Sobre(viver) entre partidas e chegadas: Investimento em nova gestação após perda gestacional
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v23i2.e12756Palavras-chave:
NATIMORTO, PERDA GESTACIONAL, FILHO SUBSEQUENTE, RELAÇÃO MÃE-BEBÊ.Resumo
Resumo. O presente estudo qualitativo e exploratório buscou investigar a experiência de mulheres que tiveram uma nova vivência de maternidade após uma perda gestacional (PG) ocorrida a partir de 20 semanas de gestação. Participaram desta pesquisa duas mulheres (de 24 e 27 anos), que responderam uma ficha de dados sociodemográficos, duas fichas de dados clínicos (referentes ao bebê falecido e ao filho subsequente) e uma entrevista semiestruturada sobre a nova experiência de maternidade após a vivência da PG. Por meio da análise de conteúdo (Laville & Dionne, 1999) das entrevistas foi possível constatar que a experiência de PG se caracterizou como um evento traumático, estabelecendo-se uma reação melancólica nas mulheres diante dessa perda. Constatou-se, também, o impacto da PG no investimento emocional na nova gestação e na relação com o filho subsequente. Considera-se necessário evidenciar esse fenômeno, reduzindo a sua invisibilidade, bem como desenvolver intervenções para auxiliar no manejo dessas gestantes, possibilitando um acolhimento adequado e uma escuta sensível diante da sua dor.Downloads
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