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				<journal-title>Revista Subjetividades</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R Subj</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2359-0777</issn>
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				<publisher-name>Universidade de Fortaleza</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i2.e15006</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Relatos de Pesquisa</subject>
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				<article-title>“Cura Gay” Pentecostal e Neopentecostal: Experiências de Lésbicas, Gays e Bissexuais no Norte do Brasil</article-title>
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					<trans-title>“Curación” Pentecostal y Neopentecostal: Experiencias de Lesbianas, Gays y Bisexuales en el Norte de Brasil</trans-title>
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					<trans-title>« Guérison » Pentecôtiste et Néo-Pentecôtiste : Expériences des Lesbiennes, des Gays et des Bisexuels dans le Nord du Brésil</trans-title>
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						<given-names>Ana Paula Pereira</given-names>
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				<institution content-type="original">Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atualmente é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Amazonas.</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Psicologia</institution>
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				<institution content-type="original">Psicólogo graduado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Mestre em Psicologia (Processos Psicológicos e Saúde) pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atua como Psicólogo Clínico com enfoque em Terapia Cognitivo-Comportamental.</institution>
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				<institution content-type="original">Doutoranda em Processos Psicológicos e Saúde pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Amazonas (PPGPSI/UFAM). Mestra em Psicologia (UFAM). Pós-graduada em Psicologia na Saúde Pública (IEAPS). Bacharela em Psicologia (UFAM). Atualmente é professora universitária na Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro). É pesquisadora discente do Laboratório de Psicologia, Saúde e Sociedade na Amazônia (LAPSAM), onde desenvolve pesquisas sobre bissexualidades e cuidado em saúde no território amazônico.</institution>
				<institution content-type="orgname">Faculdade Metropolitana de Manaus</institution>
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				<institution content-type="original">Psicólogo e pedagogo sanitarista com doutorado em Saúde Coletiva pelo Instituto Fernandes Figueira da Fundação Oswaldo Cruz (2019). Mestre em Ciências e Saúde pela Universidade Federal do Piauí (2016). Especialista em Saúde da Família pelo Centro Universitário Internacional (2014), em Psicologia da Educação pela Universidade Estadual do Maranhão (2016) e Educação em Direitos Humanos pela Unifesp (2022). Atualmente é professor--pesquisador efetivo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), vinculado à Faculdade de Psicologia em Manaus, e aprovado em concurso na área de Saúde Coletiva.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Amazonas</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>02</day>
				<month>10</month>
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
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			<volume>25</volume>
			<issue>02</issue>
			<elocation-id>e15006</elocation-id>
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				<date date-type="received">
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				<date date-type="accepted">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>“Cura gay” é como ficou popularmente conhecido o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 234/11, que buscava sustar trechos da Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a qual veda aos/às psicólogos/as a oferta de “tratamentos” ou “cura” para as homossexualidades. Apesar das contestações, a Resolução continua em vigor e o CFP permanece fazendo publicações em defesa da diversidade sexual e de gênero. Mesmo com a proibição de terapias de reorientação sexual, essas práticas ainda ocorrem no Brasil por meio de conversões religiosas, com destaque para as igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais. A esse fenômeno, denominamos “cura gay” religiosa, e, através de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório, investigamos como essa prática se apresenta no Norte do Brasil. Buscamos compreender os desfechos e efeitos emergentes nas experiências narradas por oito jovens autoidentificados como lésbicas, gays ou bissexuais. Inspiramo-nos nos pressupostos de Michel Foucault (2004, 2014) sobre o dispositivo da sexualidade e subjetivação e, por meio da Análise Temática de Braun e Clarke (2006), foram construídas cinco dimensões centrais de discussão: construção de verdades, produção de sexualidade, tentativas de cura, resistências e efeitos na saúde mental. Os resultados revelaram estruturas institucionais e relações de poder que reforçam uma heterossexualidade compulsória e reverberam negativamente na saúde mental e no processo de construção de si, indicando a importância de que profissionais estejam atentos/as às diferentes formas de produção das sexualidades ao longo da história e às implicações éticas e políticas envolvidas na atuação diante das existências dissidentes.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title><italic>Resumen</italic></title>
				<p><italic>“Curación gay” es la denominación popular del Proyecto de Decreto Legislativo (PDL) 234/11, que pretendía suspender fragmentos de la Resolución 01/99 del Consejo Federal de Psicología (CFP), la cual prohíbe a los/las psicólogos/as ofrecer “tratamientos” o “curas” para las homosexualidades. A pesar de las impugnaciones, la Resolución continúa vigente y el CFP sigue publicando posicionamientos en defensa de la diversidad sexual y de género. No obstante, la prohibición de las terapias de reorientación sexual, dichas prácticas aún se producen en Brasil a través de conversiones religiosas, con especial énfasis en las iglesias evangélicas pentecostales y neopentecostales. A este fenómeno lo denominamos “curación gay” religiosa y, mediante un estudio cualitativo, descriptivo y exploratorio, investigamos cómo se manifiesta esta práctica en el Norte de Brasil. Buscamos comprender los desenlaces y efectos emergentes en las experiencias narradas por ocho jóvenes autoidentificados/as como lesbianas, gays o bisexuales. Nos apoyamos en los presupuestos de Michel Foucault (2004, 2014) sobre el dispositivo de la sexualidad y la subjetivación y, a través del Análisis Temático de Braun y Clarke (2006), se construyeron cinco dimensiones centrales de discusión: construcción de verdades, producción de la sexualidad, intentos de curación, resistencias y efectos en la salud mental. Los resultados revelaron estructuras institucionales y relaciones de poder que refuerzan una heterosexualidad compulsoria y repercuten negativamente en la salud mental y en el proceso de construcción de sí, lo que señala la importancia de que los/las profesionales estén atentos/as a las distintas formas de producción de las sexualidades a lo largo de la historia y a las implicaciones éticas y políticas involucradas en la actuación frente a las existencias disidentes.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title><italic>Résumé</italic></title>
				<p><italic>La « cura gay » est le nom populairement donné au Projet de Décret Législatif (PDC) 234/11, qui visait à suspendre certains passages de la Résolution 01/99 du Conseil Fédéral de Psychologie (CFP), laquelle interdit aux psychologues de proposer des « traitements » ou une « guérison » pour les homosexualités. Malgré les contestations, la Résolution demeure en vigueur et le CFP continue de publier des articles en défense de la diversité sexuelle et de genre. Bien que les thérapies de réorientation sexuelle soient interdites, ces pratiques persistent au Brésil à travers des conversions religieuses, notamment au sein des églises évangéliques pentecôtistes et néo-pentecôtistes. Nous appelons ce phénomène « cura gay » religieuse et, à travers une étude qualitative, descriptive et exploratoire, nous avons étudié la manière dont cette pratique se manifeste dans le Nord du Brésil. Nous cherchons à comprendre les issues et les effets émergents dans les expériences relatées par huit jeunes auto-identifiés comme lesbiennes, gays ou bisexuels. Nous nous sommes inspirés des postulats de Michel Foucault (2004, 2014) concernant le dispositif de la sexualité et la subjectivation et, à travers l’analyse thématique de Braun et Clarke (2006), cinq dimensions centrales de discussion ont été élaborées : construction des vérités, production de la sexualité, tentatives de guérison, résistances et effets sur la santé mentale. Les résultats ont mis en évidence des structures institutionnelles et des rapports de pouvoir qui renforcent une hétérosexualité obligatoire et ont des répercussions négatives sur la santé mentale ainsi que sur le processus de construction de soi. Ils soulignent l’importance pour les professionnel·le·s de rester attentif·ve·s aux diverses modalités de production des sexualités au fil de l’histoire, ainsi qu’aux implications éthiques et politiques inhérentes à l’intervention auprès des existences dissidentes.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>sexualidade</kwd>
				<kwd>religião</kwd>
				<kwd>cura gay</kwd>
				<kwd>evangélicos</kwd>
				<kwd>psicologia</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title><italic>Palabras clave:</italic></title>
				<kwd>sexualidad</kwd>
				<kwd>religión</kwd>
				<kwd>curación gay</kwd>
				<kwd>evangélicos</kwd>
				<kwd>psicología</kwd>
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				<title><italic>Mots-clés :</italic></title>
				<kwd>sexualité</kwd>
				<kwd>religion</kwd>
				<kwd>cura gay</kwd>
				<kwd>évangéliques</kwd>
				<kwd>psychologie</kwd>
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	<body>
		<p>No Brasil, desde 1999, a oferta de “tratamento” e “cura” para as homossexualidades, lesbianidades e bissexualidades é vedada às práticas da psicologia, conforme a Resolução n° 01/99 do <xref ref-type="bibr" rid="B46">Conselho Federal de Psicologia (CFP, 1999)</xref>. Contudo, desde a sua implementação, atores sociais declarados religiosos, sobretudo evangélicos pentecostais e neopentecostais, movimentaram ações legislativas buscando promover tentativas de “reorientação” sexual através de psicoterapias. Dentre essas ações, o Projeto de Decreto Legislativo - PDC 234/11 (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Projeto de Decreto Legislativo n° 234, 2011</xref>) gerou comoção na mídia, tornou-se conhecido e popularmente denominado como Projeto da “Cura Gay” (CFP, 1999; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Gonçalves, 2019</xref>).</p>
		<p>Esse fenômeno não se encerra em disputas públicas e desenrola-se fortemente em campos micropolíticos, como no interior de instituições religiosas e no cotidiano da vida daqueles/as que congregam dos mesmos ensinamentos. Para <xref ref-type="bibr" rid="B34">Macedo (2017</xref>), além das disputas em torno da legalização das práticas psicológicas no contexto das orientações sexuais, ocorrem tentativas de “reorientação” sexual através de conversão religiosa em igrejas pentecostais e neopentecostais, aqui denominado de fenômeno da “cura gay” religiosa. </p>
		<p>
			<xref ref-type="bibr" rid="B1">Almeida (2021</xref>) afirma sobre a existência de inúmeras matrizes pentecostais no Brasil, com diversas perspectivas teológicas e institucionais. Apesar dessa diversidade, as fronteiras vêm se diluindo e tornando doutrinas, teologias e rituais cada vez mais similares entre as dezenas de denominações evangélicas existentes atualmente (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Cunha, 2008</xref>). </p>
		<p>O fenômeno da “cura” aparece como central nas teologias pentecostais e neopentecostais, reiterando sua singularidade divina. <xref ref-type="bibr" rid="B36">Mariano (2004</xref>) destaca que essas vertentes buscam atender às necessidades físicas e/ou psicológicas de seus fiéis, através da adequação às prescrições religiosas. Nessa perspectiva, as homossexualidades, lesbianidades e bissexualidades são concebidas como um desvirtuamento dos valores morais cristãos, tratadas a partir de uma lógica patologizante, além de influências ou possessões por espíritos malignos. Para alcançar a “cura” proposta pela religião, há o incentivo ao abandono da orientação sexual através da aceitação de Deus e conversão aos ensinamentos propagados (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Natividade, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Garcia &amp; Mattos, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B38">Mesquita &amp; Peruchi, 2016</xref>).</p>
		<p>Entender as orientações sexuais não normativas a partir de patologias emerge de uma versão superada da ciência médico-psicológica que atuava em uma lógica heteronormativa, estabelecendo um padrão ou norma a serem seguidos (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves &amp; Assunção, 2022</xref>). Na atualidade, o consenso científico acerca da diversidade sexual e de gênero pauta-se em uma perspectiva crítica sobre o contexto sócio-histórico, político e cultural, em detrimento de visões essencialistas que funcionam em uma lógica de naturalização dessas identidades (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Kahhale, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B46">CFP, 1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B12">2023</xref>). </p>
		<p>Por outro lado, a possibilidade de se oferecer “reorientação” sexual através de “cura” religiosa segue ocorrendo. Através de instituições pentecostais e neopentecostais, lésbicas, gays e bissexuais são aconselhados a “reverter” suas orientações sexuais, submetidos a rituais de limpeza, exorcismos, ministrações e/ou ações que busquem libertá-los/as do desvirtuamento do caminho de Deus (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves &amp; Assunção, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B43">Natividade &amp; Oliveira, 2013</xref>). </p>
		<p>Esse fenômeno ocorre em um cenário no qual a religião evangélica se apresenta em crescente expansão no Brasil. Os dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram para um aumento na população de evangélicos, saltando de 21,6%, em 2010, para 26,9%, em 2022, o equivalente a mais de 47 milhões de pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B32">IBGE, 2022</xref>). A região Norte segue essa mesma crescente e apresentou o maior percentual (39%) de evangélicos dentre a população brasileira (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Balloussier, 2020</xref>). Além disso, a região se apresenta como histórica no pentecostalismo, sendo Belém uma das cidades pioneiras a abrigar a Igreja Assembleia de Deus, criada em 1911 (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Costa, 2021</xref>).</p>
		<p>É preciso salientar que os efeitos da ascensão evangélica pentecostal e neopentecostal são gradativos e dispersos, e a influência das lideranças religiosas sobre seus fiéis é heterogênea. Existem distinções entre os posicionamentos dos líderes religiosos e os posicionamentos de seus seguidores, e as generalizações devem ser cuidadosamente analisadas. Investigar esses efeitos, no entanto, faz-se relevante socialmente e cientificamente, já que as igrejas são capazes de atuar de forma a circunscrever os modos de produção de subjetividades em consonância aos seus dogmas (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Casarões, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B53">Valério, 2004</xref>).</p>
		<p>
			<xref ref-type="bibr" rid="B51">Souza e Souza (2020</xref>) demonstraram que lésbicas, gays e bissexuais socializados em ambientes religiosos que desaprovam suas orientações sexuais experimentam dilemas e tensões sobre suas expressões no mundo. Em famílias conservadoras religiosas, encontram-se menores níveis de aceitação, podendo culminar em rejeição, violências e até mesmo expulsão do círculo familiar (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Campos &amp; Guerra, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Frazão &amp; Rosário, 2008</xref>). Ademais, as experiências vão além da categoria orientação sexual e a perspectiva interseccional permite uma compreensão das diferentes dimensões que atravessam os corpos e seus marcadores sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B12">CFP, 2023</xref>).</p>
		<p>Assim, este estudo buscou investigar como a “cura gay” religiosa se apresentou nas experiências de lésbicas, gays e bissexuais no Norte do Brasil, com os objetivos de identificar os efeitos do discurso religioso neopentecostal na produção de subjetividades; conhecer eventos atravessados pelo discurso religioso nas trajetórias de vida das pessoas entrevistadas; e compreender as relações de saber, poder e subjetivação envolvidas nesse processo. Para tanto, inspirados nos pressupostos de Michel <xref ref-type="bibr" rid="B24">Foucault (2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B26">2014</xref>), partimos de um olhar das sexualidades enquanto produção de um complexo dispositivo, que, através de relações de saber-poder, atravessam os corpos, inscrevem-se neles e fornecem diferentes modos de subjetivação. Nesse bojo, elaboramos também uma análise fundamentada no dispositivo da sexualidade, cujo enredo temático das experiências revelou cinco dimensões centrais: 1) Construção de verdades para controle dos corpos; 2) Produção de sexualidade; 3) Tentativas de “cura”; 4) Resistências; e 5) Efeitos na saúde mental. </p>
		<sec>
			<title>Método</title>
			<p>Trata-se de um estudo qualitativo, de cunho descritivo e exploratório. Participaram oito jovens autoidentificados/as, como lésbicas, gays ou bissexuais, com idades entre 21 a 27 anos, residentes da região Norte do Brasil e que vivenciaram experiências de “cura gay” religiosa em espaços ou instituições pentecostais e neopentecostais. </p>
			<p>O recrutamento dos participantes foi realizado através de redes sociais, como <italic>X</italic> (<italic>Twitter)</italic> e <italic>Instagram</italic>, em que foram compartilhadas postagens apresentando a pesquisa, os critérios de inclusão e, por fim, um <italic>link</italic> de acesso a um formulário na plataforma <italic>Google Forms</italic> para a disponibilização de contato. Devido à natureza da pesquisa qualitativa, o número de participantes não foi calculado com base em critérios probabilísticos, priorizando-se o aprofundamento, a abrangência e a diversidade do processo de compreensão das histórias (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Minayo, 2017</xref>). Assim, adotou-se o critério de saturação teórica, e as entrevistas foram cessadas quando os dados passaram a apresentar elevada repetição para o alcance dos objetivos.</p>
			<p>Além da sua utilização no processo de triagem das pessoas entrevistadas, o formulário on-line também abrigou um questionário socioeconômico com o objetivo de identificar dados acerca da orientação sexual, identidade de gênero, idade, estado, raça/cor, classe social e as instituições religiosas frequentadas. Para a realização das entrevistas semiestruturadas, foi desenvolvido um roteiro de perguntas previamente definidas, que viabilizou a construção de questionamentos abertos que possibilitaram aos/às colaboradores/as discorrer sobre os temas sugeridos. Além disso, proporcionou-se também a oportunidade de adicionar outros questionamentos de acordo com a necessidade identificada (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Minayo, 2010</xref>).</p>
			<p>As entrevistas foram realizadas remotamente através da plataforma <italic>Google Meet</italic> e tiveram duração média de uma hora e meia. Os conteúdos foram gravados e transcritos na íntegra, e o material submetido à Análise Temática (AT), conforme proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B5">Braun e Clarke (2006</xref>). Esse tipo de análise permite identificar similaridades nos dados coletados, selecionando temas que ajudam na compreensão do fenômeno em estudo. Os passos analíticos seguidos foram: 1) familiarização com os dados; 2) criação de códigos iniciais; 3) pesquisa de temas, identificando e organizando os temas e subtemas; 4) revisão dos temas; 5) definição e nomeação dos temas; e 6) produção do relatório final. Os dados coletados foram interpretados com inspiração nos conceitos de dispositivo da sexualidade e subjetivação de Michel <xref ref-type="bibr" rid="B24">Foucault (2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B25">2012</xref>). </p>
			<p>A pesquisa seguiu os preceitos éticos necessários e foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) através do Parecer nº 5.531.587. As próprias pessoas entrevistadas escolheram nomes fictícios com o intuito de proporcionar liberdade e resguardar o sigilo. Para além das exigências do CEP, tivemos compromisso ético com as experiências narradas e as interpretações feitas sobre elas, entendendo não ser possível isolar o conhecimento produzido de nossas próprias implicações enquanto pesquisadores (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Minayo &amp; Guerriero, 2014</xref>), que se relacionam com essa temática cientificamente, politicamente e afetivamente enquanto pessoas LGBTI+ residentes no Norte do Brasil.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e Discussão</title>
			<p>Inicialmente, apresentamos os/as colaboradores/as que, em uma ação fundamental, compartilharam suas experiências para a realização deste estudo. As principais características dos/das jovens foram representadas pela <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title><italic>Apresentação dos/das colaboradores/as</italic></title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">Nome</td>
								<td align="center">Idade</td>
								<td align="center">Gênero</td>
								<td align="center">Orientação sexual</td>
								<td align="center">Cor</td>
								<td align="center">Classe social</td>
								<td align="center">Igreja</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Vinicius</td>
								<td align="center">24</td>
								<td align="center">Masculino</td>
								<td align="center">Bissexual</td>
								<td align="center">Branco</td>
								<td align="center">Média</td>
								<td align="justify">Assembleia de Deus (Pentecostal)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Lúcia</td>
								<td align="center">24</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">Bissexual</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">Média</td>
								<td align="justify">Assembleia de Deus (Pentecostal)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Juliana</td>
								<td align="center">21</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">Bissexual</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">Média</td>
								<td align="justify">Assembleia de Deus (Pentecostal)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Leticia</td>
								<td align="center">25</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">Homossexual</td>
								<td align="center">Preta</td>
								<td align="center">Média</td>
								<td align="justify">Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Madureira (Neopentecostal)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Anieli</td>
								<td align="center">27</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">Homossexual</td>
								<td align="center">Parda</td>
								<td align="center">Média</td>
								<td align="justify">Igreja Quadrangular, Igreja Comunidade Evangélica Assembleia de Cristo, Igreja Ministério Internacional do Avivamento (Pentecostal)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Suelen</td>
								<td align="center">27</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">Bissexual</td>
								<td align="center">Parda</td>
								<td align="center">Média Baixa</td>
								<td align="justify">Assembleia de Deus (Pentecostal) Universal do Reino de Deus (Neopentecostal)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Carol</td>
								<td align="center">22</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">Bissexual</td>
								<td align="center">Parda</td>
								<td align="center">Média Baixa</td>
								<td align="justify">Congregação Cristão do Brasil (Pentecostal)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Lucas</td>
								<td align="center">27</td>
								<td align="center">Masculino</td>
								<td align="center">Homossexual</td>
								<td align="center">Preto</td>
								<td align="center">Baixa</td>
								<td align="justify">Igreja de Deus Pentecostal do Brasil (Pentecostal)</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Vinícius e Lúcia cresceram em famílias que exerciam a religião católica de maneira assídua. Ambos tiveram contato com o meio evangélico pentecostal/neopentecostal através de membros de sua família extensa (e.g. avós/ôs, tios/as, primos/as) que frequentavam a Assembleia de Deus. Não estiveram profundamente envolvidos em instituições evangélicas, porém experienciaram fortemente tentativas de “cura gay” religiosa através de seus familiares convertidos. </p>
			<p>Juliana, Anieli, Suellen, Letícia e Carol cresceram em famílias devotas da religião evangélica pentecostal e/ou neopentecostal. Elas estiveram imersas nas instituições religiosas desde a infância, envolvidas profundamente em seu funcionamento teológico e institucional. Lucas é o único que não conheceu a religião através de sua família, mas através de uma vizinha que frequentava a igreja. No entanto, assim como as demais colaboradoras, também esteve inserido e engajado nesse espaço desde a infância. </p>
			<p>Dois cenários principais foram identificados como espaços de “conversão” dos/das colaboradores/as: as igrejas e seus entornos e a família e suas relações - que forjam o dispositivo da sexualidade. Investigamos essas experiências a partir de três dimensões: os domínios de saber aos quais se referem; os sistemas de poder que regulam suas práticas; e as formas de subjetivação por meio das quais os/as colaboradores/as deste estudo se constituem como sujeitos. As práticas institucionais estão inseridas em uma proposta coletiva de processos de subjetivações pentecostais e neopentecostais (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Ferreira, 2017</xref>).</p>
			<p>A <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref> ilustra os temas e subtemas de análise e representa como a experiência de “cura gay” religiosa se apresentou para os/as colaboradores/as. É importante pontuar que nas trajetórias das pessoas entrevistadas, essas situações ocorreram de maneira imbricada e os seus efeitos foram vividos simultaneamente. Assim, o mapa possui finalidade de refinar a leitura da análise, uma vez que busca elucidar de maneira sinóptica a complexa rede que compõe o fenômeno, inserida no conceito do dispositivo da sexualidade. No primeiro tópico - <italic>Construção de verdades para controle dos corpos</italic>, identificamos subtemas comuns acerca dos dogmas relativos à compreensão pentecostal e neopentecostal da diversidade sexual.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title><italic>Mapa conceitual dos temas e subtemas envolvidos na experiência de “cura gay” religiosa dos/das colaboradores/as do estudo.</italic></title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2359-0777-subj-25-02-e15006-gf1.png"/>
				</fig>
			</p>
			<sec>
				<title>Construção de Verdades para Controle dos Corpos</title>
				<p>A construção de verdades para controle dos corpos é camuflada nestes ambientes como ensinamentos religiosos e trata de saberes pentecostais e neopentecostais que, através de relações específicas de poder, entrelaçaram-se às experiências dos/as colaboradores/as de diferentes formas. Identificamos preceitos das seguintes ordens: </p>
				<p>
					<list list-type="order">
						<list-item>
							<p>Teológicos <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>O pastor dizia: Os piores pecados do mundo são matar alguém e se relacionar homem com homem (Letícia). / Na igreja, a gente aprende que ser gay é estar com o demônio no corpo (Suellen) / (...) se você sentisse vontade não deveria fazer, você devia reprimir isso (Carolina).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Morais <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Homossexualidade era coisa de gente suja, de gente que gostava de safadeza (Suellen). /Ser homossexual está no mesmo nível de ser um estuprador ou um assassino (Letícia).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>3) Pseudocientíficos <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Eles condicionavam isso ao fato de eu não ter um bom relacionamento com o meu pai (...) (Lucas). / Gays eram gays por causa da próstata, a próstata produzia um hormônio que fazia eles gostarem e se viciarem nisso (Anieli). / (...) falam em “homossexualismo” para remeter à doença (Juliana).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
					</list>
				</p>
				<p>Sob um viés teológico, as homossexualidades dos/as colaboradores/as foram concebidas como “pecado” e “ação demoníaca”, sendo necessária a conversão religiosa para libertação, conforme apontam Letícia, Suellen e Carolina. Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Dias (2019</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B35">Machado e Piccolo (2010</xref>), a noção das homossexualidades enquanto pecado se apresenta como característica comum às diferentes vertentes religiosas cristãs. </p>
				<p>Já a compreensão das homossexualidades enquanto manifestação demoníaca, conforme trouxe Suellen, refere-se a teologias específicas das vertentes evangélica pentecostal e neopentecostal, em específico, a Teologia da Batalha Espiritual. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B42">Natividade (2006</xref>), Deus e o diabo travam uma batalha espiritual pelo controle da humanidade, em que o corpo do fiel é objeto de disputa e o “crente” deve se juntar a Deus, repreendendo as manifestações do diabo em plano terrestre. As homossexualidades, nessa visão, representam prazeres mundanos e denunciam a presença de demônios no corpo daquele fiel que apresenta desejos afetivo-sexuais “inadequados” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Fátima, 2018</xref>). </p>
				<p>Os/as colaboradores/as também revelaram perspectivas morais ditas pelos líderes religiosos acerca de suas orientações sexuais, categorizando-as enquanto “imoralidade” e “safadeza”, e equiparando-as a condutas criminosas, conforme os relatos de Letícia e Suellen. Ainda, os ensinamentos religiosos presentes nas experiências narradas reforçavam a lógica de patologização das orientações sexuais dissidentes, o que também foi apontado nos estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B29">Garcia e Mattos (2019</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B28">Gama (2019</xref>).</p>
				<p>Percebeu-se que os líderes religiosos associavam explicações pseudocientíficas à gênese das homossexualidades. Referiam-se a relações patológicas entre pais e filhos na infância ou a explicações biológicas, como vícios, doenças e compulsões. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B34">Macedo (2017</xref>), discursos endossados pelas ciências psi (psicologia, psicanálise e psiquiatria) são capturados pelo debate religioso a fim de reforçar os interditos e apagamentos da dissidência. Em suma, na medida em que esse discurso permite a existência apenas daquilo que é considerado verdadeiro, impõe a adequação e anula diversidades, promovendo exclusões simbólicas e materiais (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Portella, 2007</xref>). </p>
				<p>Enquanto “verdades”, esses ensinamentos carregam consigo uma dimensão de poder associada, produzindo normas, limitações e regulações que perpetuam as relações de poder capazes de controlar e regular os corpos (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Foucault, 1999</xref>). No tópico seguinte, discutiremos acerca da organização institucional e das relações de poder capazes de produzir sexualidades a partir desses ensinamentos religiosos. </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Produção de Sexualidades</title>
				<p>As instituições religiosas encontram-se inseridas na complexa rede que compõe o dispositivo da sexualidade e são capazes de produzir sujeitos e sexualidades sob controle de seus códigos e estratégias (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Valério, 2004</xref>). Nas experiências compartilhadas, identificamos a produção de sexualidades em consonância com os ensinamentos religiosos supracitados, representados pelos subtemas: 1) disseminação; 2) controle; e 3) vigilância e punição.</p>
				<p>
					<list list-type="order">
						<list-item>
							<p>Disseminação <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Se eu fosse contar todas as vezes que ouvi falarem de homossexualidades passaria a tarde toda aqui (Juliana). / Eu lia livros que explicavam a visão deles sobre o homossexualismo e como o demônio age no corpo da pessoa (Suellen). / Fui em um acampamento de jovens e em um congresso que eles ficavam falando muito sobre sexualidade… (Anieli).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Controle <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Não podia faltar nos eventos da igreja, nem se tivessem eventos de família (Juliana). / Eu fazia muito esforço para comparecer aos retiros e eventos da igreja (Letícia).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Vigilância e Punição <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Nos eventos tinha sempre uma moça me vigiando e contando o que eu fazia para minha discipuladora (Anieli). / Se eu fizesse algo errado, eu me sentia muito mal e sentia a necessidade de contar pra minha liderança (Carol). / A pastora me chamou e disse se você não parar vou pedir pra você sair da Igreja, não vai ter como sustentar aqui pessoas homossexuais (Letícia). / Todo mundo deduzia minha sexualidade, por que não era mais o líder do teatro (...) era uma coisa que eu amava, e eu senti o peso de ser tirado de mim (Lucas).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
					</list>
				</p>
				<p>Com base nos relatos, depreende-se que o pano de fundo das relações entre os líderes religiosos e as/os colaboradores engloba discursos, instituições, leis e enunciados científicos e morais que se articulam em rede para produzir sujeitos e sexualidades. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B26">Foucault (2014</xref>), são as instituições socialmente autorizadas, como as científicas, religiosas e/ou jurídicas que produzem normativas, disseminam “verdades” e disciplinam condutas a partir de relações de saber-poder ao longo da história, ao que o autor denomina poder disciplinar. </p>
				<p>Segundo a leitura de <xref ref-type="bibr" rid="B13">Costa (2007</xref>), o poder disciplinar do qual fala Foucault é um continuador do poder pastoral, que parte da figura de um líder (em específico, o pastor) que conduz seu rebanho, com o objetivo de instituir um modelo de subjetividade a partir do controle individual dos corpos. Em consonância com as experiências de Anieli, Carol, Letícia e Lucas, observa-se uma lógica de funcionamento desse poder, em que ao líder é conferida a autoridade de determinar onde os fiéis devem andar, guiando-os para a salvação. Por interceder pela figura de Deus, nessa ótica, entende-se que “só o pastor sabe o caminho da salvação de suas ovelhas, por isso as conduz” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Costa, 2007</xref>, p. 87).</p>
				<p>A disseminação dos ensinamentos religiosos que pautam as orientações sexuais não normativas - como pecado, possessão, doença e imoralidade -ocorrem através de atividades religiosas e veículos de comunicação que compartilham os dogmas da igreja evangélica. A partir de pregações, canais de televisão, literatura gospel, retiros e congressos espirituais, os ensinamentos eram propagados, conforme os relatos de Suellen, Juliana e Anielli. Nesse cenário, a estruturação desses eventos e a tentativa de docilização dos corpos também revelam mostras das relações de poder disciplinar e pastoral (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault, 1987</xref>).</p>
				<p>Foi pontuada a necessidade de isolamento dos/as jovens - em acampamentos, retiros e imersões -, além de uma divisão em grupos distintos, seguindo uma lógica binária, a fim de ensinar o que é ser homem ou mulher a partir dos preceitos cristãos pentecostais e neopentecostais. Para <xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault (1987</xref>), o poder disciplinar existe nessas relações na medida em que organiza o espaço através de uma repartição de indivíduos e controla a atividade através da disponibilidade do tempo. <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves e Assunção (2022</xref>) explicam que é comum a tática de controle do tempo em igrejas evangélicas, cujo objetivo é fazer com que os jovens fiquem distante de tudo que é considerado “imoral”. </p>
				<p>Outra tecnologia de poder disciplinar que permeia as experiências dos/as colaboradores/as dentro das instituições religiosas é a constante vigilância, que incide sobre os corpos das pessoas, controlando seus gestos, suas atividades, suas aprendizagens e suas vidas cotidianas (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault, 1987</xref>). Para Letícia, as roupas eram o artefato principal de controle e vigilância, já para Lucas, os gestos e entonações de voz considerados afeminados eram apontados e fortemente repreendidos. Ao não cumprirem as regras heteronormativas condizentes com a religião, passaram a sofrer advertências e exclusões, como a demoção de cargos ocupados na instituição religiosa, conforme relatado por Lucas. </p>
				<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault (1987</xref>), de acordo com a lógica pastoral, a punição e a vigilância são mecanismos utilizados para docilizar e adestrar as pessoas para que se adequem às normas das instituições. O poder disciplinar exerce controle sobre os corpos, apagando as diferenças e enquadrando-os dentro de um modelo social. As sanções impõem regras e micropenalidades de diferentes ordens: do tempo (atrasos, ausências, interrupções das tarefas), da atividade (desatenção, negligência, falta de zelo), dos discursos (tagarelice, insolência), do corpo (atitudes incorretas, gestos não conformes, sujeira) e da sexualidade (imodéstia, indecência).</p>
				<p>Esse poder não se baseia na violência ou na coação direta, mas na forma como as pessoas são governadas através de práticas disciplinares, que têm como objetivo conduzir e orientar. É uma forma de autoridade sutil e invisível que funciona através de tecnologias como práticas de confissão, aconselhamento, catequese e pregação, que buscam moldar o comportamento dos fiéis de acordo com os princípios da instituição religiosa (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barros, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B53">Valério, 2004</xref>). Os fiéis deviam incorporar a vigilância nos processos de exame de consciência, confessar os pecados e aderir aos conselhos de suas lideranças, marcando a manutenção das relações de poder, conforme os relatos. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Foucault (1999</xref>) afirma que o poder não se concentra em um único ponto ou pessoa, mas se distribui pelas relações sociais e incorpora-se em práticas e discursos cotidianos. </p>
				<p>O poder está presente em todas as esferas sociais, é construído e mantido através de um conjunto de práticas que moldam subjetividades, comportamentos e formas de pensar. Para <xref ref-type="bibr" rid="B21">Ferreira (2017</xref>), um dos efeitos do poder é a própria subjetividade, produzida e modificada ao longo do tempo por diferentes formas de poder, que operam desde a contínua vigilância até a internalização de práticas e valores comuns, além de assujeitamentos ou resistências nas tentativas de “cura” religiosa, conforme adentraremos a seguir.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Tentativas de “Cura”</title>
				<p>No confronto com os ensinamentos religiosos sobre as sexualidades, rigidamente repassados aos colaboradores/as, houve diferentes formas de tentar “libertar-se” ou “curar-se” de desejos homoafetivos. As tentativas de adequação às normas estabelecidas pela igreja - ou “cura” - deram origem aos subtemas: 1) individuais; 2) institucionais; e 3) familiares. </p>
				<p>
					<list list-type="order">
						<list-item>
							<p>Individuais <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Eu jejuava, orava, procurava viver em santidade. Eu tentava fazer tudo certinho e o demônio não saia (Suellen). / A gente foi ensinada a fazer jejum e oração pra conseguir o que a gente quer, então pensei em deixar de gostar de mulher desse jeito (Letícia).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Institucionais <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Foi colocado que eu tinha um problema e que eu precisava tratar isso (...) passei pelo processo de ministração que somente depois entendi que era essa “cura gay” (Lucas). / Ela colocou a mão na minha testa e começou a orar dizendo: eu repreendo todo o espirito do homossexualismo, todo espírito de prostituição (Letícia).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Familiares <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Minha família se juntava pra fazer campanha com meu nome, iam pra igreja fazer isso (...) pra tirar o demônio da minha vida. Foram pra minha casa sem eu querer e essa missionária chegou a me bater pra tirar os demônios e quebrar correntes (Anieli). / Meu tio tentou me convencer que eu poderia me converter e deixar de ser bissexual (Lúcia).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
					</list>
				</p>
				<p>Ao introjetarem os ensinamentos encontrados na igreja, os/as colaboradores/as subjetivaram-se em processos de assujeitamentos. As tentativas de “cura” individuais ocorreram a partir da realização de ritos religiosos e autovigilância, em que houve a busca por libertar-se de desejos homoafetivos através de orações, jejuns e isolamento das relações sociais externas à igreja, como explicitado por Suellen e Letícia. Realizavam também exames de consciência, como vigiar os pensamentos, para controlar desejos. Esses relatos denotaram que os/as colaboradores/as internalizaram as normas impostas através do poder pastoral e disciplinar, em que, por meio de técnicas de disciplina específicas, moldam-se subjetividades e identidades assujeitadas (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barros, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Costa, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault, 1987</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B26">2014</xref>). </p>
				<p>Tal internalização não foi apenas imposta pelas lideranças religiosas, mas também exercida de forma autônoma. <xref ref-type="bibr" rid="B14">Costa et al. (2018</xref>) referem que a exposição aos eventos negativos, bem como ao controle que dita que ser homossexual é errado ou pecado, leva a comportamentos lesivos e à busca por “reorientação” sexual como fuga do sofrimento.</p>
				<p>Dentre as tentativas de cura institucional, Lucas foi o único colaborador a pedir “voluntariamente” ajuda de suas lideranças para lidar com seus desejos homoafetivos, o que o fez passar por um processo denominado “ministração”. Na experiência de Lucas, de uma a duas vezes na semana e em um momento de intimidade com Deus, seu líder religioso unia leituras bíblicas, ensinamentos morais e pseudocientíficos para explicar a gênese de sua homossexualidade. Além disso, também era imposto o regime de jejum e orações para atingir a “cura”. Leticia e Anieli não solicitaram intervenção dos líderes ao se depararem com seus desejos homoafetivos, mas foram igualmente submetidas a tentativas de “cura” e “libertação”, inclusive por meio de ritos como práticas de exorcismo, que continham agressões físicas. </p>
				<p> Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B31">Gonçalves (2019</xref>), a “cura gay” religiosa é apresentada publicamente por seus adeptos como prática de “liberdade” para os jovens que desejam voluntariamente “abandonar” as homossexualidades. No entanto, observamos através dessas experiências uma estrutura que funciona sob a norma da heterossexualidade compulsória, conceito presente no pensamento de Judith <xref ref-type="bibr" rid="B6">Butler (1990</xref>) e Adrienne <xref ref-type="bibr" rid="B47">Rich (2012</xref>), que trata dessa imposição como uma instituição política que assujeita os corpos que não se enquadram na heterossexualidade, de modo a torná-los desumanizados e abjetos socialmente. Ainda sob essa ótica, podemos afirmar que essa norma, apregoada nos ensinamentos religiosos relatados, interfere diretamente na construção das subjetividades, posicionando as existências dissidentes como desviantes, odiosas ou invisíveis (<xref ref-type="bibr" rid="B47">Rich, 2012</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Resistências</title>
				<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B24">Foucault (2004</xref>), as resistências referem-se às estratégias e às táticas que os sujeitos desenvolvem para escapar ou resistir aos efeitos do poder. Foram identificados nos relatos três movimentos referidos nos subtemas: 1) rompimento com a igreja; 2) rede de apoio alternativa; e 3) outros universos.</p>
				<p>
					<list list-type="order">
						<list-item>
							<p>Rompimento com a igreja <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Decidi que precisava sair da Igreja senão eu ia fazer alguma coisa, eu ia morrer (Lucas). / Eles estavam se metendo muito na minha vida e eu decidi sair (Anieli). / Não conseguia ser duas coisas, para assumir minha relação precisava sair (Carol).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Rede de apoio alternativa <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Eu encontrei mais amor fora da igreja do que dentro (...) eu chegava na igreja e me sentia excluída, agora quando estou em um lugar com pessoas LGBT eu sou abraçada (Letícia).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Outros universos <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>A saída da Igreja e a entrada na faculdade foi marcante pra mim. Na faculdade, estudando, eu percebi que eu podia sim ser lésbica (Letícia). / Eu sabia que as coisas que eles diziam sobre gays não era verdade. Sempre tive amigos que eram e sabia que eles não eram aqueles monstros que eles faziam ser (Anieli).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
					</list>
				</p>
				<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B21">Ferreira (2017</xref>), as resistências não são o inverso do poder, mas uma constante negociação da realidade social. As resistências podem se manifestar através de movimentos sociais, práticas contra hegemonias, desobediências e subversões, representando a possibilidade de recriar a subjetividade em relação ao poder. Em diferentes momentos, e de maneiras distintas, todos/as os/as colaboradores/as relataram movimentos de resistências. </p>
				<p>O rompimento com a igreja aparece primeiramente nas narrativas de Anieli, Carol, Juliana, Vinícius e Lúcia, que não isolaram suas relações no círculo social estabelecido pela instituição e referiram maiores questionamentos acerca dos ensinamentos religiosos. Após compreenderem melhor suas orientações sexuais, despenderam menores investimentos em tentativas de “cura” individuais, ainda que tenham vivido tentativas institucionais e familiares contrárias às suas vontades. Já Lucas, Suellen e Letícia relataram menores questionamentos acerca dos ensinamentos religiosos e isolaram suas relações sociais em relações heteronormativas ou estabelecidas no interior das instituições religiosas. Essa “obediência” específica pode ter limitado ainda mais seus universos de subjetivação, delimitando construções de si mais violentas. No entanto, e ainda assim, eles acabaram por romper com a instituição religiosa em movimentos de resistência.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B49">Silva et al. (2008</xref>) demonstraram que os ensinamentos religiosos podem ser intimamente absorvidos pelos fiéis pentecostais e neopentecostais. Nos processos de resistências relatados, o rompimento com as instituições religiosas que frequentavam também demarcou a inserção destes/as colaboradores/as em outros universos sociais (<italic>e.g.</italic> faculdade, trabalho, amizades). A ampliação desta rede de contato possibilitou a aproximação com modos de subjetivação mais diversificados, capazes de fornecer maior aceitação e acolhimento. Desse modo, o rompimento com as instituições religiosas funcionou como uma tática de sobrevivência, agindo na busca por ambientes mais acolhedores e inclusivos. </p>
				<p>Experimentar outros universos capazes de fornecer aceitação e acolhimento é de suma importância nas experiências de lésbicas, gays e bissexuais, tendo em vista que diferentes espaços públicos e privados podem funcionar como dispositivos de apagamentos, interditos e violências contra quem foge à lógica cisheteronormativa (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Cantelli, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B52">Tagliamento et al., 2020</xref>). As interpretações conservadoras do código moral e doutrinário cristão exerceram um efeito poderoso nos relatos compartilhados, culminando em sofrimentos e intensificando vulnerabilidades na saúde mental (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Natividade &amp; Oliveira, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B50">Silva &amp; Menandro, 2016</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B51">Souza &amp; Souza, 2020</xref>).</p>
				<p>Nessa mesma perspectiva, habitar novos universos e construir redes de apoio pode potencializar efeitos positivos na saúde mental, produzindo vias de suporte capazes de amortecer os danos das experiências de “cura gay” religiosa. A rede de apoio encontrada nas instituições foi descrita como condicional às heterossexualidades e foi fortemente fragilizada conforme os/as colaboradores/as aproximavam-se de suas orientações sexuais e expressões subjetivas no mundo. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Duarte e Oliveira (2021</xref>) demonstram como o isolamento social de redes de apoio pode agravar condições preexistentes de saúde mental, como a solidão, a depressão, a ansiedade e a ideação suicida. </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Efeitos na Saúde Mental</title>
				<p>Passar pela experiência da “cura gay” religiosa se demonstrou um processo de vulnerabilidade para os danos à saúde mental dos/das colaboradores/as. Os efeitos relatados deram origem aos subtemas 1) autoconceito; 2) emocionais; e 3) perspectivas de futuro.</p>
				<p>
					<list list-type="order">
						<list-item>
							<p>Autoconceito <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Eu acreditava que eu era filha de satanás, uma aberração (Carol). / Eu achava que eu era a pior pessoa do mundo. Se precisassem de uma pessoa ruim pra um sacrifício, essa pessoa seria eu (Letícia). / Eu sempre me achava esquisita (...) quando olho pra trás o motivo é a religião. Não vejo outra coisa (Anieli).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Emocionais <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Eu sentia muita vergonha, não falava pra ninguém o que eu sentia (Carol). / Eu vivia nesse eterno confessar, pedir perdão e me sentir culpado (Lucas). / O medo de morrer, o medo de ir pro inferno era gigante e eu chorava (Suellen). / Então eu estava ali vulnerável e eles estavam vindo com tudo (...) foi quando eu me esgotei. Se eu não sair daqui eu vou morrer, eu vou me matar (Lucas). / E isso muda o sentido de se matar. Porque talvez eu já pensei em me matar antes, mas não fazia por causa da igreja. Agora, isso seria possível (Anieli).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Perspectivas de futuro <list list-type="simple">
									<list-item>
										<p>Eu tinha que lutar para sempre, era meu espinho na carne, ia estar sempre ali comigo (Lucas). / Deus não perdoa o suicídio e a homossexualidade… acho que nunca vou ganhar o perdão (Letícia). / Estava preso no pensamento de que estava fadado ao inferno, a tudo de ruim (Lucas). / Se agora eu iria ser uma condenada, eu não queria mais viver (Anieli).</p>
									</list-item>
								</list>
							</p>
						</list-item>
					</list>
				</p>
				<p>Nos dias atuais, a religião ainda se firma como instância reguladora de valores, difundindo um ideário de certo e/ou errado, que acaba atuando como meio de controle social (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Meneses &amp; Santos, 2013</xref>). Mesmo para jovens heterossexuais de pastorais evangélicas, há significativa influência no comando da iniciação sexual. Igrejas pentecostais e neopentecostais acabam criando um espaço em que sexo e sexualidade são encarados como tabu, valorizando a heterossexualidade, a virgindade e o sexo pós-casamento, com impactos no comportamento sexual e reprodutivo (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Verona &amp; Regnerus, 2014</xref>).</p>
				<p>As verdades absorvidas pelos/as colaboradores/as geraram efeitos negativos em seu autoconceito, apresentando perspectivas de autodesvalorização e percepção de si como “aberração” ou pessoas “ruins”. <xref ref-type="bibr" rid="B11">Cerqueira-Santos et al. (2017</xref>) demonstraram que altos níveis de religiosidade possuem correlação com a presença de altos níveis de LGBTfobia internalizada. As repercussões dos ensinamentos religiosos e das tentativas de “cura” mostraram-se bastante danosas na construção identitária e produziram vulnerabilidades em saúde mental, conforme corroboram os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves e Assunção (2022</xref>).</p>
				<p>Percebeu-se que a vivência de condutas reprovadas pela igreja desencadeou sentimentos de culpa, ansiedade, tristeza, medo e vergonha de si, o que impulsionou a busca pela chamada “cura gay” religiosa, conforme identificado nos relatos de Carol, Lucas, Suellen e Anielli. É importante pontuar que tais experiências emocionais negativas resultam da discriminação vivida por eles no ambiente religioso e a recorrência dos relatos de tensão ocorreram independente das trajetórias individuais. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Ceccarelli (2008</xref>) refere que o sofrimento por ser lésbica, gay ou bissexual advém mais do preconceito do que da orientação sexual em si. </p>
				<p>Além das emoções descritas que revelam intenso sofrimento psíquico, houve o relato da presença de ideações suicidas. Assim como nos estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B51">Souza e Souza (2020</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B30">Gibbs e Goldbach (2015</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B48">Rosa e Esperandio (2022</xref>), encontramos influência significativa da religiosidade e do estigma fomentado pela igreja no sofrimento mental de lésbicas, gays e bissexuais, aumentando, inclusive, a chance de ideação suicida.</p>
				<p>Os/as colaboradores/as também referiram uma visão de futuro negativa, em que, segundo o pentecostalismo e neopentecostalismo, por serem “acometidos” de forças malignas, estariam fadados ao sofrimento, como cita Anielli e é pontuado no estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Fátima (2018</xref>). Seus futuros estariam reservados a lutas entre as suas orientações sexuais e as prescrições heteronormativas religiosas, em um eterno ciclo de pecar, culpar-se e pedir perdão.</p>
				<p>Pensamos, como propõe <xref ref-type="bibr" rid="B55">Zanello (2018</xref>), em uma perspectiva de saúde mental estruturada por meio de dispositivos que compõem a sociedade. Não basta apontar que lésbicas, gays e bissexuais, que tiveram experiências em um ambiente religioso contrário à sua orientação sexual, estão mais suscetíveis ao sofrimento psíquico e às ideações suicidas, mas também denunciar, revelar e descrever as estruturas de significação por trás desses efeitos.</p>
				<p>Assim, ao perpetuar estereótipos e preconceitos em relação às homossexualidades, instituições religiosas podem contribuir para o sofrimento psíquico de lésbicas, gays e bissexuais. A religiosidade, por vezes, pode se apresentar como fator de proteção psicológica e social na vida das pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Dahl &amp; Galliher, 2012</xref>). Contudo, nas experiências compartilhadas, essa lógica segue de maneira inversa, e o autoconceito, as emoções e as perspectivas de futuro dos/as colaboradores/as foram engendradas por uma heterossexualidade compulsória incutida de tensão e sofrimento.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>O fenômeno da “cura gay” religiosa, a partir da experiência dos/das colaboradores/as, apresentou-se a partir de construção de verdades para o controle dos corpos. Essas “verdades” eram camufladas em ensinamentos religiosos que pautaram as homossexualidades, bissexualidades e lesbianidades enquanto pecado, imoralidade, possessão demoníaca e patologia. Era necessário converter-se à religião e submeter-se às suas normas, dedicando tempo, relações e condutas consonantes ao estabelecido para alcançar a “cura”.</p>
			<p>Encontrou-se, ainda, a descrição de estruturas institucionais que fazem circular esses ensinamentos e relações de poder entre os fiéis e os líderes religiosos, capazes de produzir sexualidades e subjetividades, caminhando a favor de uma heterossexualidade compulsória, a partir da qual os/as colaboradores/as subjetivaram-se em suas experiências e em seus processos de construção de si. As tentativas de “cura” ocorreram em processos de assujeitamentos, mas também a partir de violência física e simbólica nos ritos executados.</p>
			<p>Nos processos de resistência, a construção de uma rede de apoio alternativa ao espaço da igreja, a inserção em outros universos sociais e o rompimento com a instituição religiosa foram marcadores positivos na experiência com as próprias orientações sexuais. Ainda assim, ter vivido experiência de “cura” gerou efeitos negativos na saúde mental, ensejando sofrimento e causando danos no autoconceito, nas emoções e nas perspectivas de futuro.</p>
			<p>Este estudo foi limitado no que se refere ao número de participantes e é importante que novos estudos busquem compreender sobre esse fenômeno atrelado a uma instituição religiosa em expansão no país. Trata-se de um estudo qualitativo em que não é possível realizar generalizações. Contudo, ainda que cada experiência seja única e inscrita em realidades específicas, pode apresentar mostras do que acontece no campo como um todo.</p>
			<p>Não é objetivo deste trabalho tecer julgamentos morais acerca de perspectivas teológicas das vertentes religiosas evangélicas pentecostais e neopentecostais, mas colocar em xeque os efeitos de seus ensinamentos e práticas sobre a sexualidade humana nas histórias de lésbicas, gays e bissexuais no Norte do Brasil. Buscamos elucidar a importância de refletir os diferentes saberes que produzem sexualidades em nosso contexto histórico, sobretudo, ao pensar o sofrimento psíquico de lésbicas, gays e bissexuais. </p>
			<p>Objetivamos, ainda, contribuir para implicações acadêmicas e práticas na psicologia que estejam comprometidas ético-politicamente com a diversidade sexual e de gênero, tanto no que se refere à clínica, quanto na criação e efetivação de políticas públicas, bem como no incentivo a espaços de discussão que, desde a formação, privilegiem debates e possibilidades de atuação diante das existências dissidentes. Desse modo, pensamos ser este um caminho possível para a instrumentalização de fazeres que acolham e validem as diversidades, conforme situam as próprias normativas do CFP (2023), rompendo com a lógica histórica de marginalização, discriminação e patologização das pessoas LGBTI+.</p>
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			</aff>
			<aff id="aff8">
				<institution content-type="original">Psychologist and public health pedagogue with a PhD in Collective Health from Fernandes Figueira National Institute of Women, Children, and Adolescents (2019). MSc in Science and Health from Federal University of Piauí (2016). Specialist in Family Health from International University Center (2014), Educational Psychology from State University of Maranhão (2016), and Education in Human Rights from Federal University of São Paulo (2022). Currently a tenured professor-researcher at UFAM, affiliated with the School of Psychology, and approved through a public competitive examination in the field of Collective Health.</institution>
				<institution content-type="orgname">UFAM</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>“Gay cure” is the term popularly used to refer to Legislative Decree Bill (PDL for short, in Portuguese) 234/11, which sought to repeal portions of Resolution 01/99 of the Brazilian Federal Council of Psychology (CFP for short, in Portuguese). Resolution 01/99 prohibits psychologists from offering “treatments” or “cures” for homosexuality. Despite challenges, the resolution remains in force, and the CFP continues to publish materials in defense of sexual and gender diversity. Even with the prohibition of sexual reorientation therapies, such practices still occur in Brazil through religious conversion efforts, particularly within Pentecostal and Neo-Pentecostal evangelical churches. We refer to this phenomenon as religious “gay cure” and, through a qualitative, descriptive, and exploratory study, investigated how it manifests in Northern Brazil. We sought to understand the outcomes and effects emerging from the experiences narrated by eight young individuals who self-identified as lesbian, gay, or bisexual. The study was grounded in Michel Foucault’s (2004, 2014) assumptions regarding the dispositif of sexuality and subjectivation. Using Thematic Analysis as proposed by Braun and Clarke (2006), five central dimensions of discussion were identified: construction of truths, production of sexuality, attempts at cure, forms of resistance, and effects on mental health. The findings revealed institutional structures and power relations that reinforce compulsory heterosexuality and negatively affect mental health and processes of self-construction, highlighting the importance of professionals’ attentiveness to the diverse ways sexualities have been produced throughout history and to the ethical and political implications involved in professional practice when addressing dissident forms of existence.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>sexuality</kwd>
				<kwd>religion</kwd>
				<kwd>gay healing</kwd>
				<kwd>evangelicals</kwd>
				<kwd>psychology</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<p>In Brazil, since 1999, the provision of “treatment” or “cure” for homosexuality, lesbianism, and bisexuality has been prohibited within psychological practice under Resolution No. 01/99 of the Brazilian Federal Council of Psychology (CFP for short, in Portuguese) (<xref ref-type="bibr" rid="B46">CFP, 1999</xref>). However, since its implementation, openly religious social actors, particularly Pentecostal and Neo-Pentecostal evangelicals, have promoted legislative initiatives aimed at enabling attempts at sexual “reorientation” through psychotherapeutic practices. Among these initiatives, Legislative Decree Bill (PDL for short, in Portuguese) No. 234/11 generated widespread media attention and became popularly known as the “Gay Cure” Bill (<xref ref-type="bibr" rid="B46">CFP, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Gonçalves, 2019</xref>).</p>
			<p>This phenomenon is not confined to public disputes; rather, it unfolds powerfully within micropolitical arenas, such as religious institutions and the everyday lives of those who adhere to their teachings. According to <xref ref-type="bibr" rid="B34">Macedo (2017</xref>), beyond controversies surrounding the legalization of psychological practices related to sexual orientation, attempts at sexual “reorientation” through religious conversion take place within Pentecostal and Neo-Pentecostal churches. This process is referred to here as the phenomenon of the religious “gay cure.”</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">Almeida (2021</xref>) highlights the existence of numerous Pentecostal traditions in Brazil, encompassing diverse theological and institutional perspectives. Despite this diversity, boundaries have increasingly blurred, rendering doctrines, theologies, and rituals progressively more similar across the dozens of evangelical denominations currently in existence (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Cunha, 2008</xref>).</p>
			<p>The notion of “cure” occupies a central place in Pentecostal and Neo-Pentecostal theologies, reaffirming claims of divine singularity. <xref ref-type="bibr" rid="B36">Mariano (2004</xref>) notes that these strands seek to address the physical and/or psychological needs of their followers through adherence to religious prescriptions. From this perspective, homosexuality, lesbianism, and bisexuality are framed as deviations from Christian moral values and are approached through a pathologizing logic, often associated with influences or possessions by evil spirits. Achieving the “cure” proposed by religion entails encouraging the abandonment of one’s sexual orientation through the acceptance of God and conversion to the promoted teachings (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Natividade, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Garcia &amp; Mattos, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B38">Mesquita &amp; Peruchi, 2016</xref>).</p>
			<p>Interpreting non-normative sexual orientations as pathologies reflects an outdated model of medical-psychological science rooted in heteronormativity, which established a standard or norm to be followed (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves &amp; Assunção, 2022</xref>). Contemporary scientific consensus on sexual and gender diversity adopts a critical perspective attentive to sociohistorical, political, and cultural contexts, in contrast to essentialist views that naturalize such identities (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Kahhale, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B46">CFP, 1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B12">2023</xref>).</p>
			<p>Nevertheless, the provision of sexual “reorientation” through religious “cure” practices persists. Within Pentecostal and Neo-Pentecostal institutions, lesbian, gay, and bisexual individuals are advised to “reverse” their sexual orientations and may be subjected to cleansing rituals, exorcisms, ministrations, and other actions intended to free them from what is construed as deviation from God’s path (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves &amp; Assunção, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B43">Natividade &amp; Oliveira, 2013</xref>).</p>
			<p>Such practices occur in a context marked by the continued expansion of evangelical Christianity in Brazil. Data from the most recent Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE for short, in Portuguese) Census indicate an increase in the evangelical population from 21.6% in 2010 to 26.9% in 2022, corresponding to more than 47 million people (<xref ref-type="bibr" rid="B32">IBGE, 2022</xref>). The Northern region follows this trend and presents the highest proportion of evangelicals in the country, at 39% of the population (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Balloussier, 2020</xref>). Historically, the region has been a stronghold of Pentecostalism, with Belém recognized as one of the pioneering cities to host the Assembly of God Church, founded in 1911 (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Costa, 2021</xref>).</p>
			<p>The effects of the rise of Pentecostal and Neo-Pentecostal evangelicalism are gradual and diffuse, and the influence of religious leadership over followers is heterogeneous. Distinctions exist between the positions held by religious leaders and those adopted by their followers, and generalizations must therefore be approached with caution. Nonetheless, investigating these effects is socially and scientifically relevant, as churches can shape modes of subjectivity production in accordance with their dogmas (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Casarões, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B53">Valério, 2004</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B51">Souza and Souza (2020</xref>) showed that lesbian, gay, and bisexual individuals socialized in religious environments that disapprove of their sexual orientations experience dilemmas and tensions regarding their self-expression in the world. In conservative religious families, lower levels of acceptance are observed, potentially culminating in rejection, violence, and even expulsion from the family circle (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Campos &amp; Guerra, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Frazão &amp; Rosário, 2008</xref>). Moreover, these experiences extend beyond sexual orientation alone, and an intersectional perspective enables a broader understanding of the multiple dimensions that traverse bodies and their social markers (<xref ref-type="bibr" rid="B12">CFP, 2023</xref>).</p>
			<p>Accordingly, this study aimed to investigate how the religious “gay cure” manifested in the experiences of lesbian, gay, and bisexual individuals in Northern Brazil. The objectives were to identify the effects of Neo-Pentecostal religious discourse on the production of subjectivities; to examine events shaped by religious discourse within the life trajectories of the interviewees; and to understand the relations of knowledge, power, and subjectivation involved in this process. Drawing on Michel <xref ref-type="bibr" rid="B24">Foucault’s theoretical assumptions (2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B26">2014</xref>), sexualities are approached as the product of a complex dispositif that, through relations of knowledge and power, traverses bodies, inscribes itself upon them, and produces distinct modes of subjectivation. Within this framework, the thematic analysis of experiences revealed five central dimensions: i) the construction of truths for the control of bodies; ii) the production of sexuality; iii) attempts at “cure”; iv) forms of resistance; and v) effects on mental health.</p>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Method</title>
				<p>This qualitative, descriptive, and exploratory study included eight young individuals who self-identified as lesbian, gay, or bisexual, aged between 21 and 27 years, residing in Northern Brazil, and who had experienced religious “gay cure” practices within Pentecostal or Neo-Pentecostal settings or institutions.</p>
				<p>Participants were recruited through social media platforms, including X (formerly Twitter) and Instagram. Posts presenting the study, inclusion criteria, and a link to a Google Forms questionnaire for contact information were shared. Because of the qualitative nature of the research, the sample size was not determined using probabilistic criteria; instead, priority was given to depth, scope, and diversity in understanding participants’ narratives (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Minayo, 2017</xref>). Theoretical saturation was adopted as the sampling criterion, and interviews were concluded when the data showed substantial repetition in relation to the study objectives.</p>
				<p>In addition to its use for participant screening, the online form included a socioeconomic questionnaire designed to collect information on sexual orientation, gender identity, age, state of residence, race/skin color, social class, and religious institutions attended. A semi-structured interview guide with predefined questions was developed to support open-ended inquiry, allowing participants to elaborate on the proposed topics. Additional questions were introduced when deemed necessary during the interviews (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Minayo, 2010</xref>).</p>
				<p>Interviews were conducted remotely via Google Meet and had an average duration of approximately 90 minutes. All interviews were audio-recorded and transcribed verbatim. The resulting material was subjected to thematic analysis (TA) following the approach proposed by <xref ref-type="bibr" rid="B5">Braun and Clarke (2006</xref>). This analytical method enables the identification of patterns and similarities across the data, facilitating a comprehensive understanding of the phenomenon under investigation. The analytical steps comprised: i) familiarization with data; ii) generation of initial codes; iii) searching for themes by identifying and organizing themes and subthemes; iv) reviewing themes; v) defining and naming themes; and vi) producing the final report. Data interpretation was informed by Michel <xref ref-type="bibr" rid="B24">Foucault’s concepts of the dispositif of sexuality and subjectivation (2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B25">2012</xref>).</p>
				<p>The study adhered to all required ethical standards and was approved by the Research Ethics Committee under Opinion No. 5,531,587. Participants selected their own pseudonyms to ensure confidentiality and foster a sense of autonomy. Beyond formal ethical requirements, the research was guided by a broader ethical commitment to the narrated experiences and their interpretation, acknowledging that the knowledge produced cannot be fully separated from the researchers’ own positionalities and implications (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Minayo &amp; Guerriero, 2014</xref>). These implications are scientific, political, and affective, as the researchers identify as LGBTI+ individuals residing in Northern Brazil.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="results|discussion">
				<title>Results and Discussion</title>
				<p>We begin by introducing the participants who, through the fundamental act of sharing their experiences, made this study possible. The main characteristics of the young participants are presented in <xref ref-type="table" rid="t2">Table 1</xref>.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t2">
						<label>Table 1</label>
						<caption>
							<title><italic>Participant characteristics</italic></title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">Name</th>
									<th align="center">Age</th>
									<th align="center">Gender</th>
									<th align="center">Sexual orientation</th>
									<th align="center">Race/Skin color</th>
									<th align="center">Social class</th>
									<th align="left">Church</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center">Vinícius</td>
									<td align="center">24</td>
									<td align="center">Male</td>
									<td align="center">Bisexual</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">Middle</td>
									<td align="left">Assembly of God (Pentecostal)</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Lúcia</td>
									<td align="center">24</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">Bisexual</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">Middle</td>
									<td align="left">Assembly of God (Pentecostal)</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Juliana</td>
									<td align="center">21</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">Bisexual</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">Middle</td>
									<td align="left">Assembly of God (Pentecostal)</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Letícia</td>
									<td align="center">25</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">Homosexual</td>
									<td align="center">Black</td>
									<td align="center">Middle</td>
									<td align="left">Evangelical Assembly of God of Madureira Church (Neo-Pentecostal)</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Anieli</td>
									<td align="center">27</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">Homosexual</td>
									<td align="center">Brown</td>
									<td align="center">Middle</td>
									<td align="left">Foursquare Church; Evangelical Community Assembly of Christ Church; International Revival Ministry Church (Pentecostal)</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Suellen</td>
									<td align="center">27</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">Bisexual</td>
									<td align="center">Brown</td>
									<td align="center">Lower-middle</td>
									<td align="left">Assembly of God (Pentecostal); Universal Church of the Kingdom of God (Neo-Pentecostal)</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Carol</td>
									<td align="center">22</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">Bisexual</td>
									<td align="center">Brown</td>
									<td align="center">Lower-middle</td>
									<td align="left">Christian Congregation of Brazil (Pentecostal)</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Lucas</td>
									<td align="center">27</td>
									<td align="center">Male</td>
									<td align="center">Homosexual</td>
									<td align="center">Black</td>
									<td align="center">Lower</td>
									<td align="left">Pentecostal Church of God of Brazil (Pentecostal)</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>Vinícius and Lúcia were raised in families that practiced Catholicism regularly. Both were exposed to Pentecostal and Neo-Pentecostal evangelical contexts through members of their extended families (e.g., grandparents, aunts and uncles, cousins) who attended the Assembly of God Church. Although they were not deeply involved in evangelical institutions themselves, they experienced intense attempts at religious “gay cure” mediated by their converted family members.</p>
				<p>Juliana, Anieli, Suellen, Letícia, and Carol grew up in families devoted to Pentecostal and/or Neo-Pentecostal evangelical Christianity. They were immersed in religious institutions from early childhood and were deeply engaged in their theological and institutional dynamics. Lucas was the only participant who did not encounter religion through his family but rather through a neighbor who attended church. Nevertheless, like the other participants, he was inserted into and actively engaged in this religious environment from childhood.</p>
				<p>Two main settings were identified as spaces of “conversion” for the participants: churches and their surrounding environments, and the family and its relational networks, both of which contribute to the formation of the dispositif of sexuality. These experiences were examined across three interrelated dimensions: the domains of knowledge to which they refer; the systems of power that regulate their practices; and the forms of subjectivation through which the participants constitute themselves as subjects. Institutional practices are embedded within a collective project of Pentecostal and Neo-Pentecostal processes of subjectivation (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Ferreira, 2017</xref>).</p>
				<p>
					<xref ref-type="fig" rid="f2">Figure 1</xref> presents the analytical themes and subthemes and illustrates how the experience of religious “gay cure” manifested for the participants. In the life trajectories of the interviewees, these situations occurred in an intertwined manner, and their effects were experienced simultaneously. The figure therefore serves to refine the analytical reading by providing a synoptic representation of the complex network that constitutes this phenomenon, situated within the concept of the dispositif of sexuality. In the first thematic axis - <italic>Construction of truths for the control of bodies</italic> - we identified shared subthemes related to dogmas underpinning Pentecostal and Neo-Pentecostal understandings of sexual diversity.</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>Figure 1</label>
						<caption>
							<title><italic>Conceptual map of themes and subthemes involved in participants’ experiences of religious “gay cure.”</italic></title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2359-0777-subj-25-02-e15006-gf2.png"/>
					</fig>
				</p>
				<sec>
					<title>Construction of Truths for the Control of Bodies</title>
					<p>The construction of truths aimed at controlling bodies is concealed in these settings as religious teaching and consists of Pentecostal and Neo-Pentecostal forms of knowledge that, through specific power relations, became intertwined with the participants’ experiences in multiple ways. Three main types of precepts were identified:</p>
					<p>
						<list list-type="order">
							<list-item>
								<p>Theological <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“The pastor said: the worst sins in the world are killing someone and men having sex with men” (Letícia).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“In church, we learn that being gay means having the devil inside your body” (Suellen).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“(...) if you felt desire, you should not act on it; you were supposed to repress it” (Carolina).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Moral <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“Homosexuality was something dirty, something for people who like debauchery” (Suellen).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“Being homosexual is on the same level as being a rapist or a murderer” (Letícia).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Pseudoscientific <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“They linked it to the fact that I did not have a good relationship with my father (...)” (Lucas).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“Gays were gay because of the prostate; the prostate produced a hormone that made them like it and become addicted to it” (Anieli).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“(...) they use the term ‘homosexualism’ to imply disease” (Juliana).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
						</list>
					</p>
					<p>From a theological perspective, participants’ homosexualities were framed as “sin” and as “demonic action,” requiring religious conversion as a means of liberation, as reported by Letícia, Suellen, and Carolina. According to <xref ref-type="bibr" rid="B18">Dias (2019</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B35">Machado and Piccolo (2010</xref>), understanding homosexuality as sin is a common feature across different Christian religious traditions.</p>
					<p>The interpretation of homosexuality as a demonic manifestation, as described by Suellen, is specific to Pentecostal and Neo-Pentecostal evangelical theologies, particularly the Theology of Spiritual Warfare. In this framework, God and the devil are engaged in a spiritual battle for control over humanity, in which the believer’s body becomes a site of dispute, and the “faithful” must side with God by repressing manifestations of the devil in the earthly realm (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Natividade, 2006</xref>). Within this worldview, homosexuality represents worldly pleasure and signals the presence of demons in the body of the believer who experiences what are considered “inappropriate” affective-sexual desires (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Fátima, 2018</xref>).</p>
					<p>Participants also reported moral judgments articulated by religious leaders regarding their sexual orientations, categorizing them as “immorality” and “depravity” and equating them with criminal behaviors, as evidenced in the accounts of Letícia and Suellen. Moreover, the religious teachings embedded in these experiences reinforced a pathologizing logic toward dissident sexual orientations, a finding that aligns with previous studies (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Garcia &amp; Mattos, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Gama, 2019</xref>).</p>
					<p>Religious leaders mobilized pseudoscientific explanations to account for the origins of homosexuality. These explanations invoked pathological parent-child relationships during childhood or biological rationales involving addiction, disease, or compulsion. As noted by <xref ref-type="bibr" rid="B34">Macedo (2017</xref>), discourses endorsed by the “psy” sciences (psychology, psychoanalysis, and psychiatry) are appropriated within religious debates to reinforce prohibitions and erase dissidence. In sum, insofar as this discourse authorizes only what is deemed “true,” it enforces conformity and negates diversity, thereby producing symbolic and material forms of exclusion (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Portella, 2007</xref>).</p>
					<p>As “truths,” these teachings carry an inherent dimension of power, producing norms, constraints, and regulatory mechanisms that sustain power relations capable of controlling and disciplining bodies (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Foucault, 1999</xref>). In the following section, we discuss the institutional organization and power relations through which these religious teachings produce specific forms of sexuality.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Production of Sexualities</title>
					<p>Religious institutions are embedded within the complex network that constitutes the dispositif of sexuality and are capable of producing subjects and sexualities under the control of their codes and strategies (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Valério, 2004</xref>). In the experiences shared by the participants, we identified the production of sexualities aligned with the aforementioned religious teachings, expressed through three interrelated subthemes: i) dissemination; ii) control; and iii) surveillance and punishment.</p>
					<p>
						<list list-type="order">
							<list-item>
								<p>Dissemination <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“If I were to count all the times I heard people talking about homosexuality, I would spend the entire afternoon here” (Juliana).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“I read books that explained their view of homosexuality and how the devil acts in a person’s body” (Suellen).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“I went to a youth camp and a conference where they talked a lot about sexuality…” (Anieli).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Control <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“I was not allowed to miss church events, even if there were family events” (Juliana).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“I made a great effort to attend retreats and church events” (Letícia).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Surveillance and punishment <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“At events there was always a woman watching me and reporting what I did to my discipler” (Anieli).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“If I did something wrong, I felt very bad and felt the need to tell my leadership” (Carol).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“The pastor called me and said that if I didn’t stop, she would ask me to leave the church; there would be no way to sustain homosexual people there” (Letícia).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“Everyone assumed my sexuality because I was no longer the leader of the theater group (…) it was something I loved, and I felt the weight of having it taken away from me” (Lucas).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
						</list>
					</p>
					<p>Based on these accounts, it can be inferred that the background of relationships between religious leaders and participants encompasses discourses, institutions, laws, and scientific and moral statements that are articulated in a network to produce subjects and sexualities. According to <xref ref-type="bibr" rid="B26">Foucault (2014</xref>), it is socially authorized institutions, such as scientific, religious, and legal ones, that produce norms, disseminate “truths,” and discipline conduct through relations of knowledge and power throughout history, a process the author terms disciplinary power.</p>
					<p>In <xref ref-type="bibr" rid="B13">Costa’s (2007</xref>) interpretation, the disciplinary power described by Foucault is a continuation of pastoral power, centered on the figure of a leader, specifically the pastor, who guides the flock with the aim of instituting a model of subjectivity through individualized control of bodies. In line with the experiences of Anieli, Carol, Letícia, and Lucas, a logic of operation emerges in which leaders are granted authority to determine where believers should go, guiding them toward salvation. By mediating the figure of God, this perspective assumes that only the pastor knows the path to the salvation of the sheep and therefore leads them (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Costa, 2007</xref>, p. 87).</p>
					<p>The dissemination of religious teachings that frame non-normative sexual orientations as sin, possession, disease, and immorality occurs through religious activities and communication channels that convey evangelical dogma. Sermons, television programs, gospel literature, retreats, and spiritual conferences functioned as key vehicles for propagating these teachings, as reported by Suellen, Juliana, and Anieli. Within this context, the organization of such events and the attempt to discipline bodies also reveal manifestations of disciplinary and pastoral power relations (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault, 1987</xref>).</p>
					<p>Participants highlighted the requirement for isolation, through camps, retreats, and immersive activities, as well as the division into distinct groups following a binary logic, aimed at teaching what it means to be a man or a woman according to Pentecostal and Neo-Pentecostal Christian precepts. For <xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault (1987</xref>), disciplinary power operates insofar as it organizes space through the distribution of individuals and controls activity through the regulation of time. <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves and Assunção (2022</xref>) note that time-control strategies are common in evangelical churches, with the goal of distancing young people from anything deemed “immoral.”</p>
					<p>Another disciplinary technology permeating participants’ experiences within religious institutions was constant surveillance, which targets bodies by regulating gestures, activities, learning processes, and everyday life (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault, 1987</xref>). For Letícia, clothing constituted the primary object of control and surveillance, whereas for Lucas, gestures and vocal intonations perceived as effeminate were identified and harshly reprimanded. Failure to comply with the heteronormative rules prescribed by religion resulted in warnings and exclusion, including the removal from institutional roles, as reported by Lucas.</p>
					<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault (1987</xref>), within pastoral logic, punishment and surveillance are mechanisms used to discipline and train individuals to conform to institutional norms. Disciplinary power exerts control over bodies by erasing differences and fitting them into a standardized social model. Sanctions impose rules and micro-penalties of various kinds: those related to time (lateness, absences, interruptions), activity (inattention, negligence, lack of diligence), discourse (verbosity, insolence), the body (incorrect attitudes, nonconforming gestures, impurity), and sexuality (immodesty, indecency).</p>
					<p>This form of power is not grounded in overt violence or direct coercion, but in the ways individuals are governed through disciplinary practices aimed at guiding and directing conduct. It constitutes a subtle and often invisible form of authority that operates through technologies such as confession, counseling, catechesis, and preaching, all of which seek to shape believers’ behavior according to institutional religious principles (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barros, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B53">Valério, 2004</xref>). Participants were expected to internalize surveillance through practices of self-examination, confess sins, and adhere to the guidance of religious leadership, thereby sustaining power relations. In this sense, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Foucault (1999</xref>) argues that power does not reside in a single point or person but is distributed across social relations and embedded in everyday practices and discourses.</p>
					<p>Power permeates all social spheres and is constructed and maintained through a set of practices that shape subjectivities, behaviors, and modes of thought. As <xref ref-type="bibr" rid="B21">Ferreira (2017</xref>) notes, one of the effects of power is subjectivity itself, produced and transformed over time through different forms of power, from continuous surveillance to the internalization of shared practices and values, as well as through processes of subjection or resistance within attempts at religious “cure,” which will be addressed in the following section.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Attempts at “Cure”</title>
					<p>When confronted with religious teachings about sexuality, rigidly transmitted to the participants, different strategies emerged in attempts to “free” or “cure” themselves of homoaffective desires. Efforts to conform to church-established norms, referred to as “cure,” gave rise to three subthemes: i) individual; ii) institutional; and iii) familial.</p>
					<p>
						<list list-type="order">
							<list-item>
								<p>Individual <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“I fasted, prayed, tried to live in holiness. I tried to do everything right, and the demon would not leave” (Suellen).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“We were taught to fast and pray to get what we want, so I thought I could stop liking women that way” (Letícia).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Institutional <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“They said I had a problem and that I needed to treat it (…) I went through a process of ministration, which only later did I understand was this ‘gay cure’” (Lucas).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“She put her hand on my forehead and started praying, saying: I rebuke every spirit of homosexuality, every spirit of prostitution” (Letícia).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Familial <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“My family would come together to do prayer campaigns in my name, going to church (…) to remove the demon from my life. They came to my house without my consent, and this missionary even hit me to cast out demons and break chains” (Anieli).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“My uncle tried to convince me that I could convert and stop being bisexual” (Lúcia).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
						</list>
					</p>
					<p>By internalizing the teachings encountered within the church, participants underwent processes of subjection. Individual attempts at “cure” involved the performance of religious rites and self-surveillance, characterized by efforts to rid themselves of homoaffective desires through prayer, fasting, and isolation from social relationships outside the church, as described by Suellen and Letícia. These practices also included examinations of conscience, such as monitoring thoughts to control desire. Such accounts indicate that participants internalized norms imposed through pastoral and disciplinary power, whereby specific techniques of discipline shape subjugated subjectivities and identities (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barros, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Costa, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Foucault, 1987</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B26">2014</xref>).</p>
					<p>This internalization was not only imposed by religious leadership but was also exercised autonomously. <xref ref-type="bibr" rid="B14">Costa et al. (2018</xref>) note that exposure to negative experiences, combined with normative controls framing homosexuality as wrong or sinful, can lead to self-harming behaviors and the pursuit of sexual “reorientation” as a means of escaping suffering.</p>
					<p>Among institutional attempts at cure, Lucas was the only participant who “voluntarily” sought help from religious leaders to deal with his homoaffective desires, leading him to undergo a process referred to as “ministration.” In his experience, occurring one to two times per week in moments described as intimacy with God, the religious leader combined biblical readings with moral and pseudoscientific teachings to explain the origins of his homosexuality. Fasting and prayer were also imposed as conditions for achieving “cure.” Letícia and Anieli did not seek leadership intervention upon recognizing their homoaffective desires; nevertheless, they were subjected to attempts at “cure” and “liberation,” including rites such as exorcism practices that involved physical aggression.</p>
					<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B31">Gonçalves (2019</xref>), religious “gay cure” practices are publicly presented by their proponents as forms of “freedom” for young people who voluntarily wish to “abandon” homosexuality. However, the experiences analyzed here reveal a structure operating under the norm of compulsory heterosexuality, a concept articulated by Judith <xref ref-type="bibr" rid="B6">Butler (1990</xref>) and Adrienne <xref ref-type="bibr" rid="B47">Rich (2012</xref>). This norm functions as a political institution that subjugates bodies that do not conform to heterosexuality, rendering them socially dehumanized and abject. From this perspective, it can be argued that this norm, reproduced within the reported religious teachings, directly interferes with the construction of subjectivities by positioning dissident existences as deviant, hateful, or invisible (<xref ref-type="bibr" rid="B47">Rich, 2012</xref>).</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Resistance</title>
					<p>For <xref ref-type="bibr" rid="B24">Foucault (2004</xref>), resistance refers to the strategies and tactics that subjects develop to evade or counteract the effects of power. In the participants’ narratives, three forms of resistance were identified, corresponding to the following subthemes: i) rupture with the church; ii) alternative support networks; and iii) engagement with other social worlds.</p>
					<p>
						<list list-type="order">
							<list-item>
								<p>Rupture with the church <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“I decided that I needed to leave the church, otherwise I was going to do something, I was going to die” (Lucas).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“They were interfering too much in my life, and I decided to leave” (Anieli).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“I couldn’t be two things at the same time; to assume my relationship, I had to leave” (Carol).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>2) Alternative support networks <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“I found more love outside the church than inside (…) when I arrived at church, I felt excluded; now, when I’m in a place with LGBT people, I am embraced” (Letícia).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>3) Other social worlds <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“Leaving the church and entering university was transformative for me. At university, through studying, I realized that I could indeed be a lesbian” (Letícia).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“I knew that what they said about gay people wasn’t true. I always had friends who were gay and knew they weren’t the monsters they made them out to be” (Anieli).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
						</list>
					</p>
					<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B21">Ferreira (2017</xref>), resistance is not the opposite of power but rather a continuous negotiation of social reality. Resistance may manifest through social movements, counter-hegemonic practices, disobedience, and subversion, representing the possibility of reconfiguring subjectivity in relation to power. At different moments and in distinct ways, all participants reported engaging in resistance.</p>
					<p>Rupture with the church emerged first in the narratives of Anieli, Carol, Juliana, Vinícius, and Lúcia, who did not restrict their relationships to the social circle established by the institution and reported greater questioning of religious teachings. After gaining a clearer understanding of their sexual orientations, they invested less in individual attempts at “cure,” although they still experienced institutional and familial pressures that ran counter to their wishes. In contrast, Lucas, Suellen, and Letícia reported fewer challenges to religious teachings and tended to isolate their social relationships within heteronormative frameworks or those established inside religious institutions. This specific form of “obedience” may have further limited their horizons of subjectivation, shaping more violent forms of self-construction. Nevertheless, even these participants ultimately broke with the religious institution through acts of resistance.</p>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B49">Silva et al. (2008</xref>) demonstrated that religious teachings can be deeply internalized by Pentecostal and Neo-Pentecostal believers. In the resistance processes described here, breaking away from the religious institutions participants attended also marked their entry into other social worlds, such as university, work, and friendship networks. Expanding these networks enabled contact with more diverse modes of subjectivation, capable of providing greater acceptance and support. In this sense, rupture with religious institutions functioned as a survival tactic, oriented toward the search for more welcoming and inclusive environments.</p>
					<p>Engaging with other social worlds that offer acceptance and care is particularly important in the experiences of lesbian, gay, and bisexual individuals, given that various public and private spaces may operate as dispositifs of erasure, prohibition, and violence against those who deviate from cisheteronormative logics (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Cantelli, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B52">Tagliamento et al., 2020</xref>). Conservative interpretations of Christian moral and doctrinal codes exerted a powerful influence in the narratives analyzed, resulting in suffering and increased vulnerability in mental health (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Natividade &amp; Oliveira, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B50">Silva &amp; Menandro, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B51">Souza &amp; Souza, 2020</xref>).</p>
					<p>From this same perspective, inhabiting new social worlds and building support networks can generate positive effects on mental health by creating forms of support capable of mitigating the harms produced by experiences of religious “gay cure.” The support networks found within religious institutions were described as conditional upon adherence to heterosexuality and became increasingly fragile as participants moved closer to affirming their sexual orientations and subjective expressions in the world. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Duarte and Oliveira (2021</xref>) demonstrate that social isolation from support networks can exacerbate preexisting mental health conditions, such as loneliness, depression, anxiety, and suicidal ideation.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Effects on Mental Health</title>
					<p>Experiencing religious “gay cure” practices proved to be a significant source of vulnerability to mental health harm among participants. The reported effects were organized into three subthemes: i) self-concept; ii) emotional experiences; and iii) future perspectives.</p>
					<p>
						<list list-type="order">
							<list-item>
								<p>Self-concept <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“I believed I was Satan’s daughter, an abomination” (Carol).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“I thought I was the worst person in the world. If they needed a bad person for a sacrifice, that person would be me” (Letícia).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“I always thought I was strange (…) when I look back, the reason is religion. I don’t see anything else” (Anieli).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Emotional experiences <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“I felt a lot of shame; I didn’t tell anyone what I felt” (Carol).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“I lived in this constant cycle of confessing, asking for forgiveness, and feeling guilty” (Lucas).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“The fear of dying, the fear of going to hell, was overwhelming, and I cried” (Suellen).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“So I was vulnerable, and they came at me with everything (…) that’s when I was exhausted. If I don’t leave here, I’m going to die; I’m going to kill myself” (Lucas).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“And that changes the meaning of killing yourself. Because maybe I had thought about killing myself before, but I didn’t because of the church. Now, that would be possible” (Anieli).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Future perspectives <list list-type="simple">
										<list-item>
											<p>“I would have to fight forever; it was my thorn in the flesh, it would always be there with me” (Lucas).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“God does not forgive suicide or homosexuality… I think I will never receive forgiveness” (Letícia).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“I was trapped in the thought that I was doomed to hell, to everything bad” (Lucas).</p>
										</list-item>
										<list-item>
											<p>“If now I was going to be condemned, I no longer wanted to live” (Anieli).</p>
										</list-item>
									</list>
								</p>
							</list-item>
						</list>
					</p>
					<p>In contemporary society, religion continues to function as a regulatory instance of values, disseminating notions of right and wrong that often operate as mechanisms of social control (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Meneses &amp; Santos, 2013</xref>). Even among heterosexual youth involved in evangelical pastoral contexts, religion exerts significant influence over sexual initiation. Pentecostal and Neo-Pentecostal churches frequently construct environments in which sex and sexuality are treated as taboo, emphasizing heterosexuality, virginity, and sex after marriage, with measurable impacts on sexual and reproductive behavior (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Verona &amp; Regnerus, 2014</xref>).</p>
					<p>The truths internalized by participants produced negative effects on their self-concept, fostering self-devaluation and perceptions of themselves as “aberrant” or inherently “bad.” <xref ref-type="bibr" rid="B11">Cerqueira-Santos et al. (2017</xref>) demonstrated that high levels of religiosity are correlated with elevated levels of internalized LGBTphobia. The repercussions of religious teachings and attempts at “cure” were profoundly harmful to identity construction and generated mental health vulnerabilities, as also reported by <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves and Assunção (2022</xref>).</p>
					<p>Experiencing behaviors condemned by the church triggered feelings of guilt, anxiety, sadness, fear, and shame, which, in turn, motivated the pursuit of religious “gay cure” practices, as reflected in the narratives of Carol, Lucas, Suellen, and Anieli. It is important to emphasize that these negative emotional experiences stem from discrimination within religious environments, and the recurrence of distress was observed regardless of individual life trajectories. In this sense, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Ceccarelli (2008</xref>) argues that suffering among lesbian, gay, and bisexual individuals arises more from prejudice than from sexual orientation itself.</p>
					<p>Beyond the emotional suffering described, participants reported suicidal ideation. Consistent with findings by <xref ref-type="bibr" rid="B51">Souza and Souza (2020</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B30">Gibbs and Goldbach (2015</xref>), and <xref ref-type="bibr" rid="B48">Rosa and Esperandio (2022</xref>), the present study identified a significant influence of religiosity and church-promoted stigma on the mental suffering of lesbian, gay, and bisexual individuals, including an increased risk of suicidal ideation.</p>
					<p>Participants also described negative future outlooks shaped by Pentecostal and Neo-Pentecostal teachings, according to which they were considered “afflicted” by evil forces and thus destined for suffering, as illustrated in Anieli’s account and discussed by <xref ref-type="bibr" rid="B20">Fátima (2018</xref>). Their futures were envisioned as perpetual struggles between their sexual orientations and religious heteronormative prescriptions, characterized by an endless cycle of sinning, guilt, and repentance.</p>
					<p>Following <xref ref-type="bibr" rid="B55">Zanello’s (2018</xref>) perspective, mental health must be understood as structured through societal dispositifs. It is insufficient to merely state that lesbian, gay, and bisexual individuals who have experienced religious environments hostile to their sexual orientations are more susceptible to psychological distress and suicidal ideation. It is also necessary to expose, analyze, and denounce the structures of meaning underlying these effects.</p>
					<p>Thus, by perpetuating stereotypes and prejudice against homosexuality, religious institutions may contribute to psychological suffering among lesbian, gay, and bisexual individuals. Although religiosity can, in some contexts, function as a protective psychological and social factor (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Dahl &amp; Galliher, 2012</xref>), the experiences analyzed here reveal the opposite dynamic. Participants’ self-concept, emotional lives, and future perspectives were shaped by a compulsory heterosexuality imbued with tension and suffering.</p>
				</sec>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Final Considerations</title>
				<p>Based on participants’ experiences, the phenomenon of religious “gay cure” manifested through the construction of truths aimed at controlling bodies. These “truths” were embedded in religious teachings that framed homosexuality, bisexuality, and lesbianism as sin, immorality, demonic possession, and pathology. Conversion to religion and submission to its norms, through the regulation of time, relationships, and conduct, were presented as necessary conditions for achieving “cure.”</p>
				<p>The study also identified institutional structures that circulate these teachings and sustain power relations between religious leaders and followers, producing sexualities and subjectivities aligned with compulsory heterosexuality. Within this framework, participants’ processes of subjectivation unfolded through subjection, as well as through physical and symbolic violence embedded in ritualized practices of “cure.”</p>
				<p>In processes of resistance, the construction of alternative support networks, engagement with other social worlds, and rupture with religious institutions emerged as positive markers in participants’ experiences of their own sexual orientations. Nevertheless, having undergone religious “gay cure” practices generated lasting negative effects on mental health, producing suffering and harm to self-concept, emotional well-being, and future outlooks.</p>
				<p>This study is limited by its small number of participants, and further research is needed to deepen understanding of this phenomenon within a religious institution that continues to expand in Brazil. As a qualitative study, its findings are not generalizable. However, despite the singularity of each experience and its inscription in specific realities, the results offer insight into broader dynamics operating in this field.</p>
				<p>The aim of this study was not to issue moral judgments regarding the theological perspectives of Pentecostal and Neo-Pentecostal evangelical traditions, but rather to critically examine the effects of their teachings and practices on human sexuality as lived by lesbian, gay, and bisexual individuals in Northern Brazil. We sought to underscore the importance of reflecting on the different forms of knowledge that produce sexualities within our historical context, particularly when considering the psychological suffering of lesbian, gay, and bisexual populations.</p>
				<p>Finally, this study aims to contribute to academic and practical implications for psychology that are ethically and politically committed to sexual and gender diversity, both in clinical practice and in the development and implementation of public policies. It also supports the promotion of spaces for discussion that, beginning in professional training, prioritize debate and intervention possibilities in relation to dissident existences. In this way, we propose a pathway toward practices that welcome and validate diversity, in line with the guidelines of CFP (2023), and that break with the historical logic of marginalization, discrimination, and pathologization of LGBTI+ individuals.</p>
			</sec>
		</body>
	</sub-article>
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