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				<journal-title>Pensar - Revista de Ciências Jurídicas</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">P. Rev. Cien. Jurid.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2317-1250</issn>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.5020/2317-2150.2025.15308</article-id>
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					<subject>Eixo Temático 1: Direito, Democracia e Justiça Social</subject>
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				<article-title>Desobediência civil e a objeção da consciência na vacinação contra a covid-19</article-title>
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					<trans-title>Desobediencia civil y objeción de conciencia en la vacunación contra el COVID-19</trans-title>
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						<given-names>Cassius Guimarães</given-names>
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			<author-notes>
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					<email>dgrguimaraes@gmail.com</email>
					<email>cassiuschai@gmail.com</email>
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					<label>Editores-chefes</label>
					<p> Katherinne de Macêdo Maciel Mihaliuc <italic>Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Ceará, Brasil</italic> katherinne@unifor.br Sidney Soares Filho <italic>Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Ceará, Brasil</italic> sidney@unifor.br</p>
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					<label>Editor Responsável</label>
					<p> Sidney Soares Filho <italic>Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Ceará, Brasil</italic> sidney@unifor.br</p>
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					<p>* Graduado em Direito pela Universidade Vila Velha (2004) e em Psicologia pela Faculdade Brasileira UNIVIX (2024), Graduando em Filosofia pela Uninter (2019), Doutorado em andamento em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV, Brasil (2021), Mestrado em Segurança Pública pela UVV, Brasil (2019), especialização em Direito Público, Direito Tributário, Direito Empresarial, Direito Penal e Processual Penal e Psicologia Jurídica. Advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Espírito Santo. Atualmente é Controlador-Geral da Câmara Municipal de Vila Velha/ES.</p>
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					<p>** Professor permanente do PPGD FDV. Professor Associado da Universidade Federal do Maranhão (PPGDIR e PPGAERO). Diplomado pela Escola Superior de Guerra: Curso Superior de Defesa e Curso de Política e Estratégia, 2019. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (1994), com especialização em Direito e Sociedade pela Universidade Federal de Santa Catarina (1999), mestrado em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001) e doutorado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Cardozo School of Law - Yeshiva University (2006).Visiting Law Professor The Normal University of Political Science and Law of Beijing e de Shanghai; Visiting Researcher and Lecturer Chinese Academy of Social Sciences - International Institute of Law. Visiting Research Scholar Cardozo School of Law, 2003. Estudos Doutorais e de pós.doutorado em Derecho Administrativo de la Sociedad del Conocimiento - Universidad de Salamanca, 2007 a 2010.</p>
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				<year>2025</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>A desobediência civil e a objeção de consciência são práticas sociais distintas, porém inter-relacionadas, que evidenciam a oposição dos indivíduos a leis, políticas, diretivas ou esquemas específicos. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar a desobediência civil no âmbito da vacinação contra a COVID-19. A metodologia adotada é qualitativa, de cunho teórico e argumentativo, baseada em revisão bibliográfica crítica com enfoque hermenêutico, realizada por meio de levantamento nas bases de dados <italic>SciELO</italic> e <italic>Google Scholar</italic>, com o objetivo de coletar dados relevantes sobre o tema proposto. Após a análise dos dados, constatou-se que, de modo geral, a desobediência civil é mais abertamente comunicativa e política do que a objeção de consciência. A desobediência civil é, quase por definição, uma violação da lei, na qual os indivíduos se engajam com o propósito de forçar mudanças nas práticas governamentais ou não governamentais. Tanto a desobediência civil quanto a objeção de consciência podem ser observadas nas atitudes daqueles que se recusam a tomar a vacina contra a COVID-19, gerando desafios normativos e políticos urgentes relacionados à natureza do estado de direito, ao respeito pelo estado de direito, às condições para a democracia deliberativa, à igualdade perante a lei, ao policiamento, ao julgamento e à punição. Conclui-se que é crucial alcançar um equilíbrio entre a autonomia individual e a responsabilidade coletiva na promoção da saúde pública.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<p><italic>La desobediencia civil y la objeción de conciencia son prácticas sociales distintas, aunque interrelacionadas, que evidencian la oposición de los individuos a leyes, políticas, directivas o esquemas específicos. En este contexto, el presente estudio tiene como objetivo analizar la desobediencia civil en el ámbito de la vacunación contra la COVID-19. La metodología adoptada es cualitativa, de carácter teórico y argumentativo, basada en una revisión bibliográfica crítica con enfoque hermenéutico, realizada mediante un relevamiento en las bases de datos SciELO y Google Scholar, con el objetivo de recolectar datos relevantes sobre el tema propuesto. Tras el análisis de los datos, se constató que, en términos generales, la desobediencia civil es más abiertamente comunicativa y política que la objeción de conciencia. La desobediencia civil es, casi por definición, una infracción de la ley, en la cual los individuos se involucran con el propósito de forzar cambios en prácticas gubernamentales o no gubernamentales. Tanto la desobediencia civil como la objeción de conciencia pueden observarse en las actitudes de quienes se niegan a recibir la vacuna contra la COVID-19, generando desafíos normativos y políticos urgentes relacionados con la naturaleza del estado de derecho, el respeto al estado de derecho, las condiciones para una democracia deliberativa, la igualdad ante la ley, la labor policial, el juicio y el castigo. Se concluye que es crucial lograr un equilibrio entre la autonomía individual y la responsabilidad colectiva en la promoción de la salud pública.</italic></p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>desobediência civil</kwd>
				<kwd>vacinação</kwd>
				<kwd>COVID-19</kwd>
				<kwd>pandemia</kwd>
				<kwd>objeção de consciência</kwd>
			</kwd-group>
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				<title><italic>Palabras clave:</italic></title>
				<kwd>desobediencia civil</kwd>
				<kwd>vacunación</kwd>
				<kwd>COVID-19</kwd>
				<kwd>pandemia</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>A pandemia de COVID-19 instaurou uma crise sanitária sem precedentes na história recente, provocando impactos profundos na vida cotidiana, na economia global e, sobretudo, na organização dos Estados. As respostas à emergência exigiram a implementação de políticas públicas de caráter excepcional, as quais desafiaram os marcos normativos tradicionais e tensionaram a relação entre os poderes constituídos. No Brasil, esse cenário expôs a fragilidade das estruturas sanitárias e a ausência de coordenação institucional eficiente, acirrando a polarização política já existente (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy, 2023</xref>). Medidas como o isolamento social compulsório, o uso obrigatório de máscaras e a vacinação foram adotadas objetivando conter a disseminação do vírus e preservar a vida, colocando o Estado em posição de protagonismo na gestão da crise. Contudo, tais medidas também reacenderam debates sobre os limites da atuação estatal, especialmente quando envolvem restrições a liberdades fundamentais.</p>
			<p>Paralelamente à formulação e execução de políticas públicas de imunização, observaram-se manifestações de resistência à vacinação.</p>
			<p>As respostas jurídicas a essas condutas variaram entre a imposição de sanções administrativas e a tentativa de conciliação entre liberdades individuais e deveres públicos. Algumas dessas resistências foram qualificadas como práticas de objeção de consciência, por se basearem em convicções éticas ou religiosas, enquanto outras se apresentaram sob a forma de desobediência civil, na medida em que buscavam, de forma deliberada e pública, contestar a legitimidade das normas de vacinação obrigatória. Essa distinção, embora nem sempre clara na prática, é essencial do ponto de vista teórico e jurídico, pois demanda do intérprete do direito uma análise cuidadosa dos fundamentos invocados, da forma como a resistência se manifesta e de sua compatibilidade com os valores democráticos.</p>
			<p>O direito à liberdade de consciência é reconhecido como uma das manifestações mais elevadas da autonomia pessoal, mas não se exerce em abstrato: ele deve ser ponderado com os interesses legítimos da coletividade, especialmente em contextos de grave risco sanitário.</p>
			<p>Para compreender as práticas de resistência à vacinação no contexto da pandemia, é indispensável recorrer aos marcos teóricos da desobediência civil e da objeção de consciência, categorias distintas, mas, muitas vezes, confundidas no discurso político e jurídico.</p>
			<p>Para dar continuidade à discussão inicial, destaca-se que a tensão entre convicções individuais e obrigações coletivas se acentuou significativamente no contexto da pandemia da COVID-19, sobretudo no que se refere à resistência à vacinação. Tal resistência, em muitos casos, foi embasada em fundamentos morais, políticos ou religiosos, suscitando debates relevantes sobre os limites da autonomia individual em face da necessidade de proteção da coletividade. Nesse contexto, propõe-se investigar como a desobediência civil e a objeção de consciência à vacinação podem ser compreendidas e justificadas no âmbito do Estado Democrático de Direito e das políticas públicas de saúde coletiva. Trata-se de uma indagação que transcende a legalidade estrita para adentrar o campo da legitimidade das práticas contestatórias em tempos de crise sanitária.</p>
			<p>Com base nesse panorama, a hipótese levantada é de que a recusa à vacinação, quando fundamentada em argumentos de desobediência civil ou objeção de consciência, pode configurar um exercício legítimo de direitos fundamentais, desde que observadas determinadas condições. Contudo, essa possibilidade traz consigo importantes desafios éticos e normativos, os quais tensionam as fronteiras entre a liberdade de consciência e os deveres de solidariedade exigidos em sociedades democráticas. A análise crítica dessa hipótese permite compreender os dilemas jurídicos impostos à formulação de políticas públicas sanitárias em contextos de emergência.</p>
			<p>Justifica-se a relevância da pesquisa pelo fato de que a pandemia trouxe à tona conflitos complexos entre direitos individuais e interesses coletivos, evidenciando a necessidade de uma reflexão jurídica e filosófica mais aprofundada sobre os institutos da desobediência civil e da objeção de consciência. Em um cenário em que decisões políticas podem afetar diretamente a vida e a saúde das pessoas, torna-se imprescindível examinar se e em que medida é possível compatibilizar a liberdade de resistência com a eficácia das políticas públicas de vacinação. Além disso, a abordagem proposta permite repensar os fundamentos democráticos da legitimidade jurídica e da autoridade estatal em momentos de exceção.</p>
			<p>O objetivo geral deste estudo é analisar a desobediência civil e a objeção de consciência no contexto da vacinação contra a COVID-19, à luz dos fundamentos éticos, políticos e jurídicos que estruturam o Estado Democrático de Direito. Para isso, propõem-se os seguintes objetivos específicos: (a) investigar os conceitos e distinções entre desobediência civil e objeção de consciência na literatura filosófica e jurídica; (b) examinar como esses conceitos se aplicam às resistências à vacinação durante a pandemia de COVID-19; (c) avaliar as implicações ético-jurídicas da recusa à vacinação com base em convicções individuais; e (d) refletir sobre os impactos dessas práticas para a formulação de políticas públicas de saúde.</p>
			<p>A metodologia adotada é qualitativa, de cunho teórico e argumentativo, baseada em revisão bibliográfica em bases acadêmicas como <italic>SciELO</italic> e <italic>Google Scholar</italic>, focando obras clássicas e estudos contemporâneos no campo do Direito, Filosofia e Ciência Política. A análise será conduzida por meio da técnica crítico-hermenêutica, adequada para a interpretação dos discursos normativos e institucionais em contextos de crise. A escolha dessa abordagem permite apreender os sentidos e limites das justificativas de resistência à vacinação, de modo a subsidiar uma leitura constitucionalmente orientada que promova tanto a dignidade da pessoa humana quanto a efetividade das políticas públicas sanitárias.</p>
			<p>A fim de dar concretude aos objetivos propostos, o artigo está estruturado em cinco seções, além desta introdução. A primeira seção - Bases Conceituais da Desobediência Civil e da Objeção de Consciência - apresenta os conceitos fundamentais desses institutos, estabelecendo suas distinções e pontos de interseção a partir de abordagens filosóficas e jurídicas. Na segunda seção - <bold>Desobediência civil</bold> -, aprofunda-se a análise da desobediência civil enquanto forma de resistência legítima, com base em sua trajetória histórica e nos critérios normativos que a delimitam no Estado Democrático de Direito. A terceira seção - <bold>Objeção consciente</bold> - dedica-se ao exame da objeção de consciência, com ênfase em seu reconhecimento jurídico e nos pressupostos éticos que fundamentam sua admissibilidade. Em seguida, a quarta seção - <bold>A desobediência civil na pandemia da COVID-19</bold> - analisa especificamente as manifestações de desobediência civil e objeção de consciência no contexto da pandemia de COVID-19, considerando os casos de recusa à vacinação e suas repercussões para as políticas públicas de saúde. Por fim, a quinta e última seção - <bold>Considerações finais</bold> - apresenta as conclusões, nas quais se sintetizam os principais achados da pesquisa.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2 Bases conceituais da desobediência civil e da objeção de consciência</title>
			<p>A desobediência civil e a objeção de consciência são práticas sociais motivadas por crenças morais e políticas, inserindo-se na categoria mais ampla de desobediência conscienciosa. Esta última pode ser definida como a não conformidade com uma lei, injunção ou diretiva formal por motivos de princípio, geralmente com o propósito de comunicar convicções a destinatários específicos. A desobediência civil é frequentemente caracterizada como um ato de protesto ilegal de consciência, com o qual indivíduos buscam expressar oposição à legislação ou política vigente. Diferencia-se, nesse sentido, da objeção de consciência, que se manifesta como recusa ao cumprimento de diretiva legal por razões de moralidade pessoal, sem pretensão direta de reforma institucional, sendo seu exemplo paradigmático o do soldado que se recusa a lutar em guerra que considera injusta (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Monteiro Filho <italic>et al</italic>., 2020</xref>).</p>
			<p>A análise filosófica da desobediência civil também se articula com os fundamentos do Estado Democrático de Direito, sobretudo no que tange ao papel dos deveres cívicos em tempos de crise. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy (2023</xref>) argumenta que a democracia constitucional impõe ao cidadão não apenas direitos, mas também deveres de participação e responsabilidade, sendo o cumprimento de obrigações legais expressão da pactuação democrática. No entanto, a tensão emerge quando determinadas normas ou políticas públicas contrariam a consciência individual de forma substancial, colocando o sujeito diante do dilema entre obedecer à lei ou preservar sua integridade moral. Nesses casos, o conflito entre dever jurídico e dever moral ganha relevo, exigindo do Estado sensibilidade normativa para distinguir atos de resistência legítimos de simples infrações. Essa distinção é fundamental, pois legitimar toda e qualquer desobediência sob o manto da consciência individual pode enfraquecer o ordenamento jurídico e solapar a confiança pública nas instituições. Por outro lado, a negação categórica do direito à objeção pode reduzir o indivíduo a uma condição de subserviência moral, incompatível com os pressupostos da dignidade humana.</p>
			<p>A ação conscienciosa requer consistência entre crenças e condutas, sendo guiada por princípios que alinham o julgamento pessoal à moralidade intersubjetiva. Para <xref ref-type="bibr" rid="B10">Celikates (2016</xref>), tal ação envolve não apenas o agir em conformidade com a consciência, mas também a disposição para arcar com as consequências e dialogar com os demais sobre tais convicções. Essa dimensão comunicativa está presente, ainda que de forma diferenciada, tanto na desobediência civil quanto na objeção de consciência. Enquanto a desobediência civil possui um caráter essencialmente político e é voltada à provocação de reformas, a objeção de consciência, embora possa ter implicações políticas, centra-se na preservação da integridade moral do indivíduo.</p>
			<p>Ao contrário do protesto público com pretensão reformista, a objeção se dirige à preservação da coerência entre crenças pessoais e condutas obrigatórias impostas pelo Estado. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>) destaca que a consciência opera como instância de julgamento moral, orientando a conduta segundo convicções que integram o núcleo identitário do sujeito. Quando a imposição estatal ameaça esse núcleo, o indivíduo pode experimentar a violação de sua integridade moral, o que justifica, em certas condições, a recusa legítima ao cumprimento da obrigação. Contudo, é necessário distinguir tais objeções de alegações genéricas, baseadas em preferências passageiras ou receios infundados, não relacionados com compromissos morais estruturantes.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B13">Davis (2015</xref>), ambas as práticas são modos de expressão voltados à comunicação de valores a um público específico, ainda que por vias e objetivos distintos. A literatura filosófica sobre o tema revela divergências relevantes. Alguns autores defendem o valor social da desobediência de consciência como promotora de deliberações públicas e instrumentos de denúncia de injustiças (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Repolês, 2003</xref>). Outros, no entanto, alertam para os riscos associados à quebra da legalidade, propondo formas mitigadas de resposta, como penas brandas, acomodações legais e medidas institucionais de tolerância. Assim, a análise conceitual da desobediência civil e da objeção de consciência constitui ponto de partida indispensável para a compreensão da resistência à vacinação contra a COVID-19. É precisamente essa base teórica que permitirá a investigação dos limites e das possibilidades dessas manifestações no contexto do Estado Democrático de Direito e das políticas públicas de saúde coletiva.</p>
			<p>Do ponto de vista constitucional, a tensão entre liberdade de consciência e exigências coletivas não se resolve pela simples prevalência de um valor sobre o outro. A Constituição brasileira de 1988, apesar de marcada por sucessivas reformas e críticas à sua coesão normativa (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Medeiros; Feitosa, 2023</xref>), ainda mantém como pilares a dignidade humana, a liberdade individual e a solidariedade. Essa tríade impõe um modelo de interpretação que recusa tanto o autoritarismo sanitário quanto o individualismo absoluto. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B14">De Cicco (2024)</xref>, os direitos e deveres de solidariedade são indissociáveis, e a qualidade de vida deve ser percebida não apenas em termos individuais, mas também no plano coletivo. A democracia exige, portanto, o equilíbrio dinâmico entre autonomia e coesão social.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3 Desobediência civil e o direito à contestação de políticas públicas obrigatórias</title>
			<p>A desobediência civil é uma prática que, ao longo da história, tem sido utilizada como um meio de resistência e luta contra injustiças sociais e políticas. Definida classicamente por Henry David Thoreau e amplamente discutida por teóricos como John Rawls, a desobediência civil é caracterizada como um ato público, não violento e consciente que visa a provocar mudanças nas leis ou políticas governamentais injustas. Trata-se de um protesto restrito e comunicativo, contrário à lei, que as pessoas realizam para apoiar uma mudança nas práticas governamentais ou não governamentais (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Weinstock, 2016</xref>).</p>
			<p>A natureza restrita da desobediência civil é geralmente, embora não universalmente, entendida em termos de não violência. A desobediência civil está associada a um repertório tático de atos tipicamente não violentos que inclui, mas não se limita a ocupações, invasão de propriedade, bloqueios, confinamentos, entrega de faixas, teatro de rua ilegal e solidariedade na prisão. Os atos de desobediência civil podem ser diretos ou indiretos. Em outras palavras, eles podem envolver uma recusa direta em se conformar com a lei que é o objeto imediato do protesto, ou uma recusa em se conformar com leis não contenciosas como um meio de expressar indiretamente oposição ao objeto do protesto (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves, 2015</xref>).</p>
			<p>Alguns pensadores sustentam que a desobediência civil só pode visar a órgãos e práticas governamentais, mas isso dá uma imagem indevidamente restrita de seus alvos. Certamente, geralmente, os dissidentes dirigem sua desobediência civil contra autoridades públicas que têm a capacidade de promulgar decisões coletivas por meio de leis, políticas ou diretivas em nível local, nacional ou transnacional. No entanto, os dissidentes também podem se envolver em desobediência civil contra agentes não governamentais, como universidades, corporações e igrejas, cujas práticas legais (ou ilegais) eles se opõem. Claro, esses protestos, muitas vezes, também pretendem criticar o quadro legal que tolera tais práticas (Brownlee, 2013).</p>
			<p>A afirmação de que a desobediência civil é uma forma comunicativa de protesto é amplamente aceita na literatura filosófica. <xref ref-type="bibr" rid="B22">Milligan (2013</xref>) observa que a maioria dos comentaristas afirmam o que ele chama de “tese da comunicação”, a qual sustenta que a desobediência civil deve ser entendida principalmente como uma forma de endereçamento ou apelo. Diversos pensadores, como <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls (1999</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B30">Singer (1973</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B7">Bedau (1991</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B17">Habermas (1985</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B3">Arendt (2004</xref>) conceituam a desobediência civil como meio de articular argumentos de oposição na esfera pública. Segundo Rawls (1999), a desobediência civil caracteriza-se como um protesto moralmente justificado que ultrapassa convicções meramente privadas e interesses individuais. Trata-se de um ato público, normalmente anunciado previamente, sujeito ao controle das autoridades durante sua realização. Consiste na violação deliberada de normas jurídicas específicas, sem, contudo, negar a legitimidade do Estado de Direito como um todo. Envolve a disposição em aceitar as sanções legais decorrentes dessa violação e, por seu caráter simbólico, restringe-se, em regra, a meios não violentos de manifestação.</p>
			<p>A tese da comunicação não é, entretanto, universalmente aceita. <xref ref-type="bibr" rid="B22">Milligan (2013</xref>) observa que a tese pode levar ao que ele descreve como “a questão das exclusões”, a qual surge na medida em que nossa estrutura conceitual nos leva a negar que certas formas de ativismo de princípios devam ser tratadas como civilmente desobedientes. Ele considera formas de ativismo em que o objetivo principal é interromper ou prevenir uma prática contenciosa, ao invés de comunicar oposição a essa prática na esfera pública. Por exemplo, ativistas ambientais radicais às vezes visam a projetos de desenvolvimento contestados, sabotando secretamente máquinas ou impondo outras formas de custos aos desenvolvedores. Se, no entanto, insistirmos em limitar a desobediência civil a formas de protesto abertamente comunicativas, pode ser difícil categorizar esse ativismo como civilmente desobediente (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Welchman, 2001</xref>).</p>
			<p>Mesmo assim, a perspectiva comunicacional mantém um apelo considerável na especificação conceitual da desobediência civil. Em primeiro lugar, a tese é compatível com temas explorados nos escritos de figuras proeminentes na tradição da desobediência civil. Gandhi e Martin Luther King, por exemplo, defendem a desobediência civil como meio de estender a mão ao oponente para provocar o diálogo e buscar a reconciliação de perspectivas. A perspectiva de Gandhi insiste que os agentes civilmente desobedientes devem adotar uma orientação dialógica em relação aos seus oponentes, de modo que o adversário seja tratado como digno de ser ouvido, como outra pessoa ou grupo de pessoas com um ponto de vista que, embora diferente do seu, não é inferior por virtude de ser diferente (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Lucas, 2014</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">King (1991</xref>, p. 71) sustentou que o papel da desobediência civil é “criar tal crise e estabelecer tal tensão criativa que uma comunidade que se recusou constantemente a negociar seja forçada a enfrentar a questão”. Há, com certeza, algumas dúvidas sobre até que ponto Gandhi e King adotam uma posição consistente em seus escritos, já que ambos flertam com a ideia de protesto perturbador como uma estratégia comunicativa e não comunicativa. O lugar proeminente da intenção comunicativa em seus escritos, entretanto, atesta sua relevância histórica e prática para a desobediência civil.</p>
			<p>Em segundo lugar, a tese da comunicação reconhece que certas formas de protesto e resistência baseadas em princípios são necessariamente excluídas da categoria de desobediência civil. Isso porque é necessário dar conta da civilidade dessa prática, o que nos permite contrastá-la com outras formas de desobediência de princípio. A civilidade pode estar associada às motivações conscienciosas de seus praticantes, particularmente ao seu objetivo de divulgar as razões de seu protesto, de modo a persuadir o público relevante a aceitar sua posição (<xref ref-type="bibr" rid="B18">King, 1991</xref>). O objetivo de alcançar um público dessa forma impõe certas restrições à conduta dos desobedientes civis, porque as formas de expressão, excessivamente violentas ou enérgicas, podem frustrar os esforços para provocar </p>
			<p>uma mudança duradoura na lei ou nas práticas sociais. Os desobedientes civis têm razões para, pelo menos, tentar persuadir os outros dos méritos de seus pontos de vista, em vez de conseguir a mudança pela força; isso ocorre em parte porque a força de sua mensagem pode ser perdida se for abafada por táticas agressivas e porque seu apelo repousa em tratar os destinatários como interlocutores com os quais uma discussão fundamentada é possível. O caso da resistência militante que vai além das restrições associadas à civilidade pode ser mais convincente se a persuasão por meio do diálogo parecer, ou se mostrar, impossível (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls, 1999</xref>).</p>
			<p>Terceiro, a gama de atividades compatíveis com a intenção comunicativa é bastante ampla. Na verdade, a tese da comunicação ajuda a dar sentido ao desacordo generalizado na literatura filosófica sobre quais restrições particulares à conduta devem ser associadas à desobediência civil, incluindo: publicidade, não violência, apelo a princípios políticos públicos, fidelidade à lei e vontade de aceitar punição (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls, 1999</xref>).</p>
			<p>Considere, por exemplo, a definição amplamente debatida proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls (1999</xref>, p. 320), segundo a qual a desobediência civil é “um ato público, não violento, de consciência, porém de natureza política, contrário à lei, geralmente realizado com o objetivo de promover uma mudança na legislação ou nas políticas governamentais”. O autor acrescenta requisitos adicionais, afirmando que os desobedientes civis devem notificar adequadamente seu protesto, restringir seu apelo aos princípios políticos públicos e evitar táticas coercitivas ou intimidatórias que visem a forçar as autoridades públicas.</p>
			<p>Uma maneira de dar sentido à posição de <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls (1999</xref>) é que as restrições refletem uma certa concepção de como a desobediência civil funciona como um apelo nas circunstâncias especiais de uma “sociedade quase justa”. Em uma sociedade na qual a maioria está comprometida com a justiça e aberta à possibilidade de que suas decisões reflitam ou fortaleçam a injustiça, faz sentido limitar a desobediência civil a táticas que aumentem suas credenciais como um apelo respeitoso a essa maioria. Nesse contexto, sustenta-se que a desobediência civil deve ser não violenta, porque “se envolver em atos violentos com probabilidade de ferir é incompatível com a desobediência civil como forma de tratamento” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls, 1999</xref>, p. 321). Em outras palavras, a violência não respeita as liberdades civis do público e, portanto, obscurece a clareza e a força de qualquer apelo ao seu senso de justiça. Peter <xref ref-type="bibr" rid="B30">Singer (1973</xref>) enfoca uma questão diferente ao contestar a afirmação de <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls (1999)</xref> de que a desobediência civil deve incorporar um apelo aos princípios políticos públicos, insistindo nessa condição porque se encaixa bem em seu relato da desobediência civil como um “dispositivo estabilizador”, que funciona para divulgar desvios particularmente graves da concepção de justiça prevalecente em uma sociedade. Singer argumenta que essa condição é inadequada em sociedades que carecem de uma concepção estabelecida de justiça ou possuem uma concepção que falha em abordar questões importantes de interesse moral. Ele, portanto, oferece uma concepção mais ampla de desobediência civil como um apelo a uma maioria democrática para reconsiderar suas decisões, o que permite que os manifestantes recorram a uma gama potencialmente ampla de ideias éticas na defesa de seus objetivos e conduta.</p>
			<p>Além disso, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bickel (1975</xref>), a desobediência civil pode ser compreendida como a recusa em obedecer a uma legislação geral formalmente obrigatória, motivada por princípios morais ou políticos, sem que isso implique necessariamente uma contestação à validade da norma. Trata-se, ainda, de uma conduta que pode envolver a transgressão incidental dessas leis durante protestos que buscam promover mudanças em políticas públicas ou condições sociais consideradas moral ou politicamente inadequadas, ainda que tais atos ocorram em um contexto jurídico que não admite a desobediência.</p>
			<p>Outro fundamento doutrinário importante é fornecido por <xref ref-type="bibr" rid="B3">Arendt (2004</xref>), ao observar que a justificativa de consciência enfrenta dois obstáculos: sua natureza subjetiva, que impede a generalização, e a suposição de que todos possuem e exercem a capacidade inata de discernir o certo do errado - o que, na prática, nem sempre ocorre. Com efeito, apesar de sua importância histórica e potencial transformador, a desobediência civil não está isenta de críticas e objeções, que devem ser consideradas para uma compreensão equilibrada e abrangente desta prática.</p>
			<p>No tocante ao respaldo legal, infere-se que diversos marcos legais e doutrinários que justificam sua prática como uma forma legítima de resistência. Um dos principais fundamentos está no direito de resistência, que é reconhecido em várias constituições e declarações de direitos humanos. O artigo 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, por exemplo, garante o direito à participação democrática, o que pode incluir a resistência a governos tirânicos ou injustos.</p>
			<p>No ordenamento jurídico brasileiro, a Constituição Federal (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, [2023]</xref>) assegura no art. 5º, inciso IV, a livre manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. Trata-se de princípio que pode ser interpretado como um reconhecimento implícito da desobediência civil, uma vez que essa prática é, por definição, uma forma de manifestação pública e não anônima contra leis ou políticas consideradas injustas. Ademais, o art. 5º, inciso XVI, do Diploma Constitucional garante o direito de reunião pacífica, sem armas, em locais abertos ao público, desde que não frustre outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, o que também pode ser visto como um suporte legal para a desobediência civil (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, [2023]</xref>).</p>
			<p>A desobediência civil, quando ancorada em convicções morais profundas e comunicada de forma clara a uma audiência relevante, transcende o mero descumprimento legal e passa a desempenhar função pedagógica e política no contexto democrático (Della <xref ref-type="bibr" rid="B11">Croce; Nicole-Berva, 2023</xref>). A exigência de publicidade e não violência, portanto, está diretamente relacionada à legitimidade da conduta perante a esfera pública. Isso se evidencia em protestos cuja finalidade não é a desordem, mas a denúncia argumentativa de uma prática injusta, como ilustrado em manifestações contra políticas compulsórias de saúde. O reconhecimento desses atos como desobediência civil depende, assim, do seu potencial comunicativo e do compromisso ético subjacente à transgressão legal, elementos que os diferenciam de ações meramente ilegais ou movidas por interesses individuais.</p>
			<p>A prática da desobediência civil, especialmente em contextos de saúde pública, revela-se como tentativa legítima de preservar a coerência entre a consciência individual e a ação moral, inclusive por parte de profissionais da saúde que se recusam a atuar sob condições inseguras, em nome do princípio da não infecção (Della <xref ref-type="bibr" rid="B11">Croce; Nicole-Berva, 2023</xref>). Esses atos, ainda que contrários às normas institucionais vigentes, podem ser compreendidos como esforços para resguardar a integridade ética do profissional e a segurança dos pacientes, configurando, portanto, um exercício de contestação responsável. O dever de contenção sanitária, que impõe limites à circulação e ao contato, aplica-se a todos os cidadãos, inclusive àqueles que resistem com base em valores éticos, exigindo, da parte do Estado, respostas proporcionais e fundamentadas.</p>
			<p>A caracterização da desobediência civil como meio legítimo de contestação não se limita à violação de normas em si, mas à intenção deliberada de provocar debate público e de apelar ao senso de justiça coletivo (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy, 2023</xref>). Isso significa que, mesmo diante de políticas obrigatórias, como a vacinação compulsória, há espaço para formas legítimas de resistência, desde que observados os requisitos da civilidade e do apelo ético. A recusa pública, consciente e argumentativa, como a de cidadãos que expõem sua objeção moral à vacinação, não pode ser automaticamente confundida com negacionismo ou desinformação. Ao contrário, deve ser compreendida no marco do direito à dissidência, que é condição para a vitalidade do Estado Democrático de Direito.</p>
			<p>A tensão entre liberdades individuais e deveres coletivos atinge seu ápice nas políticas de vacinação obrigatória, onde se confrontam o direito à integridade corporal e o imperativo da proteção da saúde pública. Embora a imposição estatal possa ser legalmente respaldada, especialmente em situações de emergência sanitária, seu exercício deve ser acompanhado por garantias materiais e jurídicas que tornem a obrigação proporcional e equitativa (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Wilson; Rudge, 2023</xref>). Programas de indenização por efeitos adversos e mecanismos de acesso universal à vacina são exemplos de medidas que contribuem para a legitimação da política coercitiva, equilibrando os interesses em jogo e reduzindo a resistência motivada por inseguranças e desigualdades sociais.</p>
			<p>Por fim, a hesitação vacinal, embora frequentemente atribuída à desinformação, possui raízes mais complexas e contextuais. Fatores como desigualdade de acesso à informação, histórico de negligência institucional e ausência de diálogo transparente contribuem para a formação de resistências moralmente fundadas (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Wilson; Rudge, 2023</xref>). Assim, o enfrentamento da objeção vacinal por meio da coerção, sem considerar os fundamentos éticos que a sustentam, tende a aprofundar a desconfiança e comprometer a eficácia da política pública. Em contrapartida, a escuta ativa e o respeito às manifestações de consciência podem abrir espaço para políticas mais participativas e sensíveis à pluralidade de valores presentes em sociedades democráticas. Como pode ser observado, diversos são os conceitos de desobediência civil e sua aplicação pode ser realizada em diferentes ações em sociedade. A seguir, relaciona-se tal conceito à objeção da consciência, para melhor compreensão da relação entre a desobediência civil no ato de negação à vacinação da Covid-19.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>4 Objeção de consciência como direito individual</title>
			<p>A objeção de consciência é o ato de não se conformar com alguma diretiva ou ordem legal por razões de moralidade pessoal. De maneira matizada, a objeção de consciência - como um ato de objeção - é também um ato comunicativo de desobediência, que a pessoa pratica para se desassociar de ações que são incompatíveis com suas convicções morais como ela as entende. Como objeção, isso difere de desacordo não comunicado ou desobediência puramente evasiva (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Pieroth; Schlink, 2019</xref>). Ela está associada a ações como cidadãos recusando-se a servir nas forças armadas ou em conflito militar, profissionais médicos recusando-se a fornecer certas formas de tratamento ou serviço e funcionários públicos recusando-se a cumprir certas obrigações e também, nos casos de indivíduos que se recusam a participar de uma vacinação em massa. Também pode assumir a forma não de se recusar a agir, mas de uma atitude desafiadora, como um médico provendo desafiadoramente um serviço médico que ela foi instruída a negar (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Streck; Morbach, 2019</xref>).</p>
			<p>A objeção de consciência difere da desobediência civil de várias maneiras. Primeiro porque não é necessariamente um ato ilícito, mas implica, pelo menos, não conformidade com uma liminar, diretiva ou norma sem lei. Segundo, ela só pode ser executada de forma direta contra o ditado que o objetor se opõe. Terceiro, o mais importante, a objeção de consciência, ao contrário da desobediência civil, não é necessariamente realizada como um meio de protestar contra ou reformar a prática que o objetor se opõe, embora - como será discutido - possa implicitamente ou explicitamente levantar a questão das isenções (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Born, 2014</xref>).</p>
			<p>A afirmação de que a objeção de consciência é um ato comunicativo é muito menos amplamente aceita na literatura filosófica do que a afirmação de que a desobediência civil é um ato comunicativo. Isso pode refletir o fato de que a objeção de consciência é frequentemente definida como um ato que, em certo sentido, não é público em seus objetivos ou conduta, ou seja, não é realizado em público; não é feito com a devida notificação à sociedade e suas autoridades, nem com o objetivo de chamar a atenção do público (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Diniz, 2014</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B26">Raz (1979</xref>, p. 276), por exemplo, escreve que “a objeção de consciência é um ato privado, destinado a proteger o agente da interferência da autoridade pública” e para afirmar “imunidade da interferência pública em questões que ele considera privadas para ele”. Dito isso, as dimensões comunicativas da objeção de consciência podem ser desdobradas refletindo sobre as dificuldades dessa definição, particularmente a afirmação de que se trata de um ato “privado”.</p>
			<p>Em primeiro lugar, é um erro conceituar a objeção de consciência como privada no sentido de que é realizada de forma evasiva ou clandestina. A objeção de consciência, ao contrário da noção relacionada à evasão de consciência, é realizada por agentes no pressuposto de que as autoridades públicas estão cientes (ou podem vir a saber) de sua não conformidade (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Moraro, 2014</xref>). Em segundo lugar, é enganoso pensar sobre a objeção de consciência como algo privado no sentido de uma convicção puramente privada que entra em conflito com as leis, requisitos ou normas sociais. Há, é claro, um sentido importante em que a objeção de consciência coloca um indivíduo em uma relação de oposição às visões dominantes, mas isso não deve obscurecer o fato de que suas convicções foram forjadas em diálogo com outras pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Moraro, 2014</xref>). Terceiro, é um erro pensar sobre a objeção de consciência como algo privado, no sentido de que não tem aspirações de causar impacto em arranjos jurídicos ou sociais mais amplos. A tentação de pensar dessa maneira surge porque os objetores de consciência, muitas vezes, não oferecem um desafio direto a uma lei ou prática contenciosa, mas procuram evitar as implicações pessoais da conformidade. Assim, por exemplo, um registrador que se recusa a oficializar um casamento entre pessoas do mesmo sexo não contesta a legislação que permite tais uniões, se seu objetivo for meramente obter permissão para não ser um participante de uma cerimônia a que ela se opõe por motivos de consciência (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Moraro, 2014</xref>).</p>
			<p>O resultado dessas considerações é que a objeção de consciência, ao contrário da evasão de consciência ou de outras formas de desobediência pessoal, tem uma dimensão comunicativa constitutiva. No entanto, pode haver alguma incerteza sobre o motivo pelo qual um agente prefere comunicar suas convicções por meio da objeção de consciência em vez da desobediência civil. Isso é particularmente relevante se estivermos inclinados a pensar que a convicção conscienciosa é melhor servida por meio de uma conduta que não apenas desassocia um agente da transgressão percebida, mas que também articula um desafio direto ou indireto à própria transgressão percebida.</p>
			<p>A objeção de consciência, especialmente no contexto da vacinação compulsória, não pode ser equiparada a uma simples manifestação de opinião pessoal ou a um ato de resistência infundado. Conforme observa <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>), o não atendimento à vacinação por motivos de consciência representa uma forma de expressão moral profundamente enraizada na identidade do indivíduo, exigindo uma proteção jurídica distinta daquela conferida à autonomia genérica. Trata-se de um embate entre convicções morais internalizadas e políticas públicas que, embora voltadas à promoção da saúde coletiva, devem considerar a integridade moral de cada cidadão. Assim, o reconhecimento da objeção de consciência não implica desprezar o bem-estar social, mas incorporá-lo de maneira compatível com os direitos fundamentais.</p>
			<p>É necessário distinguir a objeção de consciência legítima de condutas derivadas de hesitação vacinal ou de sentimentos subjetivos exacerbados. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>) alerta para o risco de banalização da objeção de consciência, ao sustentar que apenas reivindicações moralmente coerentes e consistentes com o histórico de crenças do indivíduo merecem deferência jurídica. Ao se equiparar qualquer resistência à vacinação à objeção de consciência, corre-se o risco de enfraquecer os mecanismos de proteção dos direitos fundamentais e comprometer a legitimidade do instituto. O papel do Estado, portanto, é o de operar um juízo proporcional que garanta o equilíbrio entre a proteção da saúde pública e a preservação da consciência individual.</p>
			<p>Ademais, a proporcionalidade das medidas sanitárias deve ser analisada à luz do impacto que produzem sobre a integridade moral dos cidadãos. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>) enfatiza que, mesmo em cenários de emergência sanitária, a imposição de condutas pode violar o núcleo identitário de quem age segundo convicções éticas pessoais. Isso se evidencia, por exemplo, na dificuldade de certos indivíduos em se submeterem à vacinação compulsória, não por desinformação, mas por incompatibilidade com sua compreensão do bem e do justo. Ignorar tal realidade compromete o princípio da dignidade da pessoa humana e pode produzir efeitos contrários à adesão voluntária às políticas públicas de saúde.</p>
			<p>Outro aspecto a considerar é o papel comunicativo da objeção de consciência, mesmo quando não revestido da publicidade típica da desobediência civil. Embora atos de objeção não visem, necessariamente, à transformação da norma, eles contêm uma dimensão discursiva implícita, ao revelar um conflito entre deveres legais e convicções pessoais. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy (2023</xref>), a objeção de consciência traz à tona o embate entre indivíduo e coletividade, sem que isso signifique um ataque ao ordenamento. A essência desse direito reside na discordância respeitosa e na reivindicação de isenções compatíveis com o pluralismo democrático.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>5 A desobediência civil na pandemia da covid-19</title>
			<p>Atualmente, segundo a OMS, a vacinação em massa evita, pelo menos 240 mortes por hora no mundo e uma economia de R$ 250 milhões por dia. Tais cálculos incluem a vacinação para prevenção de difteria, sarampo, coqueluche, poliomielite e outros (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Croda; Garcia, 2020</xref>). Na mesma linha, o pesquisador emérito da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Akira Homma, defende que as vacinas e o processo de vacinação em massa previnem doenças e aumentam a qualidade de vida (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Guimarães, 2022</xref>). Nesse contexto de eficácia comprovada, <xref ref-type="bibr" rid="B34">Wilson e Rudge (2023</xref>) reconhecem a eficácia inquestionável da vacinação como estratégia de saúde pública, mas observam que, apesar de seus amplos benefícios, o tema sempre foi acompanhado por certo grau de controvérsia. A tensão entre os benefícios coletivos demonstrados e a resistência individual reflete um paradoxo próprio das sociedades democráticas, em que coexistem direitos fundamentais aparentemente conflitantes. Essa controvérsia histórica ganha novos contornos durante emergências sanitárias, quando as decisões sobre políticas públicas de saúde necessitam equilibrar evidências científicas com valores democráticos fundamentais, incluindo a liberdade de consciência e a autonomia corporal dos cidadãos.</p>
			<p>Assim, além da desobediência civil, o discurso antivacina, bem como a aversão ao uso de máscaras, e a promoção de remédios milagrosos são um conjunto de ações negacionistas. O movimento antivacina já se apresenta desde o início do século XX, quando as campanhas de imunização enfrentavam a oposição de alguns setores da população, como no caso da Revolta da Vacina, em 1904, no Rio de Janeiro. Naquela ocasião, aconteceram protestos contra a Lei da Vacinação Obrigatória e os serviços prestados pelos agentes de saúde (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Sevcenko, 2010</xref>). Atualmente, devido ao ambiente de incerteza gerado pelo desenvolvimento das vacinas da Covid-19 só piora a situação da negação à vacinação (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Badiou, 2020</xref>).</p>
			<p>A experiência histórica brasileira revela que, em determinados momentos do passado, a vacinação forçada foi empregada como medida estatal, conforme demonstrado por <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy (2023</xref>), revelando um padrão de tensões entre autoridade sanitária e resistência popular que transcende épocas específicas. O cenário da pandemia evidenciou a reconfiguração de tensões sociais e políticas, especialmente pela influência das redes sociais, que têm sido utilizadas para disseminação de desinformação e manipulação da propaganda eleitoral, afetando diretamente os processos democráticos, conforme apontam <xref ref-type="bibr" rid="B21">Medeiros e Feitosa (2023</xref>). Este fenômeno ilustra como a desobediência civil se entrelaça com questões mais amplas de informação, democracia e confiança institucional, criando desafios inéditos para a formulação de políticas públicas de saúde em sociedades hiperconectadas.</p>
			<p>Diante desse cenário a Câmara dos Deputados criou o Projeto de Lei 5040/20 que prevê que a pessoa que se recusar a tomar a vacina contra a Covid-19 teria como consequências, as mesmas penalidades de quem não </p>
			<p>vota e nem apresenta justificativa à Justiça Eleitoral, entretanto o projeto tramita e não foi aprovado até o presente momento. A proposta legislativa reflete a complexidade do problema, uma vez que <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy (2023</xref>, p. 1315) questiona: “a liberdade de discordar das leis pode prevalecer sobre a segurança da coletividade? Essa é a grande questão discutida”. Essa indagação revela o cerne do dilema democrático durante a pandemia, em que se busca conciliar direitos individuais com responsabilidades coletivas. A abordagem punitiva, contudo, pode ser questionada à luz dos fundamentos da objeção de consciência, especialmente quando <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>) argumenta que é possível compatibilizar a proteção da saúde pública com o respeito às crenças das minorias, sem que seja necessário estabelecer uma escolha excludente entre esses dois valores. O desafio reside em desenvolver mecanismos institucionais capazes de acomodar convicções genuínas sem comprometer objetivos sanitários essenciais.</p>
			<p>No contexto brasileiro da pandemia, essa a conceituação clássica de desobediência civil encontra novos desafios quando aplicada às questões sanitárias. Della <xref ref-type="bibr" rid="B11">Croce e Nicole-Berva (2023</xref>) sustentam que a legitimidade da desobediência civil, especialmente em contextos de emergência sanitária, deve ser avaliada com base na proporcionalidade, de modo que não se justifique quando houver exposição de terceiros a riscos excessivos ou impactos negativos. Os autores reconhecem que a proporcionalidade entre os meios de protesto e os danos causados é critério central para avaliar a moralidade da desobediência civil durante uma pandemia. Essa abordagem sugere que a legitimidade da resistência às medidas sanitárias deve ser avaliada não apenas pela sinceridade das convicções, mas também pelo impacto potencial sobre terceiros vulneráveis.</p>
			<p>Com efeito, ações que respeitam os princípios de não violência, transparência e busca por diálogo têm maior probabilidade de serem vistas como moralmente justificadas e politicamente eficazes. Apesar de sua importância histórica e potencial transformadora, a desobediência civil não está isenta de críticas e objeções - ganhando especial relevo durante a pandemia de Covid-19 -, as quais devem ser consideradas para uma compreensão equilibrada e abrangente dessa prática. Dessa forma, a tentativa de justificar a desobediência civil deve contar com uma série de objeções que podem ser levantadas contra essa prática. É necessário ponderar as consequências prejudiciais que a desobediência civil pode gerar nas relações de amizade cívica em uma sociedade democrática.</p>
			<p>Uma das principais objeções é a potencial ameaça à ordem pública. A desobediência civil, ao violar leis, pode causar distúrbios sociais e impactar negativamente a paz e a segurança da sociedade. Convém salientar outra objeção significativa que diz respeito ao impacto sobre terceiros. Isso porque é incontroverso que a desobediência civil pode impor ônus e inconveniências a indivíduos que não estão diretamente envolvidos no protesto. Esse tipo de impacto pode gerar ressentimento e oposição à causa defendida pelos desobedientes civis, enfraquecendo o apoio popular e potencialmente agravando as divisões sociais.</p>
			<p>Além das objeções morais à vacinação, é necessário considerar os efeitos sociais do descumprimento de normas sanitárias. Essa preocupação com danos a terceiros adquire particular relevância quando <xref ref-type="bibr" rid="B14">De Cicco (2024)</xref> propõe que a violação de deveres coletivos durante pandemias pode configurar “dano social”, passível de indenização por si só, dada sua capacidade de comprometer a solidariedade e o bem-estar público. A autora sustenta que, mesmo sem danos materiais específicos, o comportamento antissocial que nega medidas preventivas compromete o pacto civilizatório que sustenta a saúde pública.</p>
			<p>Não se pode olvidar ainda da questão da polarização política. Ao desafiar diretamente as autoridades e as leis estabelecidas, a desobediência civil pode exacerbar a polarização dentro da sociedade, sendo inconteste que, em contextos de alta polarização, os atos de desobediência civil podem ser vistos como provocativos e divisivos, dificultando o diálogo e a cooperação entre diferentes grupos políticos e sociais. Esse efeito polarizador pode minar a coesão social e dificultar a busca por soluções consensuais para os problemas enfrentados. Esses impactos negativos podem reforçar a visão de que a desobediência civil deve ser rejeitada em favor de modos legais de defesa, partindo da suposição (ainda que controversa) de que as formas legais de defesa são provavelmente menos divisivas ou prejudiciais do que as formas ilegais de defesa.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>6 Considerações finais</title>
			<p>A presente investigação buscou refletir sobre as categorias da desobediência civil e da objeção de consciência aplicadas ao contexto da recusa à vacinação contra a COVID-19, situando tais comportamentos dentro do marco jurídico e político do Estado Democrático de Direito. A partir da análise teórica e normativa, foi possível identificar que essas formas de resistência não podem ser compreendidas de modo homogêneo ou automático como violações ao ordenamento jurídico. Em vez disso, exigem uma análise contextual e argumentativa, que leve em consideração o fundamento ético da ação, a coerência da convicção invocada e o seu impacto sobre os direitos coletivos. A desobediência civil se distingue por sua dimensão pública, comunicativa e não violenta, enquanto a objeção de consciência exige uma justificativa baseada em convicções morais ou religiosas consolidadas. Ambas tensionam a necessária conciliação entre a liberdade individual e os deveres coletivos de solidariedade, especialmente em situações de emergência sanitária.</p>
			<p>As contribuições deste estudo concentram-se em oferecer uma sistematização conceitual que permita diferenciar juridicamente os casos de resistência legítima às políticas públicas de saúde daqueles ancorados em desinformação, interesses particulares ou oportunismo político. O trabalho também tem por escopo colaborar para o debate sobre os limites éticos e constitucionais da atuação estatal em contextos pandêmicos, propondo uma abordagem crítica sobre a obrigatoriedade da vacinação e a legitimidade das condutas que se recusam a cumpri- la. Ao articular fundamentos filosóficos, políticos e jurídicos, o artigo propõe um ponto de partida para a construção de critérios normativos que respeitem tanto as liberdades fundamentais quanto à proteção da coletividade. A ponderação entre direitos deve observar os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao arbítrio, elementos indispensáveis para a preservação da ordem constitucional e democrática.</p>
			<p>Apesar dos resultados alcançados, a pesquisa encontra limitações relacionadas à ausência de dados empíricos que possibilitem uma avaliação mais concreta sobre a aplicação prática das categorias estudadas. A análise concentrou-se em um recorte teórico, com base em doutrina e literatura especializada, o que restringe a identificação de padrões reais de judicialização ou de políticas públicas efetivamente moldadas por objeções de consciência ou atos de desobediência civil. Também se reconhece a limitação da pesquisa quanto à variabilidade cultural e normativa entre os sistemas jurídicos, o que impede generalizações absolutas sobre a validade desses argumentos em diferentes contextos constitucionais.</p>
			<p>Para pesquisas futuras, recomenda-se o aprofundamento empírico por meio da análise de decisões judiciais que tenham enfrentado casos de recusa à vacinação com base em objeção de consciência ou desobediência civil. Além disso, seria relevante investigar como o tema tem sido abordado em outros países com modelos democráticos consolidados. Outro caminho promissor está na interseção com os estudos de bioética e sociologia do direito, visando a compreender como as convicções individuais e os valores coletivos são processados nas esferas públicas e privadas diante de crises sanitárias. Por fim, é desejável que futuros estudos explorem a dimensão pedagógica e deliberativa da desobediência civil no fortalecimento democrático, examinando seus efeitos não apenas jurídicos, mas também sociais e institucionais.</p>
			<p>Por derradeiro, os resultados alcançados apontam para a necessidade de formulação de políticas públicas de saúde que incorporem, em seu desenho normativo, canais institucionais de escuta e deliberação voltados à análise fundamentada de objeções de consciência e atos de desobediência civil. Isso inclui a previsão de procedimentos administrativos específicos para o reconhecimento formal da objeção de consciência em campanhas de vacinação, com critérios objetivos de avaliação da sinceridade, consistência e razoabilidade das convicções alegadas, evitando tanto o arbítrio estatal quanto à banalização do instituto. Do mesmo modo, recomenda-se a criação de diretrizes jurídicas claras que orientem o poder público na distinção entre resistências legítimas e condutas antissociais ou desinformadas, especialmente em contextos de crise sanitária. A implementação de instâncias interdisciplinares - como comitês de ética, ouvidorias públicas ou fóruns deliberativos - pode contribuir para decisões mais participativas, transparentes e compatíveis com os princípios democráticos, favorecendo o equilíbrio entre autonomia individual e responsabilidade coletiva.</p>
		</sec>
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				<label>Declaração de disponibilidade de dados</label>
				<p> A Pensar - Revista de Ciências Jurídicas adota práticas de Ciência Aberta e disponibiliza, junto à presente publicação, a Declaração de Disponibilidade de Dados (Formulário Pensar Data) preenchida e assinada pelos autores, a qual contém informações sobre a natureza do artigo e a eventual existência de dados complementares. O documento pode ser consultado como arquivo suplementar neste site.</p>
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				<article-title>Civil disobedience and conscientious objection to vaccination against covid-19</article-title>
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			<author-notes>
				<fn fn-type="edited-by" id="fn6">
					<label>Chief Editors</label>
					<p> Katherinne de Macêdo Maciel Mihaliuc <italic>Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Ceará, Brasil</italic> katherinne@unifor.br Sidney Soares Filho <italic>Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Ceará, Brasil</italic> sidney@unifor.br</p>
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					<label>Responsible Editor</label>
					<p> Sidney Soares Filho <italic>Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Ceará, Brasil</italic> sidney@unifor.br</p>
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				<fn fn-type="other" id="fn9">
					<p>**Graduado em Direito pela Universidade Vila Velha (2004) e em Psicologia pela Faculdade Brasileira UNIVIX (2024), Graduando em Filosofia pela Uninter (2019), Doutorado em andamento em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV, Brasil (2021), Mestrado em Segurança Pública pela UVV, Brasil (2019), especialização em Direito Público, Direito Tributário, Direito Empresarial, Direito Penal e Processual Penal e Psicologia Jurídica. Advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Espírito Santo. Atualmente é Controlador-Geral da Câmara Municipal de Vila Velha/ES.</p>
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				<fn fn-type="other" id="fn10">
					<p>***Professor permanente do PPGD FDV. Professor Associado da Universidade Federal do Maranhão (PPGDIR e PPGAERO). Diplomado pela Escola Superior de Guerra: Curso Superior de Defesa e Curso de Política e Estratégia, 2019. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (1994), com especialização em Direito e Sociedade pela Universidade Federal de Santa Catarina (1999), mestrado em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001) e doutorado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Cardozo School of Law - Yeshiva University (2006).Visiting Law Professor The Normal University of Political Science and Law of Beijing e de Shanghai; Visiting Researcher and Lecturer Chinese Academy of Social Sciences - International Institute of Law. Visiting Research Scholar Cardozo School of Law, 2003. Estudos Doutorais e de pós.doutorado em Derecho Administrativo de la Sociedad del Conocimiento - Universidad de Salamanca, 2007 a 2010.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>Abstract: </title>
				<p>Civil disobedience and conscientious objection are distinct but interrelated social practices that demonstrate the opposition of individuals to specific laws, policies, directives, or schemes. The present study aims to analyze civil disobedience in the context of vaccination against COVID-19. The methodology adopted was qualitative, theoretical, and argumentative, based on a critical bibliographic review with a hermeneutic focus, carried out through a survey in the SciELO and Google Scholar databases, with the objective of collecting relevant data on the proposed theme. After analyzing the data, it was found that, in general, civil disobedience is more openly communicative and political than conscientious objection. Civil disobedience is, almost by definition, a violation of the law, in which individuals engage for the purpose of forcing changes in governmental or non-governmental practices. Both civil disobedience and conscientious objection can be observed in the attitudes of those who refuse to take the COVID-19 vaccine, generating urgent normative and political challenges related to the nature of the rule of law, respect for the rule of law, conditions for deliberative democracy, equality before law, policing, judgment, and punishment. Thus, it is crucial to achieve a balance between individual autonomy and collective responsibility for the promotion of public health. </p>
			</abstract>
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				<title>Key words:</title>
				<kwd>Civil disobedience</kwd>
				<kwd>Vaccination</kwd>
				<kwd>COVID-19</kwd>
				<kwd>Pandemic</kwd>
				<kwd>Conscientious objection</kwd>
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		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>1 Introduction</title>
				<p>The COVID-19 pandemic has established an unprecedented health crisis in recent history, causing profound impacts on daily life, the global economy, and, above all, the organization of states. The responses to the emergency required the implementation of public policies of an exceptional nature, which challenged traditional normative frameworks and strained the relationship between the constituted powers. In Brazil, this scenario exposed the fragility of health structures and the absence of efficient institutional coordination, intensifying the already existing political polarization (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy, 2023</xref>). Measures such as compulsory social isolation, mandatory use of masks, and vaccination were adopted to contain the spread of the virus and preserve life, putting the state in a leading position in managing the crisis. However, such measures have also reignited debates about the limits of state action, especially when they involve restrictions on fundamental freedom. </p>
				<p>In parallel with the formulation and execution of public immunization policies, manifestations of vaccination resistance were observed. The legal responses to this conduct ranged from the imposition of administrative sanctions to attempts to reconcile individual freedoms and public duties. Some of these resistances were qualified as practices of conscientious objection because they were based on ethical or religious convictions, while others took the form of civil disobedience, insofar as they sought, deliberately and publicly, to contest the legitimacy of mandatory vaccination norms. This distinction, although not always clear in practice, is essential from a theoretical and legal point of view, as it demands from the interpreter of the law a careful analysis of the grounds invoked, the way in which the resistance manifests itself and its compatibility with democratic values. </p>
				<p>The right to freedom of conscience is recognized as one of the highest manifestations of personal autonomy, but it is not exercised in the abstract: it must be weighed against the legitimate interests of the community, especially in contexts of serious health risks. To understand the practices of resistance to vaccination in the context of the pandemic, it is essential to resort to the theoretical frameworks of civil disobedience and conscientious objection, distinct categories that are often confused in political and legal discourse.</p>
				<p>To continue the initial discussion, it is highlighted that the tension between individual convictions and collective obligations has been significantly accentuated in the context of the COVID-19 pandemic, especially regarding resistance to vaccination. Such resistance, in many cases, is based on moral, political, or religious foundations, raising relevant debates about the limits of individual autonomy in the face of the need to protect collectivity. In this context, it is proposed to investigate how civil disobedience and conscientious objection to vaccination can be understood and justified within the scope of the Democratic Rule of Law and public policies for public health. This is a question that transcends the strict legality to enter the field of legitimacy of contestatory practices in times of a health crisis. </p>
				<p>Based on this panorama, the hypothesis is that refusal to vaccinate, when based on arguments of civil disobedience or conscientious objection, can constitute a legitimate exercise of fundamental rights, provided that certain conditions are observed. However, this possibility brings with it important ethical and normative challenges that strain the boundaries between freedom of conscience and the duties of solidarity required in democratic societies. Critical analysis of this hypothesis allows us to understand the legal dilemmas imposed on the formulation of public health policies in emergency contexts. </p>
				<p>The relevance of this research is justified by the fact that the pandemic has brought to light complex conflicts between individual rights and collective interests, highlighting the need for a more in-depth legal and philosophical reflection on institutes of civil disobedience and conscientious objection. In a scenario in which political decisions can directly affect people's lives and health, it is essential to examine whether and to what extent freedom of resistance can be reconciled with the effectiveness of public vaccination policies. In addition, the proposed approach allows us to rethink the democratic foundations of legal legitimacy and state authority during times of exception. </p>
				<p>The general objective of this study is to analyze civil disobedience and conscientious objection in the context of vaccination against COVID-19 in light of the ethical, political, and legal foundations that structure the Democratic Rule of Law. To this end, the following specific objectives are proposed: (a) to investigate the concepts and distinctions between civil disobedience and conscientious objection in the philosophical and legal literature; (b) examine how these concepts apply to vaccination resistance during the COVID-19 pandemic; (c) assess the ethical and legal implications of refusal to vaccinate based on individual convictions; and (d) reflect on the impact of these practices on the formulation of public health policies. </p>
				<p>The methodology adopted was qualitative, theoretical, and argumentative, based on a bibliographic review of academic databases such as <italic>SciELO</italic> and <italic>Google Scholar</italic>, focusing on classic works and contemporary studies in the fields of Law, Philosophy and Political Science. The analysis will be conducted through the critical-hermeneutic technique, which is suitable for the interpretation of normative and institutional discourses in crisis contexts. The choice of this approach allows us to comprehend the meanings and limits of the justifications for resistance to vaccination in order to support a constitutionally oriented reading that promotes both the dignity of the human person and the effectiveness of public health policies. </p>
				<p>To give concreteness to the proposed objectives, the article is structured in five sections, in addition to this introduction. The <bold>first section, Conceptual Bases of Civil Disobedience and Conscientious Objection</bold>, presents the fundamental concepts of these institutes, establishing their distinctions and points of intersection based on philosophical and legal approaches. In the second section, <bold>civil disobedience</bold> - the analysis of civil disobedience as a form of legitimate resistance-is deepened, based on its historical trajectory and the normative criteria that delimit it it in the Democratic State of Law. The third section, <bold>conscious objection</bold>, is dedicated to the examination of conscientious objection, with an emphasis on its legal recognition and the ethical assumptions that underlie its admissibility. The fourth section, <bold>Civil Disobedience in the COVID-19 pandemic</bold>, specifically analyses the manifestations of civil disobedience and conscientious objection in the context of the COVID-19 pandemic, considering cases of refusal to vaccinate and their repercussions for public health policies. Finally, the fifth and last sections - <bold>Final considerations</bold> - present the conclusions, in which the main findings of the research are summarized. </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2 Conceptual bases of civil disobedience and conscientious objection</title>
				<p>Civil disobedience and conscientious objection are social practices motivated by moral and political beliefs that fall within the broader category of conscientious disobedience. The latter can be defined as non-compliance with a formal law, injunction, or directive for reasons of principle, usually for communicating beliefs to specific recipients. Civil disobedience is often characterized as an act of illegal protest of conscience, with which individuals seek to express opposition to current legislation or policy. In this sense, it differs from conscientious objection, which manifests itself as refusal to comply with a legal directive for reasons of personal morality, without the direct pretense of institutional reform, its paradigmatic example being that of the soldier who refuses to fight in a war that he considers unjust (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Monteiro Filho <italic>et al</italic>., 2020</xref>). </p>
				<p>The philosophical analysis of civil disobedience is also articulated with the foundations of the Democratic Rule of Law, especially regarding the role of civic duties in times of crisis. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy (2023</xref>) argues that constitutional democracy imposes on citizens not only rights but also duties of participation and responsibility, and the fulfillment of legal obligations is an expression of democratic agreement. However, tension arises when certain norms or public policies substantially contradict the individual conscience, placing the subject before the dilemma between obeying the law or preserving moral integrity. In these cases, the conflict between legal duty and moral duty gains prominence, requiring the state to have normative sensitivity to distinguish legitimate acts of resistance from simple infractions. This distinction is fundamental because legitimizing any and all disobedience under the cloak of individual conscience can weaken the legal system and undermine public trust in institutions. On the other hand, the categorical denial of the right to object can reduce the individual to a condition of moral subservience that is incompatible with the presuppositions of human dignity. </p>
				<p>Conscientious action requires consistency between beliefs and behaviors, guided by principles that align personal judgment with intersubjective morality. For <xref ref-type="bibr" rid="B10">Celikates (2016</xref>), such action involves not only acting in accordance with one's conscience but also the willingness to bear the consequences and dialogue with others about such convictions. This communicative dimension is present, albeit in a different way, in both civil disobedience and conscientious objection. While civil disobedience has an essentially political character and aims to provoke reforms, conscientious objection, although it may have political implications, focuses on preserving the moral integrity of the individual. </p>
				<p>Unlike public protests with reformist pretensions, objection is directed at preserving the coherence between personal beliefs and mandatory behaviors imposed by the state. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>) highlighted that conscience operates as an instance of moral judgment, guiding conduct according to convictions that are part of the subject's identity core. When a state imposition threatens this core, the individual may experience a violation of his moral integrity, which justifies, under certain conditions, the legitimate refusal to fulfill the obligation. However, it is necessary to distinguish such objections from generic allegations based on passing preferences or unfounded fears unrelated to structuring moral commitments.</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B13">Davis (2015</xref>), both practices are modes of expression aimed at communicating values to a specific audience through different ways and objectives. The philosophical literature on the subject reveals a relevant divergence. Some authors defend the social value of the disobedience of conscience as a promoter of public deliberations and instruments for denouncing injustices (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Repolês, 2003</xref>). Others, however, warn of the risks associated with the breach of legality, proposing mitigated forms of response such as lenient penalties, legal accommodations, and institutional measures of tolerance. Thus, the conceptual analysis of civil disobedience and conscientious objection is an indispensable starting point for understanding the resistance to vaccination against COVID-19. It is precisely this theoretical basis that will allow the investigation of the limits and possibilities of these manifestations in the context of the Democratic Rule of Law and public policies of collective health. </p>
				<p>From a constitutional point of view, the tension between freedom of conscience and collective demand is not resolved by the simple prevalence of one value over the other. Despite being marked by successive reforms and criticisms of its normative cohesion (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Medeiros; Feitosa, 2023</xref>), the Brazilian Constitution of 1988 still maintains human dignity, individual freedom, and solidarity as pillars. This triad imposes a model of interpretation that rejects sanitary authoritarianism and absolute individualism. According to <xref ref-type="bibr" rid="B14">De Cicco (2024)</xref>, the rights and duties of solidarity are inseparable, and quality of life must be perceived not only in individual terms but also at the collective level. Democracy, therefore, requires a dynamic balance between autonomy and social cohesion. </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>3 Civil disobedience and the right to contest mandatory public policies</title>
				<p>Civil disobedience has been used throughout history as a means of resistance and struggle against social and political injustices. Classically defined by Henry David Thoreau and widely discussed by theorists such as John Rawls, civil disobedience is characterized as a public, non-violent, and conscious act that aims to bring about changes in unjust government laws or policies. It is a restricted and communicative protest, contrary to the law, that people carry out to support a change in governmental or non-governmental practices (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Weinstock, 2016</xref>). </p>
				<p>The restricted nature of civil disobedience is usually understood in terms of non-violence, although not universally. Civil disobedience is associated with a tactical repertoire of typically nonviolent acts that include, but are not limited to, occupations, trespassing, blockades, lockdowns, handing out banners, illegal street theater, and solidarity in prison. Acts of civil disobedience can be direct or indirect. In other words, they may involve a direct refusal to conform to the law that is the immediate object of the protest or a refusal to conform to non-contentious laws as a means of indirectly expressing opposition to the object of the protest (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves, 2015</xref>). </p>
				<p>Some thinkers believe that civil disobedience can only target government agencies and practices. However, this provided an unrestricted picture of their targets. Generally, dissidents direct their civil disobedience against public authorities who have the ability to enact collective decisions through laws, policies, or directives at the local, national, or transnational levels. However, dissidents can also engage in civil disobedience against non-governmental actors such as universities, corporations, and churches, whose legal (or illegal) practices they oppose. Of course, these protests are often also intended to criticize the legal framework that condones such practices (Brownlee, 2013, 2007). </p>
				<p>The claim that civil disobedience is a communicative form of protest is widely accepted in philosophical literature. <xref ref-type="bibr" rid="B22">Milligan (2013</xref>) observes that most commentators affirm what he calls the &quot;communication thesis,” which holds that civil disobedience should be understood mainly as a form of addressing or appealing. Several thinkers, such as <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls (1999</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B30">Singer (1973</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B7">Bedau (1991</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B17">Habermas (1985</xref>), and <xref ref-type="bibr" rid="B3">Arendt (2004</xref>), conceptualize civil disobedience as a means of articulating arguments of opposition in the public sphere. </p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls (1999</xref>), civil disobedience is characterized as a morally justified protest that goes beyond merely private convictions and individual interests. It is a public act, usually announced in advance, subject to the control of authorities during its realization. It consists of the deliberate violation of specific legal norms without denying the legitimacy of the rule of law as a whole. It involves the willingness to accept the legal sanctions resulting from this violation and, due to its symbolic nature, is restricted, as a rule, to nonviolent means of demonstration. </p>
				<p>However, the thesis on communication is universally accepted. <xref ref-type="bibr" rid="B22">Milligan (2013</xref>) notes that this thesis can lead to what he describes as &quot;the question of exclusions,&quot; which arises to the extent that our conceptual framework leads us to deny that certain forms of principled activism should be treated as civilly disobedient. It considers forms of activism in which the primary goal is to stop or prevent contentious practice, rather than to communicate opposition to that practice in the public sphere. For example, radical environmental activists sometimes target contested development projects, secretly sabotage machines, or impose other forms of costs on developers. However, if we insist on limiting civil disobedience to overtly communicative forms of protest, it can be difficult to categorize such activism as civilly disobedient (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Welchman, 2001</xref>). </p>
				<p>Even so, the communicational perspective maintains considerable appeal for the conceptual specification of civil disobedience. First, it is compatible with themes explored in the writings of prominent figures in the tradition of civil disobedience. Gandhi and Martin Luther King, for example, advocate civil disobedience as a means of reaching out to one's opponent to provoke dialogue and seek reconciliation of perspectives. Gandhi's perspective insists that civilly disobedient agents must adopt a dialogical orientation toward their opponents, so that the adversary is treated as worthy of being heard, as another person or group of people with a viewpoint that, while different from their own, is not inferior by virtue of being different (Luke, 2014). </p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B18">King (1991</xref>, p. 71) maintained that the role of civil disobedience is &quot;to create such a crisis and establish such creative tension that a community that has constantly refused to negotiate is forced to confront the issue.&quot; Certainly, there is some doubt about the extent to which Gandhi and King take a consistent stance in their writings, as both flirt with the idea of disruptive protests as a communicative rather than a communicative strategy. Nevertheless, the prominent place of communicative intent in his writings attests to its historical and practical relevance in civil disobedience. </p>
				<p>Second, the thesis of communication recognizes that certain forms of principled protests and resistance are necessarily excluded from the category of civil disobedience. This is because it is necessary to account for the civility of this practice, which allows us to contrast it with other forms of principle disobedience. Civility may be associated with the conscientious motivations of its practitioners, particularly their goal of publicizing the reasons for their protest to persuade the relevant public to accept their position (<xref ref-type="bibr" rid="B18">King, 1991</xref>). </p>
				<p>The goal of reaching an audience in this way imposes certain restrictions on the conduct of civil disobedients because overly violent or forceful forms of expression can frustrate efforts to bring about lasting changes in law or social practices. The disobedient civilians have reason to at least try to persuade others of the merits of their views, instead of achieving change by force, partly because the strength of its message can be lost if it is drowned out by aggressive tactics and partly because its appeal rests on treating recipients as interlocutors with whom reasoned discussion is possible. The case of militant resistance that goes beyond the constraints associated with civility may be more convincing if persuasion through dialogue seems or proves impossible (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls, 1999</xref>).</p>
				<p>Third, the range of activities compatible with communicative intentions is broad. In fact, the thesis of communication helps to make sense of the widespread disagreement in the philosophical literature about what particular restraints on conduct should be associated with civil disobedience, including publicity, nonviolence, appeal to public political principles, fidelity to the law, and willingness to accept punishment (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls, 1999</xref>). </p>
				<p>Consider, for example, the widely debated definition proposed by <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls (1999</xref>, p. 320), according to which civil disobedience is &quot;a public, non-violent, conscientious act, but of a political nature, contrary to the law, usually carried out with the aim of promoting a change in legislation or government policies.” The author adds additional requirements, stating that civil disobedients must properly notify their protests, restrict their appeal to public political principles, and avoid coercive or intimidatory tactics aimed at forcing public authorities. </p>
				<p>One way to make sense of <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls' (1999</xref>) position is that the constraints reflect a certain conception of how civil disobedience functions as an appeal in the special circumstances of a &quot;quasi-just society.&quot; In a society in which the majority is committed to justice and open to the possibility that their decisions reflect or strengthen injustice, it makes sense to limit civil disobedience to tactics that boost credentials as a respectful appeal to that majority. In this context, it is held that civil disobedience should be nonviolent because &quot;engaging in violent acts likely to hurt and injure is incompatible with civil disobedience as a form of address’ (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls, 1999</xref>, p. 321). In other words, violence does not respect the civil liberties of the public and thus obscures the clarity and strength of any appeal to their sense of justice. </p>
				<p>Peter <xref ref-type="bibr" rid="B30">Singer (1973</xref>) focuses on a different issue when he challenges <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rawls' (1999</xref>) claim that civil disobedience must embody an appeal to public political principles, insisting on this condition because it fits well with his account of civil disobedience as a &quot;stabilizing device,&quot; which functions to publicize particularly serious deviations from society’s prevailing conception of justice. Singer argues that this condition is inappropriate in societies that lack an established conception of justice or possess a conception that fails to address the important issues of moral concern. Therefore, it offers a broader conception of civil disobedience as a call for a democratic majority to reconsider its decisions, which allows protesters to draw on a potentially wide range of ethical ideas in defence of their goals and conduct. </p>
				<p>In addition, according to <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bickel (1975</xref>), civil disobedience can be understood as the refusal to obey formally mandatory general legislation motivated by moral or political principles, without necessarily implying a challenge to the validity of the norm. It may also involve the incidental transgression of these laws during protests that seek to promote changes in public policies or social conditions that are considered morally or politically inappropriate, even if such acts occur in a legal context that does not admit disobedience. </p>
				<p>Another important doctrinal foundation is provided by <xref ref-type="bibr" rid="B3">Arendt (2004</xref>), who observes that the justification of conscience faces two obstacles: its subjective nature, which prevents generalization, and the assumption that everyone possesses and exercises the innate ability to discern right from wrong, which, in practice, does not always occur. Despite its historical importance and transformative potential, civil disobedience is not without criticism and objections, which must be considered for a balanced and comprehensive understanding of this practice. </p>
				<p>Regarding legal support, several legal and doctrinal frameworks justify its practice as a legitimate form of resistance. One of the main foundations is the right to resistance, which is recognized in several constitutions and declarations of human rights. Article 21 of the Universal Declaration of Human Rights guarantees the right to democratic participation, which includes resistance to tyrannical or unjust governments. </p>
				<p>In the Brazilian legal system, the Federal Constitution (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 1988</xref>) ensures that in Article 5, item IV, the free expression of thought and anonymity is prohibited. This principle can be interpreted as an implicit recognition of civil disobedience, since this practice is, by definition, a form of public and non-anonymous manifestation against laws or policies considered unjust. In addition, Article 5, item XVI of the Constitutional Diploma guarantees the right to peaceful assembly, without weapons, in places open to the public, as long as it does not frustrate another meeting previously called for the same place, which can also be seen as legal support for civil disobedience (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 1988</xref>). </p>
				<p>Civil disobedience, when anchored in deep moral convictions and clearly communicated to a relevant audience, transcends mere legal noncompliance and begins to perform a pedagogical and political function in a democratic context (Della <xref ref-type="bibr" rid="B11">Croce; Nicole-Berva, 2023</xref>). Therefore, the requirements of publicity and non-violence are directly related to the legitimacy of conduct in the public sphere. This is evident in protests whose purpose is not disorder but the argumentative denunciation of an unjust practice, as illustrated in demonstrations against compulsory health policies. Consequently, the recognition of these acts as civil disobedience depends on their communicative potential and the ethical commitment underlying the legal transgression, elements that differentiate them from illegal actions or actions driven by individual interests. </p>
				<p>The practice of civil disobedience, especially in public health contexts, is revealed as a legitimate attempt to preserve the coherence between individual conscience and moral action, including on the part of health professionals who refuse to act under unsafe conditions, in the name of the principle of non-infection (Della <xref ref-type="bibr" rid="B11">Croce; Nicole-Berva, 2023</xref>). These acts, although contrary to current institutional norms, can be understood as efforts to safeguard the ethical integrity of professionals and the safety of patients, thus constituting an exercise of responsible contestation. The duty of sanitary containment, which imposes limits on circulation and contact, applies to all citizens, including those who resist, based on ethical values, requiring proportionate and reasoned responses from the state. </p>
				<p>The characterization of civil disobedience as a legitimate means of contestation is not limited to the violation of norms per se, but to the deliberate intention to provoke public debate and appeal to a collective sense of justice (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy, 2023</xref>). This means that even in the face of mandatory policies, such as compulsory vaccination, there is room for legitimate forms of resistance, as long as the requirements of civility and ethical appeal are observed. Public, conscious, and argumentative refusal, such as that of citizens who state their moral objection to vaccination, cannot automatically be confused with denialism or misinformation. In contrast, it must be understood within the framework of the right to dissent, which is a condition for the vitality of the Democratic Rule of Law. </p>
				<p>The tension between individual freedoms and collective duties reaches its apex in mandatory vaccination policies, where the right to bodily integrity and the imperative to protect public health are confronted. Although a state imposition can be legally supported, especially in health emergency situations, its exercise must be accompanied by material and legal guarantees that make the obligation proportional and equitable (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Wilson &amp; Rudge, 2023</xref>). Compensation programs for adverse effects and mechanisms for universal access to the vaccine are examples of measures that contribute to the legitimization of coercive policy, balancing interests at stake, and reducing resistance motivated by insecurities and social inequalities. </p>
				<p>Finally, vaccine hesitancy, which is often attributed to misinformation, has complex and contextual roots. Factors such as inequality of access to information, history of institutional negligence, and absence of transparent dialogue contribute to the formation of morally founded resistance (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Wilson &amp; Rudge, 2023</xref>). Thus, confronting vaccine objection through coercion, without considering the ethical foundations that support it, tends to deepen distrust and compromise the effectiveness of public policy. On the other hand, active listening and respect for manifestations of conscience can open up space for more participatory policies that are sensitive to the plurality of values present in democratic societies. As can be seen, there are several concepts of civil disobedience, and their application can be carried out through different actions in society. Next, this concept is related to conscientious objection, for a better understanding of the relationship between civil disobedience and the act of denial of Covid-19 vaccination. </p>
			</sec>
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				<title>4 Conscientious objection as an individual right</title>
				<p>A conscientious objection is the act of not conforming to a directive or legal order for reasons of personal morality. In a nuanced way, conscientious objection - as an act of objection - is also a communicative act of disobedience, in which the person practices to disassociate himself from actions that are incompatible with his moral convictions as he understands them. This differs from uncommunicated disagreement or purely evasive disobedience (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Pieroth &amp; Schlink, 2019</xref>). It is associated with actions such as citizens refusing to serve in the military or in military conflict, medical professionals refusing to provide certain forms of treatment or service, civil servants refusing to fulfill certain obligations, and individuals refusing to participate in a mass vaccination. It can also take the form not of refusing to act but of a defiant attitude, such as a doctor defiantly providing a medical service that she has been instructed to deny (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Streck and Morbach, 2019</xref>). </p>
				<p>Conscientious objections differ from civil disobedience in several respects. First, because it is not necessarily an unlawful act, it implies non-compliance with an injunction, directive, or norm without law. Second, it can only be performed directly against the dictate that the objector opposes. Third, most importantly, conscientious objection, unlike civil disobedience, is not necessarily carried out as a means of protesting or reforming the practice that the objector opposes, although, as will be discussed, it may implicitly or explicitly raise the issue of exemption (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Born, 2014</xref>). </p>
				<p>The claim that conscientious objection is a communicative act is much less widely accepted in philosophical literature than civil disobedience is a communicative act. This may reflect the fact that conscientious objection is often defined as an act that, in a sense, is not public in its aims or conduct; that is, it is not performed in public; it is not done with due notification to society and its authorities, nor with the objective of drawing the public's attention (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Diniz, 2014</xref>). </p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B26">Raz (1979</xref>, p. 276), for example, writes that &quot;conscientious objection is a private act, intended to protect the agent from interference by public authority&quot; and to assert &quot;immunity from public interference in matters that he considers private to him&quot;. That said, the communicative dimensions of conscientious objection can be unfolded by reflecting on the difficulties of this definition, particularly the assertion that it is a &quot;private&quot; act. </p>
				<p>First, it is a mistake to conceptualize conscientious objection as private in the sense that it is carried out evasively or clandestinely. Unlike the related notion of conscientious evasion, conscientious objection is carried out by agents on the assumption that public authorities are aware (or may come to know) of their non-compliance (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Moraro, 2014</xref>). Second, it is misleading to think of conscientious objection as something private, in the sense of a purely private conviction that conflicts with laws, requirements, or social norms. Of course, there is an important sense in which conscientious objection places an individual in a relationship of opposition to dominant views, but this should not obscure the fact that their convictions have been forged in dialogue with others (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Moraro, 2014</xref>). Third, it is a mistake to think of conscientious objection as something private in the sense that it has no aspirations to have an impact on broader legal or social arrangements. The temptation to think this way arises because conscientious objectors often do not offer a direct challenge to a contentious law or practice but seek to avoid the personal implications of conformity. For example, a registrar who refuses to officiate at a same-sex marriage does not challenge legislation permitting such unions if his purpose is merely to obtain permission not to be a participant in a ceremony that he or she conscientiously opposes (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Moraro, 2014</xref>). </p>
				<p>The result of these considerations is that conscientious objection, unlike conscientious evasion or other forms of personal disobedience, has a constitutive communicative dimension. However, there may be some uncertainty as to why an agent prefers to communicate his or her convictions through conscientious objection, rather than civil disobedience. This is particularly relevant if we are inclined to think that conscientious conviction is best served through conduct that not only disassociates an agent from perceived transgression but also articulates a direct or indirect challenge to perceived transgression itself. </p>
				<p>Conscientious objections, especially in the context of compulsory vaccination, cannot be equated with a simple expression of personal opinions or an unfounded act of resistance. As <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>) observes, failure to comply with vaccination for reasons of conscience represents a form of moral expression deeply rooted in an individual's identity, requiring legal protection different from that granted to generic autonomy. It is a clash between internalized moral convictions and public policies that, although aimed at promoting collective health, must consider the moral integrity of each citizen. Thus, the recognition of conscientious objection does not imply despising social welfare but incorporating it in a way that is compatible with fundamental rights.</p>
				<p>It is necessary to distinguish legitimate conscientious objections from behaviors derived from vaccine hesitancy or exacerbated subjective feelings. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>) warns of the risk of trivializing conscientious objection, arguing that only claims that are morally coherent and consistent with an individual's belief history deserve legal deference. By equating resistance to vaccination with conscientious objection, there is a risk of weakening the mechanisms for the protection of fundamental rights and compromising the legitimacy of the institute. The role of the state, therefore, is to operate a proportional judgment that guarantees a balance between the protection of public health and the preservation of individual conscience. </p>
				<p>In addition, the proportionality of health measures must be analyzed in light of their impact on the moral integrity of citizens. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>) emphasizes that even in health emergency scenarios, the imposition of conduct can violate the core identity of those who act according to personal ethical convictions. This is evidenced, for example, in the difficulty of certain individuals in submitting to compulsory vaccination, not because of misinformation but because of incompatibility with their understanding of the good and the just. Ignoring this reality compromises the principle of human dignity and can produce effects contrary to those of voluntary adherence to public health policies. </p>
				<p>Another aspect to consider is the communicative role of conscientious objection, even when it is not covered with the typical publicity of civil disobedience. Although acts of objection do not necessarily aim to transform the norm, they contain an implicit discursive dimension by revealing a conflict between legal duties and personal convictions. According to <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy (2023</xref>), conscientious objection brings to light the clash between the individual and the collectivity, without this meaning an attack on order. The essence of this right lies in respectful dissent and demand for exemptions compatible with democratic pluralism. </p>
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				<title>5 Civil disobedience in the covid-19 pandemic</title>
				<p>According to the WHO, mass vaccination prevents at least 240 deaths per hour worldwide and saves R$ 250 million per day. Such calculations include vaccination to prevent diphtheria, measles, pertussis, polio, and others (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Croda and Garcia, 2020</xref>). In the same vein, the emeritus researcher at the Oswaldo Cruz Foundation (Fiocruz), Akira Homma, argues that vaccines and the mass vaccination process prevent diseases and increase the quality of life (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Guimarães, 2022</xref>). In this context of proven efficacy, <xref ref-type="bibr" rid="B34">Wilson and Rudge (2023</xref>) recognize the unquestionable efficacy of vaccination as a public health strategy, but note that, despite its broad benefits, the topic has always been accompanied by a certain degree of controversy. The tension between the demonstrated collective benefits and individual resistance reflects a paradox typical of democratic societies, where apparently conflicting fundamental rights coexist. This historical controversy takes on new contours during health emergencies when decisions on public health policies need to balance scientific evidence with fundamental democratic values, including freedom of conscience and the bodily autonomy of citizens. </p>
				<p>Thus, in addition to civil disobedience, anti-vaccine discourse, and aversion to mask use, the promotion of miracle remedies is a set of denialist actions. The anti-vaccine movement has been present since the beginning of the 20th century, when immunization campaigns faced opposition from some sectors of the population, as in the case of the Vaccine Revolt in 1904 in Rio de Janeiro. On that occasion, there were protests against the mandatory vaccination laws and services provided by health agents (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Sevcenko, 2010</xref>). Currently, due to the uncertainty generated by the development of Covid-19 vaccines, the denial of vaccination only worsens (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Badiou, 2020</xref>). </p>
				<p>Brazilian historical experience reveals that, at certain times in the past, forced vaccination was used as a state measure, as demonstrated by <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy (2023</xref>), revealing a pattern of tension between health authorities and popular resistance that transcends specific times. The pandemic scenario has highlighted the reconfiguration of social and political tensions, especially due to the influence of social networks, which have been used to disseminate disinformation and manipulate electoral propaganda, directly affecting democratic processes, as pointed out by <xref ref-type="bibr" rid="B21">Medeiros and Feitosa (2023</xref>). This phenomenon illustrates how civil disobedience intertwines with the broader issues of information, democracy, and institutional trust, creating unprecedented challenges for public health policymaking in hyperconnected societies. </p>
				<p>In view of this scenario, the Chamber of Deputies created Bill 5040/20, which provides that the person who refuses to take the vaccine against Covid-19 would have the same penalties as those who do not vote and do not justify the Electoral Court; however, the project is being processed and has not been approved so far. The legislative proposal reflects the complexity of the problem, as <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alamy (2023</xref>, p. 1315) asks: &quot;can the freedom to disagree with the laws prevailing over the security of the collectivity? This is the big issue discussed.&quot; This question reveals the core of the democratic dilemma during the pandemic in which it seeks to reconcile individual rights with collective responsibilities. The punitive approach, however, can be questioned in light of the foundations of conscientious objection, especially when <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leigh (2023</xref>) argues that it is possible to reconcile the protection of public health with respect to the beliefs of minorities without having to establish an exclusionary choice between these two values. The challenge lies in developing institutional mechanisms that are capable of accommodating genuine convictions without compromising essential health objectives. </p>
				<p>In the Brazilian context of the pandemic, the classic conceptualization of civil disobedience encounters new challenges when applied to health issues. Della <xref ref-type="bibr" rid="B11">Croce and Nicole-Berva (2023</xref>) argue that the legitimacy of civil disobedience, especially in contexts of health emergency, should be evaluated based on proportionality, so that it is not justified when there is exposure of third parties to excessive risks or negative impacts. The authors recognize that the proportionality between the means of protest and the damage caused is a central criterion for assessing the morality of civil disobedience during a pandemic. This approach suggests that the legitimacy of resistance to health measures should be assessed not only by the sincerity of beliefs but also by the potential impact on vulnerable third parties. </p>
				<p>Indeed, actions that respect the principles of non-violence, transparency, and the search for dialogue are more likely to be seen as morally justified and politically effective. Despite its historical importance and transformative potential, civil disobedience is not exempt from criticism and objections, gaining special prominence during the Covid-19 pandemic - This must be considered for a balanced and comprehensive understanding of this practice. Thus, an attempt to justify civil disobedience must rely on a series of objections that can be raised against this practice. It is necessary to consider the harmful consequences of civil disobedience in relation to civic friendship in a democratic society. </p>
				<p>One of the main objectives is the potential threat to public order. Civil disobedience by violating laws can cause social unrest and negatively impact the peace and security of society. Another significant objection concerns its impact on third parties. This is because it is uncontroversial whether civil disobedience can impose burdens and inconveniences on individuals who are not directly involved in the protest. This type of impact can generate resentment and opposition to the cause championed by disobedient civilians, weakening popular support, and potentially exacerbating social divisions. </p>
				<p>In addition to moral objections to vaccination, it is necessary to consider the social effects of noncompliance with health regulations. This concern with damage to third parties acquires particular relevance when <xref ref-type="bibr" rid="B14">De Cicco (2024)</xref> proposes that the violation of collective duties during pandemics can constitute &quot;social damage,” subject to compensation in itself, given its ability to compromise solidarity and public well-being. The author argues that even without specific material damage, antisocial behavior that denies preventive measures compromises the civilizing pact that sustains public health. </p>
				<p>Political polarization cannot be ignored. By directly challenging established authorities and laws, civil disobedience can exacerbate polarization within society, and it is undisputed that, in contexts of high polarization, acts of civil disobedience can be seen as provocative and divisive, hindering dialogue and cooperation between different political and social groups. This polarizing effect can undermine social cohesion and make it difficult to find solutions to problems faced. These negative impacts may reinforce the view that civil disobedience should be rejected in favor of legal modes of defense based on the assumption (albeit controversial) that legal forms of defense are likely to be less divisive or harmful than illegal forms of defense. </p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>6 Final considerations</title>
				<p>The present investigation sought to reflect on the categories of civil disobedience and conscientious objection applied to the context of refusal to vaccinate against COVID-19, situating such behaviors within the legal and political framework of the Democratic Rule of Law. From the theoretical and normative analyses, it was possible to identify that these forms of resistance cannot be understood in a homogeneous or automatic way as violations of the legal system. Instead, they require a contextual and argumentative analysis that takes into account the ethical basis of the action, the coherence of the conviction invoked, and its impact on collective rights. Civil disobedience is distinguished by its public, communicative, and non-violent dimensions, whereas conscientious objection requires justification based on consolidated moral or religious convictions. Both emphasize the necessary reconciliation between individual freedom and the collective duties of solidarity, especially in situations of health emergencies. </p>
				<p>The contributions of this study focus on offering a conceptual systematization that allows for the legal differentiation of cases of legitimate resistance to public health policies from those anchored by misinformation, private interests, or political opportunism. The work also aims to collaborate with the debate on the ethical and constitutional limits of state action in pandemic contexts, proposing a critical approach to the mandatory nature of vaccination and the legitimacy of conduct that refuses to comply with it. By articulating philosophical, political, and legal foundations, this article proposes a starting point for the construction of normative criteria that respect both fundamental freedom and the protection of collectivity. The balancing of rights must observe the principles of reasonableness, proportionality, and prohibition of arbitration-indispensable elements for the preservation of the constitutional and democratic order. </p>
				<p>Despite the results achieved, the research has limitations related to the absence of empirical data that allow a more concrete evaluation of the practical application of the categories studied. The analysis focused on a theoretical approach based on doctrine and specialized literature, which restricts the identification of real patterns of judicialization or public policies effectively shaped by conscientious objections or acts of civil disobedience. It also recognizes the limitations of research regarding cultural and normative variability between legal systems, which prevents absolute generalizations about the validity of these arguments in different constitutional contexts. </p>
				<p>For future research, it is recommended to deepen empirical research through the analysis of judicial decisions that have faced cases of refusal to vaccinate based on conscientious objection or civil disobedience. Additionally, it would be relevant to investigate how this theme has been addressed in other countries with consolidated democratic models. Another promising path is at the intersection with studies of bioethics and the sociology of law, aiming to understand how individual convictions and collective values are processed in the public and private spheres in the face of health crises. Finally, it is desirable that future studies explore the pedagogical and deliberative dimensions of civil disobedience in democratic strengthening by examining its effects both legally and institutionally. </p>
				<p>Finally, the results point to the need to formulate public health policies that incorporate institutional channels of listening and deliberation aimed at the reasoned analysis of conscientious objections and acts of civil disobedience in their normative design. This includes the provision of specific administrative procedures for the formal recognition of conscientious objection in vaccination campaigns, with objective criteria for evaluating the sincerity, consistency, and reasonableness of the alleged convictions, avoiding both state arbitrariness and trivialization of the institute. Likewise, it is recommended that clear legal guidelines be created that guide public authorities in distinguishing between legitimate resistance and antisocial or uninformed conduct, especially in the context of a health crisis. The implementation of interdisciplinary instances, such as ethics committees, public ombudsmen's offices, or deliberative forums, can contribute to more participatory, transparent, and compatible decisions with democratic principles, favoring a balance between individual autonomy and collective responsibility.</p>
			</sec>
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		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn8">
					<label>8</label>
					<p>Texto traduzido por Inteligência Artificial.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="data-availability" specific-use="data-available" id="fn11">
					<label>Declaração de disponibilidade de dados</label>
					<p> A Pensar - Revista de Ciências Jurídicas adota práticas de Ciência Aberta e disponibiliza, junto à presente publicação, a Declaração de Disponibilidade de Dados (Formulário Pensar Data) preenchida e assinada pelos autores, a qual contém informações sobre a natureza do artigo e a eventual existência de dados complementares. O documento pode ser consultado como arquivo suplementar neste site.</p>
				</fn>
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