“Minha cor não desbota, não deixa se abater por qualquer coisa”: O Hiato entre Força e Sofrimento em Histórias de Mulheres Negras

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v22i1.e11777

Palavras-chave:

mulheres negras, laço social, racismo, psicanálise

Resumo

Mulheres e homens negros vivenciam cotidianamente experiências violentas por conta do racismo que impacta diretamente em suas vidas. Todavia, mulheres negras estão expostas a condições específicas dessa forma de violência. Neste sentido, o presente artigo discute como o corpo da mulher negra é percebido no laço social, bem como as posições estigmatizadas em que são vistas e o sofrimento decorrente delas. Para isso, foi realizada uma pesquisa clínico-qualitativa, em que a coleta de dados se deu a partir de entrevistas semidirigidas com nove mulheres em uma unidade básica de saúde de uma cidade do Norte do Paraná. A análise dos dados ocorreu por meio da técnica de análise temática de conteúdo, utilizando o referencial teórico da psicanálise para considerações. Assim, as categorias de análise foram: A posição superpotência: força e luta constante; Sobre ser estranho e familiar; Entre o trabalho escravo e o não lugar no trabalho; e Questões sobre a feminilidade, sexualidade e corpo. Por meio das narrativas das mulheres, pode-se perceber como as posições fixadas no laço social acerca do corpo da mulher negra impactam suas histórias e como esse sofrimento muitas vezes não é acessado via palavra, deixando-as impossibilitadas de significar a dor causada.

Biografia do Autor

Debora Lydinês Martins Corsino, Universidade Estadual de Londrina

Psicóloga e Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina.

Flávia Angelo Verceze, Universidade Estadual de Londrina

Psicóloga e Mestra em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina.

Silvia Nogueira Cordeiro, Universidade Estadual de Londrina

Professora Associada do Departamento de Psicologia e Psicanálise da Universidade Estadual de Londrina.

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Publicado

29.04.2022

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Relatos de Pesquisa

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