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				<journal-title>Revista Subjetividades</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R Subj</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2359-0777</issn>
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				<publisher-name>Universidade de Fortaleza</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i1.e14933</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>RELATOS DE PESQUISA</subject>
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				<article-title>Raça, gênero, classe: Cotidiano e mobilização subjetiva de mulheres diaristas</article-title>
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					<trans-title>Raza, género, clase: Vida cotidiana y movilización subjetiva de las mujeres jornaleras</trans-title>
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					<trans-title>Race, genre, classe : Vie quotidienne et mobilisation subjective des travailleuses journalières</trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5078-2085</contrib-id>
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						<surname>Lucena</surname>
						<given-names>Maria do Socorro Roberto de</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-7353-4420</contrib-id>
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						<surname>Zambroni-de-Souza</surname>
						<given-names>Paulo César</given-names>
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				<institution content-type="original">Psicóloga e Doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba, tendo desenvolvido tese sobre a relação subjetividade e trabalho de mulheres trabalhadoras domésticas diaristas, com tríplice dimensão de sexo/gênero, raça e classe. Mestra em Psicologia da Saúde pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), cuja dissertação versou acerca do trabalho e saúde mental de psicólogos da atenção básica à saúde via NASF-AB. Trabalhou no Núcleo de Apoio à Saúde da Família, entre 2014 e 2015, nos municípios de Patos e Passagem, ambos localizados no estado da Paraíba. Foi professora substituta na Universidade Federal de Campina Grande (UAPSI/UFCG) de 2017 a 2019. Esteve como professora substituta dos cursos de Psicologia e Administração da Faculdade de Ciências e Tecnologia Prof. Dirson Maciel de Barros (FADIMAB) durante o segundo semestre de 2023. Associada da ABRAPSO (Associação Brasileira de Psicologia Social) e Integrante do Grupo de Pesquisa em Subjetividade e Trabalho (GPST/UFPB).</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal da Paraíba</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
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				<institution content-type="original">Professor de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba e pesquisador do Grupo de Pesquisa Subjetividade e Trabalho - GPST/UFPB.</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Psicologia</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal da Paraíba</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>28</day>
				<month>01</month>
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2025</year>
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			<volume>25</volume>
			<issue>01</issue>
			<elocation-id>e14933</elocation-id>
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				<date date-type="received">
					<day>23</day>
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					<year>2024</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>23</day>
					<month>10</month>
					<year>2024</year>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O presente estudo objetiva compreender as repercussões de gênero, raça e classe no cotidiano laboral e na mobilização subjetiva das mulheres diaristas. Participaram do estudo 10 trabalhadoras com idades entre 31 e 64 anos, sendo a maioria negras. Os intrumentos utilizados foram questionário sociodemográfico e entrevista não estruturada. O método de análise foi o hermenêutico-dialético. Os refereciais teóricos foram a sociologia da divisão sexual do trabalho, o paradigma afrocêntrico das discussões de gênero e a psicodinâmica do trabalho. As análises (re)afirmam a pertinência da perspectiva interseccional para a inteligibilidade das vivências das trabalhadoras. Sobrecarga laboral, autodefinição, alienação, assédio, discriminação e sindicalismo são alguns dos aspectos evidenciados a partir da escuta das diaristas. Esperamos que este estudo sirva de recurso de fortalecimento para elas e pontuamos a responsabilidade de outros setores da sociedade nessa empreitada.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<p>El presente estudio tiene como objetivo comprender las repercusiones del género, la raza y la clase en el trabajo cotidiano y la movilización subjetiva de las mujeres jornaleras. Participaron diez trabajadores de entre 31 y 64 años, la mayoría negros. Los instrumentos utilizados fueron un cuestionario sociodemográfico y una entrevista no estructurada. El método de análisis fue hermenéutico-dialéctico. Los referentes teóricos fueron la sociología de la división sexual del trabajo, el paradigma afrocéntrico de las discusiones de género y la psicodinámica del trabajo. Los análisis (re)afirman la relevancia de la perspectiva interseccional para la inteligibilidad de las experiencias de los trabajadores. Sobrecarga de trabajo, autodefinición, alienación, acoso, discriminación, sindicalismo son algunos de los aspectos resaltados al escuchar a los jornaleros. Esperamos que este estudio sirva como recurso de fortalecimiento para ellos y destacamos la responsabilidad de otros sectores de la sociedad en este empeño.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title>Résumé</title>
				<p>La présente étude vise à comprendre les répercussions du genre, de la race et de la classe sociale dans le travail quotidien et la mobilisation subjective des travailleuses journalières. Dix travailleurs âgés de 31 à 64 ans y ont participé, pour la plupart noirs. Les instruments utilisés étaient un questionnaire sociodémographique et un entretien non structuré. La méthode d’analyse était herméneutique-dialectique. Les références théoriques étaient la sociologie de la division sexuelle du travail, le paradigme afrocentrique des discussions sur le genre et la psychodynamique du travail. Les analyses (ré)affirment la pertinence de la perspective intersectionnelle pour l’intelligibilité des expériences des travailleurs. Surcharge de travail, définition de soi, aliénation, harcèlement, discrimination, syndicalisme sont quelques-uns des aspects mis en avant par l’écoute des journaliers. Nous espérons que cette étude leur servira de ressource de renforcement et nous soulignons la responsabilité des autres secteurs de la société dans cette entreprise.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>trabalho</kwd>
				<kwd>subjetividade</kwd>
				<kwd>mulheres</kwd>
				<kwd>raça</kwd>
				<kwd>diaristas</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>trabajo</kwd>
				<kwd>subjetividad</kwd>
				<kwd>mujer</kwd>
				<kwd>carrera</kwd>
				<kwd>jornaleros</kwd>
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			<kwd-group xml:lang="fr">
				<title>Mots clés:</title>
				<kwd>travail</kwd>
				<kwd>subjectivité</kwd>
				<kwd>femmes</kwd>
				<kwd>course</kwd>
				<kwd>travailleurs journaliers</kwd>
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		<p>No Brasil, 92% das pessoas ocupadas no trabalho doméstico remunerado (TDR) são mulheres, 65% delas, mulheres negras (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Vilela, 2022</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos [DIEESE], 2022</xref>. p. 1), um dos cenários que mais evidenciam o racismo na sociedade brasileira (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Gonzalez, 2020a</xref>). Ademais, a informalidade persiste no exercício do TDR, como por exemplo a partir da realização dessa atividade em regime de diárias (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Monticelli &amp; Tamanini, 2013</xref>).</p>
		<p>O cotidiano laboral possui muitas camadas e muitos atores e atrizes. Ele é composto por uma parte visível, ou mais facilmente identificada - como por exemplo as estruturas físicas, a definição das atribuições, os dispositivos formais de comando, os horários - e uma parte invisível ou não tão facilmente identificada, inclusive pela(o) trabalhadora(o). Essa dimensão inclui aspectos como as relações intersubjetivas/sociais estabelecidas ou que estão se estabelecendo, a relação com a situação familiar, os acontecimentos inesperados ou subjacentes, e a própria condição físico-psíquica da(o) trabalhadora(o) (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B9">2012</xref>).</p>
		<p>
			<xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata (2002</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brito et al. (2014</xref>) pontuam que o cotidiano laboral de homens e mulheres de diferentes classes e etnias/raças é completamente distinto, pois, além deles/delas terem inserções diferentes no mercado laboral, desempenham trabalhos distintos, têm papéis sociais também distintos, têm o dia a dia perpassado por temporalidades e situações díspares, mesmo em circunstâncias aparentemente semelhantes.</p>
		<p>Essa ressalva nos parece ainda mais cara quando tratamos da relação entre a subjetividade e o trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Dejours, 2012</xref>), pois se as situações de trabalho - para homens e mulheres não são iguais e eles/elas (re)produzem ou vivenciam as construções materiais e simbólicas impostas pela divisão sexual e racial do trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>) -, como não inclur na análise as situações que esse sujeito trabalha? Assim, este estudo tem como objetivo compreender as repercussões de gênero, raça e classe, a partir de um viés focado no cotidiano laboral e na mobilização subjetiva de mulheres diaristas.</p>
		<sec>
			<title>Método</title>
			<sec>
				<title>Participantes</title>
				<p>Participaram deste estudo 10 mulheres diaristas, a maioria com mais de 15 anos de experiência na área. As idades variaram entre 31 e 64 anos. Em relação à cor da pele, seis se identificaram como pretas, duas como pardas, uma como amarela e uma como branca. Quanto ao nível de escolaridade, quatro têm ensino médio completo e outras seis não terminaram o ensino médio ou ensino fundamental. Todas são mães, sendo que três têm de três a quatro filhos menores de 18 anos. A maioria (<italic>n</italic>=6) é casada ou está em união estável e mora com companheiro e filhos(as). Em média, as diaristas recebem em torno de R$120,00 por diária.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Instrumentos</title>
				<p>Foram realizadas entrevistas não estruturadas individuais<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> e aplicado um questionário sociodemográfico. Esse tipo de entrevista permite que o(a) entrevistando(a) formule suas respostas mais livremente, pois há apenas temas e uma pergunta disparadora para cada um deles (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Laville &amp; Dionne, 1999</xref>). O questionário é oportuno para o acesso de informações pessoais, familiares e ocupacionais, tais como: nível de escolaridade, tempo na ocupação, remuneração, entre outras.</p>
				<p>Devido ao contexto da pandemia, não foi possível reuní-las para a formação de coletivos <italic>ad hoc</italic>, preconizados na metodologia da PDT. Otrossim, a diversidade e incompatibilidade de dias e horários que as diaristas dispunham para participarem da pesquisa foi um obstáculo para reuní-las em ambiente virtual.</p>
				<p>A entrevista continha os seguintes temas: trajetória laboral; processo e condições de trabalho; relações laborais; relação trabalho e família; percepções e condutas. Para além disso, havia uma pergunta disparadora para cada um, como por exemplo: “Você poderia me contar sobre o seu trabalho como diarista?”.</p>
				<p>Em consonância com o objetivo de pesquisa, o tipo de entrevista e a compreensão de que o momento de diálogo com o(a) pesquisador(a) também é um espaço de construção, de inteligibilidade e de tomada de consciência sobre a realidade aparente e não aparente de trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>), os termos sexo/gênero, raça ou classe não foram mencionados na elaboração dos temas e das perguntas disparadoras, embora estivessem presentes.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Procedimentos de produção de materiais</title>
				<p>Após a aprovação da pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), foi estabelecido contato com um sindicato de trabalhadoras(es) domésticas(os), que mediou o acesso às mulheres diaristas. Apesar das diaristas não serem formalizadas, neste caso, muitas eram beneficiadas pelos serviços/ações oferecidas pelo sindicato. Mediante interesse em participar demonstrado pelas trabalhadoras e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), as entrevistas individuais foram realizadas entre novembro e dezembro de 2021, geralmente, no fim da tarde ou à noite, com duração média de 90 minutos.</p>
				<p>Em razão do contexto de pandemia de COVID-19 e às medidas de distanciamento social adotadas no período de realização da pesquisa, as entrevistas ocorreram via ambiente virtual (<italic>Google Meet</italic>) e as demais etapas via telefone (<italic>Whatsapp</italic>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Procedimentos de análise do material de pesquisa</title>
				<p>As respostas do questionário sociodemográfico foram sumarizadas e descritas por meio de análises baseadas em frequência e média. Cada entrevista foi transcrita na íntegra e os nomes fictícios foram retirados da obra <italic>Olhos D`Água</italic>, de Conceição <xref ref-type="bibr" rid="B12">Evaristo (2016</xref>), usados para referenciar os relatos. A estratégia metodológica de análise foi a abordagem hermenêutica-dialética (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Minayo, 2008</xref>). </p>
				<p>O conteúdo das entrevistas foi colocado em evidência e o(a) pesquisador(a) buscou a compreensão do material nele mesmo, integrando à essa postura uma perspectiva crítica e interdisciplinar. No método hermenêutico-dialético, considera-se que os discursos revelam mais do que os que os seus enunciadores pretendem expressar. Entende-se que ninguém abarca a totalidade do cotidiano de vida, nem é completamente independente da realidade histórica, de desigualdades, da dominação, da resistência ou da conformidade, pelo contrário, todos(as) são penetrados(as) por ela. Assim, compreender a interpretação baseia-se na práxis, resultando em configurações de sentido ou unidades de sentido (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Minayo, 2008</xref>).</p>
				<p>Destarte, as habilidades do(a) pesquisador(a) são primordiais durante todo o processo de análise, cotejando os referenciais teóricos, os objetivos de pesquisa, as observações, a consciência histórica (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Minayo, 2008</xref>). Para este estudo, os referenciais teóricos de base foram: a sociologia da divisão sexual do trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Federici, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>); o paradigma afrocêntrico das discussões de gênero (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>); e a psicodinâmica do trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B8">2004b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B9">2012</xref>).</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e Discussão</title>
			<sec>
				<title><bold>Modo operatório<italic>,</italic> trabalhar sob suspeita e a memória da marginalização</bold></title>
				<p>Os modos de esquematizar, agir e executar o trabalho das diaristas são bastante diversificados, acompanhando uma característica do seu labor, que é a imprevisibilidade ou variabilidade. A cada residência, elas se deparam com demandas, situações e organizações espaciais diferentes. Salinda disse em tom jocoso: “eu sou corajosa”, numa reflexão sobre sair de casa sem saber o que vai encontrar.</p>
				<p>Contudo, existem alguns aspectos em comuns nesses modos adotados pelas trabalhadoras para realizar o trabalho. Um deles é a prática de investigar, através da conversa com as/os contratantes, as necessidades, exigências e recomendações das famílias beneficiadas pelos seus serviços. Embora esse movimento seja um componente da busca por uma boa avaliação do trabalho, como nos disse Maria, de 45 anos: “eu chego em uma casa e pergunto: como é esse seu cômodo?... porque você está fazendo para outros”, também está relacionado a outra questão que nós estamos chamando de trabalhar sob suspeita.</p>
				<p>Faz parte do modo operatório, ou dos modos operatórios (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>), das mulheres diaristas, uma preocupação com as disposições e os lugares dos objetos e pertences das famílias, principalmente os de valor. Por isso, na maioria dos relatos, apareceu o ato de memorizar as organizações iniciais ou encontradas de alguns cômodos ou móveis, bem como a vigilância para manter os pertences sempre à vista, facilitando a localização. A conversa inicial com os(as) contratantes, portanto, também serve para obter informações sobre a existência de objetos de valor na residência, saber das restrinções ou exigências em relação a eles. Luamanda, de 31 anos, nos contou:</p>
				<disp-quote>
					<p>Eu sempre tento deixar organizado, do jeito que eu encontrei... você tem que deixar de um jeito que eles consigam ver. Tem que ficar na visão de todos eles... uma vez, ela tinha deixado tudo espalhado, eu juntei, eram anéis dela e do esposo e não encontraram... era uma casa que entrava muita gente... mas aí, desconfiaram da diarista... querendo ou não, torna-se um constrangimento. Às vezes, tem pessoas que não têm coragem de ligar e não pedem mais a faxina ou falam mal ao invés de lhe indicar.</p>
				</disp-quote>
				<p>As trabalhadoras que expuseram tal questão, trouxeram-na justamente quando falavam sobre o que faz uma diarista ou as situações desagradáveis do trabalho, demonstrando que há constante suspeitas sobre elas, gerando constragimentos de sua atividade de trabalho ou de seu trabalhar, quer dizer, os gestos, a inteligência, a interpretação, o reagir, o inventar - necessários ou forjados - nas circunstâncias materiais e sociais que se interpelam na realização de uma tarefa (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Dejours, 2004b</xref>).</p>
				<p>O cuidar para “evitar” (as aspas enfatizam a parcialidade do alcance do objetivo) a suspeição ou as acusações - diretas ou indiretas - no trabalho pode ser entendido como um ajuste, uma regra informal estabelecida pelas diaristas em seu saber-fazer (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>), além de se ancorar na memória da marginalização social de sua ocupação. Zaíta, de 43 anos, expôs: “Ás vezes, as pessoas também julgam pela aparência. Por conta de eu morar em uma área de risco... acha que eu vivo misturada na bandidagem...”. Ou, como pensou Duzu-Querença, de 46 anos: “Quando eu saia de bolsa eles ficavam olhando muito pra ela... porque, assim, eu sou diarista, eu sou morena, mas minha mãe me ensinou a não pegar nada de ninguém”.</p>
				<p>Como podemos observar, a suspeição, embora seja ingrediente da realidade de trabalho das diaristas, não é algo conversado ou avisado entre elas, pelo menos não entre as entrevistadas. É algo mais subjacente do que evidente ou compartilhado. É algo do vivido.</p>
				<p>Por isso escolhemos a memória ao invés de consciência da marginalização. Entendemos memória como o “não saber que conhece”, o lugar de inscrições que restituem uma história subjacente, onde a verdade emerge, embora o discurso da consciência tente excluí-la (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>, p.70). Nesse contexto, trata-se da história de incriminação das trabalhadoras domésticas remuneradas - especialmente das mulheres negras -, marcadas pela convergência entre racismo, sexismo e classismo.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) alega que o mito da trabalhadora doméstica ladra, criminosa e suja tem a ver com o processo amplo e estrutural de construção e disseminação das narrativas essencialistas sobre a história da população negra, as quais (re)produzem uma ideia de degenerescência das pessoas negras. Ao se tratar do sujeito feminino negro periférico, a branquitude<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> patriarcal burguesa projetou ou projeta sobre ele - principalmente quando está no TDR dito o lugar natural de mulher negra - a malicia, a vadiagem, o oportunismo, a pilantragem e a ingratidão (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>).</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B25">Peçanha (2019</xref>), por exemplo, cita o papel da imprensa brasileira do século XIX na implantação e disseminação desses estigmas. A mulher negra trabalhadora doméstica remunerada ora era representada pelo apelo sexual em torno de seus corpos e comportamentos, ora por uma suposta periculosidade, enxergada em sua proximidade com a propriedade privada ou com os bens das famílias.</p>
				<p>Com base em interpretações ancoradas nas contribuições de <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez (2020c</xref>), podemos concluir que, para a branquitude, a mulher negra é a mulata, a mãe preta, mas também é a mulher de bandido e a mãe de delinquente.</p>
				<p>São essas essencializações racistas e sexistas vivenciadas pelas trabalhadoras domésticas remuneradas - mulheres negras -, que subsidiam as insinuações ou as acusações feitas pelos(as) contratantes sobre a inteireza moral das diaristas. Elas também explicam o fato de os(as) empregadores(as) não se sentirem desconfortáveis diante da injustiça e, mais do que isso, esperarem das diaristas compreensão e até mesmo alívio. Duzu-Querença disse: “Clonaram o cartão da patroa. Fizeram compra e empréstimo... quando ela chegou... ela falou: ‘você acredita que eu sai daqui rezando para não ser sua letra que estava lá’... até então, ela achava que estava com uma ladra”.</p>
				<p>Além do dispêndio psicoafetivo dessas situações para as diaristas, que têm que conviver com essas injustiças, com a falta de remorso dos(as) contratantes, tais essencializações somam-se às várias dificuldades que as trabalhadoras domésticas remuneradas enfrentam na luta por reconhecimento e direitos.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) ressaltam que o modo como enxergamos as trabalhadoras domésticas, a partir do TDR, respalda a nossa relutância, enquanto sociedade, de validar ou apoiar essas trabalhadoras, quando clamam por direitos, relações mais autônomas de trabalho, respeito. Isso evidencia a funcionalidade da marginalização para fins de exploração capitalista da mão de obra feminina negra (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Gonzalez, 2020a</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>“Se virando nos trinta”: sobrecarga de trabalho, pressões e naturalização de alguns abusos</title>
				<p>Entre as entrevistadas, identificamos uma defesa ou apelo em torno da necessidade de uma melhor definição e imposição de limites e de organização do trabalho que desenvolvem, levando em consideração as situações concretas e a forma de exercício de sua atividade. As tarefas e serviços realizados por elas em uma diária são muito variados, vão desde limpeza dos ambientes, dos móveis, de eletrodomésticos, de janelas, ao preparo de refeições, lavagem de roupas, cuidado de animais e plantas, entre outros.</p>
				<p>Segundo as diaristas, existe uma discrepância significativa entre a quantidade, o volume de trabalho e o tempo para dar conta disso - elementos que são apontados como uma das grandes diferenças entre o trabalho de diarista e de empregadas domésticas -, o que torna a jornada laboral bastante cansativa. Sobre isso, Esmeraldina, de 44 anos, relatou: “Como diaristas, você trabalha um dia pegando serviço de mais ou menos uma semana ou mês... quando você é a trabalhadora que está no decorrer da semana, você divide as tarefas”.</p>
				<p>As diaristas consideram que essa realidade conforma-se na inadequadada coexistência de demandas em um único dia de trabalho; algumas, inclusive, vistas por elas como abusos ou excessos por parte das(os) contratantes. Por exemplo, as entrevistadas se mostraram contrárias ao fato da diarista ter que realizar a limpeza, o preparo de refeições, lavar ou passar roupas em uma diária ou pelo preço de uma. Zaíta disse: “Eles diziam que estavam me pagando, mas aí eu disse que eles estavam pagando para fazer a faxina, as roupas são outra coisa”.</p>
				<p>Ademais, consideram solicitações como limpar o interior de móveis ou de eletrodomésticos (guarda-roupas, geladeira), servir as/os contratantes (servir refeição ou copo de água), cuidar de plantas e recolher os dejetos de animais ou higienizar seus locais de permanência, como sendo excessos, abusos que colaboram para aumentar o tempo de estância no local de trabalho. Como fica claro no relato a seguir:</p>
				<disp-quote>
					<p>Têm coisas que não é para você fazer, que dá para eles fazerem, mas eles não querem fazer. Eles jogam para você... às vezes coloca para cuidar de cocô de cachorro (risos). Eu tinha uma diária e a mulher tinha dois cachorros grandes, ela queria que eu deixasse a casa dos cachorros limpa. Eu deixava para o final da tarde, porque eu morria de medo. (Maria, 45 anos)</p>
				</disp-quote>
				<p>Essa queixa ou movimentação das diaristas para impor e levantar fronteiras ou definições sobre o que lhes competem em um dia de trabalho está fundamentada em um autorreconhecimento ou na busca por reconhecimento, haja vista os ínfimos valores pagos por uma grande quantidade de trabalho, o caráter humilhante, torturante ou ariscado de serviços. Sobre isso, Maria relatou sobre as posturas ou solicitações das(os) contratantes, bem como nas implicações da coexistência de demandas sobre o ritmo de trabalho.</p>
				<p>Em geral, o ritmo de trabalho das diaristas é bastante intenso, frenético. Tal aspecto está refletido na relação delas com a alimentação e no desgaste de seus corpos. Cida, de 64 anos, disse: “vai comer nas carreiras, em pé, engolindo, porque o trabalho está ali na tua presença, muita coisa... deu cinco, seis horas da tarde, é que você ver que tem terminado. Aí, exaustão total. Cansaço!”. Dores nas articulações são problemas de saúde frequentes entre as entrevistadas, inclusive algumas fazem uso de analgésicos durante ou após o trabalho.</p>
				<p>Também atentamos para os problemas gastrointestinais, apesar de não terem sido enfatizados pelas trabalhadoras, somente por Ana Davenga: “também tenho problema no estômago, eu sinto muita dor”. Eles podem aparecer ou serem intensificados mediante a má qualidade da relação com a alimentação imposta pelo ritmo frenético de trabalho ou pelos longos períodos sem a ingestão de alimentos, pois elas fazem pouquíssimas refeições - em média o café da manhã e/ou almoço e, em algumas diárias, apenas quando levam de casa.</p>
				<p>Embora exista esse apelo ou defesa das diaristas para (re)definir ou enquadrar o seu trabalho - em termos de tarefas, regime de trabalho ou em relação às tarefas e remuneração -, elas têm que tentar negociar tal visão ou desejo com as famílias em um jogo de forças extremamente desigual. Assim, até as mais assertivas em seus discursos sobre a questão admitiram que, na prática, não têm muito êxito nesse quesito. Maria disse: “aí o pessoal diz que quer que cozinhe, quer que você faça isso e isso... tem diarista que não quer fazer e não faz, mas às vezes você precisa do serviço e aí você tem que fazer”.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) pontua que o regime de trabalho doméstico por diárias ofereceu pouca ou nenhuma salvaguarda contra algumas situações e, para as trabalhadoras, não significou relações de trabalho mais autônomas ou de menor subordinação. Nas situações em que as diaristas conseguem negar a lógica da servidão que lhes é imposta, isso já é suficiente para causar estranhamento e respostas por parte das(os) contratantes. Isso acontece por não ter tido mudanças signficativas em termos de uma (des)contrução social sobre a atividade de trabalho dessa personagem ou do TDR em sim.</p>
				<p>Independente da forma de exercício do TDR, as famílias - em sua maioria da classe média ou alta - enxergam na trabalhadora doméstica remunerada, ou esperam encontrar nela, uma “faz de tudo” (Natalina, 53 anos). Espera-se que alguém - sobretudo a trabalhadora doméstica negra - esteja sempre disponível, atenda a variadas necessidades e, por vezes, a caprichos e vontades, como se fosse uma extensão das famílias (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeria, 2021</xref>). Contudo, como sugere <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>), não no sentido de “fazer parte”, mas de pertencer como propriedade, como ferramenta. Ao mesmo tempo, minimizam a magnitude do que essas trabalhadoras fazem (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>).</p>
				<p>Como doméstica remunerada, a mulher trabalhadora negra é tratada como um “burro de carga” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>, p.73), um corpo forte e produtivo, que está destinado e supostamente aguenta uma quantidade matematicamente elevada de trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Gonzalez, 2020a</xref>).</p>
				<p>Tal conjuntura está posta na problemática circunscrição brasileira do emprego doméstico, historicamente realizado por muheres negras. Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o emprego doméstico refere-se a uma gama de cargos ou funções (empregada doméstica - diarista - arrumadeira - faxineira) tidos como sinônimos e agrupados por uma descrição sumária. Tal descrição reúne variadas tarefas no âmbito doméstico, inclusive o de cuidar de peças do vestuário, de plantas e animais domésticos, em um tempo integral, parcial ou por jornada diária (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Ministério do Trabalho, 2002</xref>). </p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B16">Gonzalez (2020b</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) apontam, a partir de uma divisão sexual e racial do trabalho, que reserva-se às mulheres negras um enorme espaço para o labor em suas vidas - através de ocupações precárias, penosas, insalubres e invisibilizadas. São trabalhos propícios para relações laborais sob rigores desumanizantes, perpassadas por marcas históricas da participação da mulher negra nas sociedades.</p>
				<p>Ainda sobre a sobrecarga de trabalho das diaristas ou sua vinculação com a discussão em torno do que é cabível a essa ocupação, nos chamou atenção que, a depender dos acontecimentos cotidianos, determinadas tarefas - como providenciar a alimentação das(os) filhos(as) das(os) contratantes, ser companhia para idosos(as), amaparar e cuidar de adulto alcoolizado - perpassam o dia a dia como diaritas. Maria contou: “a gente joga dominó... a idosa só quer que eu saia às 17:00 horas... dar umas cinco e pouco, eu digo que eu vou embora... aí eles dizem: não vai não, fique aqui”.</p>
				<p>São tarefas que, embora tenham implicação sobre a quantidade e o volume de trabalho das diaristas e, consequentemente, sobre o tempo de permanência na residência, não foram classificadas por elas como excessos ou abusos.</p>
				<p>Não obstante, entendemos que essas situações também sejam decorrentes do modo como a sociedade enxerga e trata as trabalhadoras domésticas, associando serviço e servidão, aspectos engendrados nas hierarquias de gênero, raça e classe (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>). Pontuamos a pertinência de refletir acerca da assimilação ou introjeção dessas diferenciações, produtoras de desigualdades pelas próprias diaristas.</p>
				<p>Para tanto, ressaltamos ou refletimos sobre as marcas ou implicações de dois produtos ideológicos ou enquadramentos sociais: a “dona de casa” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>, p. 230) e a “mãe preta” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>, p.78), na forma como as trabalhadoras reagiram e pensaram nas/sobre as situações supracitadas. Em relação à dona de casa, <xref ref-type="bibr" rid="B13">Federici (2019</xref>) pontua que, apesar de nunca ter sido uma realidade para a marioria das mulheres, as mulheres negras, por exemplo, têm suas trajetórias de vida atravessadas por trabalho duro e precário fora e dentro de casa. Trata-se de um enquadramento que recai sobre todas elas, enquanto modelo de feminilidade e organização familiar dominante. Toda mulher está condicionada, mesmo que inconscientemente, à realização das tarefas domésticas: cuidar, ser empática, abrir mão, amar incondicionalmente, servir e sentir prazer nisso. Diante desse processo de socialização, elas tendem a pensar e agir de acordo com essa identidade social, que lhes foi atribuída, nos mais diferentes espaços - principalmente no privado, onde tais atributos suspostamente encontram muito sentido e naturalidade.</p>
				<p>Ademais, a convergência entre racismo e sexismo traz para as mulheres negras o ideal da mãe preta, uma figura respaldada na ama negra<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> dos tempos de escravidão, de quem se atribui e espera docilidade, dedicação e amabilidade para com as famílias. A ela é dada uma colher de chá (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>). Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>), esse ideário costuma fazer parte das vivências das mulheres trabalhadoras domésticas negras, seja através da reafirmação dessa narrativa-expectativa ou através do rompimento com ela.</p>
				<p>Tanto a dona de casa quanto a mãe preta são enquadramentos sociais com poder de dissimulação e produção de recompensas para quando essas expectativas são correspondidas (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Federici, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>). Por isso, é compreensível e denunciante as entrevistadas naturalizarem as circunstâncias relatadas e até encontrarem nelas um meio para se sentirem valorizadas pelas famílias. Sobre o tempo passado com os idosos, Maria falou: “uma das filhas chegou e me pegou jogando dominó com eles, e me agradeceu... foi uma valorização”.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B14">Guimarães (2019</xref>) atenta para a funcionalidade dessas formas de trabalho doméstico que não receberam o caráter de trabalho (como o de dona de casa ou o trabalho maternal), assim como para a ocultação de parte das atividades realizadas nos trabalhos domésticos não reconhecidos como profissão/ocupação e, consequentemente, sem remuneração por elas.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Experimentação pelas diaristas da violência e assédio sexual no trabalho</title>
				<p>Na América Latina e Caribe, o TDR está entre as modalidades de trabalho mais suscetíveis à violência e ao assédio sexual (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Themis: Gênero, Justiça e Direitos Humanos, 2022</xref>). Essa conjuntura, que não pode ser mais ocultada, foi forjada pela violência colonial escravagista contra os corpos femininos negros e indígenas. Para as mulheres negras escravizadas, a violência sexual fez parte do que seria seu trabalho, dos castigos aplicados e de suas noites, principalmente para aquelas que prestavam serviços no interior da casa-grande (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>).</p>
				<p>Na sociedade do trabalho dito livre, esse passado permanece vívido, no entanto agora dissimulado pela dialética entre a hipersexualização dos corpos das trabalhadoras domésticas, a ambiguidade da prestação de serviço construída pela racionalidade colonial. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez (2020c</xref>), subjacente à porta de serviço, está atribruída a prestação de serviço sexual, as pragmáticas machistas sobre o comportamento masculino e a precariedade da condições materiais dessas trabalhadoras (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Texeira, 2021</xref>).</p>
				<p>Algumas das diaristas entrevistadas relataram terem vivenciado o assédio sexual ou evidenciaram a questão, no sentido de ser uma ameaça no cotidiano laboral. Para ilustrar, temos a fala de Zaíta, de 43 anos:</p>
				<disp-quote>
					<p>Eu sai mais porque o dono, o patrão estava me assediando... até teve uma filmagem dentro do elevador, onde flagra ele tentando me agarrar. A síndica veio conversar comigo, ela me aconselhou a fazer um B.O. e ofereceu a filmagem, ... eu não quis denunciá-lo... em respeito à esposa dele... Eu fico sem entender, porque eu nunca dei motivos. Eu nunca andei nua, nunca sai mostrando nada, então, por quê? Eu chorei, eu passei uma semana sem dormir direito... eu me senti como se estivessem arrancando um pedaço de mim.</p>
				</disp-quote>
				<p>Seu relato mostra que, além da violência a que foi submetida, Zaíta também carregou consigo a dúvida a respeito de sua própria conduta. Produziu-se, assim, uma espiral de sofrimento tão intensa que a aflingiu a ponto de ela nem conseguia dormir. Ademais, tanto Zaíta quanto as demais diaristas, que evidenciaram esse problema, tiveram esse pensamento a partir da associação entre o ser mulher e os aspectos do trabalho remunerado. Duzu-Querença ressaltou: “Têm muitos homens que acham que porque você tá trabalhando ali, a gente tem que se assujeitar... a gente, mulher, passa por muitas humilhações com esses homens”.</p>
				<p>Contudo, essa associação não estava acompanhada de uma reflexão crítica sobre os episódios ou sobre essa ameaça - violência comum para elas. As trabalhadoras citaram como causas ou motivos para o assédio sexual, sofrido ou iminente, uma suposta natureza sexual masculina<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> ou o mau-caratismo dos contratantes, bem como a relação desses aspectos com suas próprias atitudes. Conforme as entrevistadas, a forma de se vestir e de se portar são fatores para a ocorrência do assédio sexual, o que as fazem se sentir culpadas ou responsabilizadas pelo assédio, como podemos notar no relato acima.</p>
				<p>É difícil para elas se reconhecerem como vítimas, quando nasceram, cresceram e vivem em uma sociedade que naturaliza a violência contra os corpos femininos, especialmente contra os corpos femininos negros (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Carneiro, 2003</xref>). </p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) ressalta que a objetificação sexual das domésticas tem bastante relação com as noções de promiscuidade, libidinagem, infidelidade ou de uma suposta sedução dos detalhes anatômicos de seus corpos, ou seja, que são sexualmente disponíveis. Trata-se de violências simbólicas forjadas nas sobreposições de gênero, raça e classe. Tais construções ideológicas contribuem para a presença da autoculpabilização entre as mulheres trabalhadoras domésticas remuneradas que foram assediadas sexualmente, assim como para a relativização da responsabilidade do autor da agressão.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) ainda ressalta o peso do não entendimento das violências sofridas enquanto expressões das assimetrias de poder, de desigualdades para esse movimento de individualização do enfrentamento de tais vivências.</p>
				<p>A individualização das formas de enfrentamento - por causa da ameaça ou da ocorrência do assédio sexual no trabalho - é um dos aspectos da realidade das entrevistadas, além do abandono do trabalho, caminho mais frequente (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>), do “jogo de cintura” para se esquivar ou barrar as investidas dos assediadores, como conta Zaíta: “às vezes, eu tinha que colocar baldes... para ele não passar”. As diaristas adotam certas precauções, assim entendidas por elas, como conversarem o mínimo com os contratantes, não ficarem sozinhas com eles, vestirem-se de forma adequada, ou seja, evitar roupas curtas, que marquem o corpo ou que tenham decotes. Nas palavras de Maria: “me colocar no meu lugar”.</p>
				<p>De certo que esse cenário ilustra bem o que <xref ref-type="bibr" rid="B21">Lerner (2019</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B15">Gonzalez (2020a</xref>) expõem sobre a sobrevivência dos sistemas supremacistas. O racismo e o patriarcado dependem da cooperação das(os) subordinadas(os), quer dizer, da internalização da ideologia dominante, da inferioridade e precariedade impostas, por intermédio da doutrinação, da privação de educação, da coerção ou das recompensas - quando se conformam ou agem de acordo -, da discriminação no acesso a recursos econômicos e de proteção social.</p>
				<p>Assim, também salientamos a implicação da condição de trabalhadoras informais. A instabilidade de oferta de trabalho, as baixíssimas remunerações e a ausência de direitos trabalhistas como outros percalços para ações mais efetivas diante do assédio sexual.</p>
				<p>Ademais, chegar até a denúncia formal muitas vezes exige dessas mulheres trabalhadoras superar ou enfrentar mais dificuldades, como as solicitações por provas, os expedientes racistas e sexistas, o clientelismo das instituições, a falta de apoio social ou comunitário. Segundo relatório da <xref ref-type="bibr" rid="B27">Themis: Gênero, Justiça e Direitos Humanos (2022)</xref>, a influência social dos patrões ou contratantes, o isolamento característico do contexto laboral e a falta de empatia da família do assediador são alguns dos fatores de desempoderamento das mulheres trabalhadoras domésticas, em casos de denúncia de assédio sexual.</p>
				<p>Esse quadro evidencia que o assédio sexual no TDR é um dos componentes da precariedade emocional e psíquica de seu exercício e da noção de insegurança trabalhista ou no trabalho a qual as diaristas e demais trabalhadoras domésticas remuneradas estão suscetíveis. Uma vivência extremamente traumática, tanto por conta do teor de violação - inerente a tal agressão - quanto pelos processos de culpabilização das vítimas decorrentes - que suscitam sentimentos de vergonha e culpa nas trabalhadoras.</p>
				<p>Outrossim, questionamos a ausência ou insuficiente contemplação das relações de poder, da divisão racial e sexual do trabalho na compreensão e disposição de risco ocupacional, que, predominantemente, assumem um carater tecnicista, mecânico e bioquímico. Tal situação dificulta a construção de normas reguladoras e políticas públicas que abarquem as especificidades dos riscos dos trabalhos realizados por mulheres, bem como ofereçam respostas em termos de prevenção e reparação por eles (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Brito, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>). Questiona-se, então: Não seria o assédio sexual um acidente de trabalho? Desse modo, não deveria ser reconhecido como tal para efeitos jurídicos e previdenciários?</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Mobilização coletiva e sindicalismo: Manifestações e dificuldades na trajetória da mulher diarista</title>
				<p>Apesar das trabalhadoras diaristas não terem formalmente representação sindical, todas as entrevistadas mantinham contato com o sindicato e eram beneficiadas por muitas de suas ações. A maioria compunha o público-alvo das oficinas, das palestras, das panfletagens, dos repasses de doações ou o quantitativo daquelas que se beneficiavam de informações e apoio no local. Algumas também auxiliavam em atividades de organização e operacionalização das ações junto com as dirigentes.</p>
				<p>Em suma, o contato com o espaço sindical foi elencado pelas diaristas como uma referência de acolhimento, de aprendizado, de provisão e de proteção diante das mais diferentes situações de trabalho: perda das diárias, conflitos com os(as) contratantes, dúvidas sobre sua condição e legislação do TDR, entre outros. Para além disso o sindicato também foi citado como um elo entre elas, as políticas públicas e programas ou projetos sociais, que compartilham informações e orientações. Nesse sentido, como ressalta Luamanda:</p>
				<disp-quote>
					<p>Lá não é só um sindicato, é uma família para apoiar... eu posso está passando por uma necessidade e dizer que estou passando por isso e aquilo. Aí, ela diz que vai falar com as outras, em tudo que pode vai apoiar. Avisa sobre doações, sobre as inscrições para receber doações. Eu acho isso muito importante, você precisa de algo, de uma palavra amiga, elas estão ali para ajudar.</p>
				</disp-quote>
				<p>Essa experiência de apoio mútuo, de valorização do trabalho ou delas próprias como pessoas, possibilitada por esse contato com o sindicato, vai além do atendimento das necessidades urgentes, seja materiais ou de orientação. Assim, foi possível notar que o sindicato funciona como uma espécie de escudo que se ergue contra efeitos negativos na subjetividade, na autoestima, do desamparo, da solidão de ser uma mulher - em geral negra -, trabalhadora informal, de estar invisibiliza/excluída das ações e políticas de Estado, do tratamento recebido das famílias para quem trabalha e de uma sociedade - discriminando as pessoas pela cor, sexo/gênero ou trabalho que desenvolvem. Como disse Cida: “É um convívio que massacra muito”.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bernardino-Costa (2015</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) argumentam que o contato com o sindicato constitui um divisor de águas na trajetória laboral das trabalhadoras domésticas, rompendo com o isolamento intramuro vivenciado pelas trabalhadoras e agindo como um espaço onde pensa-se ou luta-se em prol de melhorias para a categoria ocupacional. Ademais, dependendo das dinâmicas sindicais, permite que elas se aproximem de sua historicidade enquanto mulher trabalhadora doméstica, pertencente a uma minoria étnica/racial, ou seja, de sua identidade social interseccionada, fundamental para a mobilização em torno de pautas e projetos que visem atingir ou superar as desigualdades que lhes são impostas.</p>
				<p>Mas, como toda ação coletiva, o sindicalismo acontece mediante o apoio e a participação ativa das trabalhadoras e trabalhadores que compõem o gênero profissional e ocupacional. Como consta na literatura (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bernardino-Costa, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>) e, enquanto assunto ou descontentamento expresso pelas diaristas, sobretudo pelas que estavam mais engajadas com a luta sindical, a participação das mulheres trabalhadoras domésticas remuneradas ou sua manutenção junto as associações/sindicatos ainda constitui um desafio. Zaíta disse: “De dez trabalhadoras que nós convidamos para explicar os direitos... como elas têm que fazer para fortalecer a categoria... apenas duas comparecem”.</p>
				<p>Baseados nisso e na noção de trabalho coletivo de <xref ref-type="bibr" rid="B9">Dejours (2012</xref>), na qual a cooperação entre trabalhadores(as) - voltada para melhorar suas condições laborais ou a economia físico-psíquica - não pode ser imposta, mas apenas favorecida ou preservada. Isso se constitui nas práticas de convivência e nos espaços de confiança. Destacamos, então, alguns pontos, na experiência pessoal das diaristas, que merecem atenção quando se busca a convivência no trabalho, essencial para a luta sindical e coletiva.</p>
				<p>As baixíssimas remunerações e a dupla ou tripla jornada, inclusive em dias não úteis, suscitam limitações, como de deslocamento e/ou de disponibilidade de tempo para prestigiar e participar das atividades sindiciais. Ana Davenga disse: “é 100 reais que eu ganho, mas é 100 reais para tanta coisa” ou como Luamanda externou: “só que eu não pude ir porque minha menina tinha quebrado o braço”.</p>
				<p>Quando se fala de participação feminina nos espaços de organização sindical ou de luta política, <xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata (2002</xref>) destaca que a defasagem salarial ou de remuneração e a dupla ou tripla jornada de trabalho são artimanhas para enviar ou manter as mulheres trabalhadoras na esfera privada, no âmbito do individual, inibindo, assim, as práticas coletivas e as ações reivindicatórias, que, como disse <xref ref-type="bibr" rid="B13">Federici (2019</xref>), têm um potencial enorme, sobretudo quando provêm da classe trabalhadora feminina negra (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>). É a partir disso que encontraremos a imposição das menores remunerações, de uma maior captura do tempo e do atomismo (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>), características marcantes do dia a dia da mulher trabalhadora diarista.</p>
				<p>Paralelamente a isso, evidenciamos algumas ideias falaciosas que permeiam a visão de trabalho ou do mundo das entrevistadas. A primeira diz respeito à uma suposta possibilidade de negociação entre diarista e contratante, ou seja, que, nessa vivência, a trabalhadora poderia impor suas condições, fazer exigências, como se fosse uma relação equiparada. Segue a fala de Cida: “trabalhar sua autovalorização como profissional e não permitir que o povo que tenha dinheiro comande... Eu fico feliz quando eu vejo algumas que não se permitem”.</p>
				<p>De fato, e, como salientado por <xref ref-type="bibr" rid="B19">Hooks (2010</xref>), (re)afirmar o próprio valor, acolher as necessidades emocionais, enxergar-se como merecedora de ser respeitada ou de gozar de prazer e felicidade é fundamental para o processo de resistência contra as opressões destinadas às mulheres negras. Contudo, a autora explica que a afirmação, o autorreconhecimento, do qual fala, andam lado a lado com a vontade e ação coletiva de garantir mudanças na sociedade, possibilitando viver plenamente. A ideia de protagonismo, de afirmação ou “amor interior” de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Hooks (2010</xref>, p. 9) afasta-se de uma perspectiva solipsista, que desconsidera as relações de poder ou as condições necessárias para suscitar ou garantir tal intenção ou prática.</p>
				<p>Essa ressalva é extremamente pertinente em virtude da propagação no neoliberalismo-patriarcal-racista de narrativas que esvaziam o caráter sócio-histórico e coletivo de empoderamento e protagonismo. Como lembra <xref ref-type="bibr" rid="B1">Arruzza et al. (2019</xref>), em tal cenário energias rebeldes têm sido apropriadas para beneficiar a manutenção do <italic>status quo.</italic></p>
				<p>Outra ideia expressa pelas entrevistadas que merece atenção é a de que haveria uma escolha pela informalidade ou por manter-se na informalidade entre elas. Ao avaliar a conjuntura de diarização do TDR, Esmeraldina disse: “A diarista hoje em dia, a maioria não quer assinar a carteira... ela pode pagar o INSS<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> particular... essa é inteligente por fazer isso e a outra que não paga está ferrada”. É oportuno pontuar que, se a remuneração que recebem por diária já é tão baixa, ainda ter que custear sua própria segurança previdenciária torna-se, muitas vezes, impossível de ser feita. Entre as entrevistadas é diminuto o número que pagavam previdência, tendo o baixíssimo poder aquisitivo de suas famílias identificado como o principal fator.</p>
				<p>Outrossim, identificamos, nas trajetórias das diaristas, muitas nuances sobre essa suposta escolha por manter-se na informalidade. A realização do TDR por meio de diárias, por vezes, possibilita às diaristas atenderem à necessidade de horários flexíveis e parciais para se dedicarem ao trabalho doméstico não remunerado - aspecto que está diretamente relacionado à condição de mulher trabalhadora. Em outros casos, existe o medo da perda do trabalho, caso tenham a carteira assinada, haja vista que algumas expuseram que é prática comum dos(as) contratantes assinarem a carteira e depois de um pequeno período realizarem a demissão. Maíta contou: “Ela assinou e com dois meses me mandou embora”.</p>
				<p>O individualismo e a despolitização das noções de negociação, empoderamento e informalidade observados entre as diaristas são preocupantes, pois favorecem a responsabilização individual da trabalhadora por suas circunstâncias de vulnerabilidade, tanto entre elas mesmas quanto em relação às demais domésticas. Além disso, dificultam a identificação de ameaças ou impasses comuns, como a participação ativa delas nas práticas coletivas e/ou sindicais, podendo ocasionar animosidade.</p>
				<p>Cabe ressaltar também que as entrevistadas, quando pensam sobre a relevância do seu trabalho, acabam limitando-a ao âmbito pessoal. Elas falam do sustento, da independência quanto aos companheiros e familiares, e sobre as relações com as famílias para quem trabalham. Salinda disse: “Para eles terem um ambiente organizado, porque eles não conseguem fazer, eles não dão conta”.</p>
				<p>Tais pontuações compõem o escopo da relevância que o trabalho da diarista tem para ela ou para os(as) outros(as), contudo, pontuamos que os trabalhos domésticos, remunerados ou não, são essenciais, fulcrais para o estabelecimento e manutenção dos modos de trabalho e de vida nas sociedades capitalistas (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>). Estender ou ampliar a consciência da relavância desse tipo de atividade - em termos de reprodução social - tem especial potencial de reivindicação (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>). A delegação do trabalho doméstico, nesse caso em forma de diárias, possibilita aos(as) contratantes, de vários estratos da classe trabalhadora, a qualificação formal, o trabalho remoto, a participação em eventos corporativos, espaços políticos ou práticas culturais etc.</p>
				<p>O viver junto no/pelo trabalho também ocorre fora dos espaços formais de luta coletiva e sindical, podendo fornecer ou originar muitas lições e caminhos para organização política formal, digamos assim. As diaristas relataram, ainda, práticas de coleguismo e solidariedade entre elas, em decorrência do contato por dividirem a mesma localidade de moradia ou o trajeto entre casa e trabalho. Elas se ajudam na busca por trabalho, na provisão de apoio emocional em momentos críticos e na criação de situações de descontração e reconhecimento. Ana Davenga exprimiu: “Contei para uma amiga diarista... ela disse: você precisa aguentar... se eu arrumar outra diária eu passo pra ti”. Desse modo, pensamos que a experiência em pequenos grupos, atravessada pela proximidade territorial ou pelo compartilhamento de transporte público, são fatores a se considerar.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>As mulheres diaristas têm seu cotidiano laboral perpassado por preocupações, tarefas, ritmos e ameaças/riscos engendrados nas insígnias, relações e condições materiais. Tal situação é decorrente da matriz de opressão de gênero, raça e classe, bem como por movimentos individuais e coletivos, que inscrevem resistência e ressignificação ante a essa realidade.</p>
			<p>A marca da marginalização forjada nas hierarquizações e desigualdades que lhes atravessam grava, na variedade de seus modos operacionais, um traço em comum: o cuidar para evitar a suspeição que, portanto, compõe o trabalhar das diaristas e os contragimentos de sua atividade. A vergonha, o cansaço e a perda da ocupação são algumas das conseguências psicoafeitvas e materiais que essas trabalhadoras enfrentam, por terem sua idoneidade colocada à prova no trabalho.</p>
			<p>A sobrecarga e o ritmo frenético de trabalho das diaristas abrem a discussão acerca do que lhes compete, do que é humanamente adequado, seguro e justo de ser realizado em uma diária. Um debate desejado por elas e que passa também pelo enfrentamento da racionalidade racista e sexista de enxergar ou tratar a trabalhadora doméstica remunerada, inclusive refletida em documentos nacionais de classificação e descrição dos trabalhos domésticos remunerados.</p>
			<p>A subalimentação e os problemas osteomusculares presentes na realidade laboral das diaristas devem ser considerados nessa discussão como reflexos ou agravantes dos efeitos na saúde das trabalhadoras, decorrentes dessa forma de exercício do TDR, principalmente diante da faixa etária delas.</p>
			<p>O assédio sexual no trabalho foi evidenciado como vivência ou preocupação pelas participantes. É especialmente inquietante - ante um problema inadmissível e provocador de tantos danos para a integridade física, psíquica e sexual da trabalhadora - assistirmos ao caráter individual, reducionista e paliativo das (re)ações das diaristas frente a ameaças e ocorrência do assédio. Essa tendência deve ser problematizada a partir da pouca margem de manobra dessas mulheres, configurada na precariedade de trabalho e social imposta pelas imbricações de gênero, raça e classe. Inclusive, sinalizamos aqui o peso que a introjeção, a reprodução dessas diferenciações e hierarquizações têm sobre as perspectivas e condutas das trabalhadoras diante do assédio e de outras situações do cotidiano laboral.</p>
			<p>Ademais, pontuamos o contato das entrevistadas com a luta coletiva e sindical como exemplo do potencial de ação delas, bem como enquanto recurso material e intersubjetivo de fortalecimento das mesmas. Também, acreditamos que esse contato pode possibilitar lições em termos de ação política para as diaristas, que, na atualidade, representam parcela significativa das trabalhadoras domésticas remuneradas. Por isso, e a partir das experiências pessoais das participantes, pensamos criticamente e listamos algumas dificuldades, desafios que interferem na possibilidade de estreitamento da relação entre diaristas e sindicalismo.</p>
			<p>Ademais, destacamos os vínculos de companheirismo e solidariedade, identificados entre as diaristas, que ocorrem fora do espaço sindical, como possíveis de fornecerem caminhos à ação política organizada.</p>
			<p>Esperamos que as análises e inquietações presentes neste trabalho também sirvam de recurso para as diaristas, no tocante ao favorecimento da reflexão crítica sobre sua condição de mulher trabalhadora. Reconhecemos, com esse estudo, o potencial do processo de pesquisa ou do espaço de diálogo criado por ela, para facilitar ajustamentos, (re)concepções e elaborações sobre o trabalho ou sobre a relação que as participantes têm com ele. Para além disso, o estudo passa a ser um registro/documento possível de ser usado para embasar a construção de uma agenda política própria e compartilhada. Comprende-se, então, que o discurso científico tem especial força para inscrever ou respaldar pautas e movimentos no meio social.</p>
			<p>Outrossim, evidenciamos o chamado à academia para pensar e operacionalizar saídas e intervenções para os assuntos, problemas e necessidades relatados ou identificados na trajetória laboral das diaristas. Em particular, ressaltamos os atravessamentos de sexo, gênero, raça e classe nos processos de subjetivação das trabalhadoras.</p>
			<p>Quanto às limitações deste estudo, destacamos que as análises estão circunscritas à realidade local e a um pequeno número de trabalhadoras diaristas. Realçamos também a impossibilidade da realização desta investigação a partir do coletivo de diaristas.</p>
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				<mixed-citation>Monticelli, T. A., &amp; Tamanini, M. (2013). O trabalho das diaristas: Novas considerações no trabalho doméstico. <italic>Revista Eletrônica</italic>, 2(17), 68-81. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://juslaboris.tst.jus.br/bitstream/handle/20.500.12178/96999/2013_monticelli_thays_trabalho_diaristas.pdf?sequence=1">https://juslaboris.tst.jus.br/bitstream/handle/20.500.12178/96999/2013_monticelli_thays_trabalho_diaristas.pdf?sequence=1</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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						<name>
							<surname>Monticelli</surname>
							<given-names>T. A.</given-names>
						</name>
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							<surname>Tamanini</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
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					<year>2013</year>
					<article-title>O trabalho das diaristas: Novas considerações no trabalho doméstico</article-title>
					<source>Revista Eletrônica</source>
					<volume>2</volume>
					<issue>17</issue>
					<fpage>68</fpage>
					<lpage>81</lpage>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://juslaboris.tst.jus.br/bitstream/handle/20.500.12178/96999/2013_monticelli_thays_trabalho_diaristas.pdf?sequence=1">https://juslaboris.tst.jus.br/bitstream/handle/20.500.12178/96999/2013_monticelli_thays_trabalho_diaristas.pdf?sequence=1</ext-link>
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			<ref id="B25">
				<mixed-citation>Peçanha, N. B. (2019). Que liberdade? Uma análise da criminalização das servidoras domésticas cariocas (1880-1930). <italic>Estudos Históricos</italic>, <italic>32</italic>(66), 287-306. https://doi.org/10.1590/S2178-14942019000100014</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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					<year>2019</year>
					<article-title>Que liberdade? Uma análise da criminalização das servidoras domésticas cariocas (1880-1930)</article-title>
					<source>Estudos Históricos</source>
					<volume>32</volume>
					<issue>66</issue>
					<fpage>287</fpage>
					<lpage>306</lpage>
					<pub-id pub-id-type="doi">https://doi.org/10.1590/S2178-14942019000100014</pub-id>
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			<ref id="B26">
				<mixed-citation>Teixeira, J. (2021). <italic>Trabalho doméstico</italic>. Jandaíra.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>Teixeira</surname>
							<given-names>J.</given-names>
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					<source>Trabalho doméstico</source>
					<publisher-name>Jandaíra</publisher-name>
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				<mixed-citation>Themis Gênero, Justiça e Direitos Humanos. (2022). <italic>Assédio sexual e as trabalhadoras domésticas na América Latina e Caribe</italic>. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://themis.org.br/publicacoes/">https://themis.org.br/publicacoes/</ext-link>
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						<collab>Themis Gênero, Justiça e Direitos Humanos</collab>
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					<year>2022</year>
					<source>Assédio sexual e as trabalhadoras domésticas na América Latina e Caribe</source>
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			<ref id="B28">
				<mixed-citation>Vilela, P. R. (27 de Abril de 2022). Mulheres negras são 65% das trabalhadoras domésticas no país. <italic>Agência Brasil</italic>. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-04/mulheres-negras-sao-65-das-trabalhadoras-domesticas-no-pais#:~:text=Mulheres%20negras%20s%C3%A3o%2065%25%20das%20trabalhadoras%20dom%C3%A9sticas%20no%20pa%C3%ADs,-Maioria%20recebe%20menos&amp;text=As%20mulheres%20representam%2092%25%20das,%2C7%20milh%C3%B5es%2C%20em%202021">https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-04/mulheres-negras-sao-65-das-trabalhadoras-domesticas-no-pais#:~:text=Mulheres%20negras%20s%C3%A3o%2065%25%20das%20trabalhadoras%20dom%C3%A9sticas%20no%20pa%C3%ADs,-Maioria%20recebe%20menos&amp;text=As%20mulheres%20representam%2092%25%20das,%2C7%20milh%C3%B5es%2C%20em%202021</ext-link>
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				<element-citation publication-type="webpage">
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							<surname>Vilela</surname>
							<given-names>P. R.</given-names>
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					<month>04</month>
					<year>2022</year>
					<article-title>Mulheres negras são 65% das trabalhadoras domésticas no país</article-title>
					<source>Agência Brasil</source>
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				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Apesar da investigação em Psicodinâmica do Trabalho, um dos referenciais teóricos utilizados neste estudo, privilegiar entrevistas coletivas, as entrevistas individuais são admitidas ou uma alternativa em situações específicas (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Dejours &amp; Bègue, 2010</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Diz respeito ao poder branco. Um lugar social de conforto e opressão que naturaliza a existência de outro polo oprimido, moldando a forma como o opressor enxerga a si mesmo e aos demais. Refere-se à assunção histórica de privilégios estruturais, objetivos, subjetivos, econômicos e simbólicos em torno de uma diferença - a racial (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Mulher negra escravizada, que desempenhava, sobretudo, trabalho no interior da casa-grande, particularmente o cuidado de bebês e crianças das famílias escravocratas. Ela amamentava, asseava, colocava para dormir, ensinava a falar e acordava durante a noite para alimentar os infantes (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p> Em sociedades patriarcais, sexistas como a nossa, o desejo e o comportamento sexual dos homens são tomados como instintos, algo incontrolável, assim as excitações sexuais e, por conseguinte, as formas de saciá-las são justificadas e ditas compreensíveis em razão dessa suposta natureza (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Lerner, 2019</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Instituto Nacional do Seguro Social.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
		<front-stub>
            <article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i1.e14933</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>RELATOS DE PESQUISA</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Race, gender, and class: Everyday life and subjective mobilization among diaristas</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5078-2085</contrib-id>
					<contrib-id contrib-id-type="lattes">0056738127774489</contrib-id>
					<name>
						<surname>Lucena</surname>
						<given-names>Maria do Socorro Roberto de</given-names>
					</name>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-7353-4420</contrib-id>
					<contrib-id contrib-id-type="lattes">3852028491893471</contrib-id>
					<name>
						<surname>Zambroni-de-Souza</surname>
						<given-names>Paulo César</given-names>
					</name>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff3">
				<institution content-type="original">: Psychologist and PhD in Social Psychology from UFPB, with a dissertation on the relationship between subjectivity and work among women diaristas, analyzed through the intersecting dimensions of sex/gender, race, and class. MSc in Health Psychology from the Universidade Estadual da Paraíba, where her thesis examined work and mental health among psychologists in primary health care via Expanded Family Health and Primary Care Center. She worked in the Family Health Support Center in 2014-2015 in the cities of Patos and Passagem (Paraíba). She served as an adjunct professor at the Universidade Federal de Campina Grande from 2017 to 2019 and as a substitute professor in the Psychology and Administration programs at the Faculdade de Ciências e Tecnologia Prof. Dirson Maciel de Barros in the second half of 2023. Member of Associação Brasileira de Psicologia Social and the Research Group on Subjectivity and Work (GPST).</institution>
				<institution content-type="orgname">UFPB</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<aff id="aff4">
				<institution content-type="original">Psychologist and PhD in Psychology. Professor in the Department of Psychology at UFPB and researcher with the GPST.</institution>
				<institution content-type="orgname">UFPB</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>This study aims to understand how gender, race, and class shape the everyday work and the subjective mobilization of women who work as day-rate domestic workers (diaristas). Ten workers aged 31-64 years participated, most of whom identified as Black. Data were collected via a sociodemographic questionnaire and individual unstructured interviews. Analysis followed a hermeneutic-dialectic approach. The theoretical frameworks were the sociology of the sexual division of labor, the Afrocentric paradigm in gender debates, and the psychodynamics of work. The analyses (re)affirm the relevance of an intersectional perspective for making sense of these workers’ experiences. Work overload, self-definition, alienation, harassment, discrimination, and unionism emerged as salient aspects from the diaristas’ accounts. We hope this study can serve as a resource for their empowerment and underscore the responsibility of other sectors of society in this endeavor.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>work</kwd>
				<kwd>subjectivity</kwd>
				<kwd>women</kwd>
				<kwd>race</kwd>
				<kwd>diarist</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<p>In Brazil, 92% of those employed in paid domestic work (PDW) are women, and 65% of them are Black women (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Vilela, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos [DIEESE], 2022</xref>, p. 1) - one of the starkest reflections of racism in Brazilian society (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Gonzalez, 2020a</xref>). Informality also persists in PDW, for example when the work is performed on a day-rate basis (“diárias”) (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Monticelli &amp; Tamanini, 2013</xref>).</p>
			<p>Daily working life involves many layers and many actors. It includes a visible or more easily identifiable part - such as physical infrastructures, task definitions, formal command structures, and schedules - and an invisible or less easily identifiable part, often even to the worker. This latter dimension encompasses intersubjective and social relationships in formation, the interplay with family circumstances, unexpected or underlying events, and the worker’s own physical-psychic condition (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B9">2012</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata (2002</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brito et al. (2014</xref>) emphasize that the everyday work of men and women across classes and racial/ethnic groups differs markedly. Beyond their distinct positions in the labor market, they perform different kinds of work, occupy different social roles, and move through daily life with divergent temporalities and situations-even under seemingly similar circumstances.</p>
			<p>This point becomes even more salient when considering the relationship between subjectivity and work (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Dejours, 2012</xref>). If work situations are not the same for men and women - and if they (re)produce or experience the material and symbolic constructions imposed by the sexual and racial division of labor (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>) - how could those situations not be incorporated into the analysis? Accordingly, this study aims to understand the gender, race, and class repercussions through a lens focused on the daily work experience and subjective mobilization of women who work by the day (“diaristas”).</p>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Method</title>
				<sec>
					<title>Participants</title>
					<p>Ten women working as day-rate domestic workers participated, most with more than 15 years of experience. Ages ranged from 31 to 64. By self-identified skin color, six identified as Black, two as Brown (parda), one as Asian (amarela), and one as White. Regarding education, four had completed high school, while six had not completed high school or elementary school. All were mothers; three had three to four children under 18. Most (n = 6) were married or in a stable union and lived with a partner and children. On average, they earned about R$ 120.00 per day.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Instruments</title>
					<p>Individual, unstructured interviews<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>1</sup></xref> were conducted, and a sociodemographic questionnaire was administered. Unstructured interviews allow respondents to formulate answers freely, guided by themes and a prompting question for each theme (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Laville &amp; Dionne, 1999</xref>). The questionnaire captured personal, family, and occupational information such as education level, time in the occupation, and remuneration.</p>
					<p>Due to the pandemic context, it was not possible to convene them to form ad hoc collectives, as recommended by the PDT methodology. In addition, the diversity and incompatibility of days and times they had available to participate posed an obstacle to bringing them together in a virtual setting.</p>
					<p>The interview covered the following themes: work trajectory; work processes and conditions; workplace relationships; the work-family interface; and perceptions and behaviors. Each theme included a prompting question, for example: “Could you tell me about your work as a day-rate domestic worker (‘diarista’)?” In line with the study objective, the chosen interview format, and the understanding that the dialogue with the researcher is also a space for constructing meaning, intelligibility, and awareness of the apparent and non-apparent dimensions of work (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>), the terms sex/gender, race, and class were not explicitly mentioned in the formulation of themes and prompts, even though they were present.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Procedures for generating study materials</title>
					<p>After receiving approval from the Research Ethics Committee, we contacted a domestic workers’ union that facilitated access to women working as day-rate domestic workers (diaristas). Although diaristas are not formally employed, many in this context benefited from the services and initiatives offered by the union. Once workers expressed interest and signed the informed consent form, individual interviews were conducted between November and December 2021 - generally in the late afternoon or evening - and lasted an average of 90 minutes.</p>
					<p>Because of the COVID-19 pandemic and the social-distancing measures in place during the fieldwork period, interviews were conducted virtually (Google Meet), and the remaining steps were completed by phone (WhatsApp).</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Procedures for analyzing the research material</title>
					<p>Responses to the sociodemographic questionnaire were summarized and described using frequency- and mean-based analyses. Each interview was transcribed in full, and pseudonyms were drawn from Conceição <xref ref-type="bibr" rid="B12">Evaristo’s Olhos D’Água (2016</xref>) to reference the accounts. The methodological strategy was a hermeneutic-dialectic approach (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Minayo, 2008</xref>).</p>
					<p>The interview content was foregrounded, and the researcher sought to make sense of the material on its own terms, while integrating a critical and interdisciplinary perspective. In the hermeneutic-dialectic method, discourse is understood to reveal more than speakers intend to express. No one encompasses the totality of everyday life, nor is anyone fully independent of historical reality, inequalities, domination, resistance, or conformity; rather, all are permeated by these forces. Accordingly, interpretation is grounded in praxis, yielding meaning configurations or meaning units (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Minayo, 2008</xref>).</p>
					<p>The researcher’s skills are therefore central throughout the analytical process, continually triangulating theoretical references, research objectives, observations, and historical consciousness (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Minayo, 2008</xref>). For this study, the core theoretical frames were: the sociology of the sexual division of labor (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Federici, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>); the Afrocentric paradigm in gender discussions (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>); and the psychodynamics of work (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B8">2004b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B9">2012</xref>).</p>
				</sec>
			</sec>
			<sec sec-type="results|discussion">
				<title>Results and Discussion</title>
				<sec>
					<title>Operational mode, working under suspicion, and the memory of marginalization</title>
					<p>The ways diaristas plan, act, and execute their work are highly diverse, reflecting a defining feature of their labor: unpredictability or variability. With each household, they encounter different demands, situations, and spatial arrangements. Salinda remarked, jokingly, “I’m brave,” reflecting on leaving home without knowing what she would find.</p>
					<p>Even so, certain elements recur across the strategies workers adopt. One is the practice of probing, through conversation with employers, the needs, requirements, and recommendations of the families who receive their services. While this is part of seeking a positive evaluation of their work - as Maria, 45, explained: “I arrive at a house and ask: how is this room of yours? … because you’re doing it for others” - it is also tied to another issue we call working under suspicion.</p>
					<p>A consistent aspect of the operational mode-or operational modes (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>) - of diaristas is concern about the placement and handling of families’ objects and belongings, especially valuables. Thus, many accounts described memorizing the initial or existing arrangement of rooms or furniture, as well as keeping items in view to ease their location. The initial conversation with employers also serves to gather information about the presence of valuables and any restrictions or expectations regarding them. Luamanda, 31, told us:</p>
					<disp-quote>
						<p>I always try to leave things organized, the way I found them… you have to leave them in a way they can see. They have to be in everyone’s line of sight… once, she had left everything scattered, I gathered it up - it was her rings and her husband’s - and they couldn’t find them… it was a house where many people came and went… but then, they suspected the diarista… whether you like it or not, it becomes an embarrassment. Sometimes people don’t have the courage to call; they just don’t schedule you again or bad-mouth you instead of recommending you.</p>
					</disp-quote>
					<p>Workers raised this issue specifically when describing what a diarista does or the unpleasant aspects of the job, showing that persistent suspicion about them leads to embarrassments in their work activity - or in their working, that is, the gestures, intelligence, interpretation, reaction, and inventiveness - whether necessary or improvised - called for by the material and social circumstances that intersect in carrying out a task (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Dejours, 2004b</xref>).</p>
					<p>The care taken to “avoid” (the quotation marks underscore the partial reach of this aim) suspicion or direct/indirect accusations can be seen as an adjustment-an informal rule established in their know-how (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dejours, 2004a</xref>) - and it is also anchored in the memory of the social marginalization of their occupation. Zaíta, 43, explained: “Sometimes people judge you by your appearance. Because I live in a high-risk area… they think I’m mixed up with crime…” Or, as Duzu-Querença, 46, reflected: “When I left carrying a purse, they would stare at it a lot… because, you see, I’m a diarista, I’m morena, but my mother taught me never to take anything from anyone.”</p>
					<p>As we can see, suspicion - although part of diaristas’ work reality - is not something they discuss among themselves, at least not among the interviewees. It is more underlying than explicit or shared. It is something lived.</p>
					<p>For that reason, we chose the memory rather than the consciousness of marginalization. We understand memory as a “not knowing that one knows,” a site of inscriptions that restore a submerged history, where truth emerges even as conscious discourse tries to exclude it (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>, p. 70). In this context, it is the history of incrimination of paid domestic workers - especially Black women - marked by the convergence of racism, sexism, and classism.</p>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) argues that the myth of the domestic worker as a thief, criminal, and dirty is bound up with a broader, structural process of constructing and disseminating essentialist narratives about the history of the Black population - narratives that (re)produce an idea of Black degeneracy. In the case of Black women from peripheral neighborhoods, the patriarchal bourgeois whiteness<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>2</sup></xref> projected - or still projects - onto them - especially when they are in PDW, deemed the “natural” place of Black women - malice, idleness, opportunism, scheming, and ingratitude (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>).</p>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B25">Peçanha (2019</xref>), for example, highlights the role of the 19th-century Brazilian press in implanting and spreading these stigmas. The Black woman domestic worker was alternately represented through sexualized appeals to her body and behavior, or through a supposed dangerousness stemming from her proximity to private property and family belongings.</p>
					<p>Building on <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez (2020c</xref>), we can conclude that, for whiteness, the Black woman is the <italic>mulata</italic> and the <italic>mãe preta</italic>, but also the “bandit’s woman” and the “delinquent’s mother.”</p>
					<p>These racist and sexist essentializations - lived by paid domestic workers, Black women - underwrite the insinuations or accusations employers aim at diaristas’ moral integrity. They also help explain why employers do not feel discomfort in the face of injustice and, more than that, expect diaristas to be understanding and even to offer reassurance. Duzu-Querença said: “My employer’s card was cloned. They made purchases and took out a loan… when she arrived… she said, ‘can you believe I left here praying it wouldn’t be your handwriting there?’… up to that point, she thought she had a thief.”</p>
					<p>Beyond the psycho-affective toll of such situations - living with injustice and employers’ lack of remorse - these essentializations compound the many difficulties paid domestic workers face in the struggle for recognition and rights.</p>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) stress that how society views domestic workers, within the frame of PDW, bolsters our collective reluctance to validate or support them when they demand rights, more autonomous labor relations, and respect. This reveals the functionality of marginalization for the capitalist exploitation of Black women’s labor (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Gonzalez, 2020a</xref>).</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Making do under pressure: work overload, pressures, and the normalization of certain abuses</title>
					<p>Among the interviewees, we identified a call for clearer definitions, firmer boundaries, and better organization of the work they perform, always considering concrete situations and how their activity actually unfolds. The tasks they are expected to complete in a single day are highly varied - cleaning rooms, furniture, appliances, and windows; preparing meals; washing clothes; caring for pets and plants; among others.</p>
					<p>According to the diaristas, there is a marked mismatch between the quantity and volume of work and the time available to complete it - one of the major differences they point out between day-rate domestic work and regularly employed domestic work - which makes the workday extremely tiring. As Esmeraldina, 44, said: “As diaristas, you work one day taking on what would be about a week or even a month of tasks… when you’re the worker who is there throughout the week, you can divide the tasks.”</p>
					<p>They understand this reality as the improper bundling of many demands into a single day-some of which they view as excesses or even abuses by employers. For instance, the interviewees opposed requiring a diarista to clean, cook, and wash or iron clothes all in one day or for the price of a single day’s work. As Zaíta put it: “They said they were paying me, but I told them they were paying for the cleaning; the clothes are something else.”</p>
					<p>They also consider certain requests excessive - cleaning the inside of furniture or appliances (wardrobes, refrigerators), waiting on employers (serving meals or water), caring for plants, and picking up pet waste or sanitizing animal areas - because these lengthen the time they must remain on site. As the following account makes clear:</p>
					<disp-quote>
						<p>There are things you’re not supposed to do - things they could do, but they don’t want to. They push them onto you… sometimes they have you take care of dog poop (laughs). I had a day job where the woman had two big dogs, and she wanted me to leave the dogs’ area clean. I’d leave it for late afternoon because I was terrified. (Maria, 45 anos)</p>
					</disp-quote>
					<p>This effort by diaristas to set and enforce boundaries around what fits into a single paid day is grounded in self-recognition - and a quest for recognition - given the meager amounts paid for large volumes of work and the humiliating, grueling, or risky nature of some tasks. Maria also spoke about employers’ demands and how stacking multiple tasks affects work pace.</p>
					<p>In general, the pace is intense and frenetic. This shows up in how they eat and in the wear on their bodies. Cida, 64, said: “You end up eating on the run, standing up, gulping it down, because the work is right there in front of you - so much to do… by five or six in the afternoon, you realize you’ve finished. Then it’s total exhaustion. Fatigue!” Joint pain is common among the interviewees; some take analgesics during or after work.</p>
					<p>We also noted gastrointestinal problems, though the workers did not emphasize them - only Ana Davenga: “I also have a stomach problem; I feel a lot of pain.” Such issues may appear or worsen because of poor eating conditions imposed by the frenetic pace or by long periods without food. Many make very few meals - on average, breakfast and/or lunch - and on some days only what they bring from home.</p>
					<p>Although diaristas advocate (re)defining or reframing their work - tasks, work arrangements, and alignment between tasks and pay - they must negotiate this view with families in a profoundly unequal power dynamic. Even the most assertive acknowledged that, in practice, they have limited success. As Maria said: “People say they want you to cook, they want you to do this and that… some diaristas don’t want to and won’t, but sometimes you need the job, and then you have to do it.”</p>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) notes that the day-rate arrangement has offered little or no safeguard against certain situations and has not resulted in more autonomous or less subordinate labor relations for workers. When diaristas manage to reject the logic of servitude imposed on them, employers already find it strange and react - unsurprising given the lack of significant social change in how this work, and PDW itself, is perceived.</p>
					<p>Regardless of the arrangement, families - mostly middle or upper class - tend to see the paid domestic worker as a “does-it-all” (Natalina, 53). There is an expectation - especially toward Black women domestic workers - that someone will always be available to meet varied needs and, at times, whims, as if she were an extension of the family (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>). As <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>) suggests, this is not inclusion as “part of the family,” but belonging as property - a tool. At the same time, the magnitude of the labor performed is minimized (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>).</p>
					<p>As a paid domestic worker, the Black woman is treated like a “beast of burden” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>, p. 73) - a strong, productive body presumed able to withstand a mathematically high workload (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Gonzalez, 2020a</xref>).</p>
					<p>This dynamic is embedded in the Brazilian configuration of domestic employment, historically carried out by Black women. According to the Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), “domestic employment” encompasses a range of roles (live-in maid - diarista - housekeeper - cleaner) treated as synonyms and grouped under a single summary description. That description aggregates a variety of household tasks, including caring for clothing, plants, and pets, performed full-time, part-time, or by the day (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Ministério do Trabalho, 2002</xref>).</p>
					<p>From the perspective of the sexual and racial division of labor, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B16">Gonzalez (2020b</xref>), and <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) point out that Black women’s lives contain a vast allocation to labor - through precarious, arduous, unhealthy, and invisible occupations. These are roles prone to dehumanizing labor relations and marked by the historical place of Black women in society.</p>
					<p>Another facet of work overload-and its link to debates about what “belongs” to this occupation-appears in everyday events that often fall to the diarista: arranging meals for employers’ children, keeping older adults company, or supporting and caring for an intoxicated adult. As Maria recounted: “We play dominoes… the older woman only wants me to leave at 5:00 p.m.… when it’s just after five, I say I’m going… then they say: ‘Don’t go, stay here.’”</p>
					<p>Although these tasks increase workload and extend time in the home, the interviewees generally did not classify them as excesses or abuses.</p>
					<p>We understand these situations as further consequences of how society sees and treats domestic workers, merging service and servitude within gendered, racialized, and classed hierarchies (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>). It is also pertinent to consider how diaristas may assimilate or internalize these distinctions, reproducing inequalities themselves.</p>
					<p>With that in mind, we reflect on the marks and implications of two ideological figures or social frames - the “housewife” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>, p. 230) and the “mãe preta” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>, p. 78) - in how workers reacted to the situations above. As <xref ref-type="bibr" rid="B13">Federici (2019</xref>) notes, although it was never the reality for most women, Black women, for instance, have life trajectories shaped by hard, precarious work both outside and inside the home. This frame nevertheless falls upon all women as a dominant model of femininity and family organization. Women are conditioned - even unconsciously - to domestic tasks: caring, empathy, self-denial, unconditional love, service, and even taking pleasure in it. Through this socialization, they tend to think and act according to an imposed social identity in many spaces-especially the private sphere, where such attributes are assumed to be natural.</p>
					<p>The convergence of racism and sexism imposes on Black women the ideal of the mãe preta, a figure rooted in the Black wet nurse<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>3</sup></xref> of slavery times, to whom docility, dedication, and kindness toward employers’ families are attributed and expected. She is granted a small indulgence (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>). As <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) notes, this ideal often shapes Black domestic workers’ experiences, whether through its reinforcement or through efforts to break with it.</p>
					<p>Both the housewife and the mãe preta are social frames that disguise labor and produce rewards when expectations are met (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Federici, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>). It is therefore understandable - and revealing - that interviewees sometimes naturalize the circumstances described and even find in them a way to feel appreciated by families. Speaking about time spent with older adults, Maria said: “One of the daughters arrived and found me playing dominoes with them, and she thanked me… it felt like appreciation.”</p>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B14">Guimarães (2019</xref>) highlights how forms of domestic labor that have not been recognized as work (such as the housewife role or maternal labor) function socially, and how a portion of domestic activities - unrecognized as a profession/occupation - remains hidden and, consequently, unpaid.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Diaristas’ experience of violence and sexual harassment at work</title>
					<p>In Latin America and the Caribbean, PDW is among the forms of work most vulnerable to violence and sexual harassment (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Themis: Gênero, Justiça e Direitos Humanos, 2022</xref>). This situation - no longer possible to conceal - was forged by the colonial slave-based violence inflicted on Black and Indigenous women’s bodies. For enslaved Black women, sexual violence was part of what counted as their work, of the punishments imposed, and of their nights - especially for those who served inside the casa-grande (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>).</p>
					<p>In so-called free labor societies, that past remains vivid, now disguised by a dialectic that combines the hypersexualization of domestic workers’ bodies with the ambiguity of service provision constructed by colonial rationality. According to <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez (2020c</xref>), behind the “service entrance” lies an implicit expectation of sexual service, buttressed by machista norms about male behavior and by the precarious material conditions of these workers (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>).</p>
					<p>Some of the diaristas interviewed reported experiencing sexual harassment or identified it as a constant threat in daily work. Zaíta, 43, recounted:</p>
					<disp-quote>
						<p>I left mostly because the owner, the boss, was harassing me… there was even a video from the elevator showing him trying to grab me. The building manager came to talk to me-she advised me to file a police report and offered the footage… I didn’t want to report him… out of respect for his wife… I can’t understand it, because I never gave him a reason. I never walked around naked, I never showed anything, so why? I cried. I spent a week sleeping badly… I felt as if a piece of me was being torn away.</p>
					</disp-quote>
					<p>Her account shows that, beyond the violence she suffered, Zaíta also carried doubts about her own conduct. This produced a spiral of suffering so intense that she could not sleep. Moreover, both she and other diaristas who raised the issue framed it through the lens of being women performing paid work. As Duzu-Querença stressed: “There are many men who think that because you’re working there, we have to submit… we women go through a lot of humiliation with these men.”</p>
					<p>However, this association did not come with critical reflection on the episodes or the threat itself - a commonplace violence for them. Workers cited as causes of harassment - actual or imminent - a supposed male sexual nature<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>4</sup></xref> or employers’ bad character, as well as how these aspects related to their own behavior. According to the interviewees, clothing and comportment are factors in the occurrence of harassment, which leads them to feel guilty or responsible - as the account above suggests.</p>
					<p>It is hard for them to recognize themselves as victims when they were born, raised, and live in a society that naturalizes violence against women’s bodies - especially Black women’s bodies (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Carneiro, 2003</xref>).</p>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) notes that the sexual objectification of domestic workers is closely tied to notions of promiscuity, lechery, infidelity, or an alleged seductiveness of their anatomical features - in short, the idea that they are sexually available. These are symbolic forms of violence forged at the intersection of gender, race, and class. Such ideological constructions foster self-blame among paid domestic workers who have been sexually harassed and, simultaneously, relativize the aggressor’s responsibility.</p>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) also underscores how the failure to understand the violence experienced as an expression of power asymmetries and inequalities contributes to individualized strategies for coping with these experiences.</p>
					<p>This individualization-when facing the threat or occurrence of workplace sexual harassment-is part of the interviewees’ reality, alongside leaving the job (the most frequent path; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>) or relying on jogo de cintura - improvisational tact - to dodge advances, as Zaíta described: “Sometimes I had to put buckets… so he couldn’t pass.” Diaristas adopt what they see as precautions: speaking as little as possible with employers, avoiding being alone with them, and dressing “appropriately” - i.e., avoiding short, tight, or low-cut clothing. In Maria’s words: “to put myself in my place.”</p>
					<p>This panorama illustrates what <xref ref-type="bibr" rid="B21">Lerner (2019</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B15">Gonzalez (2020a</xref>) describe regarding the persistence of supremacist systems. Racism and patriarchy rely on the cooperation of the subordinated - i.e., on internalizing the dominant ideology and the imposed inferiority and precarity - through indoctrination, deprivation of education, coercion or rewards for conformity, and discrimination in access to economic resources and social protection.</p>
					<p>We also emphasize the implications of informal status. Job instability, very low pay, and the absence of labor rights are additional hurdles to more forceful action against sexual harassment.</p>
					<p>Furthermore, pursuing a formal complaint often requires these workers to overcome additional obstacles: demands for proof, racist and sexist procedures, institutional clientelism, and lack of social or community support. According to <xref ref-type="bibr" rid="B27">Themis (2022)</xref>, employers’ social influence, the isolation inherent to the work setting, and the aggressor’s family’s lack of empathy are among the factors that disempower paid domestic workers in harassment cases.</p>
					<p>This context shows that sexual harassment in PDW is a component of the emotional and psychological precarity of the job and of the sense of labor insecurity to which diaristas and other paid domestic workers are exposed. It is profoundly traumatic - both because of the inherent violation and because of victim-blaming processes that provoke shame and guilt.</p>
					<p>We also question the absence-or insufficiency-of considerations about power relations and the racial and sexual division of labor in defining occupational risk, which predominantly assumes a technicist, mechanical, and biochemical character. This hinders the development of regulations and public policies that address the specific risks of women’s work and offer prevention and redress (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Brito, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>). This raises the question: Is sexual harassment not a workplace accident? Should it not be recognized as such for legal and social-security purposes?</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Collective mobilization and unionism: manifestations and challenges in diaristas’ trajectories</title>
					<p>Although diaristas do not have formal union representation, all interviewees maintained contact with the union and benefited from many of its initiatives. Most were the target audience for workshops, talks, leafleting, donation drives, or on-site information and support. Some also helped organize and carry out activities alongside union leaders.</p>
					<p>In short, the union space was identified as a place of welcome, learning, provision, and protection in the face of diverse work situations: loss of day jobs, conflicts with employers, doubts about their status and the PDW legal framework, among others. The union was also cited as a link connecting them to public policies and social programs and projects that share information and guidance. As Luamanda noted:</p>
					<disp-quote>
						<p>It’s not just a union; it’s a family that supports you… I might be going through a rough patch and say what I’m facing. Then she says she’ll tell the others and support me however she can. She lets us know about donations and how to sign up to receive them. I think that’s very important; when you need something - a friendly word - they’re there to help.</p>
					</disp-quote>
					<p>This experience of mutual support - and of valuing their work and themselves as people - goes beyond meeting urgent material or informational needs. It suggests the union functions as a kind of shield against the negative effects on subjectivity and self-esteem that stem from abandonment, the loneliness of being an informal worker - usually a Black woman - the invisibility or exclusion from state policies and actions, the treatment received from employing families, and a society that discriminates by color, sex/gender, or type of work. As Cida put it: “It’s a kind of social life that wears you down.”</p>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bernardino-Costa (2015</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis (2016</xref>), and <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira (2021</xref>) argue that union contact is a watershed in domestic workers’ trajectories, breaking the intramural isolation these workers experience and providing a space for thinking and fighting for improvements in the occupation. Depending on union dynamics, it also allows them to approach their historicity as domestic workers, members of a racial/ethnic minority - i.e., their intersectional social identity - crucial for mobilizing around agendas and projects aimed at reaching or overcoming imposed inequalities.</p>
					<p>As with any collective action, however, unionism depends on the active support and participation of the workers who make up the occupational group. As noted in the literature (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bernardino-Costa, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>) and echoed by the interviewees - especially the most engaged - participation and retention of paid domestic workers in associations/unions remains a challenge. As Zaíta said: “Out of ten workers we invite to explain their rights… to discuss what they need to do to strengthen the category… only two show up.”</p>
					<p>Drawing on this and on <xref ref-type="bibr" rid="B9">Dejours’ (2012</xref>) notion of collective work - where cooperation to improve working conditions or physical-psychic economy cannot be imposed, only fostered and preserved in everyday interactions and spaces of trust - we highlight factors in diaristas’ personal experience that warrant attention when seeking coexistence at work, which is essential for collective and union struggle.</p>
					<p>Very low pay and double or triple shifts - including on nonworking days - create limits such as transportation barriers and lack of time to attend and participate in union activities. As Ana Davenga said: “I earn 100 reais, but it’s 100 reais for so many things,” and as Luamanda put it: “I couldn’t go because my daughter had broken her arm.”</p>
					<p>Regarding women’s participation in spaces of union organization or political struggle, <xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata (2002</xref>) emphasizes that pay gaps and double or triple shifts are mechanisms that send or keep working women in the private sphere and the individual realm, thus inhibiting collective practices and claims - claims that, as <xref ref-type="bibr" rid="B13">Federici (2019</xref>) notes, have enormous potential, especially when they come from the Black female working class (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>). From this perspective come the imposition of lower pay, greater capture of time, and atomization (Davis, 2016; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>) - hallmarks of diaristas’ daily lives.</p>
					<p>Alongside this, we noted certain misleading ideas shaping the interviewees’ views of work and the world. One is the notion of a level playing field for negotiation between diarista and employer - as if the worker could impose conditions and make demands in an equal relationship. As Cida said: “Work on your self-valuation as a professional and don’t let wealthy people take command… I’m happy when I see some who don’t allow it.”</p>
					<p>Indeed, as <xref ref-type="bibr" rid="B19">Hooks (2010</xref>) stresses, affirming one’s value, tending to emotional needs, and seeing oneself as deserving of respect or of joy and pleasure are fundamental to resisting the oppressions imposed on Black women. Yet, she explains, affirmation and self-recognition go hand in hand with collective will and action to secure societal change and make full lives possible. Hooks’ idea of protagonism, affirmation, or “inner love” (2010, p. 9) stands apart from any solipsistic view that ignores power relations or the conditions needed to spark or sustain such intentions and practices.</p>
					<p>This caveat is especially pertinent given how neoliberal-patriarchal-racist narratives strip empowerment and protagonism of their sociohistorical and collective character. As <xref ref-type="bibr" rid="B1">Arruzza et al. (2019</xref>) note, in such a scenario rebellious energies are often appropriated to shore up the status quo.</p>
					<p>Another idea voiced by interviewees is that remaining informal is a matter of choice. In assessing the spread of day-rate PDW, Esmeraldina said: “These days, most diaristas don’t want a formal contract… she can pay social security on her own… the one who does that is smart, and the one who doesn’t is out of luck.” It bears noting that if their daily rates are already very low, paying their own social security is often impossible. Among the interviewees, very few contributed to social security; their families’ very low purchasing power was the main factor.</p>
					<p>We also found many nuances in diaristas’ trajectories regarding this supposed “choice” to remain informal. Working by the day sometimes allows diaristas to fit in flexible or part-time hours so they can perform unpaid domestic labor-an aspect directly tied to their condition as working women. In other cases, there is fear of job loss if formally hired, given that some reported a common practice of signing the work card and then dismissing the worker shortly thereafter. As Maíta recounted: “She signed it and two months later fired me.”</p>
					<p>The individualism and depoliticization surrounding negotiation, empowerment, and informality observed among diaristas are worrisome. They encourage individual blame for vulnerability - both self-directed and directed at other domestic workers. They also hinder recognition of common threats or impasses and impede active participation in collective and/or union practices, sometimes breeding animosity.</p>
					<p>When interviewees reflect on the relevance of their work, they tend to limit it to the personal sphere: providing for the household, gaining independence from partners and relatives, and their relationships with employing families. As Salinda said: “For them to have an organized environment - because they can’t do it, they can’t keep up.”</p>
					<p>These points form part of how the diarista’s work matters to her and to others. Still, domestic labor - paid or unpaid - is essential to establishing and maintaining the modes of work and life in capitalist societies (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>). Broadening awareness of this work’s importance - in terms of social reproduction - has particular potential for mobilization (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Davis, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Hirata, 2002</xref>). The delegation of domestic labor - here, through day jobs - enables employers from various strata of the working class to pursue formal qualifications, remote work, corporate events, political spaces, cultural practices, and more.</p>
					<p>Living-together through work also occurs outside formal spaces of collective or union struggle and can yield many lessons and pathways toward formal political organization. The diaristas also reported collegiality and solidarity among themselves stemming from proximity in neighborhoods or shared commutes. They help one another find work, provide emotional support in difficult times, and create moments of relaxation and recognition. As Ana Davenga said: “I told a diarista friend… she said: you have to hang on… if I find another day job, I’ll pass it on to you.” Such small-group experiences - shaped by territorial proximity or shared public transport - are factors to consider.</p>
				</sec>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Final considerations</title>
				<p>Women who work as diaristas live their daily labor under worries, tasks, pacing, and threats/risks embedded in social markers, relationships, and material conditions. This situation stems from an interlocking matrix of gender, race, and class oppression, as well as from individual and collective movements that inscribe resistance and reframe this reality.</p>
				<p>The imprint of marginalization - forged by hierarchies and inequalities - leaves a common trace across their varied operational modes: carefulness aimed at avoiding suspicion. This, in turn, becomes part of diaristas’ working activity and the embarrassments it entails. Shame, exhaustion, and loss of employment are among the psycho-affective and material consequences these workers face when their integrity is continually put on trial at work.</p>
				<p>Work overload and the frenetic pace of diaristas’ labor open a necessary debate about what properly falls within their remit - what is humanly appropriate, safe, and fair to accomplish in a single day. This long-desired discussion also requires confronting the racist and sexist rationality that shapes how paid domestic workers are seen and treated, a logic reflected even in national documents that classify and describe paid domestic work.</p>
				<p>Under-eating and musculoskeletal problems, which feature in diaristas’ work lives, must be considered in this debate as reflections of - or aggravating factors for - the health effects arising from this form of PDW, especially given the workers’ age range.</p>
				<p>Sexual harassment at work emerged as a lived reality and a persistent concern among participants. Faced with an inadmissible problem that causes profound harm to physical, psychological, and sexual integrity, it is especially troubling to see how diaristas’ responses tend to be individual, reductionist, and palliative. This tendency must be problematized in light of the narrow room for maneuver these women have, given the labor and social precarity imposed by the intersections of gender, race, and class. We also underscore the weight of introjecting and reproducing these differentiations and hierarchies in shaping workers’ perspectives and actions when confronted with harassment and other day-to-day situations.</p>
				<p>We further highlight the interviewees’ contact with collective struggle and union activity, both as evidence of their potential for action and as a material and intersubjective resource for strengthening them. We believe such contact can also yield practical lessons in political action for diaristas, who currently make up a significant share of paid domestic workers. Drawing on participants’ experiences, we reflect critically and identify difficulties and challenges that hinder closer ties between diaristas and union movements.</p>
				<p>In addition, we emphasize the bonds of companionship and solidarity identified among diaristas outside union spaces, which may offer pathways toward organized political action.</p>
				<p>We hope the analyses and concerns presented here also serve diaristas by fostering critical reflection on their condition as working women. This study recognizes the potential of the research process - and of the dialogic space it creates - to facilitate adjustments, reconceptions, and elaborations about work and about participants’ relationship to it. Beyond this, the study becomes a record/document that can support building an agenda of their own - shared and collective. Scientific discourse has particular power to inscribe and legitimize demands and movements in the social sphere.</p>
				<p>We also issue a call to academia to devise and operationalize responses and interventions to the issues, problems, and needs reported or identified in diaristas’ work trajectories. In particular, we stress how sex, gender, race, and class traverse workers’ processes of subjectivation.</p>
				<p>As for this study’s limitations, our analyses are bounded by a local reality and a small number of diaristas. We also note that it was not possible to conduct this investigation through a diarista collective.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn6">
					<label>1</label>
					<p>Despite the fact that Psychodynamics of Work — one of this study’s theoretical frameworks — privileges group interviews, individual interviews are permitted and may serve as an alternative in specific situations (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Dejours &amp; Bègue, 2010</xref>).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn7">
					<label>2</label>
					<p>It concerns white power: a social location of comfort and oppression that naturalizes the existence of an oppressed pole, shaping how the oppressor sees themself and others. It refers to the historical assumption of structural, objective, subjective, economic, and symbolic privileges organized around a difference — race (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn8">
					<label>3</label>
					<p>Enslaved Black woman who worked primarily inside the <italic>casa-grande</italic>, especially caring for the babies and children of slaveholding families — breastfeeding, cleaning them, putting them to sleep, teaching them to speak, and waking at night to feed the infants (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonzalez, 2020c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Teixeira, 2021</xref>).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn9">
					<label>4</label>
					<p>In patriarchal, sexist societies like ours, men’s desire and sexual behavior are taken as instincts — something uncontrollable — so sexual arousal and, consequently, the ways of satisfying it are justified and deemed understandable on the basis of this supposed nature (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Lerner, 2019</xref>).</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>
</article>