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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">subj</journal-id>
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				<journal-title>Revista Subjetividades</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R Subj</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2359-0777</issn>
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				<publisher-name>Universidade de Fortaleza</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i2.e14354</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Relatos de Pesquisa</subject>
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				<article-title>Ensino Remoto e Tonalidades Afetivas: Uma Pesquisa Fenomenológica Hermenêutica com Docentes</article-title>
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					<trans-title>Enseñanza Remota y Tonalidades Afectivas: Una Investigación Fenomenológica Hermenéutica con Docentes</trans-title>
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					<trans-title>Enseignement à Distance et Tonalités Affectives : Une Recherche Phénoménologique Herméneutique avec les Professeurs</trans-title>
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						<surname>Morais</surname>
						<given-names>Sílvia Raquel Santos de</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0225-9836</contrib-id>
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						<given-names>Elza Maria do Socorro</given-names>
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						<surname>Azevedo</surname>
						<given-names>Ana Karina Silva</given-names>
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				<institution content-type="original">Psicóloga (UFPE). Mestra (UFRN) e Doutora (UFES) em Psicologia. Pós Doutoranda em Psicologia (UFRN). Professora da Universidade Federal do Vale do são Francisco/UNIVASF. Vice-coordenadora do Laboratório de Práticas Transdisciplinares em Saúde e Educação (LETRANS-UNIVASF) e professora colaboradora do Programa de Residência Muktiprofissional em Saúde Mental /UNIVASF.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Vale do são Francisco</institution>
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				<institution content-type="original">Graduada em Psicologia pela Universidade Católica de Pernambuco (1976), Mestra em Psicologia Escolar pela Universidade Gama Filho (1982) e Doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (2001). Atualmente é Professora Titular de Psicologia Clínica Fenomenológica na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Pós-doutora pela UFF-RJ. Docente-pesquisadora do PPgPsi, orientadora de Mestrado e Doutorado (mais de 20 anos) Coordenadora do Grupo de Estudos Subjetividade e Desenvolvimento HumanoESDH/UFRN/CNPq.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Norte</institution>
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				<institution content-type="original">Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2003), Mestra em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2006) e Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2013). Atualmente é professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e professora colaboradora do PPGPSI-UFRN.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Norte</institution>
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			<author-notes>
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					<label>Endereço para correspondência:</label> Sílvia Raquel Santos de Morais E-mail: <email>silviamorays@yahoo.com.br</email> Elza Maria do Socorro Dutra E-mail: <email>elzadutra.rn@gmail.com</email> Ana Karina Silva Azevedo E-mail: <email>anakarinaazevedo@hotmail.com</email>
				</corresp>
			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>30</day>
				<month>09</month>
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<volume>25</volume>
			<issue>02</issue>
			<elocation-id>e14354</elocation-id>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>23</day>
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					<year>2023</year>
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				<date date-type="accepted">
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					<year>2025</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Trata-se de uma pesquisa fenomenológica hermenêutica com três professores supervisores de estágio de universidades públicas brasileiras, com uso de entrevistas narrativas em formato de videoconferências remotas. Objetivou-se investigar as tonalidades afetivas oriundas da experiência de ensino remoto de Psicologia na pandemia da COVID-19, em uma perspectiva heideggeriana. Os depoimentos foram interpretados a partir da analítica do sentido de Critelli. Os docentes experimentaram desassossego nas aulas remotas pela diminuição de interlocutores ativos, os quais permaneciam com câmera/áudios mutados, pouco disponíveis ao diálogo crítico e às trocas. As tonalidades afetivas mencionadas foram temor e angústia, que fizeram emergir uma atmosfera de solidão, desamparo, desmotivação, exaustão. Tais afetos provocaram o pensamento meditante, convocando os docentes a se retirarem da superficialidade existencial, em prol de um ensino que circulasse a transmissão de conhecimentos - um ensino pautado pela circularidade em torno da dimensão do sensível, capaz de despertar o adensamento reflexivo e o questionamento dos clichês cotidianos. Conclui-se que o ensino remoto foi uma alternativa de continuidade formativa na pandemia que dificultou o processo de ensino-aprendizado de competências/habilidades do futuro psicólogo. A solidão e a exaustão foram predominantes no ensino remoto do curso de psicologia. Os docentes foram afetados por: diminuição da implicação dos estudantes, enfraquecimento de vínculos, aumento da evasão, precarização do trabalho, ausência de convívio e perdas no processo formativo. Os estudantes pareciam mais consumidores do que interlocutores, favorecendo uma atmosfera afetiva entediante e angustiada, interferindo no trabalho docente e na formação. Sugerem-se novos estudos para investigar impactos dessa modalidade de ensino na prática e na formação de psicólogos, incluindo suas tonalidades afetivas.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title><italic>Resumen</italic></title>
				<p><italic>Se trata de una investigación fenomenológica hermenéutica realizada con tres profesores supervisores de prácticas de universidades públicas brasileñas, mediante entrevistas narrativas llevadas a cabo por videoconferencias remotas. El objetivo fue investigar las tonalidades afectivas surgidas de la experiencia de la enseñanza remota en el área de Psicología durante la pandemia de COVID-19, desde una perspectiva heideggeriana. Los testimonios fueron interpretados a partir de la analítica del sentido de Critelli. Los docentes experimentaron inquietud durante las clases remotas debido a la disminución de interlocutores activos, quienes permanecían con cámaras y micrófonos apagados, poco disponibles para el diálogo crítico y el intercambio. Las tonalidades afectivas mencionadas fueron el temor y la angustia, que dieron lugar a una atmósfera de soledad, desamparo, desmotivación y agotamiento. Dichos afectos provocaron un pensamiento meditativo, convocando a los docentes a alejarse de la superficialidad existencial en favor de una enseñanza orientada no solo a la transmisión de conocimientos, sino que promoviera una circularidad centrada en lo sensible, capaz de suscitar una reflexión profunda y el cuestionamiento de los clichés cotidianos. Se concluye que la enseñanza remota fue una alternativa para la continuidad formativa durante la pandemia, aunque dificultó el proceso de enseñanza-aprendizaje de competencias y habilidades del futuro psicólogo. La soledad y el agotamiento predominaron en la enseñanza remota del curso de Psicología. Los docentes se vieron afectados por: disminución del compromiso estudiantil, debilitamiento de los vínculos, aumento de la deserción, precarización del trabajo, ausencia de convivencia y pérdidas en el proceso formativo. Los estudiantes parecían más consumidores que interlocutores, lo que favoreció una atmósfera afectiva marcada por el tedio y la angustia, interfiriendo tanto en el trabajo docente como en la formación. Se sugieren nuevos estudios para investigar los impactos de esta modalidad de enseñanza en la práctica y en la formación de psicólogos, incluyendo sus tonalidades afectivas.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title><italic>Résumé</italic></title>
				<p><italic>Il s’agit d’une recherche phénoménologique herméneutique avec trois professeurs superviseurs de stage d’universités publiques brésiliennes, au moyen d’entretiens narratifs menés en vidéoconférence. L’objectif de cette étude était d’explorer les tonalités affectives découlant de l’expérience de l’enseignement à distance de la psychologie pendant la pandémie de COVID-19, dans une perspective heideggérienne. Les témoignages ont été interprétés à partir de l’analytique du sens de Critelli. Les enseignants ont éprouvé un malaise lors des cours à distance en raison de la diminution des interlocuteurs actifs, qui restaient avec caméras et micros coupés, peu disponibles au dialogue critique et aux échanges. Les tonalités affectives mentionnées étaient la peur et l’angoisse, qui ont fait émerger une atmosphère de solitude, détresse, démotivation et épuisement. Ces affects ont suscité la pensée méditante, incitant les professeurs à se retirer de la superficialité existentielle, en faveur d’un enseignement qui circulait la transmission de savoirs - un enseignement axé sur la circularité autour de la dimension du sensible, capable de stimuler un approfondissement réflexif et un questionnement des clichés quotidiens. On conclut que l’enseignement à distance a été une alternative de continuité formative pendant la pandémie, ce qui a rendu difficile le processus d’enseignement-apprentissage des compétences/habiletés du futur psychologue. La solitude et l’épuisement prédominaient dans l’enseignement à distance du cours de psychologie. Les professeurs ont été affectés par : la diminution de l’implication des étudiants, l’affaiblissement des liens, l’augmentation du décrochage, la précarisation du travail, l’absence de convivialité et les pertes dans le processus de formation. Les étudiants semblaient être plus des consommateurs que des interlocuteurs, ce qui favorisait une atmosphère ennuyeuse et angoissée, interférant dans le travail enseignant et dans la formation. D’autres études sont suggérées pour examiner les impacts de cette modalité d’enseignement sur la pratique et la formation des psychologues, y compris ses tonalités affectives.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>ensino remoto</kwd>
				<kwd>emergência</kwd>
				<kwd>afeto</kwd>
				<kwd>COVID-19</kwd>
				<kwd>professor universitário</kwd>
				<kwd>fenomenologia</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title><italic>Palabras clave:</italic></title>
				<kwd>enseñanza remota de emergencia</kwd>
				<kwd>afecto</kwd>
				<kwd>COVID-19</kwd>
				<kwd>profesor universitario</kwd>
				<kwd>investigación fenomenológica</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="fr">
				<title><italic>Mots-clés :</italic></title>
				<kwd>enseignement à distance d’urgence</kwd>
				<kwd>affect</kwd>
				<kwd>COVID-19</kwd>
				<kwd>enseignant universitaire</kwd>
				<kwd>recherche phénoménologique</kwd>
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	<body>
		<p>A pandemia da COVID-19 provocou mudanças em diferentes esferas da sociedade. Na educação, e, mais especificamente, nas instituições de ensino superior (IES), houve suspensão de atividades acadêmicas presenciais e modificações na rotina de trabalho. Tal situação fez emergir uma nova modalidade de ensino, denominada de ensino remoto emergencial (ERE) ou de emergência. A regulamentação do ERE ocorreu em 2020, através das Portarias de nº. 343, de 17 de março de 2020, e de nº 544, de 16 de junho de 2020 (<xref ref-type="bibr" rid="B30"><italic>Portaria n° 343</italic>, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31"><italic>Portaria n° 544,</italic> 2020</xref>), ambas emitidas pelo Ministério da Educação (MEC). Esta modalidade de ensino configurou-se como alternativa para a continuidade do processo de escolarização formal em todas as universidades do Brasil, até que a população fosse vacinada contra o coronavírus e pudesse, enfim, retornar ao convívio social. O ensino remoto (ER) mediado por tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDICS) tornou-se, assim, um imperativo; constituindo-se como alternativa para dar continuidade ao processo educativo formal, devido às circunstâncias agravadas pela crise sanitária da COVID-19.</p>
		<p>O ER é composto por atividades planejadas e executadas pelo professor em um ambiente virtual de aprendizagem (AVA), por meio de videoconferências, de aulas síncronas (ao vivo) e assíncronas (gravadas), troca de mensagens eletrônicas, envio e compartilhamento de textos, vídeos e áudios, mediante o uso de plataformas digitais e, ainda, por leituras, bate-papos e postagens de avaliações. </p>
		<p>O ER difere da educação a distância (EaD) por não utilizar a estrutura logística de polos presenciais e a colaboração direta de tutores para acompanhamento dos discentes, nem tampouco de uma equipe de apoio multidisciplinar e de uma infraestrutura montada intencionalmente para a oferta planejada de cursos adaptados. No EaD, a maioria das aulas são assíncronas, com o intuito de formar pessoas que não têm acesso ao ensino superior em suas localidades. Dessa forma, conta com polos em diferentes cidades que servem como base para a execução das atividades acadêmicas vinculadas a uma universidade de referência. </p>
		<p>Já o ERE foi uma estratégia momentânea utilizada durante os anos iniciais da pandemia, como forma de viabilizar o ensino em diferentes níveis, a fim de reproduzir um arranjo de aulas mais próximo do formato presencial. Tratou-se, portanto, de uma modalidade implementada de forma abrupta/inédita, com pouco preparo dos atores envolvidos (gestores, docentes e discentes). Ademais, houve inúmeras dificuldades nos quesitos: 1) acesso à internet de qualidade; 2) manejo de programas e plataformas digitais; 3) didática diante do uso de câmeras; 3) mudanças no modo de interação professor-estudante; 4) equipamentos e investimentos para a curadoria e edição do material didático; e 5) apoio para a execução, acompanhamento e avaliação das atividades realizadas. </p>
		<p>Assim, o ERE não é uma mera transposição de conteúdo para as plataformas digitais e de transmissão on-line, pois exige formação e preparação prévias por parte do professor, já que a carga horária das aulas foi modificada durante a pandemia, e a interação professor-estudante passou a ser mediada por tecnologias. Além disso, o ERE demandou maior tempo de dedicação e resiliência, haja vista a necessidade de enfrentar desafios e aprender novas habilidades nesse período (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Hickmann et al., 2021</xref>).</p>
		<p>No ERE, prevaleceu o formato de aulas síncronas, em uma tentativa de aproximação das aulas presenciais, mas com algumas especificidades (maior flexibilidade curricular, avaliações mediadas pelo uso do computador, gravação, edição prévia de videoaulas, digitalização e transposição de materiais de estudo para as plataformas digitais). Algumas dessas especificidades, outrora inexistentes, contribuíram para aumentar as funções do professor, que agora encontrava-se em uma situação inédita, impelido a “ter que” [grifo nosso] aprender novos conteúdos necessários para a execução do seu trabalho em tempo recorde. Essas questões impactaram no planejamento, na organização e no desenvolvimento das aulas, bem como suscitaram emoções, pensamentos e ações que repercutiram nos modos de ser e de estar no mundo, contribuindo para desorganizar os modos de vida de outrora. Esse contexto trouxe tensão, incerteza, nervosismo; levando muitos docentes à exaustão, ao sofrimento e, em alguns casos, a buscar atendimento psicológico e psiquiátrico (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Hickmann et al., 2021</xref>).</p>
		<p>Tal cenário desvelou experiências de desmotivação, solidão, cansaço, luto, adoecimento, as quais foram agravadas pela crise pandêmica, que incluía “imperativos e novidades constantes” [grifo nosso] numa velocidade descomunal. Com isso, muitos docentes se viram obrigados a investir em equipamentos e cursos visando uma melhor desenvoltura com ferramentas tecnológicas e melhor execução de trabalhos fora de sua competência e de seu ambiente de trabalho. Para além disso, salientam-se os altos custos financeiros, ergonômicos e afetivos para tal empreitada. Ademais, também foi exigido aprender a gravar e editar vídeo das aulas, manejar plataformas virtuais de aprendizagem por intermédio de tutoriais pesquisados (por diversas horas na internet), digitalizar grande volume de material didático, aprender/ensinar conteúdos inéditos em tempo recorde, responder estudantes fora do horário de aulas, acolher o luto coletivo em virtude das mortes por COVID-19, dentre outras tarefas direcionadas ao professor nesse período crítico. </p>
		<p>Diante disso, o professor foi impulsionado a agir proativamente em um momento de comoção pública, precisando desenvolver seu trabalho em formatos não habituais, além da necessidade em lidar com fatores de estresse que invadiram seu ambiente privado. Muitos afastaram-se temporariamente de suas funções laborais. Outros adoeceram tentando corresponder às exigências/expectativas para sobrevivência e empregabilidade. Com isso, a saúde mental foi abalada e muitos afetos emergiram, como medo e angústia. (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Cipriano &amp; Almeida 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">Santos, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos et al., 2021</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B24">Lima e Sena (2022</xref>), por exemplo, reconhecem as consequências nefastas do isolamento para o trabalho dos educadores em escolas e universidades durante a pandemia por coronavírus, destacando que, nesse período, a função das instituições de ensino esteve mais focada na instrução e na adaptação, distanciando-se de uma formação mais ampla e emancipatória. Nessa ocasião, inclusive, muitos docentes psicólogos, que vislumbravam equalizar seu ritmo de trabalho, viram-se diante de demandas diversas para além da sala de aula, como: prolongamento/intensificação do trabalho que extrapolava o horário habitual; morte; luto; turmas numerosas; aumento de conflitos domésticos e conjugais; insônia; problemas ergonômicos; dificuldade de conciliar tarefas domésticas com trabalho remoto; transtornos mentais, dentre outras problemáticas advindas e/ou agravadas pelo fenômeno de precarização do trabalho no contexto neoliberal e pandêmico (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barros et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Moura et al., 2019</xref>).</p>
		<p>Em se tratando do ERE de Psicologia, cabe questionar: quais as suas repercussões para a prática docente e para a formação de futuros psicólogos? Quais os seus limites e alcances? Seria possível fazê-lo perdurar para além da pandemia, com qual intuito? Partindo desses questionamentos e de uma pesquisa de campo de pós-doutorado realizada com docentes psicólogos de três IES brasileiras, esse artigo tem o objetivo de tematizar as tonalidades afetivas do temor e da angústia presentes na experiência de ensino remoto de Psicologia (ERP). E, de modo mais específico, pretende discutir as repercussões dessas tonalidades afetivas para o ensino e para a formação de psicólogos no Brasil. Tal discussão será referendada pelo pensamento do filósofo Martin Heidegger (1889-1976). Para tanto, convém esclarecer o termo tonalidade afetiva.</p>
		<p>Tonalidade afetiva é a expressão utilizada por Heidegger para se referir ao modo como nos encontramos afinados em uma dada espacialidade e temporalidade histórica. Assemelha-se a uma disposição afetiva momentânea, uma espécie de tom que nos afina com determinados estados de humor (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Heidegger, 2003</xref>). Esse pressuposto é importante no contexto do ERP, já que o ato de ensinar e de aprender pressupõe o encontro humano, a partir do qual emergem tonalidades afetivas diversas, que se intercruzam por meio da interação dialógica e do compartilhamento de experiências e de conhecimentos. </p>
		<disp-quote>
			<p>O termo tonalidade afetiva provém do verbo <italic>stimme,</italic> que, em alemão, significa a afinação de um instrumento, algo que sintoniza, harmoniza; a voz, o voto. Enquanto modo essencial de abertura (<italic>Erschlossenhei</italic>t) do ser-aí para o mundo que é o seu, a <italic>Stimmung</italic> afina esse ente para suas variadas formas de ser, concedendo-lhe uma atmosfera, um tom. <italic>Stimmung</italic> é justo este tom, esta tonalidade, um colorido que se articula no seio disso que se abre gerando um clima a partir do qual acontece o mundo. Precisamente nisso consiste um afeto (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Santos, 2020</xref>, p. 378).</p>
		</disp-quote>
		<p>As tonalidades afetivas provêm da sintonia entre o <italic>Dasein</italic> (ser-no-mundo) e o mundo, ou seja, referem-se ao modo como o <italic>Dasein</italic> se encontra “sintonizado” com o mundo que ele mesmo é (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Costa &amp; Feijoo, 2020</xref>). As tonalidades correspondem ao modo como somos tocados em um dado instante pela atmosfera de mundo. São elas que nos despertam do alheamento massivo, ressurgindo em meio às crises cotidianas. As tonalidades afetivas não provêm nem de dentro e nem de fora de nós mesmos, mas crescem como modos-de-ser-no-mundo junto aos objetos. E, quando emergem, costumam suspender a camada mais superficial das prescrições de mundo de outrora (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Costa &amp; Feijoo, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Heidegger, 1988</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Nascimento, 2019</xref>).</p>
		<sec>
			<title>O Ensino e a Formação de Psicólogos para além da Crise Pandêmica e das Telas</title>
			<p>O ensino remoto de Psicologia (ERP) só foi reconhecido como alternativa possível e transitória durante o período crítico da COVID-19 (março de 2020 até meados de 2022), uma vez que, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do curso defendem a presencialidade como pilar de sustentação da formação de psicólogos no Brasil. (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Conselho Federal de Psicologia [CFP], 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32"><italic>Resolução n° 5</italic>, 2011</xref>). De acordo com as DCNs (<xref ref-type="bibr" rid="B32"><italic>Resolução n° 5</italic>, 2011</xref>), a formação de um(a) psicólogo(a) deve seguir um caráter generalista. Cada universidade ou faculdade tem a autonomia para montar sua grade curricular com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), seguindo a lógica dos conteúdos necessários para o desenvolvimento de habilidades básicas para a atuação em todas as áreas da profissão.</p>
			<p>Vale ressaltar que o CFP não reconhece o funcionamento de cursos de Psicologia na modalidade EaD e nem na modalidade remota fora do contexto pandêmico. E hoje, mesmo com o retorno das aulas presenciais, muitas IES ainda insistem na oferta do ERP, em uma espécie de “ensino híbrido” [grifo nosso]; onde muitas disciplinas são ofertadas com parte da carga horária de forma remota. Essa situação atípica demanda maiores investigações, sob pena da banalização do processo formativo e da precarização da profissão. Somado a isso, tem-se a defasagem das últimas DCNs do curso, que precisaram de revisão/atualização em prol de uma formação mais ampla e atenta às demandas da época.</p>
			<p>Diante do exposto, é evidente a importância do afeto para o processo formativo do psicólogo. O afeto é elemento impulsionador constitutivo do ensino-aprendizado, juntamente com o pensamento e o movimento (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Almeida &amp; Mahoney, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Oliveira &amp; Fonseca 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Silva 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">Soares, 2022</xref>;). A assertiva de que o afeto proporciona vínculo e gera conhecimento foi reconhecida por muitos estudiosos da Psicologia. É pelo afeto que somos tocados e transformados em uma dada atmosfera de mundo. E, assim, prosseguimos afetando uns aos outros em nossas trocas diárias, inclusive no contexto educativo. Todo esse percurso traz à tona algo já anunciado por <xref ref-type="bibr" rid="B18">Heidegger (Heidegger, 1988</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B20">2003</xref>): a crise do paradigma científico moderno, centrado na supremacia da razão. Em consonância com a importância do afeto e de sua indissociabilidade da razão, Heidegger defende que não é possível separar corpo e mente, nem apartar a razão da ordem do sensível, já que homem e mundo são copertencentes. Com isso, critica a ideia de uma ciência supostamente neutra. Para o filósofo, quanto mais se persegue o ideal de neutralidade, mais nos distanciamos do sentido de ser das coisas. Com isso, perde-se a possibilidade compreensiva dos fenômenos em seu despertar originário, restando apenas as versões teorizantes, explicativas e distanciadas da realidade. </p>
			<p>Na contramão dessa esteira compreensiva, a Psicologia surgiu como ciência que se consolida na modernidade com projeto firmado, inicialmente, na lógica teorética explicativa das ciências naturais. Hoje, emergem outras formas de se fazer Psicologia, mais próximas de paradigmas compreensivos - como é o caso da Psicologia em uma perspectiva fenomenológica existencial hermenêutica, à luz da filosofia heideggeriana. Essa perspectiva contemporânea reconhece a falibilidade do projeto de separação homem-mundo e, assim, resgata o cuidado, o pensamento mediante e a condição de indeterminação prévia do humano como possibilidades interpretativas dos fenômenos. Com isso, abandona-se a ideia de subjetividade interiorizada e de teorização prévia dos fenômenos humanos, acolhendo as crises e colocando-as sob investigação para além de nexos explicativos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Método</title>
			<p>Este artigo resulta de um recorte de pesquisa de pós-doutorado - aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob CAAE nº 57533721.9.0000.5537, em conformidade com todas as prerrogativas exigidas pela legislação vigente - e aborda o ensino remoto de Psicologia. Trata-se, portanto, de uma pesquisa qualitativa de orientação fenomenológica hermenêutica, ao modo de Martin Heidegger. Nela, não se busca explicação, mas a compreensão da experiência vivida mediante descrição rigorosa. Considera-se, ainda, a interpretação da experiência humana e seu caráter histórico, além da participação implicada de todos os atores envolvidos no processo de investigação dos fenômenos (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Szymanski et al., 2019</xref>). Sendo assim, a pesquisa fenomenológica se baseia na compreensão do vivido e dos significados relativos à realidade experienciada (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Azevedo &amp; Oliveira, 2021</xref>).</p>
			<sec>
				<title>Caracterização dos Colaboradores</title>
				<p>Para esse artigo, consideraram-se as narrativas de três docentes oriundos de universidades públicas acerca das tonalidades afetivas que emergiram da experiência de ensino remoto emergencial, durante o período de março de 2020 a junho de 2022.</p>
				<p>A amostra que compôs essa pesquisa foi intencional, sendo formada por docentes psicólogos supervisores de estágio orientados pela perspectiva fenomenológica heideggeriana. Todos os participantes, aqui denominados de colaboradores, receberam e-mails convites contendo uma breve apresentação e resumo da pesquisa em questão. Foi solicitado a cada um que respondesse com contato telefônico de WhatsApp, caso anuísse participar da pesquisa. </p>
				<p>Os critérios de inclusão dos colaboradores foram os seguintes: docentes com três anos de experiência no ensino superior, atuantes em cursos de graduação e/ou pós-graduação de Psicologia; com experiência de supervisão em estágio profissionalizante e que estivessem ministrando aulas remotas (teóricas e/ou práticas) durante a pandemia da COVID-19 no curso de Psicologia. Dentre esses, foram excluídos aqueles que estivessem doentes, de licença ou afastados de suas funções no período de junho a julho de 2022; aqueles que não concordassem com a gravação da videochamada e que não assinaram/devolveram o Registro de Consentimento Livre e Esclarecido (RCLE) por e-mail.</p>
				<p>Os colaboradores da pesquisa são docentes de universidades públicas de três estados brasileiros, sendo um do sexo masculino e dois do sexo feminino. Possuem experiência no ensino presencial e remoto, incluindo a supervisão de estágio e ensino de disciplinas no campo da Psicologia Fenomenológica, Saúde Mental, Psicologia Clínica e Saúde Coletiva. Encontram-se na docência de Psicologia há pelo menos 10 anos, tendo exercido o ERE durante dois anos, mediante uso das plataformas Google Meet e Microsoft Teams. Por questões éticas, todos receberam nomes fictícios (<italic>Login, Senha</italic> e <italic>Chat.)</italic></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Procedimentos da Pesquisa</title>
				<p>A entrevista narrativa foi o instrumento que permitiu o acesso à experiência dos colaboradores. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B5">Benjamin (1994</xref>), a narrativa transmite a experiência vivida, configura-se como uma estratégia importante da pesquisa fenomenológica (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dutra, 2002</xref>), que ajuda na composição e interpretação dos dados. </p>
				<p>Na pesquisa fenomenológica, os dados não se encontram prontos para serem simplesmente coletados. Por isso, utiliza-se a expressão “dados colhidos”, já que eles são coconstruídos no processo investigativo, mas tecidos conjuntamente no encontro entre pesquisadores e colaboradores (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Maux &amp; Dutra, 2020</xref>). As narrativas foram colhidas e gravadas por meio de videoconferências remotas individuais, contendo uma pergunta disparadora (Como tem sido sua experiência no ensino remoto de Psicologia?) e com uso da plataforma <italic>zoom,</italic> em dias e horários previamente agendados e somente após anuência, assinatura e a devolução dos Registros de Consentimento Livre e Esclarecido (RCLE) via e-mail. Em seguida, as narrativas foram transcritas em formato de arquivos de textos, sendo endereçadas ao e-mail dos colaboradores para fins de revisão e devolução. Logo, após devolutiva dos colaboradores, as narrativas foram interpretadas mediante analítica do sentido de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Critelli (2007</xref>).</p>
				<p>A analítica do sentido, ancorada no pensamento de Heidegger, consiste em uma proposta interpretativa baseada no desvelamento da experiência investigada, que se realiza por meio de etapas não necessariamente lineares (desvelamento, desocultação, testemunho, veracidade e autenticação). Nessa proposta, o pesquisador busca legitimar e autenticar as narrativas dos colaboradores, mediante postura interrogativa acerca do tema pesquisado e em prol do desvelamento e do que se apresenta como fenômeno, mediante o testemunho desses colaboradores (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Critelli, 2007</xref>). </p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e Discussão</title>
			<p>Inicialmente, o ERE gerou desconforto, resistência e estranheza; e aos poucos, deu lugar a uma prática que buscava pela “familiaridade”, esbarrando em limitações. Desvelou-se como uma prática pouco exitosa para a formação de psicólogos, tendo em vista seu formato repetitivo, exaustivo, entediante e pouco mobilizador de reflexões. Também foi descrito como algo que, aos poucos, “se perde o gosto pelo compartilhamento de experiências” [grifo nosso], sobretudo em grupos que não se conhecem previamente, comprometendo a implicação da presencialidade. </p>
			<disp-quote>
				<p>E com o passar do tempo do ensino remoto, foi diminuindo aquele gás para bater papo depois da aula on-line, depois de três horas. No começo tinha isso, inclusive alguns encontros on-line. Às vezes tinha reuniões longas para resolver coisas rápidas, mas tinha a ver com você conversar com os colegas já que não estava podendo encontrar. E com o passar do tempo, isso foi reduzindo (Login).</p>
			</disp-quote>
			<p>O olhar e o ouvir, habilidades tão necessárias para o trabalho do psicólogo, foram consideradas comprometidas pelo formato do ERE, tendo em vista o desligamento de câmeras e de áudios pela maioria dos estudantes. Os colaboradores ressaltaram a sensação de “presença ausente” [grifo nosso], onde muitos estudantes pareciam estar apenas com o computador e/ou celular ligado, sem grandes participações nas aulas; vivenciando a ausência do convívio, do toque físico, do olhar. Tais situações foram vistas como comprometedoras do ensino e da formação.</p>
			<p>Desse modo, mesmo que o ERE tenha contribuído pontualmente e de modo provisório para a continuidade dos estudos no momento mais crítico da pandemia, ele foi considerado uma modalidade limitada, que tende a perder qualidade com o passar do tempo, dado o seu caráter excludente, massivo, distanciado e fluido - seja pelas dificuldades inerentes ao seu processo de implementação, desenvolvimento e acompanhamento; seja por limitações de exequibilidade, sustentabilidade e alcance, sobretudo em instituições públicas. Até o momento, pouco se sabe sobre as repercussões dessa modalidade de ensino e seus impactos a médio e longo prazo para egressos. Por isso, faz-se necessário a realização de novos estudos.</p>
			<p>A formação de psicólogos requer a presencialidade implicada e o convívio entre os pares como vias necessárias e complementares do aprendizado, haja vista as especificidades da profissão e as competências requeridas para a compreensão da existência humana em sua vasta complexidade, o que inclui, por exemplo: convívio com o diferente e desenvolvimento de habilidades sociais, e isso não se alcança simplesmente por meio de telas e anteparos virtuais. Ademais, o esforço físico e intelectual, ocasionado pelo cenário pandêmico, trouxe um conjunto de afetos e sensações diversas para o trabalho do psicólogo docente, como perplexidade, irritabilidade, desmotivação, pesar, tristeza, apatia, medo, angústia, tédio, ansiedade, dificuldade de concentração. Todas essas questões foram mencionadas pelos colaboradores.</p>
			<p>Na experiência dos colaboradores, o ERP desvelou a educação como sinônimo de mercadoria oriunda da lógica neoliberal, sobretudo após aglutinação de turmas, encurtamento e produção de aulas em séries, baixa interação em tempo real, avaliações e comunicações massivas. Com isso, a educação corre um sério risco: deixa de ser uma via libertadora e passa a ser uma via de repetição, que promove cansaço e, na maioria das vezes, há a situação de apenas o professor monologar. A sensação de solidão e de inutilidade parece ampliada, conforme atesta Login: “Percebo o ensino remoto meio maçante, então eu fui ficando mais desmotivado para dar aulas, e fui focando em outras coisas da carreira docente”(Login).</p>
			<p>Diante da crise pandêmica mundial e do sucateamento das universidades públicas brasileiras, o docente psicólogo, que em tese deveria ser aquele que desperta a dimensão do sensível e convida seus interlocutores para o debate em uma espécie de reunião/assembleia (semelhante à ágora grega), passou a ser aquele que implora por interação/participação implicada, bem como por presença no tempo presente. Agora, os corpos se escondem por trás de telas com áudios mutados e câmeras desligadas, e, às vezes, com múltiplas telas abertas. </p>
			<p>A tarefa do psicólogo docente requer o convite ao pensamento, e não apenas à reprodução de informações, à gravação de aulas ou à divulgação de conteúdos. No entanto, durante a pandemia, essa função pareceu “restrita” às tarefas supracitadas, diante da baixa interação. Com isso, o ato educativo e libertador do pensamento se diluía. Na época mais crítica da pandemia e do distanciamento social, a maioria das pessoas parecia entregue às tonalidades do temor e da angústia, capturada pelo excesso de informações e por inúmeros acontecimentos traumáticos. Desse modo, o professor sentia-se isolado, sozinho, inútil, sem interlocutores e confinado em uma cadeira à espera de algum interlocutor que pudesse falar ou abrir uma câmera.</p>
			<disp-quote>
				<p>Na medida em que o tempo foi passando, cada vez mais gente não abria a câmera. E isso foi uma experiência terrível na hora do ensino remoto on-line (...) vários alunos disseram que tiveram aula comigo, mas eu nunca vi, porque se estavam ali on-line, não abriam a câmera. A minoria abria a câmera (Login).</p>
			</disp-quote>
			<p>A vivência de solidão de Login acompanha as falas aqui testemunhadas dos demais docentes. Sobre isso, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Heidegger (2012</xref>, p. 143) nos convida a pensar que:</p>
			<disp-quote>
				<p>O homem está superando as longitudes mais afastadas no menor espaço de tempo. Está deixando para trás de si as maiores distâncias, e pondo tudo diante de si na menor distância. E, no entanto, a supressão apresentada de todo distanciamento não lhe traz proximidade. Proximidade não é pouca distância. O que, na perspectiva da metragem, está perto de nós, no menor afastamento, como na imagem do filme ou no som do rádio, pode estar longe de nós, numa grande distância. E o que, do ponto de vista da metragem, se acha longe, numa distância incomensurável, pode-nos estar bem próximo. Pequeno distanciamento ainda não é proximidade, como um grande afastamento ainda não é distância.</p>
			</disp-quote>
			<p>Mesmo que atravessados por tecnologias que parecem conferir proximidades, os docentes testemunharam o sentimento de solidão e a sensação de isolamento materializados no episódio recorrente da ausência de vozes e de rostos. Tal situação faz recordar o que <xref ref-type="bibr" rid="B17">Heidegger (1981</xref>) chamou de especializar, que diz da capacidade de sentir-se próximo ou afastado de algo ou alguém, indo além da ocupação do espaço físico. Essa caraterística torna possível a construção e a organização de artefatos tecnológicos, muito embora não garanta a “aproximação das pessoas” e nem a sensação de pertencimento. Com isso, questiona-se sobre o enraizamento do professor nesse processo de espacialização digital. Onde e de que forma o professor habita no ambiente das plataformas digitais? Seria esse um lugar de pertencimento, de aproximação de pessoas? </p>
			<p>No ERP, aparenta restar pouco espaço para a reflexão e para o fazer do pensar. Assim, esse lugar do professor - que não diz somente de uma função, mas também, de um modo de existir no mundo - foi sendo estrangulado, esvaziado, tendo em vista as situações anteriormente citadas, sobretudo na ausência do debate, dos corpos e das vozes implicadas. Nesse quase “não-lugar” [grifo nosso], os afetos e os vínculos se transformam, os corpos não se tocam e pouco se movimentam. O silêncio ecoa, os rostos pouco se veem. O temor e a angústia transbordam. Mas o professor “precisa manter” [grifo nosso] sua imagem e voz refletidas em câmeras e em áudios disponíveis. Desse modo, e em uma atmosfera de profunda solidão, desamparo, desassossego e de quase nenhuma troca, experimentam-se crises e tonalidades afetivas, como temor e angústia.</p>
			<disp-quote>
				<p>No começo, eu era puro temor! (...) a universidade mandava um monte de curso para fazer e aprender. Tinha um monte de recurso do Google que a gente não sabia. Eu entrei em pânico! Foram tantos processos para dar conta que eu diria que no começo, eu era puro temor! Eu tinha medo de esquecer as coisas, medo de deixar gravar, medo de esquecer minha senha que usei a vida inteira. (...) eu vi isso em mim e em alguns colegas (Senha). </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>A gente naquela angústia de saber como encaminhar as coisas (...) aí começa uma angústia muito grande porque a gente não sabia trabalhar com aulas remotas, a gente só sabia trabalhar presencial! (Chat).</p>
			</disp-quote>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Heidegger (1988</xref>), o temor ou medo é uma tonalidade afetiva mais superficial, enquanto a angústia é um afeto mais profundo que convoca o <italic>Dasein</italic> (ser-aí) a confrontar-se com sua condição de indeterminação existencial. De acordo com o pensamento heideggeriano, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra (2020</xref>, p. 4) assinala que:</p>
			<disp-quote>
				<p>O medo, bem como a angústia, é uma disposição fundamental. Isso significa que, como tal, o nosso modo de compreender e conviver sofre a interferência do modo como nos sentimos. Essa equação, contudo, é uma via de mão dupla (...). Com alguma diferença do medo, a angústia se apresenta de modo mais avassalador. Quando somos abatidos pela angústia, o mundo não nos ameaça - e isso não porque ele não tenha deveras perigos incalculáveis, mas porque ele não significa nada para nós. Na angústia, o mundo perde seu significado, é estranho. A estranheza é o que caracteriza o mundo do angustiado.</p>
			</disp-quote>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra (2020</xref>) destaca que a tonalidade do temor nos afasta de um contato mais profundo conosco e com os demais, empurrando-nos para uma vida decaída em ocupações e distrações, a fim de evitar desconfortos e incertezas. Ao temer algo, o homem se enche de pavor diante do desconhecido, tendo dificuldades para se desligar dos ruídos impessoais do mundo público. Sendo assim, permanece alienado ao consenso público, distanciando-se de sua experiência de singularidade e mergulhando na homogeneidade do “a gente” [grifo nosso]. Tal situação só se modifica quando nada mais faz sentido e o mundo perde seu significado. É aí que a angústia emerge, pondo o homem à prova e suspendendo as prescrições de mundo de outrora (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Feijoo, 2013</xref>).</p>
			<p>No ERP, o medo levou os docentes a temer o inevitável desconhecido: a mudança no modo de trabalho imposta pela pandemia. O medo é um afeto que se encontra no campo da impessoalidade, servindo para tranquilizar nosso campo de tensão: </p>
			<disp-quote>
				<p>Eu me vi muito desalojada, bem desalojada porque eu não sabia lidar com aquela realidade e nem sei se ainda sei (Chat).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Eu diria que vivi tantos afetos (risos), mas eu diria que angústia, temor, tédio... todos eles estavam extremamente presentes nesse tempo (Senha).</p>
			</disp-quote>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Heidegger (1988</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">2003</xref>), o temor consiste na promessa de um suposto mal que está prestes a acontecer, a partir do qual o homem se sente ameaçado, provocado, afetado, desconfortável. A vivência do medo ativa a sensação de que existe algum perigo/ameaça que está no mundo e precisa ser evitado. O medo tende a ocultar algo maior e mais profundo, podendo trazer uma sensação de desalojamento, de não saber, de insegurança. </p>
			<p>O medo, como possibilidade afetiva, é uma espécie de “ameaça pela qual esperamos, sem desejar que chegue” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra, 2020</xref>, p. 5). A autora acrescenta que o medo remete ao lugar da <italic>não-ação</italic>, pois o temido está sempre no horizonte do porvir. Sendo assim, o medo é mais que um sentimento, é também “um modo a partir do qual nos colocamos no mundo e convivemos com os outros” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra, 2020</xref>, p. 5). </p>
			<p>Em termos psicológicos, o medo é entendido como uma emoção associada ao instinto de sobrevivência e preservação. Através do medo, o homem foge e/ou se afasta do que teme. </p>
			<p>A partir de uma perspectiva heideggeriana, o medo é uma disposição afetiva fundamental e tem o poder de adiar as ações humanas e de levá-las ao esquecimento, mantendo o homem preso às ocupações do cotidiano. </p>
			<p>E em relação à angústia, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Heidegger (2012</xref>) declara que ela é motivada pelo indeterminado. A angústia se angustia com o mundo como tal. Com isso, ao se angustiar, experimenta-se estranheza, desassossego, algo semelhante à “não se sentir em casa” [grifo nosso]. No ERP, a baixa interação e atenção dos discentes, sobretudo nas aulas síncronas, foram descritas como uma situação angustiante, desconfortável. E, se por um lado isso pode ser indicativo da falta de privacidade ou da baixa qualidade de conexão com a internet, por outro, pode também expressar o baixo nível de interesse/comprometimento com o processo formativo mediado pelas TDICS. </p>
			<disp-quote>
				<p>O on-line não é legal e nem é espaço propício para aparecer e lidar com a diferença. É muito fácil se desligar, se desconectar (...) é muito fácil desconectar e fazer outra coisa em situações incômodas. Então acho importante que seja até incômodo de ouvir opiniões diferentes, é fundamental isso para formar psicólogos (Login).</p>
			</disp-quote>
			<p>De acordo com Login, o ERP dificulta lidar com a negatividade das experiências, despertando angústia, afastamento, rompimento de vínculos, perda de movimento corporal e compartilhamento de experiências. </p>
			<disp-quote>
				<p>Tive relatos de alunos mais próximos que não iam mais assistir as aulas ao vivo porque gostavam de assistir as aulas gravadas na velocidade 1.5, e outros ainda escutavam, e só. Tive uma aluna que falava que as aulas para ela, eram como <italic>podcasts</italic>. Lamentável, achei lamentável esse depoimento. Ela falou isso ao vivo. E ela: Eu colocava o som no fone de ouvido, ia arrumar a casa, fazer faxina, limpar o quarto e ficava escutando. E eu: poxa, como formar um psicólogo assim que vai só absorvendo a fala? Pega um pouco de entonação, mas não tem atenção nenhuma para quem estava falando? (Login).</p>
			</disp-quote>
			<p>Diante dessa narrativa, percebe-se o quanto a época desvela o modo como as pessoas têm vivido e experimentado os encontros. Os discentes, nesse caso, têm se aproximado dos conteúdos por meio de áudios em velocidades rápidas e de forma distanciada do professor. Tal situação afeta o professor de modo espantoso, convocando-o à reflexão e interferindo em seu processo de trabalho.</p>
			<p>Ensinar remotamente exige organização, sistematização, previsão e decisão (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Garcia et al., 2020</xref>). Tais princípios contrastam com os afetos mencionados pelos colaboradores, já que o inusitado e a baixa interação, somados ao cenário pandêmico e ao novo modo de trabalho, promoveu uma atmosfera desmotivante que interfere não só no sentido das tarefas, mas também no modo de interação. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra (2020</xref>), o modo como convivemos é afetado pelo modo como nos sentimos e compreendemos as coisas em nosso entorno e vice-versa. Ou seja, o mundo produz em nós, atmosferas afetivas e nós contaminamos o mundo com nosso estado de afinação afetiva. </p>
			<p>O ERP afetou todos os atores do processo educativo, pois ao mesmo tempo em que permitiu a continuidade dos estudos para uma grande parcela de discentes com acesso à internet e às TDICS; por outro lado, dificultou-se a inclusão daqueles que já tinham alguma dificuldade para manter concentração/foco nos estudos, ainda mais em espaços domésticos compartilhados e com pouca privacidade e/ou de acesso aos recursos digitais. Isso interferiu na qualidade do aprendizado, sobretudo quando não se tinha garantido: 1) uma dada ambiência externa (privacidade, silêncio, ergonomia, conforto); 2) a presença mais efetiva do professor; 3) o acesso direto à acomodação de outrora (salas de aula, laboratórios, bibliotecas); 4) os deslocamentos e movimentos físicos inerentes ao convívio dos pares no mesmo espaço físico. Uma das narrativas ilustra esse processo de perda da reflexão e do entendimento dos fenômenos estudados no ERP:</p>
			<disp-quote>
				<p>Dava para dar supervisão on-line. No começo não é a mesma coisa. E comparando com a supervisão presencial, tem hora que uma pessoa está relatando o que ela fez e que dá ver reações acontecendo sem falas, a pessoa mexe o corpo e fala sem falar. E tem também essa coisa de um falando em cima do outro; tem conversas e diálogos acontecendo do jeito que eles são. E não precisa esperar terminar de falar para falar... e no on<italic>-</italic>line isso não acontecia. Tinha essa organização, de um terminou e outro é que fala, de mãos levantadas, sequência e tal... e perdia um pouco da reflexão viva e perde um pouco do entendimento do paciente e do processo (Login).</p>
			</disp-quote>
			<p>No ERP, exige-se, de atores envolvidos, uma rotina diferente quanto aos horários e à organização dos estudos, tendo em vista que muitas aulas são gravadas e podem ser assistidas fora do horário predefinido. Assim, tem-se a quebra do rigor e da disciplina de outrora, a diminuição de deslocamentos, o afastamento social e a sensação de distanciamento afetivo, tendo em vista a interação mediada por TDTICS. A tecnologia nem sempre favoreceu a expressão espontânea das pessoas, podendo criar um clima superficial, e, às vezes, de interação forçada e restrita aos bate-papos impessoais e ao cumprimento de tarefas avaliativas. </p>
			<p>No curso de Psicologia, é importante que os discentes tenham a oportunidade de vivenciar situações de ensino-aprendizagem formais e informais, com maior ou menor grau de interferência de terceiros, a fim de que reconheçam os processos inerentes à existência humana em seus diversos contextos de acontecimentos. Também é importante que aprendam a ser, a conhecer, a fazer e a conviver, pois estes são pilares necessários para uma educação contemporânea, já preconizados por <xref ref-type="bibr" rid="B26">Morin (2002</xref>) e que contribuem para lidar e trabalhar com pessoas, sob diferentes perspectivas. De modo geral, é necessário que o psicólogo em formação tenha a oportunidade de conviver com seus pares e com as diferenças, bem como aprenda com eles e a partir deles. Com isso, espera-se que tais situações impulsionem o desenvolvimento de habilidades, tais como: aprender a lidar com as diferenças, suportar a negatividade e o peso da existência ao escutar as histórias de sofrimento ao vivo e sem o intermédio de telas ou subterfúgios midiáticos. </p>
			<p>No ER, o psicólogo esteve limitado no quesito contato direto com colegas, funcionários e pessoas submetidas a alguma intervenção psicológica nas atividades práticas. Com isso, o trabalho em equipe ficou restrito às videoconferências remotas, sem o encontro corpo a corpo, sem o toque físico e sem os conflitos inerentes a esses processos.</p>
			<disp-quote>
				<p>Quantas vezes começo a fazer a aula e daí a plataforma deu problemas, né? Ou a minha internet cai. E na aula presencial, poxa, você não depende de tanta coisa! É cuspe e giz ou variações disso! Não precisa de tanta coisa. Um dia estava na supervisão e acabou a energia elétrica. Você acaba deixando entrar em muitas variáveis não controláveis e em condições que exigem muito mais do que seria o encontro (Login).</p>
			</disp-quote>
			<p>Ademais, os discentes, se restritos ao ensino remoto, ficam privados de momentos de interação dentro da universidade, os quais também colaboram para o processo formativo. A narrativa de Login expressa um pouco dessas nuances:</p>
			<disp-quote>
				<p>Para formar psicólogos e para ser psicólogo é preciso ter contato com gente, é preciso sentir todos os incômodos e inquietações que têm. Então eu gosto muito da experiência de visitar equipamentos porque ela é desconfortável, principalmente com usuários da rede de saúde mental que não têm os protocolos sociais que a gente tem; e isso é incômodo, mas é muito legal porque traz uma série de reflexões. São pessoas que não estão “organizadinhas” que nem a gente. E qual o papel da Psicologia nisso? E enfim, não teve essa experiência no ensino remoto. A gente leu sobre e discutiu (Login). </p>
			</disp-quote>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bandeira et al. (2006</xref>), em pesquisa realizada com psicólogos no Estado de Minas Gerais, as quatro habilidades mais importantes para a atuação de um psicólogo, são: ouvir, observar, recusar pedidos abusivos e ajudar o outro a identificar os seus sentimentos. A maioria dos colaboradores dessa pesquisa atuavam na área clínica e destacaram a importância de habilidades sociais inerentes à comunicação interpessoal como uma das mais relevantes para o exercício profissional. </p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B13">Del Prette e Del Prette (2001</xref>), citado por <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bandeira et al. (2006</xref>), a profissão do psicólogo requer habilidades técnicas e sociais, muito embora boa parte dos cursos de Psicologia ainda não foquem atenção no desenvolvimento desse segundo tipo de habilidade. Compreende-se, então, que ambas as habilidades são importantes para a formação generalista, conforme realçaram os colaboradores.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">Coelho et al. (2021</xref>), em pesquisa interventiva realizada com docentes do ensino fundamental durante a vigência do ERE, constataram uma intensificação das funções docentes nesse período, bem como um aumento nas demandas dos professores com as escolas, os pais e/ou cuidadores e os(as) estudantes. Suas dificuldades em relação ao ERE, a sobrecarga pela intensificação do trabalho e o aparecimento de sintomas de ansiedade e estresse foram achados consistentes nos resultados dessa pesquisa. </p>
			<p>Sobre isso, a fala provocadora de Login desperta um pensar crítico acerca da formação de psicólogos por meio das TDICS, e para além da crise pandêmica:</p>
			<disp-quote>
				<p>Meus alunos falaram que minha aula bombou no <italic>twitter.</italic> Eu demorei a entender o que eles estavam falando... e enquanto estou dando aula e eles estão tendo a aula, eles estão comentando a aula no <italic>twitter</italic>, e daí fica disponível para pessoas que nem deveriam estar sabendo dos comentários; no caso, eu. Daí fica acessível, é loucura, né?! Então, você vai dando aula e tá todo mundo no celular e você menciona um livro. Aí alguém baixa o livro do Google numa versão pirata e já colocou no grupo da sala. Todos têm acesso e dificilmente vão ler. Poucos aproveitam o material acessível. O celular já está presente na sala de aula, e já estão escutando a aula, e se escutando ao mesmo tempo, e conversando... Acho que já é uma multitarefa complicada, pois não dá pra estar bem atento as duas coisas ao mesmo tempo. Essa desatenção já chegou e já está tão disseminado, é difícil, já nem dá pra lutar mais. Não adianta mais falar para desligar o celular e deixar o celular fora da sala. Essa batalha já foi perdida! Mas eu lembro de já ter visto, na minha aula, aluno escutando e jogando joguinho no celular. Isso é bem automaticamente uma sensação de desrespeito, de que estou aqui gastando meu tempo e.... Não quero nem dizer que a pessoa nem possa estar ouvindo. Talvez tenha uma parcela da população que talvez até escute melhor quando está distraída dessa maneira. Mas acho que não é a parcela que corresponde a um número de pessoas que está fazendo outras coisas enquanto estão assistindo aulas. Isso é bem complicado. Eu fico imaginando essa turma quando for... pensando na clínica como o maior “empregador” de psicólogos... como vai ser essa turma passar de 50 a 55 minutos focada num paciente? (Login).</p>
			</disp-quote>
			<p>Considera-se, a partir das DCNs, que as habilidades e atividades exercidas por um psicólogo são complexas para serem aprendidas de modo remoto, pois o curso não é meramente técnico, mas um curso de formação. Por isso, as diretrizes curriculares do curso preveem o desenvolvimento de habilidades básicas inerentes à atuação profissional, à pesquisa e ao ensino.</p>
			<p>Vale recordar que os professores não são os únicos responsáveis pela preparação e formação de futuros psicólogos. Por isso, é esperado que os discentes invistam em um processo de formação continuada, a fim de aprimorar habilidades e consolidar conhecimentos. </p>
			<p>O excesso de contato com as telas por um período prolongado afastou as pessoas umas das outras, haja vista a multitarefa e o grande número de áudio e de câmeras desligados durante as aulas. Em muitos momentos, a sensação dos colaboradores foi semelhante à de “falar sozinho e para ninguém” [grifos nossos]. </p>
			<disp-quote>
				<p>Era insegurança se o que eu estava fazendo tinha ressonância para quem estava comigo, se não tinha. Eu não sabia se tinha gente do outro lado mesmo ou não, porque muitos alunos e alunas não abriam a câmera, não falavam nada e nem comentavam no <italic>chat</italic>. E eu não sabia para quem eu estava falando, eu não sabia se eu estava falando para o aluno ou para a casa toda, a família toda, né? O que eu estou fazendo aqui (na tela)? Estou dando aula pra quem, afinal de contas? E depois escutei alguns alunos dizerem assim: minha mãe te conheceu, ela gostou daquela aula assim... e eu: sua mãe? De onde? Sua mãe me conhece e eu não a conheço sua mãe? Então eu decidi que não iria gravar minhas aulas (Chat).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Tinha turmas de 80 alunos e nunca tinha 80 ao vivo, quando tinha encontro ao vivo. Mas assim, eram três, quatro ou cinco câmeras que abriam e eu pedia, brincava, falava da importância de aparecer... aí abriam mais duas ou três câmeras. E dava uma sensação de estar dando aula somente para três, quatro ou cinco pessoas. Não estavam de corpo inteiro (Login).</p>
			</disp-quote>
			<p>Se para alguns, não ter horário fixo e nem rotinas predefinidas significou avanço, para outros trouxe uma sensação caótica de desorganização - de estar perdido, sozinho e sem apoio. Compreende-se que esse contexto, inclusive, levou os atores à mobilização emocional mais intensa, à desmotivação, à dificuldade de manter a atenção diante das telas, à multitarefa, ao cansaço, à tensão, à solidão e ao reconhecimento explícito das fragilidades e possibilidades.</p>
			<disp-quote>
				<p>Foi difícil manejar as questões emocionais... esse quadrado (tela) deixa a gente só... deixou a gente muito só. Então eu acho que eu queria dizer isso! ...Acessar as fragilidades fez com que a gente reconhecesse as fragilidades do outro e da gente. Reconhecer as fragilidades fez com que a gente se engrandecesse! (Senha).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Não sei se é essa palavra, mas é essa que está me vindo: é a tensão! É o tempo todo em tensionamento. Eu me encontro o tempo todo em tensionamento (ao ensinar remotamente)! Às vezes, esse tensionamento me leva para a criação; e às vezes, esse tensionamento me paralisa, esse tensionamento me angustia, esse tensionamento me faz sofrer! Mas o que eu vejo... a gente vai ficando... a gente tem que ter cuidado de não ficar embutida na solidão! (Chat).</p>
			</disp-quote>
			<p>Diante disso, questiona-se: qual o impacto do ERP para a vida dos envolvidos e para a construção de habilidades necessárias ao psicólogo? Seria viável prosseguir com um tipo de ensino que restringe o alcance do olhar, da escuta, do toque físico e da presencialidade implicada? Como construir um raciocínio compreensivo do humano sem ter acesso aos rostos, à voz e aos gestos? Qual o impacto e o papel que isso desempenha na habilidade de saber ouvir? Em que medida é possível desenvolver e aperfeiçoar habilidades sociais quando estamos privados do convívio presencial com nossos pares? Qual a interferência da falta de deslocamento físico e de restrição de movimentos para o processo de ensino-aprendizagem de Psicologia? Será que aprendemos quando estamos com nossos movimentos limitados e sentidos voltados para uma tela ou várias telas simultâneas?</p>
			<p>Foram constantes as sensações de “presença ausente” e de “falar para ninguém” (grifos nossos). O ensino temporário pelas telas trouxe uma série de repercussões não só para o professor, mas também para os demais atores envolvidos, e muitas dessas repercussões ainda carecem de maiores investigações.</p>
			<p>A baixa participação dos discentes foi uma queixa constante dos professores, que esperavam maior abertura e disponibilidade afetiva. Almejavam que, juntos, interrompessem o fluxo das ocupações cotidianas e, com isso, refletissem de modo mais aprofundado, acerca do que se passava para além dos conteúdos, da pandemia e da sala de aula. Contudo, nem mesmo uma crise pandêmica global foi capaz de interromper o fluxo de ocupações intermináveis (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Casanova, 2021</xref>). </p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>O ERE inaugurou uma nova forma de aprender mediada por tecnologias digitais, despertando nos docentes de Psicologia uma atmosfera afetiva propícia ao estranhamento, à dispersão, ao cansaço e ao distanciamento. Também trouxe medo e angústia, o que promoveu a ação libertadora do pensamento, mas também dificultou a formação de vínculos, o compartilhamento de experiências e o ensino. A falta de retorno em tempo real e o ocultamento discente por trás de câmeras fechadas e áudios mutados agigantou o processo de precarização do trabalho docente. Essa situação trouxe estresse, adoecimento, desmotivação, cansaço e interferências diretas para os relacionamentos e para a saúde.</p>
			<p>O medo e a angústia foram tonalidades afetivas que convidaram ao pensamento, retirando os atores envolvidos da superficialidade existencial. Ambas são relevantes para o exercício docente do psicólogo, que, em tese, deve circular pela dimensão do sensível, buscando despertar o espanto em seus interlocutores, convidando-os a questionar os clichês cotidianos. É por meio do ato educativo que o professor contribui para a emancipação de pensamentos/ações, convocando todos para se retirarem do lugar comum das ocupações cotidianas. No entanto, mesmo no período crítico da pandemia, muitos já não se espantavam mais, dado o cenário de horror e banalidade a que estavam expostos. Com isso, a tarefa docente passou a ser destituída de seu real significado. O professor narrou que se sentiu reduzido a um objeto descartável, inútil, sem valor, um processo que se aprofundou ainda mais com a crise pandêmica e o ensino remoto. Afinal, as pessoas pareciam mais interessadas em permanecer imersas na superficialidade das distrações e das telas, até mesmo como forma de suportar o peso da dura realidade. Pensar já não importava tanto. Tudo se reduzia a frases prontas, a aulas rápidas gravadas e às repetições massivas. E, de repente, o conhecimento tornou-se algo a ser “evitado” [grifo nosso]. Essa situação sugere a importância de desenvolver novos estudos que incluam a investigação da experiência discente de egressos de Psicologia com o ERE, bem como as tonalidades afetivas experimentadas pelos mesmos.</p>
			<p>A época pandêmica realçou inúmeras crises vividas pelos educadores, acentuando o processo de precarização do trabalho docente, já orquestrado pela agenda neoliberal. Nessa pesquisa, por exemplo, observaram-se alguns futuros psicólogos que não concentram atenção na velocidade real da aula, muito menos se dispõem a ouvir com atenção o próprio professor. Parecem imersos em uma atmosfera de dispersão, de aceleração, de multitarefas e de ocupações sem fim. Tudo isso dificulta o adensamento do processo reflexivo, a empatia e a escuta ativa, comprometendo o desenvolvimento de habilidades necessárias ao exercício profissional da escuta, além de interferir no modo de ensinar e de aprender, afetando a qualidade do processo formativo e fragilizando os vínculos.</p>
			<p>Espera-se que o docente de Psicologia seja, antes de tudo, aquele que interroga e implica os estudantes em sua relação com o mundo, com as tecnologias e com suas possibilidades de experiências de sentido. Nessa perspectiva, ele é aquele que frustra a lógica hegemônica, ao se tornar um mediador do processo civilizatório intergeracional. Desse modo, ao abdicar de certezas teorizantes, também instaura crises em prol da emancipação da vida. Assim, é esperado do docente psicólogo, sobretudo aquele orientado pela perspectiva fenomenológica, o primor pela reflexão do vivido e pela libertação das banalizações cotidianas. </p>
			<p>Quanto às limitações da pesquisa, não foi possível contemplar docentes e universidades da região norte e sul do país, nem suas especificidades culturais e regionais. Por isso, sugere-se a realização de novos estudos, com representação docente de todas as regiões brasileiras, a fim de aprofundar a discussão das implicações do ERE a médio e longo prazo na formação de egressos. Ainda, como contribuição, destaca-se que essa investigação se constituiu não só como oportunidade formativa, mas também como espaço de reconhecimento de pares e de compartilhamento/apropriação de experiências, realçando a dimensão clínica interventiva da pesquisa fenomenológica, sobretudo por ter ocorrido no momento de transição da modalidade remota para a modalidade presencial. Por fim, essa pesquisa acompanhou e testemunhou vivências disruptivas no ensino de Psicologia no Brasil, contribuindo para desvelar os bastidores do pensar-agir docente em IES públicas. </p>
		</sec>
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			<title>Referências</title>
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					<year>2007</year>
					<source>Afetividade e aprendizagem: Contribuições de Henri Wallon</source>
					<publisher-name>Edições Loyola</publisher-name>
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				<mixed-citation>Szymanski, L., Szymanski, H., &amp; Fachim, F. L. (2019). Interpretação como des-ocultamento: Contribuições do pensamento hermenêutico e fenomenológico-existencial para análise de dados em pesquisa qualitativa. <italic>Pro-posições</italic>, <italic>30</italic>, 1-25. https://doi.org/10.1590/1980-6248-2018-0014</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Szymanski</surname>
							<given-names>L.</given-names>
						</name>
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							<surname>Szymanski</surname>
							<given-names>H.</given-names>
						</name>
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							<surname>Fachim</surname>
							<given-names>F. L.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2019</year>
					<article-title>Interpretação como des-ocultamento: Contribuições do pensamento hermenêutico e fenomenológico-existencial para análise de dados em pesquisa qualitativa</article-title>
					<source>Pro-posições</source>
					<volume>30</volume>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>25</lpage>
					<pub-id pub-id-type="doi">https://doi.org/10.1590/1980-6248-2018-0014</pub-id>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
		<front-stub>
            <article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i2.e14354</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Research Report</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Remote Teaching and Affective Tonalities: A Hermeneutic Phenomenological Study with University Faculty</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-8077-5281</contrib-id>
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						<surname>Morais</surname>
						<given-names>Sílvia Raquel Santos de</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0225-9836</contrib-id>
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						<given-names>Elza Maria do Socorro</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-5609-5975</contrib-id>
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						<surname>Azevedo</surname>
						<given-names>Ana Karina Silva</given-names>
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				<institution content-type="original">Psychologist (Federal University of Pernambuco). Master’s degree (Federal University of Rio Grande do Norte [UFRN]) and PhD (Federal University of Espírito Santo) in Psychology. Postdoctoral researcher in Psychology (UFRN). Professor at UNIVASF. Vice-coordinator of the Laboratory of Transdisciplinary Practices in Health and Education (LETRANS-UNIVASF) and collaborating professor in the Multiprofessional Residency Program in Mental Health at UNIVASF.</institution>
				<institution content-type="orgname">UNIVASF</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<aff id="aff5">
				<institution content-type="original">BA in Psychology from the Catholic University of Pernambuco (1976), MSc in School Psychology from Gama Filho University (1982), and PhD in Clinical Psychology from the University of São Paulo (2001). Currently Full Professor of Phenomenological Clinical Psychology at UFRN and postdoctoral researcher at Federal University of Fluminense. Faculty researcher in the Graduate Program in Psychology, supervising Master’s and PhD students for over 20 years. Coordinator of the Subjectivity and Human Development Study Group (ESDH/UFRN/CNPq).</institution>
				<institution content-type="orgname">UFRN</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<aff id="aff6">
				<institution content-type="original">BA in Psychology from UFRN (2003), MSc in Psychology from UFRN (2006), and PhD in Psychology from UFRN (2013). Currently Professor in the Department of Psychology at UFRN and collaborating professor in the Graduate Program in Psychology at UFRN.</institution>
				<institution content-type="orgname">UFRN</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>This study is a hermeneutic phenomenological investigation conducted with three internship supervisors from Brazilian public universities. Narrative interviews were carried out through remote videoconferencing. The study aimed to examine the affective tonalities arising from the experience of remote teaching in Psychology during the COVID-19 pandemic, from a Heideggerian perspective. The narratives were interpreted using Critelli’s analytic of meaning. Faculty members experienced disquiet in remote classes due to the reduced presence of active interlocutors, as students often kept cameras and microphones muted and showed limited availability for critical dialogue and exchange. The affective tonalities most frequently reported were fear and anxiety, which gave rise to an atmosphere of loneliness, helplessness, demotivation, and exhaustion. These affects elicited meditative thinking, calling faculty to withdraw from existential superficiality in favor of a form of teaching that went beyond the mere transmission of knowledge. This approach was grounded in circularity around the dimension of the sensible, capable of fostering reflective depth and questioning everyday clichés. The study concludes that remote teaching served as a means of ensuring educational continuity during the pandemic, but it hindered the teaching-learning process related to the development of competencies and skills required of future psychologists. Loneliness and exhaustion predominated in remote teaching within Psychology programs. Faculty were affected by reduced student engagement, weakened bonds, increased dropout rates, work precarization, lack of shared presence, and losses in the formative process. Students appeared more as consumers than as interlocutors, reinforcing a monotonous and anxiety-laden affective atmosphere that interfered with both teaching practice and professional training. Further studies are suggested to investigate the impacts of this teaching modality on psychological practice and training, including its affective tonalities.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>emergency remote teaching</kwd>
				<kwd>affection</kwd>
				<kwd>COVID-19</kwd>
				<kwd>college professor</kwd>
				<kwd>phenomenology</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<p>The COVID-19 pandemic brought about profound changes across multiple spheres of society. In education, and more specifically within higher education institutions (HEIs), in-person academic activities were suspended and work routines were substantially altered. This context gave rise to a new teaching modality, referred to as emergency remote teaching (ERT). In Brazil, ERT was formally regulated in 2020 through Ordinances No. 343, issued on March 17, 2020, and No. 544, issued on June 16, 2020, both enacted by the Ministry of Education (MEC). This modality was implemented as an alternative to ensure the continuity of formal education across universities nationwide until population-wide vaccination against COVID-19 enabled a return to social coexistence.</p>
			<p>RT, mediated by digital information and communication technologies (DICTs), thus became imperative. It was adopted as a means of sustaining formal educational processes under the constraints imposed by the COVID-19 public health crisis. RT comprises activities planned and carried out by faculty within virtual learning environments (VLEs), including videoconferencing, synchronous (live) and asynchronous (recorded) classes, electronic messaging, sharing of texts, videos, and audio materials via digital platforms, as well as assigned readings, online discussions, and assessment postings.</p>
			<p>RT differs from distance education (DE) in that it does not rely on the logistical infrastructure of in-person learning centers, nor on the direct collaboration of tutors to support students. It also lacks a multidisciplinary support team and an infrastructure intentionally designed for the planned delivery of adapted courses. In DE, most classes are asynchronous and are primarily intended to provide access to higher education for individuals who lack local opportunities. Accordingly, DE relies on learning centers in different cities that serve as operational bases for academic activities linked to a reference university.</p>
			<p>ERT, by contrast, was a temporary strategy adopted during the early years of the pandemic to enable instruction across different educational levels, with the aim of approximating the structure of in-person classes. ERT was implemented abruptly and without precedent, with limited preparation on the part of institutional leaders, faculty, and students. Numerous difficulties emerged, including i) access to reliable internet connections; ii) proficiency in using digital programs and platforms; iii) pedagogical challenges related to camera-based teaching; iv) changes in modes of teacher-student interaction; v) the need for equipment and financial investment in curating and editing instructional materials; and vi) insufficient support for the execution, monitoring, and evaluation of academic activities.</p>
			<p>Accordingly, ERT cannot be understood as a mere transposition of content to digital platforms or online transmission. ERT requires prior training and preparation on the part of faculty, particularly given that class workloads were modified during the pandemic and teacher-student interactions became mediated by technology. Moreover, ERT demanded greater time investment and resilience, as faculty were required to confront new challenges and acquire unfamiliar skills within a short timeframe (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Hickmann et al., 2021</xref>).</p>
			<p>In ERT, synchronous classes predominated in an effort to approximate face-to-face instruction, albeit with specific features such as increased curricular flexibility, computer-mediated assessments, recording and prior editing of video lectures, and the digitization and adaptation of learning materials for digital platforms. Some of these previously nonexistent demands expanded faculty responsibilities, placing instructors in an unprecedented situation in which they were compelled to learn new competencies essential to their work within a very limited timeframe. These conditions affected lesson planning, organization, and delivery, while also eliciting emotions, thoughts, and actions that reshaped ways of being and existing in the world, disrupting previously established life patterns. This context generated tension, uncertainty, and anxiety, leading many faculty members to exhaustion, psychological distress, and, in some cases, the need for psychological or psychiatric care (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Hickmann et al., 2021</xref>).</p>
			<p>This scenario revealed experiences of demotivation, loneliness, fatigue, grief, and illness, exacerbated by the pandemic crisis, which was marked by “constant imperatives and rapid changes”. Many faculty members were compelled to invest in equipment and training to improve their proficiency with technological tools and to perform tasks outside their areas of expertise and traditional work environments. These demands entailed significant financial, ergonomic, and affective costs. Faculty were also required to learn how to record and edit video lectures, manage VLEs through self-guided tutorials, often after hours of online searching, digitize large volumes of instructional materials, teach unfamiliar content under time pressure, respond to students outside regular class hours, and provide emotional support amid collective grief due to COVID-19-related deaths, among many other responsibilities imposed during this critical period.</p>
			<p>In this context, faculty were driven to act proactively amid public distress, developing their work in unfamiliar formats while simultaneously coping with stressors that encroached upon their private lives. Some temporarily withdrew from their professional duties, while others experienced illness in attempting to meet heightened expectations tied to job security and employability. Consequently, mental health was compromised, and affective experiences such as fear and anxiety became prevalent (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Cipriano &amp; Almeida, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">Santos, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos et al., 2021</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B24">Lima and Sena (2022</xref>), for example, highlight the detrimental effects of isolation on educators’ work in schools and universities during the coronavirus pandemic, noting that institutional functions became more focused on instruction and adaptation, distancing themselves from broader and more emancipatory forms of education.</p>
			<p>During this period, many faculty psychologists who sought to stabilize their work routines were confronted with demands extending well beyond the classroom, including prolonged and intensified workloads that exceeded standard hours, experiences of death and grief, large class sizes, increased domestic and marital conflicts, insomnia, ergonomic problems, difficulties balancing domestic tasks with remote work, and mental health disorders. These issues were either produced or exacerbated by processes of labor precarization within the neoliberal and pandemic context (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barros et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Moura et al., 2019</xref>).</p>
			<p>With regard to emergency remote teaching in Psychology, several questions arise: What are its repercussions for teaching practice and for the training of future psychologists? What are its limits and possibilities? Could it be sustained beyond the pandemic, and for what purpose? Based on these questions and on postdoctoral field research conducted with psychology faculty from three Brazilian HEIs, this article aims to examine the affective tonalities of fear and anxiety present in the experience of remote teaching in Psychology. More specifically, it seeks to discuss the implications of these affective tonalities for teaching and for the professional training of psychologists in Brazil, drawing on the philosophical thought of Martin Heidegger (1889-1976). To this end, it is necessary to clarify the concept of affective tonality.</p>
			<p>Affective tonality is the term used by Heidegger to describe how human beings find themselves attuned within a given spatiality and historical temporality. It resembles a momentary affective disposition, a kind of tone that attunes individuals to specific moods (Heidegger, 2003). This concept is particularly relevant in the context of remote teaching in Psychology, as teaching and learning presuppose human encounters from which diverse affective tonalities emerge through dialogical interaction and the sharing of experiences and knowledge.</p>
			<disp-quote>
				<p>The term affective tonality derives from the verb <italic>stimme</italic>, which in German refers to the tuning of an instrument, something that brings into resonance or harmony, as well as to voice or vote. As an essential mode of openness (<italic>Erschlossenheit</italic>) of <italic>Dasein</italic> to its world, <italic>Stimmung</italic> attunes this being to its various ways of being, granting it an atmosphere or tone. <italic>Stimmung</italic> is precisely this tone, this tonality, a coloring that unfolds within what is disclosed, generating a climate through which the world comes to pass. It is in this sense that an affect is constituted (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Santos, 2020</xref>, p. 378).</p>
			</disp-quote>
			<p>Affective tonalities arise from the attunement between <italic>Dasein</italic> (being-in-the-world) and the world itself. They refer to the way in which <italic>Dasein</italic> is “tuned” to the world that it is (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Costa &amp; Feijoo, 2020</xref>). These tonalities correspond to how we are touched, at a given moment, by the atmosphere of the world. They awaken us from a state of mass alienation and often reemerge amid everyday crises. Affective tonalities do not originate solely from within or outside the individual; rather, they grow as modes of being-in-the-world alongside objects. When they emerge, they tend to suspend the more superficial layers of previously prescribed worldviews (Costa &amp; Feijoo, 2020; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Heidegger, 1988</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Nascimento, 2019</xref>).</p>
			<sec>
				<title>Teaching and the Training of Psychologists beyond the Pandemic Vrisis and Screens</title>
				<p>RT in Psychology (RTP) was recognized solely as a possible and transitional alternative during the critical period of the COVID-19 pandemic (from March 2020 to mid-2022), given that the Brazilian National Curriculum Guidelines (DCNs) for Psychology uphold in-person instruction as a foundational pillar of psychologist training in Brazil (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Federal Council of Psychology [CFP], 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Resolution No. 5, 2011</xref>). According to the DCNs (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Resolution No. 5, 2011</xref>), the education of psychologists should follow a generalist orientation. Each university or college is granted autonomy to design its curriculum based on the DCNs, guided by the set of contents required for the development of core competencies applicable across all professional fields of Psychology.</p>
				<p>Notably, the CFP does not recognize Psychology programs delivered through DE or remote modalities outside the pandemic context. Nevertheless, even after the resumption of in-person classes, many HEIs continue to offer RTP under a so-called “hybrid teaching” model, in which a portion of course hours is delivered remotely. This atypical situation calls for further investigation, as it risks trivializing the educational process and contributing to the precarization of the profession. In addition, the most recent DCNs for Psychology are outdated and require revision and updating in order to support broader training that is more responsive to contemporary demands.</p>
				<p>Within this framework, the importance of affect in the formative process of psychologists becomes evident. Affect constitutes a driving and foundational element of teaching and learning, alongside thought and movement (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Almeida &amp; Mahoney, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Oliveira &amp; Fonseca, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Silva, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">Soares, 2022</xref>). The assertion that affect fosters bonds and generates knowledge has been widely acknowledged within Psychology. It is through affect that individuals are touched and transformed within a given worldly atmosphere, and through it that they continue to affect one another in daily exchanges, including within educational contexts. This trajectory brings to the fore an issue already articulated by <xref ref-type="bibr" rid="B18">Heidegger (1988</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B20">2003</xref>): the crisis of the modern scientific paradigm centered on the supremacy of reason.</p>
				<p>In line with the centrality of affect and its inseparability from reason, Heidegger argues that it is not possible to separate body and mind, nor to dissociate reason from the realm of the sensible, since human beings and the world are co-constitutive. From this perspective, the notion of a supposedly neutral science is critically challenged. For Heidegger, the more rigorously the ideal of neutrality is pursued, the further one moves away from the meaning of the being of things themselves. As a result, the original comprehensibility of phenomena is lost, leaving only theorizing, explanatory accounts that remain detached from lived reality.</p>
				<p>Contrary to this dominant interpretive trajectory, Psychology emerged as a science consolidated in modernity through a project initially grounded in the explanatory, theoretical logic of the natural sciences. Today, however, other ways of practicing Psychology have emerged, more closely aligned with interpretive paradigms, such as Psychology grounded in a hermeneutic existential phenomenological perspective, informed by Heideggerian philosophy. This contemporary approach recognizes the fallibility of the project that separates human beings from the world and, in doing so, restores care, meditative thinking, and the prior indeterminacy of the human condition as legitimate interpretive possibilities for understanding phenomena. Consequently, it abandons the notion of an interiorized subjectivity and the prior theorization of human phenomena, instead welcoming crises and placing them under investigation beyond purely explanatory frameworks.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Method</title>
				<p>This article derives from a segment of a postdoctoral research project, approved by the research ethics committee under CAAE no. 57533721.9.0000.5537, in compliance with all requirements of current legislation, and focuses on remote teaching in Psychology. It is therefore a qualitative study with a hermeneutic phenomenological orientation, grounded in the thought of Martin Heidegger. The aim is not explanation, but rather the understanding of lived experience through rigorous description. The study also considers the interpretation of human experience and its historical character, as well as the engaged participation of all actors involved in the investigative process of the phenomena (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Szymanski et al., 2019</xref>). In this sense, phenomenological research is based on understanding lived experience and the meanings associated with experienced reality (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Azevedo &amp; Oliveira, 2021</xref>).</p>
				<sec>
					<title>Characterization of the Participants</title>
					<p>For the purposes of this article, narratives from three faculty members at Brazilian public universities were analyzed, focusing on the affective tonalities that emerged from their experience of emergency remote teaching during the period from March 2020 to June 2022.</p>
					<p>The sample was intentional and consisted of psychologist faculty members who supervised internships and were oriented by a Heideggerian phenomenological perspective. All participants, here referred to as collaborators, received invitation emails containing a brief presentation and summary of the study. They were asked to respond with their WhatsApp contact information if they agreed to participate.</p>
					<p>Inclusion criteria were as follows: faculty with at least three years of experience in higher education; involvement in undergraduate and/or graduate Psychology programs; experience supervising professional internships; and active engagement in remote teaching (theoretical and/or practical) during the COVID-19 pandemic. Exclusion criteria included faculty members who were ill, on leave, or otherwise away from their professional duties between June and July 2022, as well as those who did not consent to the recording of the video interview or who failed to sign and return the informed consent form (TCLE) via email.</p>
					<p>The collaborators were faculty members from public universities in three different Brazilian states, including one male and two female participants. All had experience in both in-person and remote teaching, including internship supervision and instruction in courses related to Phenomenological Psychology, Mental Health, Clinical Psychology, and Public Health. Each had at least 10 years of teaching experience in Psychology and had engaged in ERT for two years, using platforms such as Google Meet and Microsoft Teams. For ethical reasons, all participants were assigned fictitious names (Login, Password, and Chat).</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Research Procedures</title>
					<p>Narrative interviews served as the primary instrument for accessing the collaborators’ experiences. According to <xref ref-type="bibr" rid="B5">Benjamin (1994</xref>), narrative conveys lived experience and constitutes a key strategy in phenomenological research (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dutra, 2002</xref>), supporting both the construction and interpretation of data.</p>
					<p>In phenomenological research, data are not considered ready-made entities to be simply collected. For this reason, the expression “generated data” is preferred, as data are co-constructed within the investigative process and woven through the encounter between researchers and collaborators (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Maux &amp; Dutra, 2020</xref>). Narratives were generated and recorded through individual remote videoconference interviews, guided by a single prompting question (“How has your experience of remote teaching in Psychology been?”). Interviews were conducted via the Zoom platform on previously scheduled dates and times, and only after participants had provided consent, signed, and returned the TCLE via email.</p>
					<p>Narratives were than transcribed into text files and sent to the collaborators for review and validation. After receiving their feedback, the narratives were interpreted using <xref ref-type="bibr" rid="B12">Critelli’s analytic of meaning (2007</xref>).</p>
					<p>Critelli’s analytic of meaning, grounded in Heideggerian philosophy, constitutes an interpretive approach aimed at the unveiling of the investigated experience. This process unfolds through stages that are not necessarily linear - unveiling, unconcealment, testimony, veracity, and authentication. Within this framework, the researcher seeks to legitimize and authenticate collaborators’ narratives through an interrogative stance toward the research theme, oriented toward the unveiling of what presents itself as phenomenon through the collaborators’ testimony (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Critelli, 2007</xref>).</p>
				</sec>
			</sec>
			<sec sec-type="results|discussion">
				<title>Results and Discussion</title>
				<p>Initially, ERT generated discomfort, resistance, and a sense of strangeness. Gradually, it gave way to a practice that sought “familiarity,” yet repeatedly encountered structural limitations. ERT was revealed as a minimally effective modality for the education of psychologists, given its repetitive, exhausting, monotonous format and its limited capacity to mobilize reflection. It was also described as a practice in which, over time, “the pleasure of sharing experiences is lost”, particularly in groups whose members had no prior acquaintance, thereby undermining the experiential dimension inherent to in-person engagement.</p>
				<disp-quote>
					<p>As remote teaching went on, that energy to chat after the online class, after 3 hours, started to fade. At the beginning, there was that, including some online get-togethers. Sometimes there were long meetings to solve quick issues, but it was about talking to colleagues since we couldn’t meet in person. Over time, that gradually diminished (Login).</p>
				</disp-quote>
				<p>Seeing and listening, skills that are central to psychological practice, were perceived as compromised by the ERT format since most students kept their cameras and microphones turned off. Collaborators emphasized a feeling of “absent presence”, in which many students appeared to be merely connected through a computer or mobile device, with minimal participation in class. This configuration entailed the absence of shared presence, physical proximity, and mutual gaze. Such conditions were considered detrimental to both teaching and professional training.</p>
				<p>Thus, although ERT contributed in a punctual and provisional manner to maintaining academic continuity during the most critical phase of the pandemic, it was regarded as a limited modality that tends to lose quality over time. This decline is linked to its exclusionary, massified, distant, and fluid character, whether due to difficulties inherent to its implementation, development, and monitoring, or to constraints related to feasibility, sustainability, and reach, particularly within public institutions. To date, little is known about the medium- and long-term impacts of this teaching modality on graduates, reinforcing the need for further investigation.</p>
				<p>The training of psychologists requires engaged in-person presence and shared coexistence among peers as necessary and complementary pathways to learning, given the specificities of the profession and the competencies required to understand human existence in its complexity. This includes, for example, living with difference and developing social skills, processes that cannot be fully achieved through screens and virtual interfaces alone. Moreover, the physical and intellectual strain imposed by the pandemic context elicited a wide range of affects and sensations in the work of psychologist faculty members, including perplexity, irritability, demotivation, grief, sadness, apathy, fear, anxiety, boredom, difficulty concentrating, and anguish. All of these were reported by the collaborators.</p>
				<p>From the collaborators’ perspective, RTP revealed education as increasingly aligned with a neoliberal logic of commodification, particularly following the merging of classes, the shortening and serial production of lectures, low levels of real-time interaction, and massified assessment and communication practices. In this configuration, education faces a significant risk: it ceases to function as a liberating pathway and becomes a repetitive process that generates exhaustion, often reduced to a monologic exercise on the part of the instructor. Feelings of loneliness and uselessness appeared to intensify, as illustrated by Login: “I perceive remote teaching as somewhat tedious, so I gradually became more demotivated to teach and started focusing on other aspects of my academic career” (Login).</p>
				<p>In the context of the global pandemic crisis and the progressive dismantling of Brazilian public universities, the psychologist faculty member (who, in principle, should awaken the dimension of the sensible and invite interlocutors into debate, in a kind of assembly reminiscent of the Greek agora) became someone who pleaded for interaction, engagement, and presence in the here and now. Bodies now conceal themselves behind screens, with muted microphones and turned-off cameras, often while multiple screens remain open simultaneously.</p>
				<p>The task of the psychologist educator is to invite thinking, rather than merely reproduce information, record lectures, or disseminate content. During the pandemic, however, this role appeared to be “restricted” to such tasks, given the low level of interaction. As a result, the educational act as a liberating practice of thought was diluted. During the most critical phase of the pandemic and social distancing, most individuals seemed immersed in affective tonalities of fear and anxiety, overwhelmed by an excess of information and by successive traumatic events. In this context, faculty members reported feeling isolated, alone, useless, without interlocutors, and confined to a chair while waiting for someone to speak or turn on a camera.</p>
				<disp-quote>
					<p>“As time went by, fewer and fewer people turned on their cameras. That was a terrible experience during online remote teaching (…) several students said they had classes with me, but I never saw them, because even if they were online, they didn’t turn on their cameras. Only a minority did” (Login).</p>
				</disp-quote>
				<p>Login’s experience of loneliness echoes the testimonies of the other faculty members. In this regard, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Heidegger (2012</xref>, p. 143) invites reflection:</p>
				<disp-quote>
					<p>Human beings are overcoming the greatest distances in the shortest span of time. They leave behind the most remote expanses and place everything before themselves at the closest distance. And yet, the abolition of distance does not bring about nearness. Nearness is not short distance. What, from the perspective of measurement, is closest to us, such as the image on a screen or the sound of the radio, can be far from us, at a great distance. And what, from the standpoint of measurement, lies far away at an immeasurable distance can be quite near to us. Small distance is not yet nearness, just as great distance is not yet remoteness.</p>
				</disp-quote>
				<p>Although mediated by technologies that seemingly promise proximity, faculty members testified to persistent feelings of loneliness and isolation, materialized in the recurrent absence of voices and faces. This situation recalls what <xref ref-type="bibr" rid="B17">Heidegger (1981</xref>) referred to as <italic>spacing</italic> (<italic>Einräumen</italic>), which concerns the capacity to feel close to or distant from someone or something beyond mere physical occupation of space. While this characteristic enables the construction and organization of technological artifacts, it does not guarantee genuine proximity between people or a sense of belonging. This raises questions about the rootedness of faculty members within processes of digital spatialization. Where, and in what way, does the professor dwell within digital platforms? Do these environments constitute spaces of belonging or genuine interpersonal closeness?</p>
				<p>Within RTP, little room appears to remain for reflection and for the practice of thinking itself. Consequently, the place of the professor, not merely as a function, but as a mode of being-in-the-world, was progressively constricted and emptied, particularly in the absence of debate, embodied presence, and engaged voices. In this near “non-place”, affects and bonds are transformed; bodies do not touch and scarcely move. Silence reverberates, faces are rarely seen, and fear and anxiety overflow. Yet the professor is still expected to “maintain” their image and voice through cameras and available audio. Thus, within an atmosphere marked by profound loneliness, helplessness, restlessness, and minimal exchange, crises and affective tonalities, especially fear and anxiety, come to the fore.</p>
				<disp-quote>
					<p>At the beginning, I was pure fear! (…) the university sent us a huge number of courses to take and learn. There were so many Google tools we didn’t know. I panicked! There were so many processes to deal with that I would say that, at first, I was pure fear! I was afraid of forgetting things, afraid of leaving the recording on, afraid of forgetting the password I had used my entire life. (…) I saw this in myself and in some colleagues (Password).</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>We were in that anguish of not knowing how to move things forward (…) and then a very intense anguish began, because we didn’t know how to work with remote classes, we only knew how to work in person! (Chat).</p>
				</disp-quote>
				<p>For <xref ref-type="bibr" rid="B18">Heidegger (1988</xref>), fear is a more superficial affective tonality, whereas anxiety is a deeper affect that summons <italic>Dasein</italic> (being-there) to confront its condition of existential indeterminacy. In line with Heideggerian thought, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra (2020</xref>, p. 4) notes that:</p>
				<disp-quote>
					<p>Fear, as well as anxiety, is a fundamental disposition. This means that our way of understanding and coexisting is shaped by how we feel. This relation, however, is bidirectional (…). Unlike fear, anxiety presents itself in a more overwhelming way. When we are struck by anxiety, the world does not threaten us - not because it lacks real and incalculable dangers, but because it no longer means anything to us. In anxiety, the world loses its meaning; it becomes strange. Strangeness is what characterizes the world of the anxious person</p>
				</disp-quote>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra (2020</xref>) emphasizes that the tonality of fear distances us from deeper contact with ourselves and with others, pushing us toward a fallen mode of life marked by occupations and distractions aimed at avoiding discomfort and uncertainty. In fearing something, human beings are seized by dread in the face of the unknown and find it difficult to disengage from the impersonal noise of the public world. As a result, they remain alienated within public consensus, distancing themselves from their singular experience and sinking into the homogeneity of the “we”. This situation changes only when nothing seems to make sense and the world loses its meaning. It is then that anxiety emerges, putting human beings to the test and suspending previously established prescriptions of the world (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Feijoo, 2013</xref>).</p>
				<p>Within RTP, fear led faculty members to dread the inevitable unknown: the abrupt transformation of their work imposed by the pandemic. Fear operates within the domain of impersonality and functions as a way of temporarily soothing the field of tension:</p>
				<p>I felt very dislodged, truly dislodged, because I didn’t know how to deal with that reality, and I’m not sure I still do (Chat).</p>
				<disp-quote>
					<p>I would say I experienced so many affects (laughs), but I would say anxiety, fear, boredom… all of them were extremely present during that time (Password).</p>
				</disp-quote>
				<p>For <xref ref-type="bibr" rid="B18">Heidegger (1988</xref>; 2003), fear consists in the anticipation of a supposed harm that is about to occur, through which human beings feel threatened, provoked, affected, and unsettled. The experience of fear activates the sense that some danger or threat exists in the world and must be avoided. Fear tends to conceal something greater and deeper, often producing feelings of dislodgement, not-knowing, and insecurity.</p>
				<p>As an affective possibility, fear may be understood as a kind of threat that we await without wishing it to arrive (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra, 2020</xref>, p. 5. The author further notes that fear refers to a place of non-action, since what is feared always lies on the horizon of what is yet to come. Thus, fear is more than a feeling; it is also a way in which we position ourselves in the world and coexist with others (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra, 2020</xref>, p. 5). From a psychological standpoint, fear is commonly understood as an emotion associated with survival and self-preservation instincts, through which individuals flee from or distance themselves from what they fear. From a Heideggerian perspective, fear is a fundamental affective disposition that has the power to postpone human action and consign it to forgetfulness, keeping individuals confined to everyday occupations.</p>
				<p>With regard to anxiety, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Heidegger (2012</xref>) states that it is motivated by the indeterminate. Anxiety is anxious about the world as such. In this sense, anxiety brings forth experiences of strangeness and restlessness, akin to a feeling of “not being at home”. Within RTP, the low level of student interaction and attention, particularly in synchronous classes, was described as distressing and uncomfortable. While this may partly reflect concerns related to privacy or poor internet connectivity, it may also express a low level of interest or commitment to the formative process mediated by DICTs.</p>
				<disp-quote>
					<p>Online is neither pleasant nor a space that really allows people to appear and deal with difference. It’s very easy to disconnect (…) it’s very easy to disconnect and do something else in uncomfortable situations. I think it’s important that it actually be uncomfortable to hear different opinions; that’s fundamental for training psychologists (Login).</p>
				</disp-quote>
				<p>According to Login, RTP makes it difficult to engage with the negativity inherent in lived experience, giving rise to anxiety, distancing, the rupture of bonds, loss of bodily movement, and diminished sharing of experiences.</p>
				<disp-quote>
					<p>I had reports from students who were closer to me saying they no longer attended live classes because they preferred watching the recorded lectures at 1.5 speed. Others would just listen. I had one student who said the classes were like podcasts for her. I found that regrettable, truly regrettable. She said it live. She told me: “I’d put on my headphones, clean the house, do chores, tidy my room, and just listen.” And I thought: how can you train a psychologist like that, someone who just absorbs speech? You might catch some intonation, but there’s no real attention to the person speaking (Login).</p>
				</disp-quote>
				<p>This narrative reveals how the historical moment discloses the ways in which encounters have been lived and experienced. In this case, students engaged with course content through accelerated audio playback, maintaining a distance from the instructor. Such experiences affected faculty members profoundly, calling them into reflection and directly interfering with their work processes.</p>
				<p>Teaching remotely requires organization, systematization, anticipation, and decision-making (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Garcia et al., 2020</xref>). These principles stand in contrast to the affective experiences reported by the collaborators. The unforeseen nature of the situation, combined with low interaction, the pandemic context, and the reconfiguration of work practices, fostered a demotivating atmosphere that interfered not only with the meaning of tasks, but also with modes of interaction. As <xref ref-type="bibr" rid="B10">Coimbra (2020</xref>) argues, the way we coexist is shaped by how we feel and how we understand the world around us, and vice versa. That is, the world generates affective atmospheres within us, and we, in turn, permeate the world with our own affective attunements.</p>
				<p>RTP affected all actors involved in the educational process. While it enabled the continuity of studies for a large proportion of students with access to the internet and DICTs, it simultaneously hindered the inclusion of those who already experienced difficulties in maintaining concentration and focus, particularly in shared domestic environments marked by limited privacy and/or restricted access to digital resources. These conditions compromised the quality of learning, especially when the following could not be ensured: i) an adequate external learning environment (privacy, silence, ergonomics, comfort); ii) a more effective and sustained presence of the instructor; iii) direct access to former institutional settings (classrooms, laboratories, libraries); and iv) the physical movement and displacement inherent to peer interaction within a shared physical space. One narrative illustrates this loss of reflection and understanding of the phenomena addressed in RTP:</p>
				<disp-quote>
					<p>It was possible to provide online supervision. At first, it’s not the same thing. Compared with in-person supervision, there are moments when someone is reporting what they did and you can see reactions happening without words, the person moves their body and speaks without speaking. There’s also that overlapping of voices; conversations and dialogues happen as they naturally do. You don’t need to wait for someone to finish speaking to respond… and online that didn’t happen. There was this organization, one finishes, then the other speaks, raised hands, sequence, and so on, and a bit of the living reflection was lost, along with some understanding of the patient and the process (Login).</p>
				</disp-quote>
				<p>RTP required all participants to adopt a different routine in terms of schedules and study organization, given that many classes were recorded and could be watched outside predefined times. This resulted in a rupture with prior rigor and discipline, reduced physical displacement, social distancing, and a sense of affective detachment, as interactions were mediated by DICTs. Technology did not always foster spontaneous expression and could generate a superficial climate, at times marked by forced interaction limited to impersonal chats and the completion of evaluative tasks.</p>
				<p>In Psychology programs, it is essential that students experience both formal and informal teaching-learning situations, with varying degrees of third-party involvement, so they may recognize processes inherent to human existence across diverse contexts. It is also crucial that they learn to be, to know, to do, and to live together, pillars of contemporary education long emphasized by <xref ref-type="bibr" rid="B26">Morin (2002</xref>) and central to working with people from multiple perspectives. More broadly, psychologists in training must have opportunities to coexist with peers and with difference, learning with and from one another. Such experiences are expected to foster skills including learning to deal with difference, tolerating negativity, and bearing the weight of existence when listening, live and without the mediation of screens or technological subterfuges, to narratives of suffering.</p>
				<p>Within RTP, psychologists were limited in terms of direct contact with colleagues, staff, and individuals involved in psychological interventions during practical activities. Teamwork was thus restricted to remote videoconferences, without face-to-face encounters, physical contact, or the conflicts intrinsic to such processes.</p>
				<disp-quote>
					<p>How many times would I start a class and then the platform would have problems? Or my internet would go down. In in-person classes, you don’t depend on so many things! It’s chalk and talk, or variations of that. You don’t need so much. One day during supervision, the power went out. You end up introducing many uncontrollable variables and conditions that demand far more than an in-person encounter would (Login).</p>
				</disp-quote>
				<p>Moreover, when restricted to remote teaching, students are deprived of moments of interaction within the university that also contribute to their formative process. Login’s narrative captures some of these nuances:</p>
				<disp-quote>
					<p>To train psychologists and to be a psychologist, you need contact with people; you need to feel all the discomforts and uneasiness involved. I really value visiting facilities because it’s uncomfortable, especially with users of the mental health care network who don’t follow the same social protocols we do. It’s uncomfortable, but it’s very meaningful because it generates many reflections. These are people who aren’t ‘neatly organized’ like us. And what is Psychology’s role in this? That experience didn’t happen in remote teaching. We read about it and discussed it (Login). </p>
				</disp-quote>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bandeira et al. (2006</xref>), based on research conducted with psychologists in the state of Minas Gerais, the four most important skills for professional practice are listening, observing, refusing abusive requests, and helping others identify their feelings. Most participants in that study worked in clinical settings and emphasized the importance of social skills inherent to interpersonal communication as central to professional practice. <xref ref-type="bibr" rid="B13">Del Prette and Del Prette (2001</xref>), cited by <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bandeira et al. (2006)</xref>, argue that the profession requires both technical and social skills, although many Psychology programs still devote limited attention to the development of the latter. Thus, both skill sets are essential to a generalist education, as emphasized by the collaborators in the present study.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B8">Coelho et al. (2021</xref>), in an intervention study with elementary school teachers during ERT, identified an intensification of teaching duties and increased demands from schools, parents or caregivers, and students. Difficulties related to ERT, work overload, and the emergence of anxiety and stress symptoms were consistent findings. In this context, Login’s provocative account invites critical reflection on the training of psychologists mediated by DICTs, both during and beyond the pandemic crisis:</p>
				<disp-quote>
					<p>My students told me my class ‘blew up’ on Twitter. It took me a while to understand what they meant… while I’m teaching and they’re attending class, they’re commenting on the class on Twitter, and it becomes available to people who shouldn’t even know about those comments, namely, me. It’s crazy, right? So you’re teaching and everyone is on their phone, and you mention a book. Someone downloads a pirated version from Google and posts it in the class group. Everyone has access and hardly anyone will read it. Few take advantage of the accessible material. The phone is already present in the classroom; they’re listening to the class while also listening to themselves and chatting… I think it’s a complicated multitasking situation because you can’t be fully attentive to both at the same time. This inattention has already arrived and spread so widely that it’s hard to fight it. Telling students to turn off their phones no longer works; that battle has been lost. I remember seeing a student in my class listening while playing a game on their phone. That automatically creates a feeling of disrespect, like I’m here spending my time and… I don’t even want to say they might not be listening. Maybe a small portion of people can listen better while distracted like that. But I don’t think that group corresponds to the number of people doing other things while attending class. It’s very concerning. I keep imagining this group later on, considering clinical practice as the main “employer” of psychologists, how will they stay focused on a patient for 50 to 55 minutes? (Login).</p>
				</disp-quote>
				<p>Based on the DCNs, the skills and activities required of psychologists are too complex to be effectively learned through remote modalities alone, as Psychology is not merely a technical course but a formative one. The curricular guidelines therefore emphasize the development of foundational skills for professional practice, research, and teaching. It is also important to recall that professors are not solely responsible for the preparation of future psychologists; students are expected to invest in continuous formative processes to refine skills and consolidate knowledge.</p>
				<p>Prolonged exposure to screens further distanced individuals from one another, compounded by multitasking and the widespread use of muted microphones and turned-off cameras during classes. At many moments, collaborators described a sensation akin to “speaking alone” or “speaking to no one”:</p>
				<disp-quote>
					<p>There was insecurity about whether what I was doing resonated with those who were there. I didn’t know if there were actually people on the other side, because many students never turned on their cameras, didn’t speak, and didn’t even comment in the chat. I didn’t know who I was talking to, whether it was the student, the whole household, the family. What am I doing here (on the screen)? Who am I teaching, after all? Later I heard students say things like: “My mother met you; she liked that class.” And I thought: your mother? How? Your mother knows me and I don’t know her? That’s when I decided I wouldn’t record my classes anymore (Chat).</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>There were classes with 80 students, and there were never 80 live during synchronous sessions. Usually, three, four, or five cameras were on. I would ask, joke, talk about the importance of showing up… then two or three more cameras would turn on. It felt like I was teaching only three, four, or five people. They weren’t fully present (Login).</p>
				</disp-quote>
				<p>For some, the absence of fixed schedules and predefined routines represented progress; for others, it produced a chaotic sense of disorganization, of being lost, alone, and unsupported. This context led to intense emotional mobilization, demotivation, difficulty maintaining attention on screens, multitasking, fatigue, tension, loneliness, and an explicit recognition of both vulnerabilities and possibilities.</p>
				<disp-quote>
					<p>It was difficult to manage emotional issues… this square (the screen) makes us feel alone, it made us feel very alone. I think that’s what I want to say. Accessing vulnerabilities allowed us to recognize the vulnerabilities of others and of ourselves. Recognizing vulnerabilities made us grow! (Password).</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>I don’t know if this is the right word, but it’s the one that comes to me: tension. It’s constant tension. I find myself constantly tense when teaching remotely. Sometimes that tension leads me to creation; sometimes it paralyzes me, makes me anxious, makes me suffer. What I see is that we must be careful not to become embedded in loneliness (Chat).</p>
				</disp-quote>
				<p>These accounts raise critical questions: What is the impact of RTP on the lives of those involved and on the development of skills essential to psychological practice? Is it feasible to continue a form of teaching that restricts the scope of gaze, listening, physical contact, and engaged presence? How can a comprehensive understanding of the human condition be constructed without access to faces, voices, and gestures? What role does this play in the capacity to truly listen? To what extent can social skills be developed and refined when in-person coexistence with peers is absent? How does the lack of physical movement and restricted mobility interfere with the teaching-learning process in Psychology? Do we truly learn when our movements are constrained and our senses are directed toward one, or multiple, screens simultaneously?</p>
				<p>Feelings of “absent presence” and “speaking to no one” were recurrent. Temporary teaching mediated by screens produced a range of repercussions not only for faculty, but also for all actors involved, many of which still require deeper investigation. Low student participation was a persistent concern among instructors, who hoped for greater openness and affective availability. They aspired to collectively interrupt the flow of everyday occupations in order to engage in deeper reflection about what was unfolding beyond course content, the pandemic, and the classroom itself. Yet not even a global pandemic was sufficient to halt the relentless flow of endless occupations (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Casanova, 2021</xref>).</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Final Considerations</title>
				<p>ERT inaugurated a new mode of learning mediated by digital technologies, eliciting among Psychology faculty an affective atmosphere marked by strangeness, dispersion, fatigue, and distancing. It also brought forth fear and anxiety, which at times fostered the liberating action of thought, while simultaneously hindering bond formation, the sharing of experiences, and teaching itself. The lack of real-time feedback and the concealment of students behind closed cameras and muted microphones intensified the precarization of academic work. This context generated stress, illness, demotivation, fatigue, and direct impacts on relationships and health.</p>
				<p>Fear and anxiety emerged as affective tonalities that invited thinking, drawing those involved away from existential superficiality. Both are relevant to the psychologist’s teaching practice, which, in principle, should circulate within the dimension of the sensible, seeking to awaken astonishment in interlocutors and inviting them to question everyday clichés. Through the educational act, the teacher contributes to the emancipation of thought and action, calling all to step away from the commonplace of daily occupations. However, even during the most critical period of the pandemic, many no longer experienced astonishment, given the pervasive exposure to horror and banality. As a result, the teaching task was stripped of its deeper meaning. Faculty reported feeling reduced to disposable, useless objects, a process further exacerbated by the pandemic crisis and remote teaching. People appeared increasingly inclined to remain immersed in superficial distractions and screens, even as a means of bearing the weight of a harsh reality. Thinking seemed to matter less. Everything was reduced to ready-made phrases, quickly recorded lectures, and mass repetition. Suddenly, knowledge itself became something to be “avoided”. This situation underscores the importance of further studies that investigate the experiences of Psychology graduates who underwent ERT, including the affective tonalities they experienced.</p>
				<p>The pandemic period intensified multiple crises faced by educators, accentuating the precarization of academic labor already orchestrated by a neoliberal agenda. In this study, for example, some future psychologists were observed to struggle to sustain attention at the real-time pace of classes, showing little disposition to listen attentively even to their own instructors. They appeared immersed in an atmosphere of dispersion, acceleration, multitasking, and endless occupations. Such conditions hinder the deepening of reflective processes, empathy, and active listening, compromising the development of skills essential to professional practice, particularly the capacity to listen, while also interfering with modes of teaching and learning, affecting the quality of training and weakening bonds.</p>
				<p>Psychology faculty are expected, above all, to interrogate and implicate students in their relationships with the world, with technologies, and with their possibilities for experiences of meaning. From this perspective, the teacher frustrates hegemonic logic by becoming a mediator of an intergenerational civilizational process. By relinquishing theorizing certainties, the educator also instigates crises in favor of the emancipation of life. Thus, particularly for psychologists oriented by a phenomenological perspective, there is an expectation of careful attention to reflecting on lived experience and to freeing thought from everyday banalization.</p>
				<p>Regarding the study’s limitations, it was not possible to include faculty and universities from Brazil’s North and South regions, nor to address their cultural and regional specificities. Therefore, further studies are recommended with representation from all Brazilian regions to deepen the discussion of ERT’s medium- and long-term implications for graduate training. As an additional contribution, this investigation functioned not only as a formative opportunity but also as a space for peer recognition and for sharing and appropriating experiences, highlighting the interventional clinical dimension of phenomenological research, especially as it occurred during the transition from remote to in-person modalities. Finally, this study accompanied and bore witness to disruptive experiences in the teaching of Psychology in Brazil, contributing to the unveiling of the backstage of faculty thinking and action within public higher education institutions.</p>
			</sec>
		</body>
	</sub-article>
</article>