Cartografar é Intervir: Pesquisa-Intervenção no Acolhimento Institucional de Famílias

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i3.e15068

Palavras-chave:

políticas públicas, acolhimento institucional de famílias, pesquisa-intervenção, cartografia

Resumo

O presente artigo tem como proposta apresentar os resultados da pesquisa-intervenção cartográfica desenvolvida no doutorado em Psicologia, com financiamento da CAPES, que teve como objetivo analisar os processos de subjetivação de famílias em situação de acolhimento institucional, em uma unidade do município estudado. Por meio da análise das relações entre pobreza, urbanização e habitação no Brasil e de suas implicações para as camadas sociais em situação de vulnerabilidade, foi possível compreender a inserção do dispositivo no município e na configuração das políticas sociais brasileiras, especialmente em famílias com trajetória de vida nas ruas, o principal, mas não o único, público do equipamento estudado. Trata-se de pesquisa qualitativa, cujo método foi a cartografia. A produção dos dados da pesquisa ocorreu mediante visitas à unidade, entrevistas semiestruturadas com a equipe técnica e com as Referências Familiares (RF) e produção do diário de bordo. Segundo os dados da pesquisa, o acolhimento institucional de famílias é um território híbrido no qual se (re)atualizam distintas lógicas, ora de isolamento e exclusão, como a baixa articulação intersetorial com algumas políticas sociais, ora como de garantia de acesso a direitos fundamentais, como alimentação, saúde e abrigo. Muitas dualidades são produzidas e reforçadas no cotidiano do acolhimento, muitas vezes impedindo a invenção de saídas criativas e singulares entre equipe e famílias, por exemplo: público-privado, autonomia-dependência e provisório-permanente. Conclui-se que somente na integração entre as diversas políticas públicas no território de produção e vida das famílias viabiliza-se um enfrentamento integral à situação da ausência de moradia.

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Biografia do Autor

Bruna Coutinho Silva, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Psicóloga, pós-graduada em Filosofia Contemporânea pela PUC Minas, doutora em Psicologia pelo Programa de Pós-gradução em Psicologia da PUC Minas, Belo Horizonte/MG. Analista de Políticas Públicas na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte/MG.

Roberta Carvalho Romagnoli, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1986), Mestra em Psicologia (Psicologia Social) pela Universidade Federal de Minas Gerais (1996), Doutora em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003) e Pós-Doutora em Análise Institucional pela Université Cergy-Pontoise, França (2011). Atualmente é Professora Adjunta III da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Tem experiência na área de Psicologia Clínica e Institucional, com ênfase em Intervenção Terapêutica, atuando principalmente nos seguintes temas: Famílias, Intervenção Psicossocial, Políticas públicas, Clínica Ampliada, Análise Institucional e Esquizoanálise.

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Publicado

05.12.2025

Como Citar

Silva, B. C., & Romagnoli, R. C. (2025). Cartografar é Intervir: Pesquisa-Intervenção no Acolhimento Institucional de Famílias. Revista Subjetividades, 25(3), 1–14. https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v25i3.e15068

Edição

Seção

Dossiê: Intervenções Psicossociais em Contextos de Vulnerabilidade