(Im)possíveis do real: Tessituras entre trauma e memória no filme Incêndios
DOI:
https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v26i1.e14375Palavras-chave:
real, trauma, memória, elaboraçãoResumo
Este artigo analisa o filme Incêndios (Villeneuve, 2010) e reflete sobre alguns conceitos psicanalíticos no diálogo com a obra. Imbuídos na perspectiva lacaniana do Real, aquilo que resta, e é de todo, impossível de simbolizar, discutimos as relações entre trauma e memória no curso de elaborações de eventos que desorganizam estruturas simbólicas orientadoras do laço social. Acompanhando os trajetos das personagens que tecem a trama de Incêndios, por meio dos métodos da associação livre e da atenção flutuante, destacamos os significantes (palavras e imagens) que nos permitem perscrutar a instauração do trauma em suas diferentes temporalidades. Outrossim, analisamos como o processo lacunar e anacrônico de reconstrução mnêmica pode oferecer um contorno ao Real de traumas de caráter coletivo e transgeracional, abrindo possibilidades de nomeação e de elaboração psíquica. Nessa articulação entre obra e conceitos, analisamos questões políticas referentes aos modos de opressão que persistem no laço social, em especial, quanto à opressão de gênero, que possui destaque na narrativa.
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