucura, psicanálise (pp. 17-32). Letramento.
Castello Branco, L., & Andrade, V. B. (2007). Livro de asas: Para Maria Gabriela Llansol. Editora UFMG.
Chemama, R. (2002). Elementos lacanianos para uma psicanálise no cotidiano. CMC Editora.
Cixous, H. (2022). A hora de Clarice Lispector. Editora Nós.
Duras, M. (1996). O deslumbramento de Lol V. Stein (A. M. Falcão, Trad.). Nova Fronteira. (Trabalho original publicado em 1964).
Felman, S. (2020). A loucura e a coisa literária. In L. Castello Branco (Org.), Shoshana Felman e a coisa literária: Escrita, loucura, psicanálise (pp. 39-296). Letramento.
Freud, S. (2015). O delírio e os sonhos na Gradiva. In S. Freud, O delírio e os sonhos na Gradiva e outros textos (1906-1909) (Obras completas, vol. 8, pp. 13-122). Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1907).
Freud, S. (2016). Srta. Elisabeth Von R. In S. Freud, Estudos sobre a histeria (1893-1895) em coautoria com Josef Breuer (Obras completas, vol. 2, pp. 194-260). Companhia das Letras, 2016. (Trabalho original publicado em 1895).
Freud, S. (2019). A interpretação dos sonhos (Obras completas, vol. 4). Companhia das Letras, 2019. (Trabalho original publicado em 1900).
Freud, S. (2020). Prêmio Goethe. In S. Freud, Arte, literatura e os artistas (pp. 307-315). Autêntica.
Freud, S. (1996). Projeto para uma psicologia científica. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 1, pp. 212-305). Imago. (Trabalho original publicado em 1895).
Garcia-Roza, L. A. (2008). Introdução à metapsicologia freudiana (vol. 2, A interpretação do sonho, 1900). Jorge Zahar.
Lacan, J. (2003a). Homenagem a Marguerite Duras pelo arrebatamento de Lol V. Stein. In J. Lacan, Outros escritos (pp. 198-205). Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1965).
Lacan, J. (2003b). Lituraterra. In J. Lacan, Outros escritos (pp. 15-28). Jorge Zahar.
Lacan, J. (2008). O seminário, livro 7: A ética da psicanálise. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1959-1960).
Lispector, C. (2018). Todas as crônicas. Rocco.
Lispector, C. (2020a). Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Rocco. (Trabalho original publicado em 1969).
Lispector, C. (2020b). A descoberta do mundo. Rocco. (Trabalho original publicado em 1984).
Lispector, C. (2020c). A paixão segundo G.H. Rocco. (Trabalho original publicado em 1964).
Lispector, C. (2020d). Um sopro de vida. Rocco. (Trabalho original publicado em 1977).
Lispector, C. (2020e). Água viva. Rocco. (Trabalho original publicado em 1973).
Lispector, C. (2020f). Felicidade Clandestina. Rocco. (Trabalho original publicado em 1971).
Llansol, M. G. (2011). Um falcão no punho: Diário I. Autêntica Editora.
Nunes, B. (2015). Clarice Lispector ou o naufrágio da introspecção. Remate De Males, 9, 63-70. https://doi.org/10.20396/remate.v9i0.8636562
Penna, J. C. (2010). O nu de Clarice Lispector. Alea: Estudos Neolatinos, 12(10), 68-96. https://doi.org/10.1590/S1517-106X2010000100006
Perrone-Moisés, L. (1990). Flores da escrivaninha: Ensaios. Companhia das Letras.
Pessanha, J. A. M. (2019). O conselho do amigo – Carta à Clarice Lispector. In C. Lispector, Água Viva (pp. 133-137). Rocco.
Pessanha, J. G. (2018). Recusa do não-lugar. Ubu Editora.
Rosenbaum, Y. (2000). O desamparo como modo de subjetivação: Clarice Lispector e Guimarães Rosa. Psychê: revista de psicanálise, 4(6), 151-160.
Rosenbaum, Y. (2011). Literatura e psicanálise: Reflexões. Revista FronteiraZ, 7, 5-13.
Santiago, S. (1997, 7 de dezembro). A aula inaugural de Clarice. Folha de S.Paulo, 5–12. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/12/07/mais!/20.html
Shakespeare, W. (2015). Hamlet (L. F. Pereira, Trad.). Penguin Classics / Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1603).
Sófocles. (2001). Édipo Rei. In M. G. Kury (Trad.), A Trilogia Tebana (9a ed.). Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em c. 429 a.C.).
Sousa, E. L. A. de. (1999). O inconsciente e a condição de autoria. Psicologia USP, 10(l), 225-238. https://doi.org/10.1590/S0103-65641999000100011
Vidal, E. (2005). Em torno do E da questão. Aletria: Revista De Estudos De Literatura, 12, 64–68. https://doi.org/10.17851/2317-2096.12..64-68
Virgílio. (2014). A Eneida (C. A. Nunes, Trad.). Editora 34. (Trabalho original publicado em c. 19 a.C.).
Wisnik, J. M. (2018). Diagramas para uma trilogia de Clarice. Revista Letras, 98, 282-307. https://doi.org/10.5380/rel.v98i0.69666
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Juliana Reis Bento, Simone Zanon Moschen

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Para autores: Cada manuscrito deverá ser acompanhado de uma “Carta de submissão” assinada, onde os autores deverão declarar que o trabalho é original e inédito, se responsabilizarão pelos aspectos éticos do trabalho, assim como por sua autoria, assegurando que o material não está tramitando ou foi enviado a outro periódico ou qualquer outro tipo de publicação.
Quando da aprovação do texto, os autores mantêm os direitos autorais do trabalho e concedem à Revista Subjetividades o direito de primeira publicação do trabalho sob uma licença Creative Commons de Atribuição (CC BY NC), a qual permite que o trabalho seja compartilhado e adaptado com o reconhecimento da autoria e publicação inicial na Revista Subjetividades.
Os autores têm a possibilidade de firmar acordos contratuais adicionais e separados para a distribuição não exclusiva da versão publicada na Revista Subjetividades (por exemplo, publicá-la em um repositório institucional ou publicá-la em um livro), com o reconhecimento de sua publicação inicial na Revista Subjetividades.
Os autores concedem, ainda, à Revista Subjetividades uma licença não exclusiva para usar o trabalho da seguinte maneira: (1) vender e/ou distribuir o trabalho em cópias impressas ou em formato eletrônico; (2) distribuir partes ou o trabalho como um todo com o objetivo de promover a revista por meio da internet e outras mídias digitais e; (3) gravar e reproduzir o trabalho em qualquer formato, incluindo mídia digital.
Para leitores: Todo o conteúdo da Revista Subjetividades está registrado sob uma licença Creative Commons Atribuição (CC BY NC) que permite compartilhar (copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato) e adaptar (remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim) seu conteúdo, desde que seja reconhecida a autoria do trabalho e que esse foi originalmente publicado na Revista Subjetividades.














