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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">subj</journal-id>
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				<journal-title>Revista Subjetividades</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R Subj</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2359-0777</issn>
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				<publisher-name>Universidade de Fortaleza</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i2.e14524</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Relatos de Pesquisa</subject>
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				<article-title>Apelidos na Adolescência: Uma Discussão Psicanalítica</article-title>
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					<trans-title>Apodos en la Adolescencia: Una Discusión Psicoanalítica</trans-title>
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					<trans-title>Les Surnoms à l’Adolescence : Une Discussion Psychanalytique</trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0000-0941-6123</contrib-id>
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						<given-names>Luis Gustavo Lima de</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-2912-2100</contrib-id>
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						<surname>Amorim</surname>
						<given-names>Viviane Colares Soares de Andrade</given-names>
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				<institution content-type="original">Psicólogo Hospitalar (Complexo Hospitalar Unimed Recife - CHUR). Mestre em Hebiatria pela Universidade de Pernambuco (UPE). Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Programa de Residência Multiprofissional em Terapia Intensiva do Real Hospital Português da Universidade Federal de Pernambuco (RHP/UFPE). Especialista em Intervenções Clínicas na Abordagem Psicanalítica pela Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE). Graduado em Psicologia pela Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS).</institution>
				<institution content-type="orgname">Complexo Hospitalar Unimed Recife - CHUR</institution>
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				<institution content-type="original">Graduada em Odontologia pela Universidade Federal de Pernambuco (1987), Mestra em Odontopediatria pela Universidade de Pernambuco (1993) e Doutora em Odontopediatria pela Universidade de Pernambuco (1998). Realizou Pós-doutorado como bolsista da CAPES na University of Iowa, Estados Unidos, na área de Odontopediatria (2001). Exerceu o Cargo de Pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade de Pernambuco no período de 2007 a 2014. Foi membro do Conselho Superior da FACEPE (Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco) no período de 2009 a 2015. Coordenou o Curso de Especialização em Odontopediatria da UPE. Coordenou o Mestrado em Hebiatria - determinantes de saúde na adolescência, da UPE, entre 2005 a 2016. Atualmente é Professora Titular da Universidade Federal de Pernambuco e Professora Associada, Livre-docente (2012), aposentada da Universidade de Pernambuco.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Pernambuco</institution>
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			<author-notes>
				<corresp id="c1">
					<label>Endereço para correspondência:</label> Luis Gustavo Lima de Andrade E-mail: <email>gustavo.lda94@gmail.com</email> Viviane Colares E-mail: <email>viviane.colares@upe.br</email>
				</corresp>
			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>11</day>
				<month>09</month>
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
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			<volume>25</volume>
			<issue>02</issue>
			<elocation-id>e14524</elocation-id>
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					<year>2023</year>
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					<year>2025</year>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>A adolescência é uma fase caracterizada por intensas transformações físicas e emocionais, tratando-se de um período em que a construção identitária é amplamente determinada pela relação com os pares. Constata-se, neste sentido, que os apelidos têm o potencial de favorecer ou prejudicar a dinâmica psicossocial do adolescente. Sob a ótica psicanalítica, é admitido que o adolescer reedita, na relação com os pares, processos fundamentais de constituição subjetiva: o complexo de Édipo e o estádio do espelho. O presente artigo foi originado de uma pesquisa que teve como objetivo compreender os processos de dar e receber apelidos na adolescência. Tratou-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório, realizado em uma escola de referência em ensino médio (EREM) da Região Metropolitana de Recife (RMR) - PE. A amostra foi composta por nove estudantes, com idade entre 15 e 19 anos, e definida de forma intencional e por saturação teórica. A coleta de dados foi realizada através de entrevista individual, face a face, com roteiro semiestruturado e questionário sociodemográfico. Os dados foram analisados a partir da técnica de análise do discurso. Dentre os resultados, destacou-se que a maioria dos apelidos surgiu e/ou circulou entre os 8 e 12 anos de idade, tendo as alcunhas deste período ocupado um lugar de destaque no discurso dos entrevistados. Além disto, foram verificados vários casos em que os apelidos descritos provocaram mudanças significativas na percepção dos pares a respeito do adolescente e na sua autopercepção. Em suma, o estudo revelou que os apelidos são capazes de mediar determinados processos subjacentes à reedição do complexo de Édipo e do estádio do espelho, transformando significados subjacentes às relações do adolescente com os pares e consigo e, com isto, a vivência do adolescer como um todo.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title><italic>Resumén</italic></title>
				<p><italic>La adolescencia es una etapa caracterizada por intensas transformaciones físicas y emocionales, tratándose de un período en el que la construcción identitaria está ampliamente determinada por la relación con los pares. En este sentido, se constata que los apodos tienen el potencial de favorecer o perjudicar la dinámica psicosocial del adolescente. Desde la óptica psicoanalítica, se admite que el proceso de adolescer reedita, en la relación con los pares, procesos fundamentales de constitución subjetiva: el complejo de Edipo y el estadio del espejo. El presente artículo se originó a partir de una investigación cuyo objetivo fue comprender los procesos de asignar y recibir apodos en la adolescencia. Se trató de un estudio cualitativo, descriptivo y exploratorio, realizado en una escuela de referencia en enseñanza media (EREM) de la Región Metropolitana de Recife (RMR) - PE. La muestra estuvo compuesta por nueve estudiantes, con edades entre 15 y 19 años, definida de forma intencional y por saturación teórica. La recolección de datos se llevó a cabo mediante entrevistas individuales, cara a cara, con un guion semiestructurado y cuestionario sociodemográfico. Los datos fueron analizados a partir de la técnica de análisis del discurso. Entre los resultados, se destacó que la mayoría de los apodos surgió y/o circuló entre los ocho y doce años, ocupando las denominaciones de este período un lugar relevante en el discurso de los entrevistados. Además, se verificaron varios casos en los que los apodos descritos provocaron cambios significativos en la percepción de los pares respecto del adolescente y en la autopercepción de este. En suma, el estudio reveló que los apodos son capaces de mediar determinados procesos subyacentes a la reedición del complejo de Edipo y del estadio del espejo, transformando significados implícitos en las relaciones del adolescente con sus pares y consigo mismo, y, con ello, la vivencia del adolescer en su conjunto.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title><italic>Resumé</italic></title>
				<p><italic>L’adolescence est une phase caractérisée par des transformations physiques et émotionnelles intenses, et c’est une période où la construction de l’identité est largement déterminée par la relation avec les pairs. En ce sens, on observe que les surnoms ont le potentiel de favoriser ou de nuire à la dynamique psychosociale de l’adolescent. Du point de vue psychanalytique, il est admis que l’adolescence réédite, dans le rapport aux pairs, des processus fondamentaux de constitution subjective : le complexe d’Œdipe et le stade du miroir. Cet article résulte d’une recherche visant à comprendre les processus d’attribution et de réception des surnoms à l’adolescence. Il s’agissait d’une étude qualitative, descriptive et exploratoire, réalisée dans un lycée de référence (EREM) de la Région Métropolitaine de Recife (RMR) - PE. L’échantillon était composé de neuf étudiants, âgés de 15 à 19 ans, et défini intentionnellement et par saturation théorique. La collecte des données a été réalisée par le biais d’entretiens individuels en face à face, avec un script semi-structuré et un questionnaire sociodémographique. Les données ont été analysées à l’aide de la technique de l’analyse du discours. Parmi les résultats, il a été souligné que la plupart des surnoms apparaissaient et/ou circulaient entre huit et douze ans, et que les surnoms de cette période occupaient une place importante dans le discours des personnes interrogées. De plus, dans plusieurs cas, les surnoms décrits ont entraîné des changements significatifs dans la perception des pairs à l’égard de l’adolescent et dans l’auto-perception de celui-ci. En bref, l’étude a révélé que les surnoms peuvent jouer un rôle de médiateur dans certains processus sous-jacents à la réactivation du complexe d’Œdipe et du stade du miroir, transformant les significations sous-jacentes aux relations de l’adolescent avec ses pairs et avec lui-même et, par conséquent, l’expérience de l’adolescence dans son ensemble.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>adolescente</kwd>
				<kwd>apelidos</kwd>
				<kwd>escolas</kwd>
				<kwd>psicanálise</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title><bold>
 <italic>Palabras clave<bold>:</bold>
</italic> 
</bold></title>
				<kwd>adolescente</kwd>
				<kwd>apodos</kwd>
				<kwd>escuelas</kwd>
				<kwd>psicoanálisis</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="fr">
				<title><italic>Mots-clés :</italic></title>
				<kwd>adolescent</kwd>
				<kwd>surnoms</kwd>
				<kwd>écoles</kwd>
				<kwd>psychanalyse</kwd>
			</kwd-group>
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			</counts>
		</article-meta>
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	<body>
		<p>A vida social é complexa em sua conjuntura. Dessa complexidade, aspectos nucleares podem ser revelados a partir de fenômenos triviais. Nesse cenário, é possível pensar nos processos de dar e receber apelidos como potenciais delatores de realidades sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais, 2018</xref>).</p>
		<p>Apelidação é o nome dado para a prática de renomeação de pessoas, sendo o apelido um produto dessa prática (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Castro, 2018</xref>). Ao analisar estudos presentes na literatura a respeito dos processos de dar e receber apelidos, é possível verificar que uma mesma alcunha pode: favorecer ou prejudicar a construção de vínculos e identidades grupais; ser veículo de expressão de intimidade e afeto em relacionamentos interpessoais; funcionar como mecanismo ofensivo e/ou opressivo, como se constata no <italic>bullying</italic>; dentre outros. No cerne de suas várias possibilidades de atuação, destaca-se a capacidade que os apelidos possuem de transformar o modo como o apelidado significa suas relações sociais e é por elas significado, nas diferentes fases do desenvolvimento (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Holland, 1990</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Klerk &amp; Bosch, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Phillips, 1990</xref>).</p>
		<p>A adolescência é uma fase marcada por inúmeras transformações fisiológicas e emocionais, em grande parte devido ao fato de ocorrer de forma concomitante à puberdade. Trata-se de um período estratégico no que tange à formação identitária, sendo este processo amplamente determinado pela qualidade das relações que o adolescente estabelece com seus pares. No adolescer, constata-se que a substituição de nomes próprios por apelidos pode se configurar como estratégia de socialização (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños &amp; Pereira, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">Erikson, 1987</xref>).</p>
		<p>Discussões que versam sobre a adolescência na perspectiva psicanalítica admitem que as transformações advindas da puberdade reativam, no âmago das relações do adolescente com os pares, processos basilares de constituição psíquica: o complexo de Édipo e o estádio do espelho (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas, 2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mandelli &amp; Biazin, 2018</xref>).</p>
		<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B10">Freud (1886-1899/1996a</xref>), o complexo de Édipo é uma vivência psíquica na qual a criança direciona seu desejo à figura parental do gênero oposto e vê a figura parental do mesmo gênero como rival e objeto de identificação. Este processo é fundamental para a constituição psíquica, pois sua ocorrência convoca o sujeito a se posicionar diante de seu desejo e sexualidade. A resolução dessa trama, que envolve a renúncia do desejo incestuoso, inaugura o Super Eu: instância psíquica resultante da internalização das interdições parentais que baliza a vida em sociedade, à medida que atua como consciência moral do Eu (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Freud, 1923-1925/2011</xref>).</p>
		<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B10">Freud (1886-1899/1996a)</xref>, no incesto antissocial, pois, em seus termos, a família permanece em uma relação simbiótica e, consequentemente, torna-se incapaz de estabelecer contato com estranhos. Por essa razão o fundador da psicanálise afirma que a civilização tem como base a renúncia progressiva do incesto. Nesse cenário, o adolescente, ao revisitar a cena edípica e se deparar com a falta ocasionada pela perda objetal da infância, busca a satisfação sexual em objetos situados fora da narrativa familiar. Desta feita, a reedição do complexo de Édipo vivenciada na adolescência coloca o sujeito diante de uma história que se remete àquela ocorrida na infância, mas, desta vez, possível de ser escrita (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Freud, 1901/1996c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mandelli &amp; Biazin, 2018</xref>).</p>
		<p>Dialogando com os elementos supracitados, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Fontella e Torossiam (2017</xref>) afirmam que, na adolescência, de modo semelhante ao que ocorre com o complexo de Édipo, os processos de identificação vivenciados na infância são reeditados. Dentre esses, destaca-se o estádio do espelho. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan (1998</xref>), esse é um fenômeno que ocorre a partir dos seis meses de idade, onde o sujeito reconhece o outro e a si próprio diante do espelho e, através da relação que estabelece com os elementos pertencentes à esta experiência, acessa e se fixa a imagem de um corpo dotado de potência maturacional que acaba por servir de matriz simbólica por meio da qual o Eu se precipita em uma formação primordial. </p>
		<p>
			<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan (1998</xref>) esclarece que essa forma situa o Eu em uma dimensão ficcional, tendo em vista que o corpo dotado de potência maturacional é apresentado ao sujeito apenas enquanto uma <italic>Gestalt</italic>. Todavia, o psicanalista francês evidencia o caráter constitutivo subjacente a esta <italic>Gestalt</italic> ao explicar sua função de garantir a permanência mental do Eu - instância psíquica responsável por intermediar a relação que se estabelece entre o sujeito e a realidade que o circunda.</p>
		<p>Com base na teoria lacaniana, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas (2002</xref>) aponta que o estádio do espelho representa uma experiência na qual o sujeito se identifica com a imagem resultante do reconhecimento de si mesmo e do outro diante do espelho. No entanto, é o olhar e a voz das figuras parentais, que exercem as funções materna e paterna, que dão sustentação a essa imagem.</p>
		<p>Na adolescência, a reedição do estádio do espelho ocorre como consequência da necessidade que o adolescente tem de se reapropriar da imagem corporal construída na infância, devido às transformações da puberdade. Diferente da primeira vivência, a sustentação dessa imagem passa a se dar através do olhar e da voz dos pares (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas, 2002</xref>).</p>
		<p>Diante do exposto, constata-se que os apelidos têm o potencial de transformar os significados subjacentes à dinâmica relacional do adolescente com seus pares. Essa relação é determinante na vivência da adolescência, pois se traduz como palco de processos que, sob o viés psicanalítico, são fundamentais na constituição psíquica. Assim, destaca-se que a pesquisa que deu origem a este artigo foi realizada com o objetivo de compreender os processos de dar e receber apelidos na adolescência.</p>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Procedimentos Metodológicos</title>
			<p>Este artigo resultou de uma pesquisa empírica de abordagem qualitativa, caracterizada por se debruçar sobre significados, motivações, crenças e vários outros elementos que compõem o universo singular do sujeito (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Minayo, 2014</xref>). A amostra foi definida de forma intencional e fechada por meio do critério de saturação, que significa que as entrevistas cessaram quando os conteúdos elencados pelos entrevistados começaram a se repetir de forma razoavelmente redundante (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Nascimento et al., 2018</xref>).</p>
			<p>A pesquisa de campo incluiu a realização de entrevistas semiestruturadas com adolescentes de uma escola de referência em ensino médio (EREM) da Região Metropolitana do Recife (RMR) - Pernambuco. Foram entrevistados 9 adolescentes, sendo 5 mulheres e 4 homens, com faixa etária entre os 15 e 19 anos. O roteiro de entrevista semiestruturada foi utilizado em virtude de ser um instrumento que dialoga com a abordagem qualitativa de pesquisa à medida que favorece o protagonismo do entrevistado diante da reprodução de seu próprio discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Moré, 2015</xref>). Já a escola foi escolhida por constituir, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>), um espaço de sociabilidades criativas. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B17">Kolawole et al. (2009</xref>), três em cada quatro crianças recebem um apelido na escola.</p>
			<p>O roteiro da entrevista semiestruturada pautou-se na seguinte pergunta disparadora: “Como é/foi ser (apelido do/a adolescente)?”, além de questões norteadoras que visavam identificar a origem do apelido, as pessoas que o utilizava, os lugares e situações nos quais circulava, os significados a ele atribuídos, os sentimentos a ele associados e a identificação do(a) adolescente. Além disto, foram elaboradas questões abarcando a prática de apelidar. Contudo, esta última não se mostrou significativamente presente na discussão tecida no presente texto.</p>
			<p>Todas as entrevistas foram gravadas com autorização prévia por escrito dos entrevistados e seus responsáveis, tendo duração média de 23 minutos. A transcrição foi realizada de forma literal, respeitando todo o vocabulário dos adolescentes na íntegra. A técnica de análise utilizada foi a análise do discurso que, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B29">Schiavini e Garrido (2018</xref>), busca compreender não apenas as palavras pronunciadas, mas o contexto e o modo que o sujeito as diz ou deixa de dizer. Convém salientar que as interpretações pautadas nas teorias psicanalíticas de Freud e Lacan, que por sua vez deram origem ao presente artigo, foram empregadas a apenas uma parte dos fenômenos observados.</p>
			<p>A pesquisa em campo envolveu, além da entrevista semiestruturada, um questionário de dados sociodemográficos que abarcava: idade; cor/raça; gênero; ano escolar (série); reprovações; bairro onde mora; pessoas com quem mora; irmão(s); renda familiar; religião; e trabalho. Tal instrumento foi elaborado com o objetivo de obter uma melhor compreensão a respeito do contexto no qual os adolescentes produziam seus discursos. </p>
			<p>É importante salientar que a pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade de Pernambuco (CAAE: 57898022.3.0000.5207), garantindo que todos os aspectos éticos inerentes à pesquisa com seres humanos foram priorizados durante o estudo. Assim, destaca-se que, para preservar a identidade dos entrevistados, os nomes dos participantes foram identificados com nomes fictícios, bem como os apelidos mencionados.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e Discussão</title>
			<p>De partida, convém enfatizar que a escassez da literatura a respeito de estudos envolvendo apelidos, apontada por <xref ref-type="bibr" rid="B30">Vereda (2007</xref>), ainda é significativa no contexto brasileiro. Essa lacuna impôs limitações para a discussão, que, por diversas vezes, viu-se intimada a se reportar a estudos demasiadamente remotos e de outros países. Compreende-se que esses fatores são limitadores e podem dificultar a compreensão dos conteúdos, tendo em vista que a produção e a circulação dos apelidos, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>), acompanham o ritmo dos processos culturais circundantes.</p>
			<p>A <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref> apresenta os adolescentes entrevistados, identificados com nomes de personagens do desenho americano <italic>Recess</italic> - no Brasil conhecido como “Hora do Recreio” - escolhido por retratar o cotidiano escolar de adolescentes. De modo semelhante, destaca-se que os apelidos descritos pelos adolescentes foram adaptados. Esses ajustes foram realizados com o objetivo de preservar a identidade dos entrevistados. Convém salientar que João Gustavo e Ana Luiza não são nomes de personagens do programa citado anteriormente, mas exceções que se fizeram necessárias em prol de preservar o sentido original dos nomes e apelidos dos adolescentes em questão. Parece ser pertinente destacar que, dentre os dados presentes no questionário sociodemográfico, apenas o fator idade se mostrou relevante para a discussão que o presente texto se dispõe a tecer.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title><italic>Apresentação dos apelidados</italic></title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Nome</th>
								<th align="center">Gênero</th>
								<th align="center">Idade (anos)</th>
								<th align="left">Apelido(s)</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">Hustler</td>
								<td align="center">Masculino</td>
								<td align="center">15</td>
								<td align="left">Super Pig, Gordo. Hus.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Patrícia</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">15</td>
								<td align="left">Tang. Spinelli. Pati.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Mikey</td>
								<td align="center">Masculino</td>
								<td align="center">16</td>
								<td align="left">Balão. Mik.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Gus</td>
								<td align="center">Masculino</td>
								<td align="center">16</td>
								<td align="left">Machado.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Gretchen</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">16</td>
								<td align="left">Dinossaura. Acne.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Randall</td>
								<td align="center">Masculino</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="left">Lunático. Randall Chicago. RC.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">João Gustavo</td>
								<td align="center">Masculino</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="left">Jimmy Neutron. Joãozinho. Tavinho.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Ana Luiza</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="left">Agulha. Orca. Rapunzel. Ana Lapiseira. Cachinhos Dourados. Ana Lu. Luizana. Aninhazinha. Filha de Mr. Bean.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Ashley</td>
								<td align="center">Feminino</td>
								<td align="center">19</td>
								<td align="left">Fofão.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p><italic>A priori</italic>, é fundamental enfatizar que, sem contabilizar Gus e Ashley, que só elencaram um apelido, o discurso de cinco entrevistados (Hustler, Patrícia, Mikey, Gretchen e Randall), que tinham dois apelidos ou mais, giravam em torno de uma única alcunha, respectivamente: “Super Pig”, “Tang”, “Balão”, “Acne” e “Lunático”. Apesar de João Gustavo e Ana Luiza, em comparação com os demais, terem aprofundado mais questões a respeito de outros apelidos, também foi possível observar um protagonismo das alcunhas “Jimmy Neutron” e “Orca”.</p>
			<p>Chamou atenção o fato de que, à exceção do apelido “Lunático”, todos os demais apelidos que ocuparam um lugar de destaque na entrevista dos adolescentes surgiram entre os 8 e 12 anos de idade. Esse dado sugere que esse período, que demarca o final da infância e o início da adolescência, considerando a definição da OMS, é fértil em relação ao surgimento de novas alcunhas. Tal cenário corrobora as afirmações de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Orgel e Tuckman (1935</xref>), que apontam que é comum a atribuição de apelidos ao sujeito diante de cerimônias de iniciação, como a puberdade. </p>
			<p>Além do supracitado, foi observado que esses apelidos - entre 8 e 12 anos de idade - afetaram vários dos entrevistados de modo mais significativo. Randall, por exemplo, relatou não lembrar com que idade a alcunha “Lunático” havia surgido, mas no discurso dele foi possível perceber que, na faixa etária em questão, o apelido, ao qual o adolescente até então era indiferente, passou a incomodá-lo:</p>
			<disp-quote>
				<p>Eu, tipo... no começo, assim, eu não ligava muito, né. Até porque eu levava na brincadeira, né, era criança e tal, aí levava na brincadeira: ‘ah, lunático é tu e tal’, até chegou a revidar. Só que teve um certo ponto em que... passou a incomodar! Em que tipo... pronto, no sétimo ano mermo, foi? Sétimo ano eu passei pra tarde (...) aí foi a época que eu comecei a conhecer, tipo, conhecer garotas e tal, essas coisas. Aí tipo, toda vez, pronto, toda vez que eu ia ficar com alguém, nesse ano, aí a galera ficava tipo: ‘ah, tu vai colar com o Lunático e tal’, aí tinha menina que desistia... e eu, tipo, passou a me incomodar muito isso! (Randall).</p>
			</disp-quote>
			<p>Algo semelhante foi observado nas considerações que Gretchen teceu a respeito dos apelidos “Dinossaura” e “Acne”. Sobre o primeiro apelido, a adolescente relatou: “eu me considerava, a gente era criança, e tipo, foi um apelido que não influenciou muito na minha vida.”. Já em relação ao segundo, contou Gretchen: “(...) afetou, de certa forma, porque foi no começo que a gente entrou na adolescência... tipo essas coisas e, como a gente entra na adolescência e vai gostando de certos meninos e, tipo, os outros meninos chamam a gente...”.</p>
			<p>Esses recortes evidenciam, ainda que de modo indireto, que a idade da pessoa pode ser determinante quanto às afetações relativas aos apelidos que ela, porventura, venha a receber. Na <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>, encontram-se dispostos os apelidos categorizados em conformidade com os conteúdos aos quais fazem referência.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Tabela 2</label>
					<caption>
						<title><italic>Apresentação dos apelidos quanto às suas categorias</italic></title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center">Categoria</th>
								<th align="left">Apelido(s)</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">Característica corporal</td>
								<td align="left">Corpo: Gordo, com acne.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Personagem / Desenho: Super Pig, Jimmy Neutron, Rapunzel, Cachinhos Dourados, Filha de Mr. Bean, Fofão.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Animais: Dinossaura, orca.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Objeto: Balão, agulha.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Comportamento</td>
								<td align="left">Lunático.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Nome</td>
								<td align="left">Primeiro nome: Hus, Pati, Mik, Aninhazinha, Ana Lu, Luizana, Joãozinho.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Sobrenome: Spinelli, Tavinho, Machado.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Nome + Anexo: Randall Chicago, Ana Lapiseira.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Outros</td>
								<td align="left">Tang, RC.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>As categorias formadas se assemelham àquelas descritas em diversos estudos que se debruçam sobre a temática da apelidação (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Busse, 1983</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Klerk &amp; Bosch, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Kolawole et al., 2009</xref>; Philips, 1990). Por outro lado, e em contraponto a estudos recentes, como os de <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B5">Carvalho (2019</xref>), que identificaram uma predominância significativa de apelidos associados a características corporais, a presente pesquisa verificou que os apelidos associados ao corpo e aos nomes ocorreram em igual proporção. É necessário enfatizar, no entanto, que tal equivalência só se deu em termos quantitativos, pois a fala dos adolescentes pouco se voltou para os apelidos da categoria dos nomes.</p>
			<p>Em uma das falas de Mikey, por exemplo, o adolescente apontou que “Mik” era o único apelido que tinha atualmente e que as pessoas o chamavam dessa forma com razoável frequência: “Pesquisador: e hoje, tu tens algum apelido? Mikey: hoje... não! Só o do meu nome que, meu nome é Mikey, então me chamam muito de ‘Mik’, né.”. No entanto, ao ser inicialmente questionado acerca de seus apelidos, Mikey não mencionou a alcunha em questão. Ademais, nota-se que a forma com que o adolescente iniciou o seu enunciado é sugestiva de que ele não considera “Mik” efetivamente como um apelido. Em diálogo com essa interpretação, destaca-se o fato de que, em 28 minutos de entrevista, a alcunha só foi mencionada uma única vez, ao contrário de “Balão” que, considerando apenas as menções diretas, foi citada 12 vezes pelo entrevistado.</p>
			<p>De modo semelhante, viu-se que Ana Luiza falou de três apelidos (“Ana Lu”, “Aninhazinha” e “Luizana”) que eram atuais e “super de boa” , expressão que, nas palavras da própria adolescente, significa afeto: “Pra mim, o que eu acho de boa é o que eu gosto, sabe?”. Em contrapartida, Ana passou a maior parte do tempo de sua entrevista falando sobre as alcunhas “Agulha”, “Orca” e “Cachinhos Dourados”. Inclusive, em virtude da grande quantidade de apelidos que a entrevistada elencou, o pesquisador questionou se havia algum mais marcante, pergunta cuja resposta foi: “eu acho que foi o ‘Orca’, né, porque foi aí que eu fiquei na minha cabeça: ‘quando eu era magra, o povo falava. Quando eu fiquei gorda, o povo falava’. Acho que foi o que mais me abalou!” (Ana Luiza).</p>
			<p>Ratificando a assimetria qualitativa que se estabeleceu entre os apelidos das categorias dos nomes e aqueles referentes às características corporais, destacaram-se peculiaridades dos apelidos “Spinelli” e “Joãozinho”, que, apesar de serem alcunhas de nome, aparentaram ter surgido ao entorno de fatores situacionais e corporais, respectivamente. </p>
			<p>No primeiro caso, “Spinelli”, a descrição que Patrícia fez a respeito de uma situação ocorrida em sala de aula indicou que foi a forma com que o professor falou o sobrenome da adolescente na chamada e a subsequente reação dos colegas de turma diante do ocorrido que deram a “Spinelli” um <italic>status</italic> de apelido: “O professor fez a chamada: ‘Patrícia Spinelli’, aí ficaram ‘Spinelli, Spinelli’, e começaram a me chamar só de Spinelli! Não Patrícia... ‘Ô Spinelli, vem cá!” (Patrícia).</p>
			<p>No segundo caso, “Joãozinho”, a narrativa de João sugeriu que este apelido foi atribuído pelo seu grupo de pares em virtude de sua baixa estatura corporal: “Cara, o Joãozinho... assim, foi no sétimo ano que o pessoal começou a me chamar de Joãozinho... e só surgiu... porque, assim, é um nome, né? É um nome. Eu sou baixinho, pequeninho, aí: Joãozinho! Entendeu?” (João Gustavo).</p>
			<p>Esses enunciados, sobretudo o último, servem de base para inaugurar reflexões psicanalíticas a respeito do contraste qualitativo entre os apelidos associados ao nome e aqueles relacionados a características corporais. Essa assimetria, longe de se tratar de algo arbitrário, mostrou-se associada aos processos de reedição do complexo de Édipo e do estádio do espelho que, respectivamente, <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mandelli e Biazin (2018</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B9">Fontella e Torossiam (2017</xref>) afirmam ocorrer na adolescência.</p>
			<p>O texto freudiano aponta que a rejeição do incesto conduz o sujeito a um relativo desligamento das figuras parentais e a um subsequente redirecionamento do desejo para um outro situado fora da narrativa familiar (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Freud, 1901-1905/1996b</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mandelli &amp; Biazin, 2018</xref>). Desse modo, a adolescência traz novas facetas para a relação com o outro não-parental, vínculo no qual o adolescente define novas figuras de referência, constrói novas identificações e, no decorrer desses processos, gradualmente se constitui como sujeito (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Cairoli &amp; Gauer, 2009</xref>).</p>
			<p>Sob esses termos, torna-se viável considerar que a pouca ênfase dada aos apelidos associados ao nome e/ou sobrenome jurídicos e o protagonismo que as alcunhas das demais categorias exerceu no discurso dos adolescentes podem ser reflexo do desligamento das figuras familiares que se opera na reedição edípica. Essa leitura encontra respaldo em <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños e Pereira (2019</xref>), que postulam que a emergência de um apelido tende a traduzir um deslocamento do nome próprio, e com ele uma separação do processo de apropriação e significação realizado ao entorno deste nome.</p>
			<p>Em convergência com as formulações supracitadas, há de se salientar que até mesmo alguns apelidos relacionados aos nomes próprios - como os já mencionados “Spinelli” e “Joãozinho” - surgiram na relação com os pares, em torno de significações distintas daquelas anteriormente vinculadas ao contexto familiar.</p>
			<p>De modo a elucidar elementos presentes na compreensão psicanalítica acerca da discussão em questão, como por exemplo do desligamento das figuras familiares, testemunhou-se uma expressa ênfase dada aos apelidos atribuídos e utilizados pelos pares. Nesse sentido, observou-se que várias destas alcunhas intermediaram o processo de reedição do estádio do espelho.</p>
			<p>Com base nos escritos de <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan (1998</xref>), constata-se que o estádio do espelho é um fenômeno que ocorre a partir do sexto mês de vida, onde um primeiro esboço de Eu se forma através de um processo no qual o indivíduo se identifica com uma imagem sustentada pelo olhar e pela voz do outro parental. Na adolescência, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas (2002</xref>), essa vivência se repete, mas na relação com os pares: </p>
			<p>Pesquisador: algo mudou depois que ele te colocou esse apelido?</p>
			<disp-quote>
				<p>Ashley: eu fiquei incomodada com a minha bochecha... né? Eu fiquei vendo ela maior (...) Eu ainda não tinha percebido isso. Mas depois que ele [o amigo que a apelidou] começou, ‘que bochechão, num sei o que’, aí eu... fiquei na cabeça! (Ashley).</p>
			</disp-quote>
			<p>Todas estas falas ratificam o que é posto por <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas (2002</xref>, p. 38) a respeito da reedição do estádio do espelho: “o que vai garantir essa imagem do corpo não são mais o olhar e a voz da mãe, mas o que verão e dirão os seus pares”.</p>
			<p>Os recortes da entrevista de Ashley, mencionados anteriormente, são didáticos po se referirem à ilustração do modo com que determinados aspectos do estádio do espelho se reeditam nas relações que adolescentes estabelecem com os seus pares. A identificação com a imagem evocada pelo olhar e pela fala do amigo da escola foi tão significativa que conduziu Ashley a buscar formas de reduzir o tamanho de suas bochechas: “já procurei até vídeo, como tipo, pra ver se diminuía... algum exercício pra fazer, entendesse? (...) eu botei assim [no YouTube]: ‘como emagrecer a bochecha?’ [risos]” (Ashley).</p>
			<p>Algo semelhante foi notado no caso de Mikey, que recebeu o apelido “Balão” em um contexto no qual estava interessado por uma garota e, ao confidenciar tal informação para os amigos, um deles comentou: “olha, tu balão desse jeito, não vai dar nada não”. A partir desse episódio, vários pares passaram a tratá-lo por essa alcunha, com a qual Mikey se identificou e da qual se apropriou de modo tão visceral que, mesmo hoje, sendo notoriamente magro, por vezes ainda se reconhece nessa imagem. Com base em <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan (1998</xref>), é possível afirmar que essa situação evidencia a permanência mental de uma imagem que, através dos graduais processos de manutenção (ser chamado de Balão) e identificação (se enxergar como Balão), deram origem a um “Eu-Balão”. </p>
			<disp-quote>
				<p>A coisa com a imagem tá até hoje... até hoje eu não consigo tirar a camisa, nem nada (...) Nem em praia eu consigo tirar a camisa hoje em dia (...) Porque... fico pensando que o povo vai achar que eu sou muito gordo, que... fica na cabeça isso daí! (Mikey).</p>
			</disp-quote>
			<p>O último trecho das falas de Ashley (“aí eu... fiquei na cabeça!”) e Mikey (“fica na cabeça isso daí!”) é ilustrativo do aspecto da permanência mental resultante da vivência do estádio do espelho, conforme explorado no texto lacaniano. </p>
			<p>A identificação imaginária é estruturante do Eu, pois o significado do apelido enquanto nome é sustentado a partir do registro do Imaginário. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B15">Jorge e Ferreira (2005</xref>), o Imaginário, na psicanálise, concerne que tudo está associado à imagem do corpo, sem mediação da palavra. No entanto, a letra lacaniana é clara ao apontar que o ato de nomear transforma a ausência em presença, à medida que não convoca para a cena o nome do sujeito, mas sim o sujeito nomeado. O apelido, sendo um nome, é capaz de eternizar no tempo a imagem de um sujeito que dela se apropriou (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños &amp; Pereira, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Fontella &amp; Torossiam, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lacan, 2005</xref>). </p>
			<disp-quote>
				<p>Foi daí em diante, pra sempre! Até hoje, quando eu vou pro boliche encontrar com os amigos, o povo me chama assim (...) eu cheguei a um ponto de ficar aparecendo muito minhas costelas, e... eu ficar aparecendo os osso aqui [apontou para o pulso], os cotovelo, tudo, e olhar pra baixo e continuar me vendo gordo! Continuar me vendo “Balão” (Mikey).</p>
			</disp-quote>
			<p>Algo semelhante foi visto na história de Hustler, que recebeu o apelido “Gordo” em virtude do seu excesso de peso. No entanto, a adolescente relata que hoje está “mais forte” (musculoso) do que aqueles que lhe chamavam pela alcunha. Esta transformação, no entanto, não fez cessar os endereçamentos ao “Gordo”: “(...) só de costume assim, ainda me chamam, meu primo, né, me chama de gordo, mas só por tiração mesmo... costume, né, chamar ‘ei, gordo!’” (Hustler).</p>
			<p>Constata-se que <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>, p. 917) teceu, a partir de um estudo pautado na teoria das representações sociais, considerações semelhantes a respeito dessa questão da fixação das imagens: “os apelidos fixam de tal maneira uma imagem que sobrevivem à própria mudança de imagem. Isto enquanto haja um território por onde possam circular”.</p>
			<p>É notório, como se vê em <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>), que os apelidos são atos de nomeação capazes de produzir identidade. Essa premissa surgiu de modo mais evidente no dizer de alguns entrevistados: “(...) eu não queria ser o gordo!” (Hustler); “Pesquisador: mas como é ser a Tang?”. Patrícia: É ser eu mesma... não sei explicar (...) Tang sou eu! [risos]” (Patrícia).</p>
			<disp-quote>
				<p>Eu na escola, eu fora da escola, eram pessoas totalmente diferentes! Porque fora da escola eu... eu tinha muito amigo, conversava muito, falava muito..., mas dentro da escola, assim, o pessoal me chamando de Jimmy Neutron, eu não gostava (...) meio que fazia eu ficar mei... meio deprimido (...) dentro da escola eu era meio... (João Gustavo).</p>
			</disp-quote>
			<p>Com base em <xref ref-type="bibr" rid="B28">Sacconi (2021</xref>) é possível afirmar que, na fala de Hustler, o uso do artigo “o” em referência a palavra “gordo”, que é naturalmente um adjetivo, dá a ela o <italic>status</italic> de substantivo, ou seja, de nome. Isso coincide com o fato de que um dos apelidos do adolescente era Gordo. Destarte, quando Hustler afirmou, do jeito que afirmou, que “não queria ser o gordo”, na verdade falou que não queria mais a identidade subjacente ao apelido “Gordo”.</p>
			<p>Também é interessante observar aprofundadamente as falas de João Gustavo, pois elas corroboram o que foi apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños e Pereira (2019</xref>): o apelido faz o sujeito se deparar com uma dupla identificação. A mensagem implícita nas palavras utilizadas por João é didática ao apontar que o adolescente ficava “meio” deprimido, sugerindo que apenas a antiga identidade escolar, “Jimmy Neutron”, era acometida pelos afetos descritos. </p>
			<p>Convém enfatizar que o termo “meio” surgiu em vários momentos da entrevista de João Gustavo: “Eu não gostava muito de conversar, essas coisas... hoje em dia eu gosto muito de conversar, tá ligado? Mas depois que... ‘Jimmy Neutron’, eu não socializava muito, sabe? Ficava meio... meio... sabe?”; “Eu me sentia, er... era meio mal, visse? Eu... eu ficava bem triste!”; “Quando terminou o ano eu falei: ‘quando eu voltar pra escola, nesse novo ano, eu vou parar de ser assim!’, entendesse? Vou parar de ser essa pessoa que não revida, essa pessoa meio... entendesse?”.</p>
			<p>Com efeito, os resultados deste estudo revelaram que os apelidos são capazes de cindir o sujeito, ramificando-o em identidades que, por sua vez, podem ser completamente distintas, a ponto de não serem compatíveis entre si, como se constatou em outras falas do entrevistado em questão:</p>
			<disp-quote>
				<p>Eu falava “cara, se eu entrar, se eu seguir, com o Tavinho, seguir com essas pessoas que eu tinha muita amizade fora da escola, eu vou pra um caminho que eu não quero ir”, entendesse? Aí acabou que não... é melhor o Joãozinho, é melhor tentar desfazer o ‘Jimmy Neutron’ aqui dentro do que continuar como Tavinho lá fora, entendesse? (João Gustavo).</p>
			</disp-quote>
			<p>Essa cisão também foi observada em uma das falas de Gus que, por meio de um ato falho, no qual trocou o que aparentemente deveria ter sido “eu fiquei logo tenso” por “eu fiquei logo suspenso”, pode ter indicado figurativamente que a sua identidade desejada, Gus, foi suspendida diante da possibilidade de a identidade do apelido ser evocada para a cena através do endereçamento da carta de sua pretendente:</p>
			<disp-quote>
				<p>A gente combinou de mandar cartinha um pro outro, sabe? Aí ela teve que escrever duas cartinhas pra mim, aí tinha me falado na hora, aí eu fiquei logo suspenso, porque eu imaginei: ‘será que ela, será que ela colocou o meu nome completo?’ (...) Aí eu já, eu fiquei muito nervoso, eu fiquei, tinha ficado muito nervoso, porque eu tava com medo, realmente, de que ela tivesse mandado com Gus Machado meu nome (Gus).</p>
			</disp-quote>
			<p>Outro tópico que se mostrou relevante para a discussão foi a da autoria dos apelidos, pois, das 27 alcunhas descritas, apenas 2 - “Randall Chicago” e “RC” - foram declaradamente autoatribuídas, diferentemente do observado em <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños e Pereira (2019</xref>), onde a maioria dos adolescentes se autodenominou. De modo distinto à vivência do estádio do espelho descrita por <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan (1998</xref>), na qual a pessoa exerce um papel ativo na formação de um primeiro esboço de Eu, verificou-se que as identidades resultantes dos apelidos se forjaram à revelia da quase totalidade dos entrevistados.</p>
			<p>Distanciando-se do cenário de forte aceitação e predominância de “identificações divertidas”, desenhado em <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>) a respeito da relação que os adolescentes estabeleceram com suas alcunhas, evidenciou-se que a maior parte dos apelidos da presente pesquisa foi situada em uma narrativa de descontentamento: “Gordo”, “Super Pig”, “Machado”, “Balão”, “Acne”, “Dinossaura”, “Lunático”, “Jimmy Neutron”, “Fofão”, “Agulha”, “Orca”, “Cachinhos Dourados”, “Ana Lapiseira” e “Filha de Mr. Bean”.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">Mensato (2012</xref>), é comum que a recusa do sujeito ao apelido seja justamente aquilo que faz com que ele seja utilizado pelos seus autores, fazendo com que o sujeito signifique e seja significado no grupo através da alcunha que o descontenta. Corroborando essas formulações, verificou-se que vários entrevistados tiveram a dinâmica e/ou os significados subjacentes às suas relações sociais transformados em razaõ de apelidos que os descontentavam:</p>
			<disp-quote>
				<p>Então eu, tipo, me juntava, mas era como se fosse o bobo da corte da galera né (...) aí se juntava, batia em mim, aí tipo, as vezes isso acontecia comigo, de tipo “oxe, bora quebrar o Lunático!”, os cara falava assim na época, “bora quebrar o Lunático!” e se juntava pra bater em mim e tal. Isso chegou a me incomodar (Randall).</p>
			</disp-quote>
			<p>Da mesma forma, constatou-se que as identidades impostas, via apelidação, foram absorvidas e, durante algum tempo, transformaram a dinâmica e os significados das relações sociais dos adolescentes. Verificou-se, ainda, a ocorrência de processos de recusa destas alcunhas, que também produziram efeitos. No caso de João Gustavo, por exemplo, foi possível observar essa recusa, principalmente, a partir de determinadas palavras que se repetiram em seu discurso: </p>
			<disp-quote>
				<p>Eu comecei a devolver, devolver, devolver... aí o pessoal parou, tá ligado? (...) Tipo, no sétimo, no oitavo... até o nono ano, eu... parece que eu fui me soltando mais, no ensino fundamental fui me soltando mais! Até, aí tipo... o pessoal começou, só me chamava de Joãozinho, aí... parou! Esqueceram “Jimmy Neutron”, sabe? Esqueceram! (João Gustavo).</p>
			</disp-quote>
			<p>Nota-se, sob uma perspectiva figurada, uma proporcionalidade direta que se instalou entre os eventos narrados por João, que, à medida que “devolveu” (sobretudo através do ato de apelidar de volta) a identidade que estava lhe sendo imposta, testemunhou um gradual apagamento de “Jimmy Neutron”. Cabe salientar que o fato de João ter começado a “se soltar mais” da identidade (expressão sugestiva de um sentimento de aprisionamento) deu margem para o surgimento de uma nova identidade: “Joãozinho”, que, paradoxalmente, exerceu influência na extinção da antiga alcunha e, ao mesmo tempo, foi dela produto. </p>
			<p>De modo semelhante, observou-se que a maioria dos adolescentes conseguiu provocar a extinção ou, pelo menos, uma diminuição razoável da circulação dos apelidos que o descontentavam. Esse cenário se desenhou a partir de diferentes estratégias, que se mostraram ramificadas em ativas e passivas. </p>
			<p>As estratégias ativas se pautaram, especialmente, na repressão das pessoas que contribuíam com a manutenção e circulação do apelido.</p>
			<disp-quote>
				<p>Aí foi todo um processo pra, a gente chegou a ir pra diretoria, por conta disso, porque eu pedia pra eles [os colegas que a chamavam por apelido] parar em certos momentos da aula e eles não paravam... a<bold>í</bold> eles foram pra diretoria, minha mãe foi, conversou, enfim, sempre foi um processo, não foi, assim, uma conversa de imediato como foi com minhas amigas (Gretchen).</p>
			</disp-quote>
			<p>As estratégias passivas, por sua vez predominantes, caracterizaram-se pelos esforços que os adolescentes despenderam para mudar os elementos nos quais os apelidos se baseavam e/ou quais estavam fortemente associados: “(...) eu sempre botava vídeo motivacional pra emagrecer, tentava procurar uma academia...” (Mikey); “Pesquisador: o que você fez pra esse apelido ser extinto? Randall: que eu fiz foi, tipo, mudar totalmente o meu estilo de vida!” (Randall); “(...) eu continuo, né, continuo com espinha no rosto, mas bem menos, porque eu procurei tratamento, porque me, me afetava, realmente, esse apelido” (Gretchen); “Pesquisador: como foi que esses apelidos foram extintos? Hustler: comecei a academia, né?” (Hustler).</p>
			<p>Dialogando com <xref ref-type="bibr" rid="B30">Vereda (2007</xref>), esses dados constataram que alguns adolescentes elaboraram estratégias muito peculiares para lidar com o problema dos apelidos. Por outro lado, os dados não dialogaram com os da autora supracitada no que diz respeito às estratégias elencadas, pois as ações mais referenciadas trataram de desprezar, ignorar e excluir a amizade com os apelidadores. Verificaram-se, apenas nos casos de Mikey e Ashley, falas diretas e indiretas que evidenciaram um movimento de ignorar ou findar a amizade com o(s) apelidador(es): “Já... deixei algumas amizades de lado por causa disso, não gosto...”; “Pesquisador: como você lida com esses resquícios hoje? Mikey: eu só ignoro, só” (Mikey).</p>
			<disp-quote>
				<p>Ele era, assim, meu amigo, mas, eu nunca dei abertura pra chamar de apelido nem nada, porque eu nunca dei apelido a ele. Entendesse? Tipo, era amigo, mas eu sempre respeitei ele... num dei liberdade pra ele me chamar (...) eu continuo falando normal com o menino. Não tenho amizade, claro, mas... falo normal quando precisa (Ashley).</p>
			</disp-quote>
			<p>Curiosamente, à exceção do apelido de Patrícia, “Tang”, todas as alcunhas que exerceram protagonismo no discurso dos entrevistados foram extintas ou tiveram a frequência de sua circulação consideravelmente reduzidas antes do início do ensino médio. Considerando o fato de que todos esses apelidos foram descritos como negativos, confere-se uma coincidência do atual estudo com os dizeres de adolescentes entrevistados na pesquisa de <xref ref-type="bibr" rid="B5">Carvalho (2019</xref>, p. 343), que apontaram que: “apelidos ruins são coisas do passado, do ensino fundamental, do tempo em que todos os alunos são imaturos”.</p>
			<p>Com base na teoria psicanalítica, é possível admitir que a extinção dos apelidos citados no parágrafo anterior, de forma semelhante ao que se constatou a respeito da origem de cada um deles, demonstra estar associado ao processo de reedição do estádio do espelho que, de modo análogo ao fenômeno original, desponta apenas em um primeiro esboço de Eu adolescente.</p>
			<p>Diante da ainda escassa literatura a respeito dos processos de dar e receber apelidos, é fundamental encerrar este texto incentivando a realização de mais estudos com a temática em questão, independente de fatores como disciplina e/ou desenho de estudo, por exemplo. No entanto, ao levar em consideração o fato de que a maior parte dos apelidos que exerceu protagonismo no discurso dos entrevistados surgiu, circulou e desapareceu/amenizou em um intervalo de idade específico, convém enfatizar que, a depender dos objetivos, a realização de pesquisas científicas com adolescentes do ensino fundamental II pode ser mais estratégica com relação ao testemunho do fenômeno da apelidação. </p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>O presente estudo revelou que os apelidos são capazes de mediar determinados processos subjacentes à reedição do complexo de Édipo e do estádio do espelho, que, por sua vez, operam-se em virtude das transformações advindas da puberdade.</p>
			<p>O contraste qualitativo estabelecido entre a presença pouco expressiva das alcunhas relacionadas ao nome e ao protagonismo dos apelidos das demais categorias no discurso dos entrevistados se mostrou suscetível a ser compreendido como reflexo do desligamento das figuras parentais que opera na (re)visitação a cena edípica. Em diálogo com esta leitura, observou-se que até mesmo apelidos pertencentes à categoria dos nomes pode representar tal distanciamento, tendo em vista que as alcunhas que emergem na relação do adolescente com seus pares podem carregar significados completamente distintos daqueles construídos nas relações familiares. </p>
			<p>No que tange à relação observada entre apelidos e o processo de reedição do estádio do espelho foi constatado, em primeiro lugar, que o período entre os oito e 12 anos de idade é fértil em relação ao surgimento de alcunhas. Além disto, observou-se que os apelidos tendem a ser mais significativos para o sujeito nesta faixa etária, que pode ser compreendida como uma fase de transição caracterizada pelo término da infância e o início da adolescência. </p>
			<p>Em segundo lugar, destaca-se que os resultados revelaram a potencial atuação dos apelidos enquanto mediadores do processo de reedição do estádio do espelho, à medida que evidenciaram histórias nas quais imagens (que originaram os apelidos) sustentadas pelo olhar e pela voz dos pares acabaram por produzir identidades. Ademais, e também de forma semelhante ao que se opera no fenômeno descrito na teoria lacaniana, foi visto que os apelidos, por diversas vezes, configuraram-se como esboços iniciais de um “Eu adolescente”, que, a partir de uma <italic>Gestalt</italic>, fixou-se no psiquismo, constituindo-se como subjetividade. </p>
			<p>O estudo revelou, ainda, que os processos atribuição e recepção de apelidos podem transformar os significados que permeiam a relação do adolescente com os pares e consigo mesmo, exercendo, consequentemente, influência significativa no adolescer como um todo. Desse modo, é razoável admitir que este estudo lança luz sobre importantes aspectos da clínica psicanalítica com o adolescente, podendo contribuir com a prática profissional não apenas de psicólogos e psicanalistas, mas de todos os profissionais que atuam ou pretendem atuar com adolescentes.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
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					<source>Investigação Qualitativa em Ciências Sociais</source>
					<volume>3</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>126</fpage>
					<lpage>131</lpage>
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			<ref id="B24">
				<mixed-citation>Nascimento, L. C. N., Souza, T. V., Oliveira, I. C. S., Moraes, J. R. M. M., Aguiar, R. C. B., &amp; Silva, L. F. (2018). Saturação teórica em pesquisa qualitativa: Relato de experiência na entrevista com escolares. <italic>Revista Brasileira de Enfermagem</italic>, <italic>71</italic>(1), 228-233. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0616</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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							<surname>Nascimento</surname>
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					<year>2018</year>
					<article-title>Saturação teórica em pesquisa qualitativa: Relato de experiência na entrevista com escolares</article-title>
					<source>Revista Brasileira de Enfermagem</source>
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					<article-title>Nicknames of institutional children</article-title>
					<source>American Journal of Orthopsychiatry</source>
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					<article-title>A simbologia dos apelidos na vida cotidiana escolar</article-title>
					<source>Educação e Realidade</source>
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					<article-title>Nicknames and sex role stereotypes</article-title>
					<source>Sex Roles: A Journal of Research</source>
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					<source>Nossa gramática completa: Indicada para todos os cursos e concursos</source>
					<publisher-name>Matrix</publisher-name>
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				<element-citation publication-type="journal">
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					<article-title>Análise de conteúdo, discurso ou conversa? Similaridades e diferenças entre os métodos de análise qualitativa</article-title>
					<source>Revista ADM. MADE</source>
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				<element-citation publication-type="thesis">
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							<surname>Vereda</surname>
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					<year>2007</year>
					<source>Apelido pejorativo na escola, um estudo com adolescentes paulistanos</source>
					<comment content-type="degree">Dissertação de Mestrado</comment>
					<publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Repositório de Teses e Dissertações da PUCSP</publisher-name>
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	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i2.e14524</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Research Report</subject>
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			<title-group>
				<article-title>Nicknames in Adolescence: A Psychoanalytic Discussion</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0000-0941-6123</contrib-id>
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						<surname>Andrade</surname>
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						<surname>Amorim</surname>
						<given-names>Viviane Colares Soares de Andrade</given-names>
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			<aff id="aff3">
				<institution content-type="original">Hospital Psychologist at Unimed Recife Hospital Complex. MSc in Hebiatrics from UPE. Specialist in Hospital Psychology through the Multiprofessional Residency Program in Intensive Care at Real Hospital Português, Federal University of Pernambuco (UFPE). Specialist in Clinical Interventions within the Psychoanalytic Approach from Frassinetti Faculty of Recife. BA in Psychology from Pernambuco School of Health.</institution>
				<institution content-type="orgname">Unimed Recife Hospital Complex</institution>
                <country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<aff id="aff4">
				<institution content-type="original">BA in Dentistry from UFPE (1987), MSc in Pediatric Dentistry from UPE (1993), and PhD in Pediatric Dentistry from UPE (1998). Completed a postdoctoral fellowship funded by Brazilian Federal Agency for Support and Evaluation of Graduate Education at the University of Iowa, U.S., in Pediatric Dentistry (2001). Served as Vice-Rector for Graduate Studies and Research at UPE from 2007 to 2014. Member of the Superior Council of Foundation for Support to Science and Technology of Pernambuco from 2009 to 2015. Coordinated the Specialization Program in Pediatric Dentistry at UPE and the Master’s Program in Hebiatrics, Health Determinants in Adolescence, at UPE from 2005 to 2016. Currently Full Professor at UFPE and retired Associate Professor (2012) from UPE.</institution>
				<institution content-type="orgname">UFPE</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>Adolescence is a developmental stage marked by intense physical and emotional changes, during which identity formation is largely shaped by relationships with peers. In this context, nicknames may either facilitate or hinder adolescents’ psychosocial dynamics. From a psychoanalytic perspective, adolescence is understood as a period in which fundamental processes of subjective constitution are revisited within peer relationships, particularly the Oedipus complex and the mirror stage. This article originated from a study aimed at understanding the processes of giving and receiving nicknames during adolescence. It was a qualitative, descriptive, exploratory study conducted at a reference public high school in the Metropolitan Region of Recife, Pernambuco, Brazil. The sample consisted of nine students aged 15-19 years, selected intentionally and defined by theoretical saturation. Data collection was performed through individual, face-to-face interviews using a semi-structured script, along with a sociodemographic questionnaire. Data were analyzed using discourse analysis. The results indicated that most nicknames emerged and/or circulated between 8 and 12 years of age, with nicknames from this period occupying a prominent place in the participants’ narratives. In addition, several cases were identified in which nicknames led to significant changes in peers’ perceptions of the adolescent and in the adolescent’s self-perception. Overall, the study revealed that nicknames can mediate processes underlying the reactivation of the Oedipus complex and the mirror stage, transforming the meanings embedded in adolescents’ relationships with peers and with themselves, and thereby shaping the overall experience of adolescence.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>adolescent</kwd>
				<kwd>nicknames</kwd>
				<kwd>schools</kwd>
				<kwd>psychoanalysis</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<p>Social life is complex in its configuration. From this complexity, core aspects can be revealed through seemingly trivial phenomena. In this context, the processes of giving and receiving nicknames may be understood as potential indicators of broader social realities (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais, 2018</xref>).</p>
			<p>Nickname-giving refers to the practice of renaming individuals, with the nickname constituting the product of this practice (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Castro, 2018</xref>). A review of the literature on the processes of giving and receiving nicknames shows that a single nickname may serve multiple functions. It can facilitate or hinder the construction of bonds and group identities, act as a vehicle for intimacy and affection in interpersonal relationships, or function as an offensive and/or oppressive mechanism, as observed in bullying, among other possibilities. At the core of these diverse functions lies the capacity of nicknames to transform how individuals make meaning of their social relationships and how they are, in turn, signified by others across different stages of development (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Holland, 1990</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Klerk &amp; Bosch, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Phillips, 1990</xref>).</p>
			<p>Adolescence is marked by a number of physiological and emotional transformations, largely because it unfolds concurrently with puberty. It represents a strategic period for identity formation, a process that is strongly shaped by the quality of relationships adolescents establish with their peers. During this stage, the replacement of proper names with nicknames may function as a strategy for socialization (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños &amp; Pereira, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">Erikson, 1987</xref>).</p>
			<p>Psychoanalytic discussions of adolescence acknowledge that the transformations associated with puberty reactivate, within adolescents’ peer relationships, fundamental processes of psychic constitution: the Oedipus complex and the mirror stage (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas, 2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mandelli &amp; Biazin, 2018</xref>).</p>
			<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B10">Freud (1886-1899/1996a</xref>), the Oedipus complex is a psychic experience in which the child directs desire toward the parent of the opposite sex and perceives the parent of the same sex as both rival and object of identification. This process is fundamental to psychic constitution because it compels the subject to position themselves in relation to desire and sexuality. The resolution of this configuration, which entails the renunciation of incestuous desire, inaugurates the superego, a psychic instance resulting from the internalization of parental prohibitions. The superego guides social life insofar as it functions as the moral conscience of the ego (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Freud, 1923-1925/2011</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">Freud (1886-1899/1996a)</xref> further argues that incest is antisocial because, in such a condition, the family remains in a symbiotic relationship and becomes incapable of establishing contact with strangers. Consequently, the founder of psychoanalysis maintains that civilization is grounded in the progressive renunciation of incest. In this context, as adolescents revisit the Oedipal scene and confront the lack produced by the loss of childhood objects, they seek sexual satisfaction in objects situated outside the familial narrative. Thus, the reactivation of the Oedipus complex in adolescence places the subject before a history that refers back to childhood but is now open to being rewritten (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Freud, 1901/1996c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mandelli &amp; Biazin, 2018</xref>).</p>
			<p>In dialogue with these elements, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Fontella and Torossiam (2017</xref>) argue that, in adolescence, processes of identification experienced in childhood are also revisited, in a manner similar to the reactivation of the Oedipus complex. Among these processes, the mirror stage is particularly noteworthy. According to <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan (1998</xref>), this phenomenon emerges around 6 months of age, when the subject recognizes both the other and themselves in the mirror. Through the relationship established with the elements of this experience, the subject gains access to and becomes attached to the image of a body endowed with maturational potency, which serves as a symbolic matrix through which the ego precipitates into a primordial formation.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan (1998</xref>) clarifies that this form situates the ego within a fictional dimension, since the body endowed with maturational potency is presented to the subject only as a <italic>Gestalt</italic>. Nevertheless, he emphasizes the constitutive character of this <italic>Gestalt</italic> by explaining its function in ensuring the mental continuity of the ego, the psychic instance responsible for mediating the relationship between the subject and surrounding reality.</p>
			<p>Drawing on Lacanian theory, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas (2002</xref>) notes that the mirror stage represents an experience in which the subject identifies with the image resulting from the recognition of both self and other in the mirror. However, it is the gaze and the voice of parental figures, who perform maternal and paternal functions, that sustain this image.</p>
			<p>In adolescence, the reactivation of the mirror stage occurs as a consequence of the adolescent’s need to reappropriate the bodily image constructed in childhood, given the transformations brought about by puberty. Unlike the initial experience, the support for this image now derives from the gaze and the voice of peers (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas, 2002</xref>).</p>
			<p>Thus, nicknames have the potential to transform the meanings underlying adolescents’ relational dynamics with their peers. These relationships are central to the experience of adolescence, as they constitute the setting for processes that, from a psychoanalytic perspective, are fundamental to psychic constitution. Accordingly, the study that gave rise to this article was conducted with the aim of understanding the processes of giving and receiving nicknames during adolescence.</p>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Methodological Procedures</title>
				<p>This article is based on an empirical study with a qualitative approach, characterized by its focus on meanings, motivations, beliefs, and other elements that constitute the individual’s subjective universe (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Minayo, 2014</xref>). The sample was defined intentionally and closed according to the criterion of theoretical saturation, meaning that interviews were discontinued when participants’ accounts began to recur with reasonable redundancy (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Nascimento et al., 2018</xref>).</p>
				<p>The field study involved conducting semi-structured interviews with adolescents from a reference public high school located in the Metropolitan Region of Recife, state of Pernambuco, Brazil. A total of 9 adolescents were interviewed, including 5 females and 4 males, aged between 15 and 19 years. The semi-structured interview guide was chosen because it aligns with qualitative research approaches by encouraging participants’ protagonism in the production of their own discourse (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Moré, 2015</xref>). The school was selected because it constitutes, according to <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>), a space of creative sociability. Moreover, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Kolawole et al. (2009</xref>) report that three out of four children receive a nickname at school.</p>
				<p>The semi-structured interview guide was centered on the following triggering question: “What is/was it like to be (the adolescent’s nickname)?” This was complemented by guiding questions aimed at identifying the origin of the nickname, the individuals who used it, the places and situations in which it circulated, the meanings attributed to it, the feelings associated with it, and the adolescent’s identification with the nickname. In addition, questions addressing the practice of giving nicknames were included. However, this latter aspect did not emerge as a significant focus in the discussion presented in this article.</p>
				<p>All interviews were audio-recorded with prior written authorization from the participants and their legal guardians and had an average duration of 23 minutes. Transcriptions were produced verbatim, preserving the adolescents’ vocabulary in its entirety. Data were analyzed using discourse analysis, which, according to <xref ref-type="bibr" rid="B29">Schiavini and Garrido (2018</xref>), seeks to understand not only the words spoken but also the context and the manner in which subjects articulate or refrain from articulating them. It should be noted that interpretations grounded in the psychoanalytic theories of Freud and Lacan, which underpin this article, were applied only to a subset of the observed phenomena.</p>
				<p>In addition to the semi-structured interviews, the field research included a sociodemographic questionnaire covering age, race/ethnicity, gender, school grade, history of grade repetition, neighborhood of residence, household composition, siblings, family income, religion, and employment status. This instrument was designed to provide a more comprehensive understanding of the context in which adolescents produced their discourses.</p>
				<p>The study was submitted to and approved by the Research Ethics Committee at Universidade de Pernambuco (CAAE: 57898022.3.0000.5207), which ensures that all ethical principles related to research involving human subjects were observed. To protect participants’ identities, both participants’ names and the nicknames mentioned in the interviews were replaced with fictitious names.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="results|discussion">
				<title>Results and Discussion</title>
				<p>At the outset, it is important to emphasize that the scarcity of literature on studies addressing nicknames, as noted by <xref ref-type="bibr" rid="B30">Vereda (2007</xref>), remains significant in the Brazilian context. This gap imposed limitations on the discussion, which often had to rely on studies that were either relatively dated or conducted in other countries. These factors are understood as constraints that may hinder the interpretation of the findings, particularly because, as <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>) argues, the production and circulation of nicknames evolve in tandem with surrounding cultural processes.</p>
				<p>
					<xref ref-type="table" rid="t3">Table 1</xref> presents the adolescents interviewed, identified by names of characters from the American animated series <italic>Recess</italic>, known in Brazil as <italic>Hora do Recreio</italic>, which was chosen for its depiction of adolescents’ everyday school life. Similarly, the nicknames reported by the participants were adapted. These modifications were made to preserve the interviewees’ identities. Notably, João Gustavo and Ana Luiza are not names of characters from the aforementioned program but were exceptions deemed necessary in order to preserve the original meaning of the participants’ names and nicknames. Among the variables included in the sociodemographic questionnaire, only age proved to be relevant to the discussion developed in this section.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t3">
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">Name</th>
									<th align="center">Gender</th>
									<th align="center">Age (years)</th>
									<th align="left">Nickname(s)</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center">Hustler</td>
									<td align="center">Male</td>
									<td align="center">15</td>
									<td align="left">Super Pig; Fatty; Hus</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Patrícia</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">15</td>
									<td align="left">Tang; Spinelli; Pati</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Mikey</td>
									<td align="center">Male</td>
									<td align="center">16</td>
									<td align="left">Balloon; Mik</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Gus</td>
									<td align="center">Male</td>
									<td align="center">16</td>
									<td align="left">Axe</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Gretchen</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">16</td>
									<td align="left">Dinosaur; Acne</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Randall</td>
									<td align="center">Male</td>
									<td align="center">18</td>
									<td align="left">Lunatic; Randall Chicago; RC</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">João Gustavo</td>
									<td align="center">Male</td>
									<td align="center">18</td>
									<td align="left">Jimmy Neutron; Joãozinho; Tavinho</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Ana Luiza</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">18</td>
									<td align="left">Needle; Orca; Rapunzel; Ana Pencil; Goldilocks; Ana Lu; Luizana; Little Ana; Mr. Bean’s Daughter</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Ashley</td>
									<td align="center">Female</td>
									<td align="center">19</td>
									<td align="left">Fofão</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>At the outset, it is essential to emphasize that, excluding Gus and Ashley-who reported only one nickname, the narratives of five participants (Hustler, Patrícia, Mikey, Gretchen, and Randall), all of whom had two or more nicknames, revolved predominantly around a single epithet, respectively: “Super Pig,” “Tang,” “Balloon,” “Acne,” and “Lunatic.” Although João Gustavo and Ana Luiza, in comparison with the other participants, elaborated more extensively on additional nicknames, a clear predominance of the nicknames “Jimmy Neutron” and “Orca” was also observed in their accounts.</p>
				<p>Notably, with the exception of the nickname “Lunatic,” all nicknames that occupied a prominent place in the adolescents’ interviews emerged between 8 and 12 years of age. This finding suggests that this period, marking the end of childhood and the onset of adolescence according to the World Health Organization’s definition, is particularly fertile for the emergence of new nicknames. This scenario is consistent with the observations of <xref ref-type="bibr" rid="B25">Orgel and Tuckman (1935</xref>), who argue that the attribution of nicknames commonly occurs in the context of initiation rites, such as puberty.</p>
				<p>In addition, nicknames acquired between 8 and 12 years of age affected several participants more significantly. Randall, for example, reported that he did not recall the exact age at which the nickname “Lunatic” first appeared. However, his narrative indicates that, within this age range, the nickname, toward which he had previously been indifferent, began to cause discomfort:</p>
				<disp-quote>
					<p>At first, I didn’t really mind it, you know. I took it as a joke, because I was a kid and all that, so I laughed it off - “oh, you’re the lunatic,” and so on. I even joked back. But there came a point when it started to bother me. I think it was in seventh grade, right? That was when I moved to the afternoon shift (…) and it was the time when I started getting to know girls and things like that. And then, every time I was about to get involved with someone that year, people would say things like, “oh, you’re going to be with Lunatic,” and some girls would back out… and that really started to bother me a lot. (Randall).</p>
				</disp-quote>
				<p>A similar pattern was observed in Gretchen’s reflections on the nicknames “Dinosaur” and “Acne.” Regarding the former, she stated: “I saw myself as a child, we were kids, and it was a nickname that didn’t really influence my life very much.” In contrast, when referring to the latter, she explained: “(...) it did affect me, in a way, because it was at the beginning of adolescence… when you start liking certain boys, and then the other boys call you names…”</p>
				<p>These excerpts indicate, albeit indirectly, that age may be a determining factor in the extent to which individuals are affected by the nicknames they receive. <xref ref-type="table" rid="t4">Table 2</xref> presents the nicknames categorized according to the content to which they refer.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t4">
						<label>Table 2</label>
						<caption>
							<title><italic>Classification of nicknames by category</italic></title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">Category</th>
									<th align="left">Nickname(s)</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center">Physical characteristics</td>
									<td align="left">Body-related: Fat; Acne</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left">Characters / Cartoons: Super Pig; Jimmy Neutron; Rapunzel; Goldilocks; Mr. Bean’s Daughter; Fofão</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left">Animals: Dinosaur; Orca</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left">Objects: Balloon; Needle</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Behavior</td>
									<td align="left">Lunatic</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Name-based</td>
									<td align="left">First name: Hus; Pati; Mik; Little Ana; Ana Lu; Luizana; Joãozinho</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left">Surname: Spinelli; Tavinho; Machado</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left">Name + Suffix: Randall Chicago; Ana Pencil</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">Other</td>
									<td align="left">Tang; RC</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>The categories identified are consistent with those described in several studies addressing the phenomenon of nickname-giving (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Busse, 1983</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Klerk &amp; Bosch, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Kolawole et al., 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Phillips, 1990</xref>). In contrast, however, to more recent studies, such as those by <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B5">Carvalho (2019</xref>), which reported a marked predominance of nicknames related to bodily characteristics, the present study found that body-related and name-based nicknames occurred in equal proportion. It should be emphasized, nevertheless, that this equivalence was purely quantitative, as adolescents’ narratives rarely focused on nicknames belonging to the name-based category.</p>
				<p>In one of Mikey’s statements, for example, the adolescent reported that “Mik” was the only nickname he currently had and that people called him by this name with some frequency: “Researcher: and today, do you have any nickname? Mikey: today… no! Just the one from my name, because my name is Mikey, so they call me ‘Mik’ a lot, you know?” However, when initially asked about his nicknames, Mikey did not mention this epithet. Moreover, the way he began his statement suggests that he does not effectively consider “Mik” to be a nickname. Supporting this interpretation, during 28 minutes of interview, the nickname was mentioned only once, whereas “Balloon,” considering only direct references, was cited 12 times by the participant.</p>
				<p>Similarly, Ana Luiza spoke of three nicknames (“Ana Lu,” “Little Ana,” and “Luizana”) that were current and described as “super okay,” an expression that, in her own words, conveys affection: “For me, what I think is okay is what I like, you know?” In contrast, Ana spent most of her interview discussing the nicknames “Needle,” “Orca,” and “Goldilocks.” In fact, given the large number of nicknames she listed, the researcher asked whether any of them had been particularly significant. Her response was: “I think it was ‘Orca,’ right? Because that’s when I started thinking to myself: ‘when I was thin, people talked; when I got fat, people talked.’ I think that was the one that affected me the most!” (Ana Luiza).</p>
				<p>Reinforcing the qualitative asymmetry observed between name-based nicknames and those related to bodily characteristics, particularities emerged in the cases of “Spinelli” and “Joãozinho.” Although both are name-based nicknames, they appear to have originated in situational and bodily factors, respectively.</p>
				<p>In the first case, “Spinelli,” Patrícia’s account of a classroom episode indicates that the way the teacher pronounced her surname during roll call, followed by her classmates’ reaction, conferred nickname status on “Spinelli”: “The teacher called roll: ‘Patrícia Spinelli,’ and then they started saying ‘Spinelli, Spinelli,’ and they began calling me just Spinelli! Not Patrícia… ‘Hey, Spinelli, come here!’” (Patrícia).</p>
				<p>In the second case, “Joãozinho,” João’s narrative suggests that this nickname was attributed by his peers because of his short stature: “Man, ‘Joãozinho’… it was in seventh grade that people started calling me Joãozinho… and it only came up because, well, it’s a name, right? It’s a name. I’m short, small, so… Joãozinho! You get it?” (João Gustavo).</p>
				<p>Such statements, particularly the latter, provide a basis for psychoanalytic reflections on the qualitative contrast between name-based nicknames and those related to bodily characteristics. This asymmetry, far from being arbitrary, appears to be associated with the processes of reactivation of the Oedipus complex and the mirror stage, which <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mandelli and Biazin (2018</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B9">Fontella and Torossiam (2017</xref>), respectively, argue take place during adolescence.</p>
				<p>Freudian theory suggests that the rejection of incest leads the subject to a relative detachment from parental figures and a subsequent redirection of desire toward an other situated outside the familial narrative (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Freud, 1901-1905/1996b</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mandelli &amp; Biazin, 2018</xref>). Thus, adolescence introduces new facets to relationships with non-parental others, within which adolescents define new reference figures, construct new identifications, and, through these processes, gradually constitute themselves as subjects (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Cairoli &amp; Gauer, 2009</xref>).</p>
				<p>From this perspective, the limited emphasis placed on nicknames associated with legal first names and/or surnames, and the prominence of nicknames from other categories in adolescents’ narratives, may reflect the detachment from familial figures that occurs during the reactivation of the Oedipus complex. This interpretation is supported by <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños and Pereira (2019</xref>), who argue that the emergence of a nickname tends to signify a displacement of the proper name and, with it, a separation from the processes of appropriation and meaning-making previously anchored in that name.</p>
				<p>Consistent with these formulations, it is noteworthy that even some name-based nicknames, such as “Spinelli” and “Joãozinho,” emerged within peer relationships and around meanings distinct from those previously linked to the familial context.</p>
				<p>In order to elucidate elements of the psychoanalytic understanding relevant to this discussion, such as detachment from familial figures, there was a clear emphasis on nicknames attributed and used by peers. In this regard, several of these nicknames were observed to mediate the reactivation of the mirror stage.</p>
				<p>Based on <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan’s writings (1998</xref>), the mirror stage is understood as a phenomenon that occurs from the sixth month of life onward, in which an initial sketch of the ego is formed through a process whereby the individual identifies with an image sustained by the gaze and voice of the parental other. In adolescence, according to <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas (2002</xref>), this experience is repeated, but within peer relationships:</p>
				<p>Researcher: did anything change after he gave you that nickname?</p>
				<disp-quote>
					<p>Ashley: I started feeling bothered by my cheeks… you know? I started seeing them as bigger (…) I hadn’t noticed that before. But after he [the friend who gave her the nickname] started saying, “wow, what big cheeks,” and so on, then I… it got stuck in my head! (Ashley)</p>
				</disp-quote>
				<p>All these accounts corroborate <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dantas’s (2002</xref>, p. 38) assertion regarding the reactivation of the mirror stage: what now guarantees the body image is no longer the mother’s gaze and voice, but what peers see and say.</p>
				<p>The excerpts from Ashley’s interview are particularly illustrative, as they demonstrate how certain aspects of the mirror stage are reactivated in adolescents’ peer relationships. Identification with the image evoked by her schoolmate’s gaze and speech was so significant that it led Ashley to seek ways to reduce the size of her cheeks: “I even looked up videos to see if I could make them smaller… some kind of exercise to do, you know? (…) I typed like this [on YouTube]: ‘how to slim your cheeks?’ [laughs]” (Ashley).</p>
				<p>A similar pattern was observed in Mikey’s case, who received the nickname “Balloon” in a context in which he was interested in a girl. After he shared this information with his friends, one of them commented: “look, you being a balloon like that, nothing’s going to happen.” Following this episode, several peers began to call him by this nickname, with which Mikey identified and appropriated so deeply that, even today, despite being noticeably thin, he still sometimes recognizes himself in that image. Drawing on <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan (1998</xref>), this situation illustrates the mental persistence of an image that, through ongoing maintenance (being called Balloon) and identification (seeing oneself as Balloon), gave rise to a “Balloon-ego.”</p>
				<disp-quote>
					<p>This thing with the image is still there… even today I can’t take my shirt off, or anything (…) I can’t even take my shirt off at the beach nowadays (…) because… I keep thinking people will think I’m very fat, that… it stays in your head! (Mikey).</p>
				</disp-quote>
				<p>The final excerpts from Ashley (“then it… got stuck in my head!”) and Mikey (“it stays in your head!”) are illustrative of the mental persistence resulting from the mirror-stage experience, as explored in Lacanian theory.</p>
				<p>Imaginary identification is structuring of the ego, as the meaning of the nickname as a name is sustained within the Imaginary register. According to <xref ref-type="bibr" rid="B15">Jorge and Ferreira (2005</xref>), the Imaginary in psychoanalysis concerns everything associated with the image of the body, without mediation by language. However, Lacanian theory clearly indicates that the act of naming transforms absence into presence, insofar as it does not summon the subject’s name to the scene, but rather the named subject. As a name, the nickname is capable of eternalizing over time an image appropriated by the subject (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños &amp; Pereira, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Fontella &amp; Torossiam, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lacan, 2005</xref>).</p>
				<disp-quote>
					<p>From then on, it was forever! Even today, when I go bowling with my friends, people call me that (…) I got to a point where my ribs were really showing, and… my bones here [pointing to his wrist], my elbows, everything, and I’d look down and still see myself as fat! Still see myself as “Balloon” (Mikey).</p>
				</disp-quote>
				<p>A similar pattern was observed in Hustler’s account, who received the nickname “Fat” because of excess weight. Although he now describes himself as “stronger” (more muscular) than those who originally used the nickname, this physical transformation did not put an end to being addressed as “Fat”: “(…) just out of habit, they still call me that, my cousin, you know, calls me fat, but just joking… out of habit, you know, calling ‘hey, fat!’” (Hustler).</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>, p. 917), drawing on social representations theory, offers a similar observation regarding the fixation of images: nicknames fix an image in such a way that they survive the very change of that image, as long as there remains a territory through which they can circulate.</p>
				<p>As shown by <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>), nicknames are acts of naming capable of producing identity. This premise emerged clearly in the statements of some participants: “(…) I didn’t want to be the fat one!” (Hustler); “Researcher: but what is it like to be Tang? Patrícia: it’s being myself… I don’t know how to explain it (…) Tang is me! [laughs]” (Patrícia).</p>
				<disp-quote>
					<p>At school and outside school, I was a completely different person! Because outside school I… I had a lot of friends, talked a lot, spoke a lot…, but inside school, with people calling me Jimmy Neutron, I didn’t like it (…) it kind of made me feel… kind of depressed (…) inside school I was kind of… (João Gustavo).</p>
				</disp-quote>
				<p>Based on <xref ref-type="bibr" rid="B28">Sacconi (2021</xref>), it can be argued that, in Hustler’s statement, the use of the definite article “the” in reference to the word “fat,” which is naturally an adjective, confers upon it the status of a noun, that is, a name. This aligns with the fact that one of his nicknames was Fat. Thus, when Hustler stated, in the way he did, that he “didn’t want to be the fat one,” he was in fact expressing a rejection of the identity underlying the nickname “Fat.”</p>
				<p>João Gustavo’s statements are also particularly revealing, as they corroborate <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños and Pereira’s (2019</xref>) assertion that a nickname confronts the subject with a dual identification. The implicit message in João’s words suggests that he felt “kind of” depressed, indicating that only his former school identity, “Jimmy Neutron,” was affected by these emotions.</p>
				<p>The term “kind of” appeared repeatedly throughout João Gustavo’s interview: “I didn’t really like talking much, you know… nowadays I really like talking, you get it? But after… ‘Jimmy Neutron,’ I didn’t socialize much, you know? I’d feel kind of… kind of… you know?”; “I felt, uh… kind of bad, you know? I… I felt really sad!”; “When the year ended, I said: ‘when I go back to school, this new year, I’m going to stop being like this!’ You know? I’m going to stop being this person who doesn’t talk back, this person who’s kind of… you know?”</p>
				<p>Overall, the findings of this study revealed that nicknames are capable of splitting the subject, branching them into identities that may be entirely distinct and, at times, mutually incompatible, as observed in other statements by the same participant:</p>
				<disp-quote>
					<p>I used to say, “man, if I go along with Tavinho, hang out with those people I was really close to outside school, I’ll go down a path I don’t want to take,” you know? So in the end… it was better to be Joãozinho, it was better to try to undo “Jimmy Neutron” inside school than to keep being Tavinho outside, you get it? (João Gustavo).</p>
				</disp-quote>
				<p>This form of splitting was also observed in one of Gus’s statements. Through a parapraxis, in which he replaced what would apparently have been “I immediately got tense” with “I immediately got suspended,” he may have figuratively indicated that his desired identity, Gus, was suspended in the face of the possibility that the nickname identity could be brought into the scene through the way his romantic interest addressed a letter to him:</p>
				<disp-quote>
					<p>We agreed to send little notes to each other, you know? Then she had to write two notes to me, and she told me that at the time, and I immediately got suspended, because I thought: “did she… did she write my full name?” (…) And then I got really nervous, I got very nervous, because I was actually afraid that she had sent it with Gus Machado as my name (Gus).</p>
				</disp-quote>
				<p>Another aspect that proved relevant to the discussion concerns the authorship of nicknames. Of the 27 nicknames reported, only two - “Randall Chicago” and “RC” - were explicitly self-assigned, in contrast to the findings of <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bolaños and Pereira (2019</xref>), in which most adolescents named themselves. Unlike the mirror-stage experience described by <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lacan (1998</xref>), in which the subject plays an active role in forming an initial sketch of the ego, the identities resulting from nicknames in this study were forged without the participation of nearly all the interviewees.</p>
				<p>Departing from the scenario of strong acceptance and the predominance of “playful identifications” described by <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pais (2018</xref>) regarding adolescents’ relationships with their nicknames, most nicknames in the present study were situated within narratives of dissatisfaction: “Fat,” “Super Pig,” “Machado,” “Balloon,” “Acne,” “Dinosaur,” “Lunatic,” “Jimmy Neutron,” “Fofão,” “Needle,” “Orca,” “Goldilocks,” “Ana Pencil,” and “Mr. Bean’s Daughter.”</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B21">Mensato (2012</xref>), a subject’s rejection of a nickname is often precisely what motivates its continued use by its authors, leading the subject both to signify and to be signified within the group through the very nickname that causes discomfort. Corroborating this view, several participants reported that the dynamics and/or underlying meanings of their social relationships were transformed by nicknames they found distressing:</p>
				<disp-quote>
					<p>So I’d kind of hang out, but it was like I was the court jester of the group, right? (…) Then they’d get together, hit me, and sometimes it happened like, “hey, let’s beat up Lunatic!” that’s what the guys used to say at the time, “let’s beat up Lunatic!” and they’d gang up on me and hit me and all. That really started to bother me (Randall).</p>
				</disp-quote>
				<p>Similarly, it was observed that identities imposed through nickname-giving were absorbed and, for a period of time, transformed the dynamics and meanings of adolescents’ social relationships. Processes of rejection of these nicknames were also identified, which likewise produced effects. In João Gustavo’s case, for example, this rejection was evident primarily through certain words that recurred in his discourse:</p>
				<disp-quote>
					<p>I started giving it back, giving it back, giving it back… and then people stopped, you know? (…) Like, in seventh, eighth… up to ninth grade, I… it feels like I started loosening up more, in middle school I started loosening up more! And then, like… people only called me Joãozinho, and then… it stopped! They forgot “Jimmy Neutron,” you know? They forgot it! (João Gustavo).</p>
				</disp-quote>
				<p>From a figurative perspective, a direct proportionality can be observed between the events narrated by João: as he “gave back” (especially through the act of nicknaming in return) the identity being imposed on him, he witnessed a gradual erasure of “Jimmy Neutron.” Notably, João’s account of “loosening up” from that identity, an expression suggestive of a feeling of confinement, made room for the emergence of a new identity, “Joãozinho,” which paradoxically both contributed to the extinction of the former nickname and was itself a product of it.</p>
				<p>Similarly, most adolescents were able to bring about the extinction or at least a substantial reduction in the circulation of nicknames that distressed them. This occurred through different strategies, which can be broadly divided into active and passive approaches.</p>
				<p>Active strategies were mainly based on confronting or sanctioning those who contributed to maintaining and circulating the nickname:</p>
				<disp-quote>
					<p>Then it was a whole process… we even ended up going to the principal’s office because of it, because I asked them [the classmates who called her by the nickname] to stop at certain moments during class and they wouldn’t stop… then they were sent to the office, my mother went, talked to them, anyway, it was always a process, it wasn’t just one immediate conversation like it was with my friends (Gretchen).</p>
				</disp-quote>
				<p>Passive strategies, which were more prevalent, were characterized by adolescents’ efforts to change the elements on which the nicknames were based or to which they were strongly associated: “(…) I always watched motivational videos to lose weight, tried to look for a gym…” (Mikey); “Researcher: what did you do to make that nickname go away? Randall: what I did was, like, completely change my lifestyle!” (Randall); “(…) I still have acne on my face, but much less, because I sought treatment, because that nickname really affected me” (Gretchen); “Researcher: how did those nicknames end? Hustler: I started going to the gym, right?” (Hustler).</p>
				<p>In dialogue with <xref ref-type="bibr" rid="B30">Vereda (2007</xref>), these findings show that some adolescents developed very particular strategies to deal with the problem of nicknames. However, unlike the strategies identified by that author, the most frequently reported actions in the present study did not involve ignoring, dismissing, or cutting off friendships with the nickname-givers. Direct or indirect statements indicating such strategies were observed only in the cases of Mikey and Ashley: “I’ve… left some friendships behind because of that, I don’t like it…”; “Researcher: how do you deal with these remnants today? Mikey: I just ignore it, that’s all” (Mikey).</p>
				<disp-quote>
					<p>He was, like, my friend, but I never gave him space to call me by a nickname or anything, because I never gave him a nickname either, you know? Like, he was a friend, but I always respected him… I didn’t give him permission to call me that (…) I still talk to the guy normally. We’re not friends, of course, but… I talk normally when needed (Ashley).</p>
				</disp-quote>
				<p>Interestingly, with the exception of Patrícia’s nickname “Tang,” all nicknames that played a prominent role in participants’ narratives were extinguished or had their circulation substantially reduced before the beginning of high school. Given that all these nicknames were described as negative, the present findings converge with statements from adolescents interviewed by <xref ref-type="bibr" rid="B5">Carvalho (2019</xref>, p. 343), who reported that bad nicknames are things of the past, from middle school, from the time when all students are immature.</p>
				<p>From a psychoanalytic perspective, it may be argued that the extinction of the nicknames mentioned above, much like their emergence, is associated with the process of reactivation of the mirror stage, which, analogously to the original phenomenon, manifests only as an initial sketch of the adolescent ego.</p>
				<p>In view of the still limited body of literature on the processes of giving and receiving nicknames, it is essential to conclude by encouraging further studies on this topic, regardless of disciplinary boundaries or study design. However, considering that most nicknames that featured prominently in participants’ narratives emerged, circulated, and disappeared or diminished within a specific age range, it should be emphasized that, depending on research objectives, studies involving adolescents in lower secondary education may be particularly strategic for capturing the phenomenon of nickname-giving.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Final Considerations</title>
				<p>This study showed that nicknames can mediate certain processes underlying the reactivation of the Oedipus complex and the mirror stage, which, in turn, are set in motion by the transformations associated with puberty.</p>
				<p>The qualitative contrast between the limited prominence of name-based nicknames and the centrality of nicknames from other categories in participants’ narratives can be understood as a reflection of the detachment from parental figures that takes place when the Oedipal scene is revisited. Consistent with this interpretation, it was observed that even nicknames classified as name-based may express such distancing, insofar as nicknames that emerge in adolescents’ relationships with peers can carry meanings that differ substantially from those constructed within family relationships.</p>
				<p>Regarding the relationship observed between nicknames and the reactivation of the mirror stage, the findings first indicated that the period between 8 and 12 years of age is particularly fertile for the emergence of nicknames. In addition, nicknames tended to be more meaningful for the subject within this age range, which may be understood as a transitional phase characterized by the end of childhood and the onset of adolescence.</p>
				<p>Second, the results highlighted the potential role of nicknames as mediators of the reactivation of the mirror stage, insofar as they documented narratives in which images (that gave rise to the nicknames), sustained by peers’ gaze and voice, ultimately produced identities. Moreover, in a manner akin to the phenomenon described in Lacanian theory, nicknames often appeared as initial sketches of an “adolescent ego” that, grounded in a Gestalt, became fixed in the psyche and consolidated as subjectivity.</p>
				<p>The study further indicated that the processes of assigning and receiving nicknames can transform the meanings that permeate adolescents’ relationships with peers and with themselves, thereby exerting a significant influence on the overall experience of adolescence. Accordingly, it is reasonable to argue that these findings shed light on relevant aspects of psychoanalytic clinical work with adolescents and may contribute to professional practice not only among psychologists and psychoanalysts, but also among all professionals who work, or intend to work, with adolescents.</p>
			</sec>
		</body>
	</sub-article>
</article>