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				<journal-title>Revista Subjetividades</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R Subj</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2359-0777</issn>
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				<publisher-name>Universidade de Fortaleza</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i2.e14935</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Relatos de Pesquisa</subject>
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				<article-title>Diabetes Mellitus Tipo 1 sob o Olhar de Adolescentes em Tratamento nas Unidades de Endocrinologia de um Hospital de Referência no Sul do Brasil</article-title>
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					<trans-title>Diabetes Mellitus Tipo 1 bajo la Mirada de Adolescentes en Tratamiento en las Unidades de Endocrinología de un Hospital de Referencia en el Sur de Brasil</trans-title>
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					<trans-title>Diabète Sucré de Type 1 du Point de Vue d’Adolescents en Traitement dans les Unités d’Endocrinologie d’un Hôpital de Référence du Sud du Brésil</trans-title>
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						<given-names>Camila Cardoso</given-names>
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						<given-names>Gustavo Manoel Schier</given-names>
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				<institution content-type="original">Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Experiência na área de políticas públicas, tendo atuado como estagiária no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) e no Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) da cidade de Ibiporã-PR.</institution>
				<institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica do Paraná</institution>
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				<institution content-type="original">Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná (2009). Especialização lato sensu em Psicologia Clínica - Abordagem Psicanalítica pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2014). Possui título de Master of Arts in Psychoanalytic Studies pela Birkbeck, University of London (2022). Experiência na área de Psicologia, Psicologia Hospitalar e Psicologia Clínica. Trabalha atualmente como psicóloga no Ambulatório da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR, em atendimento a crianças e adolescentes da unidade.</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Ambulatório da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Complexo</institution>
				<institution content-type="orgname">Hospital de Clínicas da UFPR</institution>
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				<institution content-type="original">Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2002), pós-graduada pelo Instituto de Psicologia da USP (2004) em Tratamento e Escolarização de Crianças com Distúrbios Globais do Desenvolvimento, pós-graduada em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica (2020) pelo Instituto de Psicologia Sapiens. Mestre e doutoranda em Promoção da Saúde na Infância e Adolescência/ HC- UFPR. Experiência profissional, em consultório e serviço público, nas áreas da saúde e educação, voltada principalmente para as questões psíquicas da infância e adolescência. Atualmente integra equipe de psicólogos do CHC -UFPR, atuando no ambulatório de Psiquiatria da Infância e Adolescência e Neuropediatria e na preceptoria na Residência Multiprofissional do Programa de Atenção Hospitalar em Saúde da Criança e do Adolescente.</institution>
				<institution content-type="orgname">CHC -UFPR</institution>
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				<institution content-type="original">Graduado em Medicina pela Faculdade Evangélica do Paraná (1985), Doutorado no Programa de Pós-Graduação da Saúde da Criança e do Adolescente no Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2011, com o título da tese “Avaliação dos Transtornos Psiquiátricos em Adolescentes em Conflito com a Lei” e mestrado em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP) em 1999.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Paraná</institution>
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			<author-notes>
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					<label>Endereço para correspondência:</label> Larissa Rossi Silva E-mail: <email>silva.larissarossi@gmail.com</email> Pricila Paveukiewicz E-mail: <email>Pricila.pav@gmail.com</email> Camila Cardoso Rauen E-mail: <email>camila.rauen@gmail.com</email> Gustavo Manoel Schier Dória E-mail: <email>gustavomsdoria@gmail.com</email>
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			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>17</day>
				<month>09</month>
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
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			<volume>25</volume>
			<issue>02</issue>
			<elocation-id>e14935</elocation-id>
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					<year>2025</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O diabetes mellitus tipo 1 é uma doença crônica, que se manifesta frequentemente na adolescência. A convivência com uma doença crônica em uma fase permeada por mudanças multidimensionais, como é o caso da adolescência, tem sido associada à intensificação do sofrimento psíquico e dos conflitos comuns nesse período. Desse modo, este estudo propõe compreender a percepção dos adolescentes diagnosticados com diabetes mellitus tipo 1 sobre sua doença. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva. Participaram deste estudo 14 adolescentes, entre 12 e 17 anos, em tratamento ambulatorial nas unidades de endocrinologia de um hospital de referência no sul do Brasil. Como instrumentos de coleta de dados, aplicamos um questionário sociodemográfico e um roteiro de entrevista semiestruturada. As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra para análise do material. Para o tratamento dos dados, utilizamos a Classificação Hierárquica Descendente (CHD), fornecida pelo software IRaMuTeQ® (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires), a qual organiza o texto por classes de palavras associadas por significância estatística. O material foi interpretado com base na Análise Categorial Temática e no referencial teórico da psicanálise, a partir das quais foram elencadas seis categorias temáticas: 1) ser normal e ser diferente, que aborda os impactos à construção da identidade e inserção nos grupos; 2) lidando com o controle externo, que aborda os efeitos do controle parental; 3) a aceitação da doença e o desenvolvimento do autocuidado, que aborda o processo de adaptação à rotina de cuidados com o diabetes; 4) variação da glicemia e sua relação o emocional, que aborda a influência de fatores emocionais na variação glicêmica; 5) o processo de separação dos pais e o desenvolvimento da autonomia, que aborda a passagem da responsabilidade pelos cuidados dos pais para os adolescentes; e 6) estilo de vida mais saudável depois do diabetes, que aborda a mudança do estilo de vida após o diagnóstico. Concluímos que a doença afeta a forma como a adolescência é vivida, acentuando as dificuldades dessa fase. No entanto, o impacto da doença pode ser minimizado quando o adolescente e seus familiares se posicionam como participantes ativos no tratamento e manejo da doença. </p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title><italic>Resumen</italic></title>
				<p><italic>La diabetes mellitus tipo 1 es una enfermedad crónica que se manifiesta con frecuencia durante la adolescencia. La convivencia con una enfermedad crónica en una etapa caracterizada por transformaciones multidimensionales, como es el caso de la adolescencia, ha sido asociada a la intensificación del sufrimiento psíquico y de los conflictos propios de este período. De este modo, el presente estudio se propone comprender la percepción que tienen los adolescentes diagnosticados con diabetes mellitus tipo 1 acerca de su enfermedad. Para ello, se realizó una investigación cualitativa, exploratoria y descriptiva. Participaron en este estudio catorce adolescentes, con edades entre 12 y 17 años, en tratamiento ambulatorio en las unidades de endocrinología de un hospital de referencia en el sur de Brasil. Como instrumentos de recolección de datos, se aplicaron un cuestionario sociodemográfico y una guía de entrevista semiestructurada. Las entrevistas fueron grabadas y transcritas en su totalidad para el análisis del material. Para el tratamiento de los datos se utilizó la Clasificación Jerárquica Descendente (CJD), proporcionada por el software IRaMuTeQ® (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires), la cual organiza el texto en clases de palabras asociadas por significancia estadística. El material fue interpretado con base en el Análisis Categorial Temático y en el marco teórico del psicoanálisis, a partir de los cuales se establecieron seis categorías temáticas: 1) Ser normal y ser diferente, que aborda los impactos en la construcción de la identidad y en la inserción en los grupos; 2) Afrontando el control externo, que aborda los efectos del control parental; 3) La aceptación de la enfermedad y el desarrollo del autocuidado, que aborda el proceso de adaptación a la rutina de cuidados con la diabetes; 4) Variación de la glucemia y su relación con lo emocional, que aborda la influencia de los factores emocionales en la variación glucémica; 5) El proceso de separación de los padres y el desarrollo de la autonomía, que aborda la transferencia de la responsabilidad del cuidado de los padres hacia los adolescentes; y 6) Estilo de vida más saludable después de la diabetes, que aborda los cambios en el estilo de vida tras el diagnóstico. Se concluye que la enfermedad afecta la manera en que la adolescencia es vivida, acentuando las dificultades propias de esta etapa. No obstante, el impacto de la enfermedad puede minimizarse cuando el adolescente y su familia se posicionan como participantes activos en el tratamiento y manejo de la enfermedad.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title><italic>Résumé</italic></title>
				<p><italic>Le diabète sucré de type 1 est une maladie chronique, qui se manifeste fréquemment durant l’adolescence. Le fait de vivre avec une maladie chronique pendant une phase imprégnée de transformations multidimensionnelles, telle que l’adolescence, est souvent associé à une intensification de la souffrance psychique et des conflits habituels dans cette période. Ainsi, cette étude propose de comprendre la perception qu’ont les adolescents diagnostiqués avec un diabète de type 1 à l’égard de leur maladie. À cette fin, une recherche qualitative, exploratoire et descriptive a été menée. Un total de 14 adolescents âgés de 12 à 17 ans, en traitement ambulatoire dans les unités d’endocrinologie d’un hôpital de référence du sud du Brésil, a participé à cette étude. En tant qu’instruments de collecte des données, nous avons administré un questionnaire sociodémographique ainsi qu’un guide d’entretien semi-structuré. Les entretiens ont été enregistrés et transcrits dans leur intégralité pour l’analyse du matériel. Pour l’analyse des données, nous avons eu recours à la Classification Hiérarchique Descendante (CHD), proposée par le logiciel IRaMuTeQ® (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires), qui organise le texte en classes de mots associées selon leur significativité statistique. Le corpus a été interprété sur la base de l’Analyse Catégorielle Thématique et du cadre théorique de la psychanalyse, à partir de là, ces six catégories thématiques ont été dégagées: 1) être normal et être différent, qui aborde l’impact sur la construction de l’identité et l’insertion dans les groupes ; 2) faire face au contrôle externe, qui analyse les effets du contrôle parental ; 3) l’acceptation de la maladie et le développement du soin de soi, qui examine le processus d’adaptation à la routine des soins liés au diabète ; 4) variation de la glycémie et sa relation avec l’émotionnel, qui explore l’influence des facteurs émotionnels sur la variation glycémique ; 5) le processus de séparation des parents et le développement de l’autonomie, qui traite du transfert progressif de la responsabilité des soins des parents vers les adolescents ; et 6) un mode de vie plus sain après le diabète, qui aborde la transformation du mode de vie à la suite du diagnostic. Nous concluons que la maladie influence la manière dont l’adolescence est vécue, en accentuant les difficultés propres à cette période. Cependant, l’impact de la maladie peut être atténué lorsque l’adolescent et ses proches se positionnent comme participants actifs dans le traitement et la gestion de la maladie.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>adolescência</kwd>
				<kwd>diabetes mellitus</kwd>
				<kwd>doenças crônicas</kwd>
				<kwd>psicanálise</kwd>
			</kwd-group>
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				<title><italic>Palabras clave:</italic></title>
				<kwd>adolescencia</kwd>
				<kwd>diabetes mellitus</kwd>
				<kwd>enfermedades crónicas</kwd>
				<kwd>psicoanálisis</kwd>
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			<kwd-group xml:lang="fr">
				<title><italic>Mots-clés :</italic></title>
				<kwd>adolescence</kwd>
				<kwd>diabète sucré</kwd>
				<kwd>maladies chroniques</kwd>
				<kwd>psychanalyse</kwd>
			</kwd-group>
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	<body>
		<p>O diabetes mellitus se refere a um conjunto de doenças metabólicas heterogêneas, caracterizado por hiperglicemia crônica, resultante de uma disfunção na produção ou ação da insulina (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Ministério da Saúde, 2020</xref>). A maior parte dos casos está classificada em duas amplas categorias: o diabetes mellitus tipo 1 e o diabetes mellitus tipo 2. Esse último é o mais prevalente na população geral, associado ao estilo de vida sedentário e à elevação da idade. Por sua vez, o diabetes mellitus tipo 1 é mais prevalente na infância e adolescência, pois corresponde de 90 a 95% dos casos. Nessa população, o diabetes mellitus tipo 1 é considerado um distúrbio de elevado índice epidêmico, ocupando a terceira posição entre as doenças crônicas mais comuns dessa faixa etária (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Sociedade Brasileira de Diabetes [SBD], 2020</xref>).</p>
		<p>Quanto aos aspectos etiológicos, sabe-se que o diabetes mellitus é uma doença autoimune, desencadeada pela destruição β (beta) pancreáticas, que leva à perda parcial ou absoluta da produção de insulina (<xref ref-type="bibr" rid="B18">SBD, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Silva et al., 2024</xref>). Os sintomas do diabetes mellitus tipo 1 incluem aumento da eliminação de urina, sede excessiva, enurese ou noctúria (micção noturna) e perda de peso. Sintomas como má cicatrização de feridas, polifagia (fome aumentada), cansaço e distúrbios comportamentais - como queda no desempenho escolar ou visão turva - também podem ser relatados (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Ministério da Saúde, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Rodacki et al., 2024</xref>).</p>
		<p>O diabetes mellitus tipo 1 é classificado como uma doença crônica, uma vez que tem como características: ser causado por uma alteração orgânica irreversível, ter longa duração, progressão lenta e exigir reabilitação e autocuidado, com monitorização e supervisão por certo período. Portanto, uma vez diagnosticado, o bom controle do diabetes dependerá de autocuidado contínuo, a fim de evitar complicações da doença (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Victório et al., 2019</xref>), como, por exemplo, a cetoacidose, causada por uma elevação abrupta dos níveis de glicemia, que pode levar ao coma e ao óbito (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Ministério da Saúde, 2020</xref>). </p>
		<p>Em relação ao controle da doença, o tratamento consiste em seguir cinco orientações básicas, que incluem educação em diabetes, insulinoterapia, automonitorização nos níveis glicêmicos, dieta adequada e exercícios físicos. Tais orientações visam a redução dos sintomas, a prevenção de complicações agudas e crônicas e a estimulação do crescimento e desenvolvimento normal da criança e do adolescente (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Ministério da Saúde, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Silva et al., 2024</xref>).</p>
		<p>Todavia, em uma etapa da vida permeada por diversas mudanças geradoras de conflitos, como é o caso da adolescência, o diagnóstico e convivência com uma doença crônica tendem a acarretar a vivência de situações estressantes, restritivas e, portanto, potencialmente geradoras de sofrimento. Entende-se que o tratamento do diabetes exige do adolescente uma atenção especial ao seu autocuidado, que acrescenta maior tensão emocional às demandas internas e externas que fazem parte dessa fase da vida (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aguiar et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">Vilarinho et al., 2024</xref>). </p>
		<p>Desse modo, indaga-se sobre as percepções que os adolescentes possuem sobre o diabetes mellitus tipo 1, a fim de investigar como as mudanças próprias da adolescência se relacionam com a convivência com essa doença crônica. Considera--se que as discussões produzidas a partir desse questionamento podem contribuir com a compreensão de profissionais que atuam junto a este público. </p>
		<sec>
			<title>Adolescência: Definições Gerais e Aspectos Subjetivos</title>
			<p>A adolescência é compreendida como um período de transição entre a infância e a idade adulta, permeado por mudanças biopsicossociais, que culminam em uma nova posição identitária (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Guimarães, 2023</xref>). A entrada na adolescência é precipitada pelo aparecimento das mudanças corporais da puberdade, caracterizadas por alterações hormonais, crescimento acelerado e maturação sexual. Não há um consenso estrito sobre o período em que a adolescência se estende, pois seus critérios variam com influência de fatores culturais, sociais e individuais. No Brasil, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Lei n.º 8.069, 1990</xref>), a adolescência compreende o período dos 12 aos 18 anos incompletos. </p>
			<p>Como apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B9">Guimarães (2023</xref>), a adolescência se tornou objeto de investigação das ciências médicas e psicopedagógicas somente entre o final do século XIX e início do século XX, quando os estágios da vida começaram a ser estudados em suas particularidades, e concebidos como fases da progressão do desenvolvimento humano. Nessa perspectiva, a adolescência passou a ser caracterizada como um período de tensão, determinado por questões biológicas e psicológicas, as quais se espera socialmente que sejam superadas com a aproximação da idade adulta.</p>
			<p>Para a psicanálise, a adolescência é concebida, para além de uma fase cronológica do desenvolvimento humano, como um momento lógico, precipitado pelas transformações pubertárias. Essas transformações fazem irromper uma série de operações psíquicas que permaneceram incompletas em fases anteriores do desenvolvimento, e cujos desdobramentos repercutem em mudanças decisivas na posição subjetiva do adolescente (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Corso, 2002</xref>).</p>
			<p>Uma das operações fundamentais dessa fase é a reedição do complexo de Édipo, em que, na infância, a figura parental do sexo oposto se torna o primeiro objeto amoroso. Em um segundo momento, a puberdade marca o (re)despertar da sexualidade infantil, que se manteve latente, para que a libido fosse direcionada à formação educativa (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Corso, 2002</xref>). De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B11">Lima e Santiago (2010</xref>), a reedição do complexo de Édipo leva à reafirmação da interdição do incesto, já marcada na infância, a qual abrirá possibilidade para o exercício do desejo fora do contexto familiar, reforçando a ligação do adolescente com o laço social.</p>
			<p>Como assinalado por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alberti (2010</xref>), a entrada na adolescência tem consequências tanto para o adolescente quanto para seus pais. Do lado do adolescente, a fragilização do saber dos pais acarreta a perda da proteção conferida pela autoridade destes, ao passo que, para os pais, caem as fantasias dos filhos em torno de seu saber, das quais os filhos extraíam uma referência. Apesar das perdas resultantes desse processo, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B15">Rassial (1997</xref>), é justamente o reconhecimento de que os pais também não são pessoas autossuficientes que autoriza o adolescente no desenvolvimento de sua autonomia. Por isso, a separação dos pais pressupõe o movimento paradoxal de se servir de sua referência para poder passar sem ela.</p>
			<p>A semelhança do corpo do adolescente ao corpo do adulto é mais um aspecto que sinaliza a possibilidade de o adolescente pertencer a outros âmbitos, que não apenas o familiar. A integração a um grupo de pares facilita o trabalho de separação do saber e da autoridade dos pais, na medida em que se transferem aspectos da relação familiar para o contexto social (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Lima &amp; Santiago, 2010</xref>).</p>
			<p>Diante dessas considerações, a adolescência pode ser definida como um momento lógico, de saída da infância, em que o sujeito é convocado a dar respostas ao mundo de uma posição distinta da que ocupava até então, o que demanda a elaboração de perdas fundamentais e da apropriação de seu corpo e da nova imagem deste, bem como de outro lugar na cultura (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alberti, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Rassial, 1997</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Diabetes Mellitus na Adolescência</title>
			<p>A literatura (Heleno, et al., 2019; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Vidotti, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Victório et al., 2019</xref>) demonstra que ser acometido por uma doença crônica, como o diabetes mellitus tipo 1, na adolescência, acentua as dificuldades e as complexidades próprias desta etapa da vida. Desse modo, considera-se importante compreender como a combinação desses dois fatores afeta o adolescente.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B22">Vidotti (2019</xref>) avaliou o impacto do diagnóstico recente de diabetes mellitus tipo 1 em adolescentes, sob a perspectiva da psicanálise. Averiguou-se que, quando recebem o diagnóstico de diabetes, os adolescentes são acometidos por sentimentos de medo e surpresa. As restrições impostas pelo tratamento eram sentidas como punições pelo excesso de ingestão de açúcar, satisfatório aos adolescentes. Ainda, surgiram questões associadas à raiva da necessidade de interromper atividades para realizar o controle glicêmico.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B20">Vargas et al. (2020</xref>) também buscaram compreender o estado emocional dos adolescentes com diabetes mellitus tipo 1 e seus familiares, a partir da teoria psicanalítica. Evidenciou-se que o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1 desencadeava um processo de luto pela perda da saúde. Por esse motivo, os autores preconizam o papel da humanização no momento do diagnóstico e hospitalização. </p>
			<p>Ainda com relação a estudos que partem da teoria psicanalítica, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Marcelino e Carvalho (2005</xref>) verificaram que aspectos emocionais, como, por exemplo, uma vivência traumática, influenciam na etiologia do diabetes, sendo esta uma doença psicossomática. Em contrapartida, o estado emocional também é influenciado pela doença, sendo o diabetes uma doença somatopsíquica. Diante disso, compreende-se que as reações ao diabetes dependem de recursos internos e da história singular do adolescente.</p>
			<p>Com base na visão da psicologia, em particular na teoria da resiliência, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Cassarino-Perez e Dell’Anglio (2015</xref>) observaram que as características pessoais dos adolescentes podem ser tanto fator de proteção quanto fator desorganizador. Os principais fatores de proteção identificados foram atividades de autocuidado, estabelecimento de vínculos e habilidades sociais. Dentre os fatores desorganizadores, encontram-se a dificuldade de controle de impulsos e emoções, a negação e a apatia.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">Victório et al. (2019</xref>), o diabetes mellitus tipo 1 na adolescência desencadeia alguns fatores estressores. Os principais estressores apresentados pelos adolescentes estavam associados ao monitoramento da glicemia e consequências do não cumprimento das orientações profissionais, causando sentimentos de culpa e incompetência. Devido ao adoecimento, os adolescentes manifestaram sentimentos de raiva, medo e tristeza, que foram considerados estressores secundários no enfrentamento da doença. </p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">Heleno et al. (2019)</xref>, sob a perspectiva psicológica, descreveram como crianças e adolescentes, participantes de um acampamento de férias, percebem sua condição diabética e seu tratamento. Foram observadas dificuldades na adaptação à nova condição e na adesão ao tratamento, sobretudo no início, mas, com o tempo, notou-se maior adaptação. Os participantes manifestaram sentimentos como tensão, medo da morte e culpa pelas reações emocionais dos familiares. Na relação com os pais, apresentavam sentimentos ambivalentes: por um lado, sentiam-se amparados; por outro, controlados em excesso. </p>
			<p>Na área de enfermagem, <xref ref-type="bibr" rid="B24">Zanatta et al. (2020</xref>) objetivaram compreender a experiência do adolescente frente ao processo de convivência com o diabetes mellitus tipo 1. Constatou-se que o diagnóstico e as limitações impostas pela doença desencadeavam diferentes sentimentos nos adolescentes, como tristeza e revolta na descoberta do diagnóstico, medo de sofrerem preconceito ou discriminação em função de uma característica que os diferenciava, bem como frustração quando não se sentiam compreendidos pela família e pelos profissionais de saúde.</p>
			<p>Diante desses achados, compreende-se que o diabetes mellitus tipo 1 acarreta impacto emocional significativo à vida dos adolescentes. No entanto, há poucas pesquisas que abordam esse tema pela ótica da psicologia e da psicanálise; ademais, os estudos encontrados datam de mais de cinco anos de publicação. Assim sendo, desenvolvemos esta pesquisa com o objetivo de investigar as percepções dos adolescentes sobre o diabetes mellitus tipo 1 acerca de sua doença. Avaliamos que este estudo poderá contribuir para trazer dados atualizados à literatura científica, os quais poderão auxiliar profissionais de saúde na compreensão de aspectos subjetivos deste público. </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Método</title>
			<p>Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, com delineamento exploratório e descritivo. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de um questionário sociodemográfico, a fim de traçar um perfil dos adolescentes, seguida da realização de entrevistas semiestruturadas. </p>
			<p>Esta pesquisa foi realizada na Unidade de Endocrinologia Pediátrica (UEP) e no Serviço de Endocrinologia e Metabologia (SEMPR), ambas as unidades integradas ao Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR) de Curitiba-PR. Selecionou-se, portanto, uma amostra de conveniência. Os critérios de inclusão desta pesquisa foram: 1) adolescentes diagnosticados com diabetes tipo 1; 2) com idades entre 12 anos completos e 18 anos incompletos, com base na faixa etária estabelecida pelo ECA (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Lei n.º 8.069, 1990</xref>); 3) estar em seguimento ambulatorial pela UEP ou pelo SEMPR; 4) estar presente nas unidades ambulatoriais em dias e horários preestabelecidos para coleta de dados; 5) assinar o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE), com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelo responsável. Definiu-se um critério de exclusão: 1) presença de condições cognitivas que impedissem a compreensão dos termos instituídos no TALE. Esta pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do CHC-UFPR e aprovada por meio do Parecer Consubstanciado, nº 4.928.734.</p>
			<p>Após obtenção da autorização das supra referidas unidades, foram realizadas visitas para recrutamento dos participantes, a partir das quais obtivemos uma amostra composta por 14 adolescentes. Na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, apresentamos a caracterização dos participantes deste estudo, conforme dados obtidos por meio da aplicação do questionário sociodemográfico. Os adolescentes estão identificados pela inicial “A”, seguida no número que corresponde à sua ordem de participação na pesquisa.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title><italic>Caracterização dos Participantes do Estudo</italic></title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center">Participante</th>
								<th align="center">Idade</th>
								<th align="center">Sexo</th>
								<th align="center">Raça</th>
								<th align="center">Ano letivo</th>
								<th align="center">Tempo de diagnóstico</th>
								<th align="center">Internação prévia</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">A1</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">7º EF</td>
								<td align="center">2 anos</td>
								<td align="center">Nenhuma</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A2</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Negra</td>
								<td align="center">7º EF</td>
								<td align="center">1 ano</td>
								<td align="center">01</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A3</td>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">1º EM</td>
								<td align="center">5 anos</td>
								<td align="center">01</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A4</td>
								<td align="center">13</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">8º EF</td>
								<td align="center">10 anos</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A5</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">7º EF</td>
								<td align="center">7 anos</td>
								<td align="center">01</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A6</td>
								<td align="center">16</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">3º EM</td>
								<td align="center">15 anos</td>
								<td align="center">01</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A7</td>
								<td align="center">14</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">9º EM</td>
								<td align="center">2 anos</td>
								<td align="center">01</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A8</td>
								<td align="center">13</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">8º EF</td>
								<td align="center">5 anos</td>
								<td align="center">05</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A9</td>
								<td align="center">14</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">8º EF</td>
								<td align="center">9 anos</td>
								<td align="center">08</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A10</td>
								<td align="center">14</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">9º EF</td>
								<td align="center">2 anos</td>
								<td align="center">03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A11</td>
								<td align="center">17</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">ESI</td>
								<td align="center">12 anos</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A12</td>
								<td align="center">17</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">2º EM</td>
								<td align="center">2 meses</td>
								<td align="center">Nenhuma</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A13</td>
								<td align="center">13</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">9º EF</td>
								<td align="center">3 anos</td>
								<td align="center">01</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">A14</td>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Branca</td>
								<td align="center">7º EF</td>
								<td align="center">7 anos</td>
								<td align="center">05</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Em seguida, foram realizadas as entrevistas individuais com os adolescentes. Seguiu-se um roteiro de entrevista semiestruturado, elaborado com base na revisão de literatura previamente realizada, composto por sete questões, as quais abordavam questões sobre como é ter diabetes, a descoberta do diagnóstico, o autocuidado, a convivência diária com a doença, se percebiam influência na relação com seus pais, nas relações sociais e na autoimagem. As entrevistas foram gravadas por meio de gravador de áudio. O material foi transcrito na íntegra e inserido no <italic>software</italic> IRaMuTeQ® (<italic>Interface de Rourles Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires</italic>), que auxiliou na análise qualitativa. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B19">Souza et al., (2018</xref>), o uso de <italic>softwares</italic> na análise qualitativa apresenta vantagens, pois auxilia na organização e separação de informações, que permite localizar segmentos de textos e a associação entre eles de forma mais ágil e facilitada.</p>
			<p>Neste estudo, foi utilizada a Classificação Hierárquica Descendente (CHD), uma das análises fornecidas pelo IRaMuTeQ®. A CHD organiza o texto em classes de palavras associadas por significância estatística, tendo como base o número total de ocorrência de palavras nos textos inseridos. Em seguida, foi realizada a análise qualitativa com base na Análise Categorial Temática (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bardin, 1977</xref>) e no referencial teórico da psicanálise. </p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>O material coletado foi lançado no <italic>software</italic> IRaMuTeQ®, que gerou um dendrograma composto por seis classes de palavras, extraídas da ocorrência de 11.776 palavras no total, distribuídas em 14 textos, que corresponderam às 14 entrevistas realizadas. O dendrograma está ilustrado na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title><italic>Dendrograma fornecido pelo software IRaMuTeQ®, com base na CHD (2021)</italic></title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2359-0777-subj-25-02-e14935-gf1.png"/>
				</fig>
			</p>
			<p>A leitura e a análise textual das entrevistas possibilitaram traduzir as classes de palavras nas seguintes categorias temáticas: 1) ser normal e ser diferente: impactos à construção da identidade e inserção nos grupos; 2) lidando com o controle externo; 3) a aceitação do diabetes e o desenvolvimento do autocuidado; 4) a variação da glicemia e sua relação com o emocional; 5) o processo de separação dos pais e o desenvolvimento da autonomia; 6) estilo de vida mais saudável depois do diabetes. Para ilustrá-las, foram apresentados excertos dos relatos dos participantes da pesquisa. Os relatos dos adolescentes serão apresentados na sequência. Posteriormente, será realizada a discussão acerca desses relatos.</p>
			<p>1) Ser normal e ser diferente: impactos à construção da identidade e inserção nos grupos </p>
			<p>Foi possível observar que houve uma divisão entre os participantes que relataram sentirem-se “normais” ou “iguais a todo mundo” tendo diabetes, e os participantes que relataram perceberem essa condição como uma “diferença” em relação aos outros: “Eu acho que é igual uma pessoa que não tem diabetes, porque eu consigo falar, ouvir, enxergar, brincar.” (A13, sexo feminino, 13 anos); “Eu me sentia muito triste por não conhecer outras pessoas que tinham diabetes. Quando eu descobri, achava que ia ser excluída, principalmente, na escola.” (A8, sexo feminino, 13 anos).</p>
			<p> Observa-se que as participantes manifestam questões sobre a construção da identidade, questionando a possibilidade de pertencimento a um grupo de iguais. A “normalidade”, nesse contexto, estaria relacionada à capacidade de poder exercer as mesmas funções de pessoas não diabéticas ou à descoberta de que o diagnóstico é compartilhado por outras pessoas. Já com relação à questão da diferença, o relato de A8 denota o receio de uma não adequação às relações com outros. Contudo, essa questão tende a ser minimizada quando os adolescentes encontram grupos que acolhem suas diferenças e os auxiliam a lidar com as dificuldades associadas à sua condição, como no relato a seguir: “Meus amigos até me tratam um pouco diferente, mas é com aquele cuidado. É para o bem que eles se preocupam.” (A9, sexo feminino, 13 anos).</p>
			<p>Outros participantes falam a respeito da dificuldade de inclusão em atividades com grupos de amigos por causa do diabetes: “Eles saem para algum lugar e, aí, vão para um rodízio de brigadeiro, tenho que falar que não posso ir, e, às vezes, isso é até meio chato, sabe?” (A7, sexo masculino, 14 anos). Observa-se que as limitações associadas à alimentação têm impacto sobre as relações do adolescente com os grupos, uma vez que comer se torna uma atividade que os reúne. Desse modo, o adolescente acaba sofrendo dificuldades ou perdas relacionadas ao estabelecimento de vínculos com seus pares.</p>
			<p>2) Lidando com o controle externo</p>
			<p>O autocuidado costuma ser auxiliado pela família e pela equipe de saúde, no retorno às consultas. No entanto, muitas vezes, a cobrança externa é sentida como excessiva, o que gera sentimentos de raiva, culpa, estresse e conflitos familiares: “Me estressa, me dá raiva, porque eu não gosto de gente que me controla (...). Quando eu chego aqui [ambulatório], falam pra minha mãe que tem que fazer algo pro diabetes abaixar.” (A3, sexo feminino, 15 anos); “Quando o diabetes sobe, a gente [participante e o pai] começa a discutir porque ‘é minha culpa, eu que comi as coisas, eu que fiz subir.’” (A4, sexo feminino, 13 anos). </p>
			<p>Outros participantes sinalizam que a supervisão e o controle da família são benéficos para a continuidade e efetividade dos cuidados: “Agora [depois do diagnóstico] meus pais brigam um pouco mais por causa de ter que cuidar do diabetes. É chato, mas é bom, porque senão eu não meço o diabetes, não aplico insulina, aí a glicemia vive alta.” (A7, sexo masculino, 14 anos); “Às vezes, a gente pode achar que eles estão pegando pesado, mas é para a gente estar cuidando melhor, só para o nosso bem mesmo.” (A8, sexo feminino, 13 anos).</p>
			<p>Como é possível observar nestes relatos, em outras situações, a supervisão dos pais pode trazer sensação de segurança sobre a efetivação do autocuidado, sem a qual não fariam com a mesma atenção. Um dos fatores que pode explicar essa forma de encarar o controle externo, como ilustram os relatos de A7 e A8, diz respeito à consciência dos riscos que a baixa adesão aos cuidados pode implicar à própria saúde e à vida. Nesse caso, o controle externo se constituiu em fonte de amparo, facilitando o bom controle da doença. </p>
			<p>3) A aceitação do diabetes e o desenvolvimento do autocuidado.</p>
			<p>O controle da glicemia, a aplicação de insulina e a restrição alimentar, sobretudo, em relação ao consumo de doces, foi uma dificuldade relatada de forma geral pelos participantes: “É difícil você aceitar que tem isso, é difícil aplicar insulina, porque dói, não poder comer as coisas, às vezes, eu esqueço que tenho que fazer isso.” (A2, sexo feminino, 12 anos); “Sempre achei chato medir glicemia, aplicar insulina e, com a minha avó, eu conseguia enganar ela, então, eu não estava fazendo [o autocuidado].” (A9, sexo feminino, 13 anos);</p>
			<p>As limitações e a rotina de cuidados impostas pelo tratamento do diabetes causam sofrimento aos adolescentes, uma vez que trazem dor e desconforto físico e, ao mesmo tempo, reduzem as fontes de satisfação diária. Por isso, tais limitações influenciam diretamente na aceitação do paciente ao diagnóstico e na adesão ao tratamento. Desse modo, alguns participantes buscam burlar consciente ou inconscientemente (por exemplo, por meio dos esquecimentos) o controle do diabetes.</p>
			<p>Essa dificuldade apresentada pelos participantes demonstra que o autocontrole e o autocuidado não são capacidades prontas, mas que devem ser desenvolvidas. Nesse sentido, alguns fatores mencionados serviram para auxiliá-los no desenvolvimento do autocuidado: “Nos primeiros anos do diagnóstico foi difícil, porque eu fui diagnosticada muito pequenininha. Depois, com o tempo, eu fui me acostumando.” (A13, sexo feminino, 13 anos); “Tem gente que tem câncer, doença que não cura fácil, o diabetes, é só você controlar, que consegue conviver com isso.” (A5, sexo masculino, 12 anos).</p>
			<p>Conforme os relatos dos adolescentes, a idade, o tempo transcorrido desde o diagnóstico e a rede de apoio que acompanha o adolescente são fatores apontados que favoreceram a adaptação na rotina e nas limitações e, consequentemente, na aceitação da doença. Além disso, como pontuado pelo A5, as limitações que o diabetes impõe podem ser minimizadas pela percepção de que o curso da doença está “sob controle” do paciente, já que este é quem administra sua rotina de cuidados.</p>
			<p>4) A variação da glicemia e sua relação com o emocional </p>
			<p>Alguns participantes identificaram a influência de fatores emocionais no desencadeamento do diabetes, assim como do diabetes acarretando manifestações emocionais, o que pode ser observado em alguns relatos: “Quando descobri que tinha diabetes, aí aumentou a ansiedade, fiquei muito nervosa.” (A2, sexo feminino, 12 anos); “Às vezes, a glicemia dá normal no almoço, aí acontece alguma coisa que me deixa nervosa, ansiosa, aí quando vou fazer o Dextro, dá alto.” (A3, sexo feminino, 15 anos); “No começo eu fui percebendo que isso [controle do diabetes] afetava o meu humor, quando dava alteração da glicemia, eu ficava um pouco irritado.” (A14, sexo masculino, 15 anos). </p>
			<p>Evidencia-se que lidar com o diabetes pode causar alterações no humor e até sintomas emocionais, como a ansiedade. Por outro lado, percebe-se que os fatores emocionais também influenciam a alteração dos níveis de glicemia, constituindo-se como um componente psicossomático. Sendo assim, constata-se que há uma relação de mútua influência entre mudanças emocionais e a variação dos níveis glicêmicos.</p>
			<p>5) O processo de separação dos pais e o desenvolvimento da autonomia</p>
			<p>Os participantes relataram sentir-se responsabilizados, seja por si mesmos, seja pelos familiares, no controle da doença. Neste aspecto, verifica-se que a atitude dos adolescentes deste estudo varia, sendo que, alguns se sentem tranquilos e seguros para realizar os cuidados, enquanto outros apresentam dificuldades em assumir esse controle de forma integral: “Agora que eu estou crescendo, eu estou cuidando sozinho. O Dextro, sempre faço sozinho. Quando vou na casa de algum amigo, faço insulina também.” (A5, sexo masculino, 12 anos); “Acabo não fazendo os cuidados no horário e isso me irrita.” (A14, sexo masculino, 15 anos); “Esqueço de aplicar insulina. Minha mãe fala que eu sou responsável, mas eu sou preguiçosa, então, tenho medo de decepcionar minha mãe.” (A2, sexo feminino, 12 anos). </p>
			<p>Nota-se que quando os participantes apresentam dificuldades em administrar sozinhos os cuidados com o diabetes, surgem sentimentos como frustração, irritabilidade e medo de perder a confiança dos pais, o que pode gerar uma autocobrança importante. Em função dessas implicações emocionais, a supervisão dos pais na rotina de cuidados, embora sentida algumas vezes como um controle, transmite segurança e proteção aos adolescentes: “Tem que ter esse olhar dos pais, porque nem todo adolescente ou criança tem essa responsabilidade.” (A14, sexo masculino, 15 anos); “Com o tempo, eu fui aprendendo [a cuidar do diabetes] e a minha mãe foi me ensinando. Agora, já consigo fazer sozinha.” (A9, sexo feminino, 13 anos).</p>
			<p>Observa-se que o desenvolvimento da autonomia para o exercício dos cuidados e apropriação do tratamento do diabetes, na visão dos adolescentes entrevistados, se ancoram na referência de cuidados, proteção e segurança transmitida pelos pais.</p>
			<p>6) Estilo de vida mais saudável depois do diabetes </p>
			<p>O diagnóstico de diabetes resultou em mudança sobre o estilo de vida dos participantes, que repercutiu em benefícios à saúde, qualidade de vida e a imagem pessoal, como pode ser identificado nos exemplos: “Eu sou até mais saudável agora, porque, antes, quando eu ia correr, eu conseguia correr só um pouco e já estava com falta de ar.” (A7, sexo masculino, 14 anos). “Eu comia de tudo, acho que foi até por isso que peguei diabetes. Agora, comecei a tomar mais suco, comer mais fruta, acho que até me ajudou.” (A12, sexo masculino, 12 anos).</p>
			<p> Verifica-se que tais participantes percebiam que o consumo de doces trazia uma satisfação sentida como excessiva, uma vez que fugia ao autocontrole. O A12, inclusive, atribui a si mesmo a responsabilidade por ter desenvolvido o diabetes, referindo-se à doença como tendo sido adquirida. </p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão</title>
			<p>Por meio dos relatos dos participantes, foi possível analisar que lidar com o diabetes em uma fase de múltiplas transformações, como a adolescência, acarreta novas dificuldades a este momento, que se sobrepõem às dificuldades já existentes. Esta observação coincide com o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B10">Heleno et al. (2009</xref>), que afirma que as mudanças que ocorrem na adolescência são geradoras de conflitos para os adolescentes e seus pais e, quando acompanhadas por uma doença crônica, como o diabetes mellitus tipo 1, esses conflitos tendem a se acentuar. </p>
			<p>Nessa fase da vida, tanto o adolescente quanto seus pais perdem a posição ideal que mantinham um para o outro, o que, por conseguinte, leva o adolescente a uma busca por novos ideais e por uma identidade, fora do âmbito familiar (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alberti, 2010</xref>). Por esse motivo, é compreensível que o adolescente deseje ser acolhido e se sentir pertencente a um grupo de iguais (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Lima &amp; Santiago, 2010</xref>).</p>
			<p>No entanto, foi possível evidenciar, por meio do discurso dos adolescentes entrevistados, que quando se possui um diagnóstico médico, como o de diabetes, esse diagnóstico é incorporado à identidade que eles estão construindo, de modo que se percebem marcados pelo traço da diferença em relação aos seus pares. Como apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B24">Zanatta et al. (2020</xref>), os adolescentes apresentam medo de serem discriminados e excluídos em virtude de uma característica que os diferencia. Por outro lado, quando são incluídos em um círculo social que demonstra aceitação e acolhimento à sua condição, a tensão e o medo são aliviados. Tal como demonstrou <xref ref-type="bibr" rid="B10">Heleno et al. (2009</xref>), os grupos podem se constituir em uma fonte de suporte, na medida em que os adolescentes podem receber apoio e se relacionarem com pessoas com as quais podem falar sobre a doença.</p>
			<p>Em relação ao autocuidado, os adolescentes entrevistados se sentiam incomodados com a cobrança externa, vinda principalmente da família, a qual pode ser sentida como uma invalidação da autonomia alcançada, tão valorizada nessa fase da vida. Outros participantes, no entanto, viam nos pais referências de auxílio e proteção, sem as quais o tratamento se tornaria ainda mais difícil. Entende-se, no entanto, que a diferença nas falas dos adolescentes pode ser explicada pelo processo de elaboração que cada um deles alcançou. Além disso, fatores como a idade, o tempo de diagnóstico e a rede de apoio encontrada serviram para facilitar a elaboração dessas questões.</p>
			<p>Outra dificuldade apresentada pelos adolescentes diz respeito às exigências e às restrições na rotina. Os adolescentes expressam sofrimento associado à necessidade de interromper atividades prazerosas para realização do controle glicêmico, pela dor física causada pela aplicação de insulina e, sobretudo, pela restrição no consumo de doces. Concorda-se com <xref ref-type="bibr" rid="B22">Vidotti (2019</xref>), que se refere às limitações associadas ao tratamento do diabetes como representantes simbólicos da castração, visto que, trata-se de uma doença crônica e, portanto, de caráter irreversível, o que justifica a sensação aludida pelos adolescentes de uma perda de satisfação desde a confirmação diagnóstica.</p>
			<p>As interrupções da rotina, o controle glicêmico e o consumo de doces parecem lembrar o adolescente que, como assinala <xref ref-type="bibr" rid="B15">Rassial (1997</xref>), a satisfação não pode ser alcançada de forma plena, mas apenas parcial. Desse modo, é compreensível que o adolescente apresente certa relutância em reconhecer essa impossibilidade, ainda mais quando acentuada por uma doença crônica. Essa relutância se reflete na dificuldade em aceitar o diagnóstico, a qual se manifesta pelas queixas dos entrevistados sobre as limitações impostas pela doença e pelas tentativas (conscientes ou não) de transgredi-las. Diante do real da doença, caberá ao adolescente construir respostas singulares para suportar e lidar com sua condição, o que implica na elaboração do luto pela perda da saúde e consequente aceitação de que se é diabético.</p>
			<p>Quanto à aceitação do diagnóstico, atuam fatores de ordem consciente e inconsciente. Por isso, o controle da doença pode ser afetado quando o diagnóstico não é suficientemente aceito em nível psíquico, o que pode explicar as respostas diferentes de cada participante. Portanto, concorda-se com <xref ref-type="bibr" rid="B12">Marcelino e Carvalho (2005</xref>), que afirmam que o enfrentamento do diabetes terá relação à constituição psíquica e funcionamento mental de cada sujeito. É válido ressaltar que, embora a elaboração da perda da saúde seja um trabalho psíquico, isso não depende unicamente do adolescente. A família e os profissionais de saúde podem favorecê-lo ao abrir um espaço de diálogo e escuta das reais necessidades dos adolescentes a respeito de sua condição de saúde e tratamento.</p>
			<p>Nessa perspectiva, conforme se observa nos relatos, os pais são considerados como principais figuras de apoio no cuidado com o diabetes, o que coincide com resultados de outros estudos (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Heleno et al., 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Vidotti, 2019</xref>). A participação da família no controle da doença serviu como suporte no qual os adolescentes se ancoravam para desenvolver autonomia e autocuidado com a doença. A respeito dessa questão, <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alberti (2010</xref>) afirma que, ao contrário do que se costuma acreditar, os pais são considerados muito importantes para os filhos adolescentes. Sem a presença dos pais, os filhos não podem se separar deles, visto que devem ter possibilidade de escolher se querem ou não lançar mão dos direcionamentos e modelos que os pais fornecem. Portanto, a presença dos pais possibilita que o adolescente realize o exercício de julgamento que o auxiliará no alcance de sua autonomia.</p>
			<p>Verificou-se que a questão da autonomia para o adolescente estava relacionada ao exercício do desejo, uma vez que dependia da possibilidade de se separar do saber dos pais e construir um saber próprio que lhe permitisse lidar com a condição de ser diabético. Entretanto, como apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Lima e Santiago (2010</xref>), a interdição da possibilidade de uma satisfação plena, reafirmada na segunda volta edípica, é condição para que o adolescente possa se apropriar de seu desejo e, assim, agir de maneira mais autônoma.</p>
			<p>Diante disso, os relatos dos participantes evidenciaram que as restrições na rotina de cuidado com o diabetes funcionaram como um limite que possibilitou ao adolescente a regulação de uma satisfação sentida como excessiva, uma vez que fugia ao autocontrole. Desse modo, as interdições impostas pelo controle da doença, paradoxalmente, proporcionaram uma liberdade aos adolescentes, tendo em vista que estes relatam ganhos à saúde, qualidade de vida e autoestima que, antes do diagnóstico, não conseguiam alcançar.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Evidenciou-se que o diabetes mellitus tipo 1 traz implicações à forma como a adolescência é vivida. Verificou-se que lidar com o diabetes mellitus tipo 1, assim como lidar com a adolescência, demanda um trabalho de elaboração, a fim de permitir que o real da doença e o real da puberdade sejam simbolizados. Ainda que se trate de um trabalho psíquico, a família e os profissionais de saúde podem favorecer tal elaboração. Os adolescentes se sentem mais amparados com o suporte e a supervisão de um adulto nos cuidados com o diabetes. Por esse motivo, o autocuidado deve ser assumido de forma gradual, observando o grau de consciência do adolescente sobre a importância do bom controle glicêmico e motivação para desempenhá-lo.</p>
			<p>Deve-se também refletir sobre o envolvimento da família e dos profissionais de saúde no manejo da doença, pois, conforme orientado pela <xref ref-type="bibr" rid="B18">SBD (2020)</xref>, paciente e família devem se situar como partes ativas no tratamento da doença, além disso, a transição dos cuidados para os adolescentes deve ser incentivada. A efetividade desse cuidado dependerá também de uma equipe multidisciplinar que poderá transmitir os conhecimentos, habilidades e suporte psicossocial necessários ao controle da doença (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Almeida et al., 2024</xref>).</p>
			<p>Neste estudo, focamos na investigação das percepções dos adolescentes sobre o diabetes mellitus tipo 1, a partir de um estudo exploratório e descritivo, que se valeu da análise categorial temática e da análise do uso do <italic>software</italic> IRaMuTeQ® para obtenção do material de análise. Com isso, obtivemos dados que nos permitiram analisar aspectos subjetivos do diabetes mellitus tipo 1 na adolescência, pela ótica da teoria psicanalítica. Por outro lado, tendo em vista que salientamos a importância da abordagem terapêutica ser multidisciplinar, consideramos que seria relevante compreender os efeitos do acompanhamento, inclusive, psicológico, com adolescentes diagnosticados com diabetes, o que, contudo, sugerimos como tema para futuras pesquisas.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>Aguiar, G. B., Machado, M. E. D., Silva, L. F., Aguiar, R. C. B., &amp; Christoffel, M. M. (2021). A criança com diabetes mellitus tipo 1: A vivência do adoecimento. <italic>Revista da Escola de Enfermagem da USP</italic>, <italic>55</italic>, 1-8. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.scielo.br/j/reeusp/a/gjsMrG6Fm8cxpGPrVJnJMmj/?lang=pt">https://www.scielo.br/j/reeusp/a/gjsMrG6Fm8cxpGPrVJnJMmj/?lang=pt</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Aguiar</surname>
							<given-names>G. B.</given-names>
						</name>
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							<surname>Machado</surname>
							<given-names>M. E. D.</given-names>
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							<surname>Silva</surname>
							<given-names>L. F.</given-names>
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					<chapter-title>Diagnóstico de diabetes mellitus</chapter-title>
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				<mixed-citation>Sampaio, V. V. L., Ayres, J. C. Z., Borges, L. M., Cruz, N. S., &amp; Sabino, I. M. O. (2023). Diabetes Mellitus tipo 1 - uma revisão abrangente sobre a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento.<italic>Revista Brasileira de Revisão de Saúde</italic>, 6(5), 24239-24249. https://doi.org/10.34119/bjhrv6n5-474</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Vargas, D. M., Barbaresco, A. C., Stainer, O., &amp; Silva, C. G. L. D. (2020). Um olhar psicanalítico sobre crianças e adolescentes com diabetes mellitus tipo 1 e seus familiares. <italic>Revista Psicologia e Saúde</italic>, <italic>12</italic>(1), 87-100. https://doi.org/10.20435/pssa.v12i1.858</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Victório, V. M. G., Andrade, A. L. M., Silva, A. M. B., Machado, W. L., &amp; Enumo, S. R. F. (2019). Adolescentes com Diabetes Mellitus tipo 1: Estresse, coping e adesão ao tratamento.<italic>Saúde e Pesquisa</italic>,<italic>12</italic>(1), 63-75. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/16304">https://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/16304</ext-link>
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					<article-title>Adolescentes com Diabetes Mellitus tipo 1: Estresse, coping e adesão ao tratamento</article-title>
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					<article-title>Efeitos psicossociais do diabetes mellitus tipo 1 em crianças e adolescentes</article-title>
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	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i2.e14935</article-id>
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					<subject>Research Report</subject>
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			<title-group>
				<article-title>Type 1 Diabetes Mellitus from the Perspective of Adolescents Receiving Care in Endocrinology Units of a Referral Hospital in Southern Brazil</article-title>
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			<aff id="aff5">
				<institution content-type="original">Holds a degree in Psychology from the Pontifical Catholic University of Paraná (PUCPR). Has experience in public policy, having worked as an intern at the Court of Justice of the State of Paraná (TJPR) and at the Specialized Reference Center for Social Assistance (CREAS) in the city of Ibiporã, Paraná.</institution>
				<institution content-type="orgname">PUCPR</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
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			<aff id="aff6">
				<institution content-type="original">Holds a degree in Psychology from UFPR (2009). Completed a lato sensu specialization in Clinical Psychology with a Psychoanalytic Approach at PUCPR (2014). Holds a Master of Arts in Psychoanalytic Studies from Birkbeck, University of London (2022). Has professional experience in Psychology, Hospital Psychology, and Clinical Psychology. Currently works as a psychologist at the outpatient clinic of the Pediatric Endocrinology Unit of the Clinical Hospital Complex of UFPR (HC-UFPR), providing care to children and adolescents.</institution>
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			</aff>
			<aff id="aff7">
				<institution content-type="original">Holds a degree in Psychology from PUCPR (2002). Completed postgraduate training at the Institute of Psychology, University of São Paulo (USP; 2004) in the Treatment and Schooling of Children with Pervasive Developmental Disorders, and a postgraduate program in Neuropsychological Assessment and Rehabilitation (2020) at the Sapiens Instituto de Psicologia. Holds a master’s degree and is currently a doctoral candidate in Health Promotion in Childhood and Adolescence at HC-UFPR. Has professional experience in both private practice and public services in the fields of health and education, with a primary focus on the psychological aspects of childhood and adolescence. Currently a member of the psychology team at the Clinical Hospital Complex of UFPR, working in the outpatient clinics of Child and Adolescent Psychiatry and Neuropediatrics, as well as serving as a preceptor in the Multiprofessional Residency Program in Hospital Health Care for Children and Adolescents.</institution>
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			<aff id="aff8">
				<institution content-type="original">Holds a medical degree from the Evangelical Faculty of Paraná (1985), Earned a MSc in Psychiatry from USP in 1999 and a PhD in the Graduate Program in Child and Adolescent Health in the Department of Pediatrics at UFPR in 2011, with the dissertation entitled “Assessment of Psychiatric Disorders in Adolescents in Conflict with the Law.”.</institution>
				<institution content-type="orgname">UFPR</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>Type 1 diabetes mellitus is a chronic disease that frequently manifests during adolescence. Living with a chronic condition during a life stage marked by multidimensional changes, such as adolescence, has been associated with increased psychological distress and the intensification of conflicts typical of this period. Accordingly, this study aimed to understand how adolescents diagnosed with type 1 diabetes mellitus perceive their illness. A qualitative, exploratory, and descriptive study was conducted. A total of adolescents aged 12-17 years, receiving outpatient care at the endocrinology units of a referral hospital in southern Brazil, participated in the study. Data collection instruments included a sociodemographic questionnaire and a semi-structured interview guide. The interviews were audio-recorded and fully transcribed for analysis. Data were processed using descending hierarchical classification provided by the IRaMuTeQ<sup>®</sup> software, which organizes textual data into word classes based on statistical significance. The material was interpreted using thematic categorical analysis and a psychoanalytic theoretical framework. Six thematic categories were identified: i) being normal and being different, addressing the impact on identity construction and group belonging; ii) dealing with external control, focusing on the effects of parental control; iii) disease acceptance and the development of self-care, addressing adaptation to the diabetes care routine; iv) glycemic variability and its relationship with emotional factors, examining the influence of emotions on glycemic fluctuations; v) the process of separation from parents and the development of autonomy, addressing the transfer of care responsibility from parents to adolescents; and vi) adopting a healthier lifestyle after diabetes, addressing lifestyle changes following diagnosis. The findings indicate that the disease affects how adolescence is experienced, intensifying the challenges inherent to this developmental stage. However, its impact can be mitigated when adolescents and their families position themselves as active participants in treatment and disease management.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>adolescence</kwd>
				<kwd>diabetes mellitus</kwd>
				<kwd>chronic diseases</kwd>
				<kwd>psychoanalysis</kwd>
			</kwd-group>
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		<body>
			<p>Diabetes mellitus refers to a heterogeneous group of metabolic disorders characterized by chronic hyperglycemia resulting from dysfunction in insulin production or action (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Ministério da Saúde, 2020</xref>). Most cases are classified into two broad categories: type 1 diabetes mellitus and type 2 diabetes mellitus. Type 2 diabetes is the most prevalent form in the general population and is commonly associated with sedentary lifestyle and increasing age. In contrast, type 1 diabetes is more prevalent in childhood and adolescence, accounting for 90%-95% of cases in this population. Among children and adolescents, type 1 diabetes is considered a condition with a high epidemic index and ranks third among the most common chronic diseases in this age group (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Sociedade Brasileira de Diabetes [SBD], 2020</xref>).</p>
			<p>Regarding etiological aspects, diabetes mellitus is known to be an autoimmune disease triggered by the destruction of pancreatic β (beta) cells, leading to partial or absolute loss of insulin production (<xref ref-type="bibr" rid="B18">SBD, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Silva et al., 2024</xref>). Symptoms of type 1 diabetes include increased urinary output, excessive thirst, enuresis or nocturia, and weight loss. Other manifestations may include delayed wound healing, polyphagia, fatigue, and behavioral changes, such as decreased school performance or blurred vision (Ministério da Saúde, 2020; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Rodacki et al., 2024</xref>).</p>
			<p>Type 1 diabetes is classified as a chronic disease because it is caused by an irreversible organic alteration, has a long duration, progresses slowly, and requires rehabilitation and ongoing self-care, with monitoring and supervision over time. Once diagnosed, adequate diabetes control depends on continuous self-care to prevent disease-related complications (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Victório et al., 2019</xref>), such as ketoacidosis, which results from abrupt elevations in blood glucose levels and may lead to coma or death (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Ministério da Saúde, 2020</xref>).</p>
			<p>With respect to disease control, treatment is based on five core components: diabetes education, insulin therapy, self-monitoring of blood glucose levels, an appropriate diet, and physical exercise. These measures aim to reduce symptoms, prevent acute and chronic complications, and promote normal growth and development in children and adolescents (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Ministério da Saúde, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Silva et al., 2024</xref>).</p>
			<p>However, during a life stage marked by multiple changes and conflict-generating experiences, such as adolescence, the diagnosis of and coexistence with a chronic disease tend to result in stressful and restrictive situations that may generate psychological distress. Diabetes treatment requires adolescents to maintain heightened attention to self-care, adding emotional strain to the internal and external demands inherent to this developmental phase (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aguiar et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">Vilarinho et al., 2024</xref>). </p>
			<p>In this context, questions arise regarding adolescents’ perceptions of type 1 diabetes, with the aim of investigating how the developmental changes characteristic of adolescence intersect with living with a chronic disease. The discussions generated from this inquiry may contribute to a deeper understanding among professionals who work with this population.</p>
			<sec>
				<title>Adolescence: General Definitions and Subjective Aspects</title>
				<p>Adolescence is understood as a transitional period between childhood and adulthood, marked by biopsychosocial changes that culminate in a new identity position (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Guimarães, 2023</xref>). Entry into adolescence is precipitated by the bodily changes of puberty, characterized by hormonal alterations, accelerated growth, and sexual maturation. There is no strict consensus regarding the age range that defines adolescence, as its criteria vary according to cultural, social, and individual factors. In Brazil, based on the Child and Adolescent Statute (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Law No. 8,069, 1990</xref>), adolescence is defined as the period between 12 and 18 years of age.</p>
				<p>As noted by <xref ref-type="bibr" rid="B9">Guimarães (2023</xref>), adolescence became an object of investigation within the medical and psychopedagogical sciences only in the late 19th and early 20th centuries, when stages of life began to be studied in their specificities and conceived as phases in the progression of human development. From this perspective, adolescence came to be characterized as a period of tension determined by biological and psychological factors, which are socially expected to be overcome with the approach of adulthood.</p>
				<p>From a psychoanalytic perspective, adolescence is conceived not merely as a chronological stage of human development but as a logical moment precipitated by pubertal transformations. These transformations trigger a series of psychic operations that remained incomplete in earlier developmental phases, the unfolding of which results in decisive changes in the adolescent’s subjective position (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Corso, 2002</xref>).</p>
				<p>One of the fundamental operations of this phase is the reworking of the Oedipus complex. In childhood, the parent of the opposite sex becomes the first love object. Subsequently, puberty marks the (re)awakening of infantile sexuality, which had remained latent while libidinal energy was directed toward educational formation (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Corso, 2002</xref>). According to <xref ref-type="bibr" rid="B11">Lima and Santiago (2010</xref>), the reworking of the Oedipus complex leads to the reaffirmation of the incest prohibition, already established in childhood. This process opens the possibility for the exercise of desire outside the family context and strengthens the adolescent’s bond with the social sphere.</p>
				<p>As highlighted by <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alberti (2010</xref>), entry into adolescence has consequences for both adolescents and their parents. For adolescents, the weakening of parental knowledge entails the loss of the protection afforded by parental authority. For parents, the fantasies children hold regarding their parents’ knowledge collapse, fantasies from which children previously derived a reference point. Despite the losses inherent to this process, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Rassial (1997</xref>) argues that recognizing parents as non-self-sufficient subjects is precisely what authorizes adolescents to develop autonomy. Thus, separation from parents presupposes the paradoxical movement of relying on parental reference in order to eventually dispense with it.</p>
				<p>The adolescent body’s increasing resemblance to the adult body represents another aspect that signals the possibility of belonging to contexts beyond the family. Integration into peer groups facilitates the process of separation from parental knowledge and authority, insofar as aspects of family relationships are transferred to the social context (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Lima &amp; Santiago, 2010</xref>).</p>
				<p>In light of these considerations, adolescence may be defined as a logical moment marking the exit from childhood, in which the subject is called upon to respond to the world from a position distinct from that previously occupied. This process requires the elaboration of fundamental losses, the appropriation of one’s body and its new image, and the assumption of a different place within culture (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alberti, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Rassial, 1997</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Diabetes Mellitus in Adolescence</title>
				<p>Prior research (Heleno et al., 2019; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Vidotti, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Victório et al., 2019</xref>) indicates that being affected by a chronic disease, such as type 1 diabetes, during adolescence intensifies the difficulties and complexities inherent to this stage of life. Accordingly, it is important to understand how the combination of these two factors impacts adolescents.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B22">Vidotti (2019</xref>) examined the impact of a recent diagnosis of type 1 diabetes in adolescents from a psychoanalytic perspective. The findings showed that, upon receiving the diagnosis, adolescents experienced feelings of fear and surprise. The restrictions imposed by treatment were perceived as punishments for excessive sugar intake, which had previously been a source of satisfaction. In addition, feelings of anger emerged in response to the need to interrupt daily activities in order to perform glycemic monitoring.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B20">Vargas et al. (2020</xref>) also sought to understand the emotional state of adolescents with type 1 diabetes and their family members based on psychoanalytic theory. The diagnosis was found to trigger a mourning process related to the loss of health. For this reason, the authors emphasize the importance of a humanized approach at the time of diagnosis and during hospitalization.</p>
				<p>In further studies grounded in psychoanalytic theory, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Marcelino and Carvalho (2005</xref>) reported that emotional aspects, such as traumatic experiences, may influence the etiology of diabetes, conceptualizing it as a psychosomatic disease. Conversely, emotional states are also influenced by the disease itself, characterizing diabetes as a somatopsychic condition. From this perspective, adolescents’ reactions to diabetes depend on their internal resources and individual life histories.</p>
				<p>From a psychological standpoint, particularly within resilience theory, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Cassarino-Perez and Dell’Anglio (2015</xref>) observed that adolescents’ personal characteristics may function either as protective or as disorganizing factors. The main protective factors identified included engagement in self-care activities, the establishment of bonds, and social skills. Disorganizing factors included difficulties in impulse and emotion regulation, denial, and apathy.</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B21">Victório et al. (2019</xref>), type 1 diabetes during adolescence triggers several stressors. The primary stressors reported by adolescents were related to glycemic monitoring and the consequences of not adhering to professional recommendations, which generated feelings of guilt and incompetence. As a result of the illness, adolescents also expressed feelings of anger, fear, and sadness, which were considered secondary stressors in coping with the disease.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B10">Heleno et al. (2019)</xref>, from a psychological perspective, described how children and adolescents participating in a vacation camp perceived their diabetic condition and its treatment. Difficulties in adapting to the new condition and adhering to treatment were observed, particularly at the beginning; however, greater adaptation was noted over time. Participants reported feelings such as tension, fear of death, and guilt related to their family members’ emotional reactions. In their relationships with parents, adolescents expressed ambivalent feelings: on the one hand, they felt supported; on the other, they perceived excessive control.</p>
				<p>In the field of nursing, <xref ref-type="bibr" rid="B24">Zanatta et al. (2020</xref>) aimed to understand adolescents’ experiences of living with type 1 diabetes. The study found that both the diagnosis and the limitations imposed by the disease elicited different emotional responses, including sadness and anger at the time of diagnosis, fear of prejudice or discrimination due to a distinguishing characteristic, and frustration when adolescents felt misunderstood by their families and health professionals.</p>
				<p>Taken together, these findings indicate that type 1 diabetes has a significant emotional impact on adolescents’ lives. However, there is a paucity of studies addressing this topic from psychological and psychoanalytic perspectives, and the available research is largely more than 5 years old. Therefore, the present study was developed to investigate adolescents’ perceptions of type 1 diabetes and their experience of living with the disease. This study is expected to contribute updated evidence to the scientific literature and to support health professionals in understanding the subjective aspects of this population.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Method</title>
				<p>This study adopted a qualitative approach with an exploratory and descriptive design. Data collection was conducted through the administration of a sociodemographic questionnaire to outline the adolescents’ profiles, followed by semi-structured interviews.</p>
				<p>The research was performed at the Pediatric Endocrinology Unit (UEP for short, in Portuguese) and the Endocrinology and Metabolism Service (SEMPR for short, in Portuguese), both integrated into the Clinical Hospital Complex of the Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), located in Curitiba, Paraná, Brazil. A convenience sample was therefore selected. Inclusion criteria were i) adolescents diagnosed with type 1 diabetes; ii) aged between 12 and 17 years, in accordance with the age range defined by the Brazilian Child and Adolescent Statute (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Law No. 8,069, 1990</xref>); iii) receiving outpatient follow-up care at the UEP or SEMPR; iv) present at the outpatient units on pre-established days and times for data collection; and v) having provided informed assent, with informed consent obtained from a legal guardian. The exclusion criterion was the presence of cognitive conditions that could compromise understanding of the informed assent process.</p>
				<p>The study was submitted to and approved by the Research Ethics Committee of the CHC-UFPR (Approval No. 4,928,734). After obtaining authorization from the aforementioned units, recruitment visits were conducted, resulting in a sample of 14 adolescents. <xref ref-type="table" rid="t2">Table 1</xref> presents the participants’ characteristics based on data obtained from the sociodemographic questionnaire. For confidentiality, adolescents were identified by the letter “A” followed by a number corresponding to the order of participation in the study.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t2">
						<label>Table 1</label>
						<caption>
							<title><italic>Participant characteristic</italic></title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">Participant</th>
									<th align="center">Age</th>
									<th align="center">Sex</th>
									<th align="center">Race</th>
									<th align="center">School grade</th>
									<th align="center">Time since diagnosis</th>
									<th align="center">Previous hospitalization</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center">A1</td>
									<td align="center">12</td>
									<td align="center">M</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">7th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">2 years</td>
									<td align="center">None</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A2</td>
									<td align="center">12</td>
									<td align="center">F</td>
									<td align="center">Black</td>
									<td align="center">7th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">1 year</td>
									<td align="center">One</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A3</td>
									<td align="center">15</td>
									<td align="center">F</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">1st year (high school)</td>
									<td align="center">5 years</td>
									<td align="center">One</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A4</td>
									<td align="center">13</td>
									<td align="center">F</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">8th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">10 years</td>
									<td align="center">Two</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A5</td>
									<td align="center">12</td>
									<td align="center">M</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">7th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">7 years</td>
									<td align="center">One</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A6</td>
									<td align="center">16</td>
									<td align="center">M</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">3rd year (high school)</td>
									<td align="center">15 years</td>
									<td align="center">One</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A7</td>
									<td align="center">14</td>
									<td align="center">M</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">9th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">2 years</td>
									<td align="center">One</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A8</td>
									<td align="center">13</td>
									<td align="center">F</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">8th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">5 years</td>
									<td align="center">Five</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A9</td>
									<td align="center">14</td>
									<td align="center">F</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">8th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">9 years</td>
									<td align="center">Eight</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A10</td>
									<td align="center">14</td>
									<td align="center">M</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">9th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">2 years</td>
									<td align="center">Three</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A11</td>
									<td align="center">17</td>
									<td align="center">M</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">Higher education (incomplete)</td>
									<td align="center">12 years</td>
									<td align="center">Two</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A12</td>
									<td align="center">17</td>
									<td align="center">M</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">2nd year (high school)</td>
									<td align="center">2 months</td>
									<td align="center">None</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A13</td>
									<td align="center">13</td>
									<td align="center">F</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">9th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">3 years</td>
									<td align="center">One</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">A14</td>
									<td align="center">15</td>
									<td align="center">M</td>
									<td align="center">White</td>
									<td align="center">7th grade (elementary school)</td>
									<td align="center">7 years</td>
									<td align="center">Five</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>Individual interviews were then conducted with the adolescents. A semi-structured interview guide was used, develped based on a prior literature review and consisting of seven questions. These questions addressed what it is like to live with diabetes, the experience of receiving the diagnosis, self-care practices, daily life with the disease, and perceived influences on relationships with parents, social relationships, and self-image. The interviews were audio-recorded, transcribed verbatim, and entered into the IRaMuTeQ<sup>®</sup> software, which supported the qualitative analysis. According to <xref ref-type="bibr" rid="B19">Souza et al. (2018</xref>), the use of software in qualitative analysis offers advantages by facilitating the organization and segmentation of information, allowing text segments to be identified and associations between them to be established more efficiently.</p>
				<p>In this study, descending hierarchical classification (DHC), one of the analytical procedures provided by IRaMuTeQ<sup>®</sup>, was employed. DHC organizes the textual corpus into classes of words associated through statistical significance, based on the total frequency of word occurrences across the analyzed texts. Subsequently, a qualitative analysis was conducted using thematic categorical analysis (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bardin, 1977</xref>) and grounded in the psychoanalytic theoretical framework.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="results">
				<title>Results</title>
				<p>The collected material was processed using IRaMuTeQ<sup>®</sup>, which generated a dendrogram composed of six word classes. These classes were derived from a total of 11,776 word occurrences distributed across 14 texts, corresponding to the 14 interviews conducted. The resulting dendrogram is illustrated in <xref ref-type="fig" rid="f2">Figure 1</xref>.</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>Figure 1</label>
						<caption>
							<title><italic>Dendrogram generated by the IRaMuTeQ</italic>
 <sup>
 <italic>®</italic>
</sup> 
 <italic>software based on descending hierarchical classification (2021).</italic></title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2359-0777-subj-25-02-e14935-gf2.png"/>
					</fig>
				</p>
				<p>The reading and textual analysis of the interviews made it possible to translate the word classes into the following thematic categories: i) being normal and being different: impacts on identity construction and group belonging; ii) dealing with external control; iii) acceptance of diabetes and the development of self-care; iv) glycemic variability and its relationship with emotional factors; v) the process of separation from parents and the development of autonomy; and vi) adopting a healthier lifestyle after diabetes. To illustrate these categories, excerpts from participants’ narratives are presented. The adolescents’ accounts are described below, followed by a discussion of these findings.</p>
				<p>1) Being normal and being different: impacts on identity construction and group belonging</p>
				<p>A division was observed between participants who reported feeling “normal” or “like everyone else” despite having diabetes and those who perceived the condition as a “difference” in relation to others: “I think it’s the same as a person who doesn’t have diabetes, because I can talk, hear, see, and play” (A13, female, 13 years); “I felt very sad because I didn’t know other people who had diabetes. When I found out, I thought I would be excluded, especially at school” (A8, female, 13 years).</p>
				<p>These narratives reveal issues related to identity construction and questions about the possibility of belonging to a peer group. In this context, “normality” appears to be associated either with the ability to perform the same activities as people without diabetes or with discovering that the diagnosis is shared by others. Regarding difference, A8’s account reflects fear of not fitting into social relationships. However, this concern tends to be mitigated when adolescents find groups that accept their differences and help them cope with the difficulties associated with their condition, as illustrated in the following account: “My friends even treat me a little differently, but it’s with care. They worry about me for my own good” (A9, female, 13 years).</p>
				<p>Other participants reported difficulties participating in group activities with friends due to diabetes-related restrictions: “They go out somewhere and then go to an all-you-can-eat brigadeiro place, and I have to say I can’t go. Sometimes that’s kind of annoying, you know?” (A7, male, 14 years). Dietary limitations were found to affect adolescents’ relationships with peer groups, as eating often represents a shared social activity. As a result, adolescents may experience difficulties or losses in establishing bonds with their peers.</p>
				<p>2) Dealing with external control</p>
				<p>Self-care is often supported by family members and the health care team during follow-up visits. However, external demands are frequently perceived as excessive, generating feelings of anger, guilt, stress, and family conflict: “It stresses me out, it makes me angry, because I don’t like people controlling me (…). When I get here [to the outpatient clinic], they tell my mother that she has to do something to make the diabetes go down” (A3, female, 15 years); “When the diabetes goes up, we [the participant and her father] start arguing because ‘it’s my fault, I’m the one who ate things, I’m the one who made it go up’” (A4, female, 13 years).</p>
				<p>Other participants indicated that family supervision and control were beneficial for maintaining consistent and effective care: “Now [after the diagnosis] my parents argue a little more because they have to take care of the diabetes. It’s annoying, but it’s good, because otherwise I don’t measure my blood sugar or apply insulin, and then my glucose is always high” (A7, male, 14 years); “Sometimes we might think they’re being too strict, but it’s so we take better care of ourselves, really just for our own good” (A8, female, 13 years).</p>
				<p>These accounts show that, in some situations, parental supervision provides a sense of security regarding adherence to self-care, without which adolescents might not attend to treatment with the same level of commitment. One factor that may explain this perception of external control, as illustrated by A7 and A8, is awareness of the health and life risks associated with poor adherence to care. In such cases, external control functions as a source of support and facilitates adequate disease management.</p>
				<p>3) Acceptance of diabetes and the development of self-care</p>
				<p>Blood glucose monitoring, insulin administration, and dietary restrictions, particularly regarding sweets, were widely reported as difficulties by participants: “It’s hard to accept having this, it’s hard to apply insulin because it hurts, not being able to eat things. Sometimes I forget that I have to do this” (A2, female, 12 years); “I always thought measuring blood sugar and applying insulin was annoying, and with my grandmother I managed to fool her, so I wasn’t doing [self-care]” (A9, female, 13 years).</p>
				<p>The limitations and care routines imposed by diabetes treatment generate distress for adolescents, as they involve physical pain and discomfort while simultaneously reducing sources of daily gratification. These factors directly influence acceptance of the diagnosis and adherence to treatment. As a result, some participants reported consciously or unconsciously circumventing diabetes control, for example, through forgetfulness.</p>
				<p>Such difficulties indicate that self-control and self-care are not innate capacities but rather skills that must be developed. In this regard, several factors were mentioned as facilitating the development of self-care: “In the first years after the diagnosis it was hard, because I was diagnosed very young. Then, over time, I got used to it” (A13, female, 13 years); “There are people who have cancer, diseases that aren’t easily cured. Diabetes, you just have to control it, and then you can live with it” (A5, male, 12 years).</p>
				<p>According to the adolescents’ accounts, age, time since diagnosis, and the support network surrounding the adolescent were factors that favored adaptation to routines and limitations and, consequently, acceptance of the disease. In addition, as highlighted by A5, the limitations imposed by diabetes may be minimized by the perception that the disease course is “under the patient’s control,” as the individual is responsible for managing their own care routine.</p>
				<p>4) Glycemic variability and its relationship with emotional factors</p>
				<p>Some participants identified the influence of emotional factors both in triggering diabetes and in the emotional manifestations resulting from the disease, as illustrated by the following reports: “When I found out I had diabetes, my anxiety increased, I got very nervous” (A2, female, 12 years); “Sometimes my blood sugar is normal at lunch, then something happens that makes me nervous or anxious, and when I check my glucose, it’s high” (A3, female, 15 years); “At the beginning, I realized that this [diabetes control] affected my mood. When my blood sugar changed, I got a little irritated” (A14, male, 15 years).</p>
				<p>These findings indicate that living with diabetes can lead to mood changes and emotional symptoms, such as anxiety. Conversely, emotional factors also appear to influence fluctuations in blood glucose levels, constituting a psychosomatic component. Thus, a bidirectional relationship between emotional changes and glycemic variability is evident.</p>
				<p>5) The process of separation from parents and the development of autonomy</p>
				<p>Participants reported feeling responsible, either on their own initiative or encouraged by family members, for managing their disease. In this respect, adolescents’ attitudes varied, with some feeling calm and confident in performing self-care, while others experienced difficulties assuming full responsibility: “Now that I’m growing up, I’m taking care of it myself. I always check my glucose on my own. When I go to a friend’s house, I also apply insulin” (A5, male, 12 years); “I end up not doing the care on time, and that irritates me” (A14, male, 15 years); “I forget to apply insulin. My mother says I’m responsible, but I’m lazy, so I’m afraid of disappointing her” (A2, female, 12 years).</p>
				<p>When participants reported difficulties managing diabetes care independently, feelings such as frustration, irritability, and fear of losing parental trust emerged, potentially leading to significant self-pressure. Due to these emotional implications, parental supervision of the care routine, although sometimes perceived as controlling, conveys a sense of security and protection to adolescents: “Parents need to keep an eye on it, because not every adolescent or child has that responsibility” (A14, male, 15 years); “Over time, I learned [how to take care of the diabetes], and my mother taught me. Now I can do it on my own” (A9, female, 13 years).</p>
				<p>Thus, from the adolescents’ perspective, the development of autonomy in managing diabetes care is grounded in the reference of care, protection, and security provided by parents.</p>
				<p>6) Adopting a healthier lifestyle after diabetes</p>
				<p>The diagnosis of diabetes led to lifestyle changes among participants, which they perceived as beneficial to health, quality of life, and self-image, as illustrated by the following examples: “I’m actually healthier now, because before, when I went running, I could only run a little and I was already short of breath” (A7, male, 14 years); “I used to eat everything. I think that’s even why I got diabetes. Now I started drinking more juice and eating more fruit, and I think that even helped me” (A12, male, 12 years).</p>
				<p>These participants perceived that consuming sweets provided a form of gratification experienced as excessive and lacking self-control. Notably, A12 attributed responsibility for developing diabetes to himself, referring to the disease as something that had been acquired.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="discussion">
				<title>Discussion</title>
				<p>The participants’ narratives indicate that living with diabetes during a phase marked by multiple transformations, such as adolescence, introduces additional challenges that overlap with those already inherent to this developmental stage. This finding is consistent with the study by <xref ref-type="bibr" rid="B10">Heleno et al. (2009</xref>), which highlights that the changes experienced during adolescence generate conflicts for both adolescents and their parents and that, when accompanied by a chronic disease such as type 1 diabetes, these conflicts tend to intensify.</p>
				<p>During this period, both adolescents and their parents lose the idealized positions they once held for each other. As a result, adolescents seek new ideals and construct an identity outside the family context (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alberti, 2010</xref>). Therefore, adolescents’ desire to feel accepted by a group of peers is understandable (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Lima &amp; Santiago, 2010</xref>).</p>
				<p>However, the adolescents’ accounts also reveal that when a medical diagnosis such as diabetes is present, it becomes incorporated into the identity under construction, leading adolescents to perceive themselves as marked by difference in relation to their peers. As noted by <xref ref-type="bibr" rid="B24">Zanatta et al. (2020</xref>), adolescents often fear discrimination and exclusion due to characteristics that distinguish them from others. Conversely, when they are included in social circles that demonstrate acceptance and openness toward their condition, tension and fear tend to be alleviated. As shown by <xref ref-type="bibr" rid="B10">Heleno et al. (2009</xref>), peer groups can function as a source of support, enabling adolescents to receive encouragement and to relate to others with whom they can talk openly about the disease.</p>
				<p>With regard to self-care, the adolescents interviewed reported discomfort with external demands, primarily from family members, which were sometimes experienced as invalidating the autonomy so highly valued at this stage of life. Other participants, however, perceived their parents as sources of support and protection, without whom treatment would become even more difficult. These differences in adolescents’ accounts may be explained by the degree of psychological elaboration achieved by each individual. In addition, factors such as age, time since diagnosis, and the available support network appear to facilitate the processing of these issues.</p>
				<p>Another difficulty reported by adolescents concerns the demands and restrictions imposed on daily routines. Adolescents expressed distress related to interrupting pleasurable activities to perform glycemic monitoring, the physical pain associated with insulin administration, and especially dietary restrictions, particularly regarding sweets. In line with <xref ref-type="bibr" rid="B22">Vidotti (2019</xref>), these treatment-related limitations may be understood as symbolic representations of castration, given the chronic and irreversible nature of the disease. This perspective helps explain adolescents’ reports of diminished satisfaction following diagnosis.</p>
				<p>Interruptions in routine, glycemic control, and dietary restrictions appear to remind adolescents, as noted by <xref ref-type="bibr" rid="B15">Rassial (1997</xref>), that satisfaction cannot be fully attained but only partially experienced. It is therefore understandable that adolescents show some resistance to acknowledging this limitation, particularly when it is reinforced by a chronic illness. This resistance is reflected in difficulties accepting the diagnosis, expressed through complaints about treatment-related limitations and attempts, conscious or unconscious, to transgress them. Faced with the reality of the disease, adolescents are required to construct singular responses that allow them to endure and manage their condition. This process entails mourning the loss of health and accepting the identity of being diabetic.</p>
				<p>Acceptance of the diagnosis involves both conscious and unconscious factors. When the diagnosis is not sufficiently accepted at the psychic level, disease control may be compromised, which may account for the variability in participants’ responses. In this sense, the findings align with <xref ref-type="bibr" rid="B12">Marcelino and Carvalho (2005</xref>), who argue that coping with diabetes is related to each individual’s psychic constitution and mental functioning. Although the elaboration of health loss constitutes a psychic process, it does not depend solely on adolescents. Families and health professionals can facilitate this process by creating spaces for dialogue and attentive listening to adolescents’ real needs regarding their health condition and treatment.</p>
				<p>From this perspective, parents emerged in participants’ accounts as the primary sources of support in diabetes care, corroborating findings from previous studies (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Heleno et al., 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Vidotti, 2019</xref>). Family involvement in disease management served as a foundation upon which adolescents could develop autonomy and self-care. As <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alberti (2010</xref>) emphasizes, contrary to common assumptions, parents remain highly important figures for adolescents. Without their presence, adolescents cannot effectively separate from them, as they must be able to choose whether or not to draw upon the guidance and models provided by their parents. Thus, parental presence enables adolescents to exercise judgment, which supports the development of autonomy.</p>
				<p>Autonomy, as perceived by the adolescents, was closely related to the exercise of desire, as it depended on the possibility of separating from parental knowledge and constructing personal knowledge that would allow them to manage their diabetic condition. However, as noted by <xref ref-type="bibr" rid="B11">Lima and Santiago (2010</xref>), the reaffirmation of the impossibility of complete satisfaction, reiterated during the second Oedipal moment, is a necessary condition for adolescents to appropriate their desire and act more autonomously.</p>
				<p>Thus, participants’ narratives suggest that the restrictions imposed by diabetes care routines functioned as limits that enabled adolescents to regulate forms of satisfaction experienced as excessive and lacking self-control. Paradoxically, these restrictions provided adolescents with a sense of freedom, as they reported gains in health, quality of life, and self-esteem that they had not achieved prior to diagnosis.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Final Considerations</title>
				<p>This study demonstrates that type 1 diabetes has significant implications for how adolescence is experienced. Coping with type 1 diabetes, like coping with adolescence itself, requires a process of psychological elaboration that allows both the reality of the disease and the reality of puberty to be symbolized. Although this constitutes a psychic process, families and health professionals can facilitate it. Adolescents reported feeling more supported when adult supervision and guidance were present in diabetes care. For this reason, self-care should be assumed gradually, considering adolescents’ level of awareness regarding the importance of glycemic control and their motivation to adhere to treatment.</p>
				<p>It is also important to reflect on the involvement of families and health professionals in disease management. As recommended by the Brazilian Diabetes Society (<xref ref-type="bibr" rid="B18">SBD, 2020</xref>), both patients and their families should position themselves as active participants in treatment, and the gradual transfer of care responsibilities to adolescents should be encouraged. The effectiveness of this process also depends on a multidisciplinary team capable of providing the knowledge, skills, and psychosocial support necessary for disease control (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Almeida et al., 2024</xref>).</p>
				<p>This study focused on investigating adolescents’ perceptions of type 1 diabetes mellitus through an exploratory and descriptive design, using thematic categorical analysis and IRaMuTeQ<sup>®</sup> software to support data analysis. The findings allowed for an examination of subjective aspects of type 1 diabetes mellitus in adolescence from a psychoanalytic perspective. Nevertheless, considering the emphasis on multidisciplinary care, future studies should explore the effects of ongoing follow-up, including psychological support, for adolescents diagnosed with diabetes.</p>
			</sec>
		</body>
	</sub-article>
</article>