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				<journal-title>Revista Subjetividades</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R Subj</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2359-0777</issn>
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				<publisher-name>Universidade de Fortaleza</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i1.e14147</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>RELATOS DE PESQUISA</subject>
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				<article-title>Violência no namoro entre adolescentes: Uma perspectiva bioecológica do desenvolvimento humano</article-title>
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					<trans-title>Violencia en el noviazgo entre adolescentes: Una perspectiva bioecológica del desarrollo humano</trans-title>
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					<trans-title>La violence dans les rencontres de adolescents : Une perspective bioécologique du développement humain</trans-title>
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						<given-names>Priscilla Machado</given-names>
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				<institution content-type="original">Doutora e Mestre em Psicologia Clínica pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Formação em Terapia Sistêmica de Indivíduo, Casal e Família pelo Hospital das Clínicas/UFPE. Psicológa pela PUC Minas.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Católica de Pernambuco</institution>
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				<institution content-type="original">Doutora e Mestra em Saúde Materno Infantil pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP), em Recife, PE, Brasil, com realização de Programa de Doutorado Sanduíche na Clínica Tavistock, em Londres, Inglaterra, Reino Unido; pós-doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), em Recife, PE, Brasil; docente permanente da UNICAP (graduação e pós-graduação em Psicologia Clínica), em Recife, PE, Brasil.</institution>
				<institution content-type="orgname">Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira</institution>
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				<institution content-type="original">Doutora em Psicopatologia Clínica pela Universidade Paris Diderot-Paris 7, em Paris, França; com pós-doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), em Recife, PE, Brasil. Mestra em Musicologia pela Universidade Paris IV-Sorbonne, em Paris, França. Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da UNICAP, e Coordenadora da Linha de Pesquisa em Ciberpsicologia e Humanidades Digitais do mesmo PPG, Recife, PE, Brasil.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Paris Diderot-Paris 7</institution>
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				<institution content-type="original">Doutora e Mestre em Psicologia Clínica pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Recife, PE, Brasil. Especialista em Saúde Mental pela Faculdade de Ensino Pio Décimo, Aracajú, SE, Brasil. Psicóloga Clínica pela Universidade Tiradentes (UNIT), Aracajú, SE, Brasil. Terapeuta de Família pela Associação de Terapia Familiar de Goiás (ATFAGO). Coordenadora e docente do Curso de Especialização em Psicologia Clínica e da Saúde do Centro Universitário UniEVANGÉLICA, Anápolis, Goiás, Brasil.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Católica de Pernambuco</institution>
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			<author-notes>
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					<label>Endereço para correspondência</label> Thaís Afonso Andrade E-mail: <email>t.afonsoandrade@yahoo.com</email> Marisa Amorim Sampaio E-mail: <email>marisa.sampaio@unicap.br</email> Véronique Donard E-mail: <email>veronique.donard@unicap.br</email> Priscilla Machado Moraes E-mail: <email>priscillamoraes.contato@gmail.com</email>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>27</day>
				<month>01</month>
				<year>2026</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2025</year>
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			<volume>25</volume>
			<issue>01</issue>
			<elocation-id>e14147</elocation-id>
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				<date date-type="received">
					<day>19</day>
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					<year>2022</year>
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				<date date-type="accepted">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>A violência no namoro entre adolescentes é um fenômeno com alta prevalência e repercussões à saúde física e mental ao longo do desenvolvimento. Este estudo objetivou compreender as experiências de violência no namoro entre adolescentes, a partir da perspectiva <italic>bioecológica do desenvolvimento humano</italic>. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, por meio da <italic>inserção ecológica</italic>, realizada numa organização não governamental (ONG) na cidade do Recife/PE. Oito adolescentes entre 16 e 19 anos participaram de entrevistas semiestruturadas, concretizadas individualmente em dois encontros. As impressões e conversas informais com trabalhadores da ONG foram registradas no diário de campo. Os dados foram analisados segundo a técnica de análise de conteúdo temática, sob a teoria bioecológica do desenvolvimento humano. Os resultados indicam que: os adolescentes foram vítimas diretas e/ou indiretas de violência em microssistemas de desenvolvimento (familiar, escolar e bairro); a violência, em suas expressões psicológica, digital e física, foi frequente; apesar da espontaneidade ao verbalizar sobre as tipologias que mais ocorrem no namoro, os adolescentes nem sempre nomearam esse fenômeno como “violência”, o que parece reforçar a ideia de naturalização e legitimação desta, sugerindo uma dificuldade na construção de contornos mais saudáveis nas relações; a pandemia esteve ligada ao aumento do uso da internet via celular para atividades escolares; o ciúme, a imaturidade e a impulsividade foram marcadores que justificaram e, ao mesmo tempo, foram usados na tentativa de resolução de conflitos no namoro. Recomenda-se o desenvolvimento de políticas públicas via <bold>ações preventivas</bold> e interventivas que considerem as várias expressões de violência no namoro.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title><italic>Resumen</italic></title>
				<p><italic>La violencia en las relaciones de noviazgo entre adolescentes es un fenómeno con alta prevalencia y repercusiones para la salud física y mental a lo largo del desarrollo. Este estudio tuvo como objetivo comprender las experiencias de violencia en el noviazgo entre adolescentes, desde la perspectiva de la Teoría Bioecológica del Desarrollo Humano. Se trata de una investigación cualitativa, mediante Inserción Ecológica, realizada en una organización no gubernamental (ONG) en la ciudad de Recife, Brasil. Ocho adolescentes entre 16 y 19 años participaron en entrevistas semiestructuradas, realizadas individualmente en dos encuentros. Las impresiones y conversaciones informales con trabajadores de la ONG fueron registradas en un diario de campo. Los datos fueron analizados según la técnica de análisis de contenido temático, bajo la Teoría Bioecológica del Desarrollo Humano. Los resultados indican que: los adolescentes fueron víctimas directas y/o indirectas de violencia en microsistemas de desarrollo (familiar, escolar y vecinal); la violencia, en sus expresiones psicológica, digital y física, fue frecuente; a pesar de la espontaneidad al verbalizar las tipologías más comunes en el noviazgo, los adolescentes no siempre identificaron este fenómeno como “violencia”, lo que parece reforzar la idea de naturalización y legitimación del mismo, sugiriendo dificultades para construir relaciones más saludables; la pandemia estuvo relacionada con el aumento del uso de internet a través del teléfono móvil para actividades escolares; los celos, la inmadurez y la impulsividad fueron marcadores que sirvieron tanto para justificar como para intentar resolver conflictos en el noviazgo. Se recomienda el desarrollo de políticas públicas mediante acciones preventivas e interventivas que consideren las diversas expresiones de violencia en el noviazgo.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title><italic>Résumé</italic></title>
				<p><italic>La violence dans les relations amoureuses chez les adolescents est un phénomène à forte prévalence, avec des répercussions sur la santé physique et mentale tout au long du développement. Cette étude visait à comprendre les expériences de violence dans les relations de couple chez les adolescents, à partir de la Théorie Bioécologique du Développement Humain. Il s’agit d’une recherche qualitative, menée à travers l’Insertion Écologique, réalisée au sein d’une organisation non gouvernementale (ONG) dans la ville de Recife, Brésil. Huit adolescents âgés de 16 à 19 ans ont participé à des entretiens semi-structurés, réalisés individuellement lors de deux rencontres. Les impressions et les conversations informelles avec les travailleurs de l’ONG ont été consignées dans un journal de terrain. Les données ont été analysées selon la technique de l’analyse thématique de contenu, dans le cadre de la Théorie Bioécologique du Développement Humain. Les résultats indiquent que : les adolescents ont été victimes directes et/ou indirectes de violence dans des microsystèmes de développement (famille, école et quartier) ; la violence, dans ses formes psychologique, numérique et physique, était fréquente ; malgré la spontanéité dans la verbalisation des typologies les plus courantes dans les relations, les adolescents ne nommaient pas toujours ce phénomène comme de la « violence », ce qui semble renforcer l’idée de naturalisation et de légitimation de celle-ci, suggérant une difficulté à construire des relations plus saines ; la pandémie a été liée à l’augmentation de l’utilisation d’internet sur les téléphones portables pour les activités scolaires ; la jalousie, l’immaturité et l’impulsivité étaient des marqueurs utilisés pour justifier et, en même temps, tenter de résoudre les conflits amoureux. Il est recommandé de développer des politiques publiques par le biais d’actions préventives et interventionnelles tenant compte des diverses expressions de la violence dans les relations amoureuses.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>adolescência</kwd>
				<kwd>violência</kwd>
				<kwd>namoro</kwd>
				<kwd>teoria bioecológica do desenvolvimento humano</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>adolescencia</kwd>
				<kwd>violencia</kwd>
				<kwd>noviazgo</kwd>
				<kwd>teoría bioecológica del desarrollo humano</kwd>
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			<kwd-group xml:lang="fr">
				<title>Mots-clés:</title>
				<kwd>adolescence</kwd>
				<kwd>violence</kwd>
				<kwd>relations amoureuses</kwd>
				<kwd>théorie bioécologique du développement humain</kwd>
			</kwd-group>
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		<p>O namoro é uma relação amorosa acordada entre o casal, vista em muitas culturas como uma etapa de experimentação para o amor (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Sánchez et al., 2011</xref>). A intensidade das expressões físico-afetivas, como beijos, abraços e toques nas mãos e no corpo, oportuniza que as(os) adolescentes vivam novas situações nessa fase vital do ciclo, a qual ocupa um lugar privilegiado. Entretanto, alguns casais experimentam episódios de violência nas relações amorosas iniciais (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Center for Disease Control and Prevention [CDC], 2021</xref>). Entre essas experiências, pode-se incluir o namoro vivenciado nas redes sociais, que representa tanto oportunidades para os jogos de sedução quanto riscos aos comportamentos de controle e vigilância (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2020</xref>).</p>
		<p>A violência no namoro pode ser compreendida como um padrão de comportamento abusivo utilizado para exercer poder e controle sobre a parceria - termo neutro usado neste estudo em substituição às palavras parceira ou parceiro no âmbito da relação amorosa (<xref ref-type="bibr" rid="B17"><italic>Love is Respect</italic>, 2019</xref>). Os comportamentos violentos exercidos de diferentes maneiras possibilitam o ganho, a manutenção do poder e o controle de uma pessoa sobre outra. Qualquer adolescente pode se envolver em uma relação séria ou casual violenta, independente da sua identidade de gênero, orientação sexual, posição socioeconômica, raça, religião ou cultura (<xref ref-type="bibr" rid="B17"><italic>Love is Respect</italic>, 2019</xref>).</p>
		<p>Na literatura internacional, principalmente nos Estados Unidos, são frequentes e consolidados os estudos sobre o fenômeno (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bonell et al., 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">DeGue et al., 2020</xref>). Dados da pesquisa <italic>Youth Risk Behavior Survey and the National Intimate Partner and Sexual Violence Survey</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Basile et al., 2020</xref>), desenvolvida anualmente com adolescentes norte-americanos<italic>,</italic> indicam que um em cada 11 adolescentes do gênero feminino e cerca de um em cada 14 estudantes do gênero masculino, do ensino médio, relatam ter experimentado violência física no namoro no ano anterior <bold>à</bold> realização do estudo (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Basile et al., 2020</xref>). A violência nas relações amorosas - namoro e “ficar” -, entre adolescentes, vem recebendo uma atenção crescente no cenário acadêmico brasileiro. Essa visibilidade teve início com a pesquisa desenvolvida entre os anos 2007 e 2009 com 3.600 adolescentes entre 15 e 19 anos, em dez capitais brasileiras, revelando dados alarmantes sobre o fenômeno: a maioria das moças e dos rapazes (76,6%), simultaneamente, perpetra e sofre vários tipos de violência no relacionamento: física (64%), psicológica (96,9%) e sexual (83%) (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Oliveira et al., 2011</xref>).</p>
		<p>A perspectiva teórica adotada neste artigo é a Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano (TBDH). O aporte teórico se mostra oportuno para a compreensão ampliada da violência no namoro, pois promove o entendimento contextualizado e multifatorial. A TBDH defende que o desenvolvimento humano é compreendido a partir da interdependência e interações recíprocas ao longo de gerações entre a pessoa e seu ambiente. <xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner (2011</xref>) propõe que os processos psicológicos humanos não são apenas propriedades da pessoa, mas um conjunto de sistemas interdependentes no qual o sujeito está inserido. A TBDH passou por diversas modificações ao longo de 40 anos até alcançar a sua forma mais madura com os quatro componentes do modelo: processo - pessoa - contexto - tempo (PPCT).</p>
		<p>Os processos proximais são as interações que acontecem entre a pessoa e o contexto, do mais imediato ao mais distante, de forma recíproca, duradoura e bidirecional. Conforme suas características, podem gerar resultados designados como efeitos de competência, representados pela aquisição de conhecimentos e habilidades sociais; ou como efeitos de disfunção, identificados por dificuldades na manutenção e integração do comportamento (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bronfenbrenner &amp; Morris, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Paludo et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa &amp; Tudge, 2017</xref>).</p>
		<p>A pessoa se relaciona às características biológicas, psicológicas e sociais (biopsicossociais) individuais que influenciam o engajamento nos processos proximais. Há três atributos da pessoa que interferem no curso do desenvolvimento. O primeiro diz respeito às disposições/forças que podem ser consideradas geradoras: aquelas que influenciam o desenvolvimento dos processos proximais; ou desorganizadoras, que dificultam a manutenção dos processos proximais. O segundo atributo, os recursos, inclui características biopsicológicas da pessoa que influencia a sua capacidade de se envolver de modo efetivo nos processos proximais (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Paludo et al., 2021</xref>). Os recursos podem ser ativos - aumentam as possibilidades construtivas ao longo do curso da vida - ou passivos - condições que limitam a integridade funcional do organismo (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bronfenbrenner &amp; Morris, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa &amp; Tudge, 2017</xref>). A demanda é o terceiro atributo da pessoa e apresenta potencial para convidar ou desencorajar reações de pessoas no contexto social e pode fomentar ou interromper os processos proximais (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Lordello &amp; Costa, 2015</xref>).</p>
		<p>O contexto, terceiro componente do modelo bioecológico, refere-se às interconexões entre e dentro dos quatro sistemas do ambiente ecológico: microssistema (ambiente mais imediato em que a pessoa em desenvolvimento está inserida num complexo de inter-relações); mesossistema (relação entre microssistemas); exossistema (ambiente em que a pessoa não está presente, porém, há fatos que influenciam o seu desenvolvimento); e macrossistema refere-se à subcultura ou cultura, organização social e sistemas de crença de uma determinada sociedade (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Nunes &amp; Morais, 2018</xref>).</p>
		<p>Tempo ou cronossistema, quarto e último componente do modelo, trata da influência do momento histórico em que os outros sistemas estão situados, além de comportar as mudanças do próprio indivíduo em sua história de vida. É dividido em: a) microtempo - continuidade e descontinuidade de episódios frequentes dos processos proximais; b) mesotempo - periodicidade desses episódios por amplos intervalos como dias e semanas; c) macrotempo - mudanças em eventos na sociedade dentro e por meio das gerações, além da história de vida (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbenner, 2011</xref>).</p>
		<p>O fenômeno da violência no namoro é apontado como uma questão de saúde pública que requer investigação no sentido de aprofundar o conhecimento na prevenção e na intervenção desse problema social, que incide nas relações amorosas de milhares de adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Basile et al., 2020</xref>). Estudos na área da saúde pública ancorados nessa abordagem são indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no sentido de compreender a natureza complexa e multifatorial da violência (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Dahlberg &amp; Krug, 2006</xref>). São recomendadas, ainda, estratégias de prevenção e intervenção relacionadas à violência no namoro, baseadas no modelo ecológico, por colocar em evidência a inter-relação de aspectos pessoais, relacionais, contextuais e o tempo histórico, que podem estar associados com a ocorrência do fenômeno, fortalecendo a ideia de causalidades múltiplas (<xref ref-type="bibr" rid="B11">DeGue et al., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Borges et al., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rey-Anacona &amp; Martínez-Gómez, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Sanhueza et al., 2022</xref>). Desse modo, este artigo objetiva compreender as experiências de violência no namoro, entre adolescentes, a partir da perspectiva bioecológica do desenvolvimento humano.</p>
		<sec>
			<title>Método</title>
			<p>Foi desenvolvida uma pesquisa de natureza qualitativa como parte de uma tese de doutorado, por meio da Inserção Ecológica (IE) (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Koller et al., 2020</xref>), que envolve a sistematização dos quatro aspectos da TBDH: processo, pessoa, contexto e tempo (PPCT). Essa etnometodologia (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza et al., 2022</xref>) visa a inserção do pesquisador no ambiente de realização da pesquisa, que ocorreu em um microssistema de desenvolvimento: uma organização não governamental (ONG). A IE foi desenvolvida com foco em cinco aspectos imprescindíveis (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Koller et al., 2020</xref>): i) engajamento de participantes e pesquisadora em uma atividade; ii) presença sistemática da pesquisadora por período de tempo estendido; iii) realização de atividades sucessivamente mais complexas; iv) reciprocidade nas relações; v) foco em tema que estimule o interesse dos participantes e pesquisadores como a atenção, exploração e imaginação.</p>
			<p>A ONG onde a IE aconteceu é uma organização da sociedade civil de direito privado, do segmento da assistência social, criada no ano de 2006. Localiza-se na cidade do Recife/PE e atende crianças e adolescentes de 0 a 18 anos. As(os) adolescentes frequentam a instituição no turno oposto ao horário escolar, além de receberem duas refeições diárias para a garantia da segurança alimentar. Dentre as atividades oferecidas, destaca-se a formação socioprofissional por meio de cursos livres e técnicos voltados à iniciação profissional de adolescentes a partir dos 16 anos e jovens em sua primeira experiência de emprego. A ONG, que não trabalhava o tema da violência no namoro em suas atividades, foi escolhida por conveniência (facilidade de acesso).</p>
			<p>Com a pandemia da COVID-19, as atividades com as(os) adolescentes estavam suspensas na ONG; apenas atividades administrativas, distribuição de alimentos e produtos de higiene foram mantidas. A ONG permitiu que a IE fosse desenvolvida durante o mês de outubro de 2020, com visitas diárias da pesquisadora, mediante rígidos protocolos sanitários.</p>
			<p>Os contatos com as(os) adolescentes ocorreram de modo individual, no jardim da ONG, garantindo o distanciamento físico e o sigilo. Destarte, três adolescentes foram entrevistados por dia, em sessões de aproximadamente 1h e 30 minutos, em uma ou duas rodadas, de acordo com o modo como cada um(a) respondeu às atividades da pesquisa.</p>
			<sec>
				<title>Participantes</title>
				<p>Participaram da pesquisa oito adolescentes entre 16 e 19 anos - quatro mulheres e quatro homens, segundo os critérios: idade entre 15 e 19 anos; mulheres e homens; estar namorando/ter namorado anteriormente. Foram excluídos os que residiam ou tinham residido com a(o) namorado(a). O término da captação por novos sujeitos atendeu ao critério de saturação - reincidência e complementaridade das entrevistas - (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Minayo, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">Turato, 2008</xref>). A <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref> apresenta os dados sociodemográficos e uma breve contextualização dos participantes da pesquisa.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1">
						<label>Tabela 1</label>
						<caption>
							<title><italic>Caracterização sociodemográfica e relações amorosas</italic></title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">Nome/ Idade</th>
									<th align="center">Escolaridade</th>
									<th align="center">Configuração familiar</th>
									<th align="center">Quem trabalha</th>
									<th align="center">Relação amorosa atual</th>
									<th align="center">Relação amorosa anterior</th>
								</tr>
                            </thead>
                            <tbody>
								<tr>
									<td align="justify">Adélia Prado 18 anos</td>
									<td align="center">3º E.M.</td>
									<td align="left">Mãe e irmã </td>
									<td align="left">Adélia (menor aprendiz) e mãe (cuidadora de idoso)</td>
									<td align="left">Luís, 28 anos/ três meses</td>
									<td align="left">Moisés, 19 anos/ Dois anos e cinco meses</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="justify">Carolina de Jesus 17 anos</td>
									<td align="center">1º E.M. EREM*</td>
									<td align="left">Mãe e irmã</td>
									<td align="left">Mãe (empregada doméstica)</td>
									<td align="left">“Ficando”</td>
									<td align="left">Antônio, 21 anos/17 dias Jonas, 19 anos/ dois anos</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="justify">Conceição Evaristo 18 anos</td>
									<td align="center">2º E.M.</td>
									<td align="left">Mãe, tio e dois irmãos</td>
									<td align="left">Conceição (menor aprendiz), irmão (trabalho informal)</td>
									<td align="left">-</td>
									<td align="left">Lucas, 18 anos/ dois anos João, 16 anos/ três meses</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="justify">Fernando Sabino 17 anos</td>
									<td align="center">2º E.M. EREM*</td>
									<td align="left">Pai adotivo, avô adotivo e dois primos</td>
									<td align="left">Pai (educador social) e avô (aposentado)</td>
									<td align="left">“Ficando”</td>
									<td align="left">Cecília, 16 anos/ Quatro meses</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="justify">Guimarães Rosa 19 anos</td>
									<td align="center">Ensino Médio Completo - EJA</td>
									<td align="left">Mãe, padrasto, três irmãos, duas irmãs e um sobrinho</td>
									<td align="left">Mãe (empregada doméstica) e irmão (área de refrigeração)</td>
									<td align="left">-</td>
									<td align="left">Grazi, 18 anos/ Dois anos</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="justify">João Cabral 18 anos</td>
									<td align="center">2º E.M. EREM*</td>
									<td align="left">Mãe, padrasto e uma irmã</td>
									<td align="left">Mãe (autônoma)</td>
									<td align="left">Francis, 15 anos/ 04 meses </td>
									<td align="left">Valentina, 17 anos/ Um ano e sete meses</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="justify">Lenine 16 anos</td>
									<td align="center">2º E.M. EREM<xref ref-type="fn" rid="TFN1">*</xref>
									</td>
									<td align="left">Mãe, pai, irmã, duas sobrinhas e um sobrinho </td>
									<td align="left">Mãe (cobradora de ônibus); irmã, e pai e (trabalhos informais)</td>
									<td align="left">Ficando”</td>
									<td align="left">Yolanda, 14 anos /Dois anos</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="justify">Lia de Itamaracá 18 anos</td>
									<td align="center">Ensino médio completo EREM<xref ref-type="fn" rid="TFN1">*</xref>
									</td>
									<td align="left">Avó e dois irmãos</td>
									<td align="left">Irmão recebe benefício BPC<xref ref-type="fn" rid="TFN1">**</xref>
									</td>
									<td align="left">Roberto, 21 anos/ Mais de dois anos</td>
									<td align="left"> -</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
						<table-wrap-foot>
							<fn id="TFN1">
								<label>*</label>
								<p>Escola de Referência do Ensino Médio com turno integral. **Benefício de Prestação Continuada.</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>A maioria dos adolescentes estava namorando, “ficando” ou já “ficou” por mais de três meses; é criada pela figura materna, ou seja, família monoparental (5) - três delas pela mãe biológica, uma pela avó e uma pelo pai adotivo - além de estar inserido em família recasada (2) e família nuclear (1). Essas famílias compartilham situações de desemprego, pobreza, condições de moradia precária, mortes precoces de pessoas próximas, além de figuras familiares significativas com dependência alcóolica e abuso de drogas, como cocaína. As(os) adolescentes pesquisadas(os) residem em um bairro com mais de 10 mil habitantes. O local é marcado por intensas atividades ligadas ao tráfico de drogas e, por isso, são frequentes os tiroteios entre polícia e traficantes.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Instrumentos</title>
				<p>
					<list list-type="bullet">
						<list-item>
							<p><italic>Questionário biossociodemográfico</italic>: elaborado pelas autoras com dados pessoais dos participantes, como idade, sexo, escolaridade, religião, configuração familiar, com quem reside, tempo de namoro, nome e idade parceria amorosa e trabalho.</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p><italic>Diário de campo</italic>: registro dos processos proximais entre os participantes e a pesquisadora, além dos relatos resultados de conversas informais com diversos funcionários da instituição, que visaram contextualizar e auxiliar na compreensão do campo da pesquisa. O diário de campo incluiu também leituras informais do campo (sentimentos, dúvidas, dificuldades, felicidades) e ações da pesquisa (descrições, relatos, decisões e análises breves).</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p><italic>Entrevista individual semiestruturada:</italic> a entrevista buscou aprofundar a temática da Violência no Namoro (VN) entre as(os) adolescentes, com os seguintes eixos: como namoram; concepção de violência e violência no namoro; possíveis experiências de violência no namoro atual ou passado; estratégias adotadas diante de episódios de violência; influências do contexto (bairro, trabalho, escola, ONG, familiares e amorosas).</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p><italic>Questionário “Conhecendo as Relações de Namoro”</italic>: respostas tipo sim ou não, totalizando 24 comportamentos que avaliam a ocorrência das seguintes tipologias de violência: física, digital, psicológica e sexual, com seis questões referentes a cada tipo de violência. A(o) participante foi convidado a expressar mais detalhadamente a resposta exemplificando situações que já tivessem ocorrido ou ainda ocorrem. Objetivou oferecer espaço para reflexão de forma simples, sobre diversos comportamentos abusivos que, na maioria das vezes, são naturalizados e tomados como parte integrante dos relacionamentos amorosos entre adolescentes. Foi elaborado com base em artigos que compuseram a revisão sistemática de <xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al. (2020</xref>) e na escala <italic>Conflict in Adolescent Dating Relationships Inventory</italic> (CADRI) (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Minayo et al., 2011</xref>).</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>• <italic>Busca Palavras</italic>: a(o) adolescente foi convidado a selecionar entre 24 palavras elencadas quais não poderiam faltar em um relacionamento saudável. Esse instrumento - elaborado baseado nos apontamentos sobre relações saudáveis das instituições <xref ref-type="bibr" rid="B17"><italic>Love is Respect</italic> (2019)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B24"><italic>One Love Foundation</italic> (2020)</xref><italic>-</italic> buscou conhecer o que as(os) adolescentes compreendem sobre relações saudáveis de namoro.</p>
						</list-item>
					</list>
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Procedimentos</title>
				<p>Totalizaram-se 16 visitas, distribuídas de segunda a quinta-feira, das 9h às 16h. Cada encontro individual com as(os) adolescentes durou, aproximadamente, 1h e 30min. Também foram realizadas observações e conversas informais - registradas no diário de campo, com educadoras(es) sociais, cozinheiras, auxiliar de serviços gerais, coordenadora pedagógica e gestor - as quais buscavam contextualizar e auxiliar na compreensão dos conteúdos abordados nas entrevistas, conhecer a relação entre as famílias das(os) adolescentes com a instituição, bem como outras informações sobre a comunidade.</p>
				<p>Por conta do cenário pandêmico, o contato inicial para a marcação da primeira rodada da entrevista foi realizado pela(o) educadora(or) social que, por sua vez, forneceu para as(os) interessadas(os) dados iniciais do estudo como: tema, os objetivos da pesquisa e a realização em duas etapas. O segundo encontro foi agendado diretamente pela pesquisadora. As(os) participantes escolheram o horário que melhor se adequava, levando em consideração as atividades escolares on-line, além de outros compromissos, como trabalhos informais.</p>
				<p>As adaptações impostas pela pandemia não foram regras que impediram a expressão de sentimentos que vieram à tona quando houve a verbalização de temas que suscitaram olhos marejados, risos soltos e espontâneos. Observou-se que a comunicação com os olhos pode também ser a forma mais genuína e respeitosa de conexão com a história do outro. A IE foi indispensável para que as interpretações realizadas diante das narrativas exploradas estivessem em consonância com a percepção das(os) adolescentes, cooperando com a validade ecológica do estudo (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza et al., 2022</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Procedimentos éticos</title>
				<p>Foram seguidas as orientações da Resolução 466/12 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, CAAE: 24624619.7.0000.5206. Como garantia de sigilo da identidade, as(os) participantes receberam nomes fictícios. O TCLE (para pais/ responsáveis e adolescentes com mais de 18 anos) e o TALE (adolescentes com menos de 18 anos) foram cuidadosamente escritos e pensados para assegurar aos participantes o direito de, a qualquer momento, desistir de ser voluntário na pesquisa, sem sofrer nenhum prejuízo.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Análise de dados</title>
				<p>A constituição do <italic>corpus</italic> considerou a familiaridade com o fenômeno e o aprofundamento da temática, a partir do material das entrevistas. As anotações do diário de campo (elementos das conversas informais) foram analisadas - individual e coletivamente - por meio de discussões entre os membros da pesquisa. Buscou-se a representatividade dos significados, a ampliação e o aprofundamento das interpretações, mediante o debate entre as pesquisadoras, com vistas à troca de impressões e informações.</p>
				<p>A partir das categorias analíticas, por meio da triangulação dos instrumentos de pesquisa e de pesquisadoras, foram identificadas as categorias empíricas, interpretadas conforme a Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>). Nesse processo, as entrevistas, também compostas pelo questionário “Conhecendo as Relações de Namoro” e o “Busca Palavras”, foram trianguladas com o questionário biosociodemográfico e o diário de campo, analisados sob diferentes olhares (pesquisadora de campo e três pesquisadoras orientadoras). A triangulação visou analisar os dados obtidos mediante essas diferentes fontes, com conclusões baseadas no todo, aprofundando e trazendo mais auditabilidade e credibilidade sobre os fenômenos centrais em análise na pesquisa, para validar ou ampliar as interpretações. Por fim, foi utilizada a análise temática de conteúdo, que privilegiou a inter-relação entre os núcleos processos -pessoa - contexto -tempo (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>), mediante a pré-análise, organização do material, análise e interpretação dos dados (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Minayo, 2014</xref>).</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e discussão</title>
			<p>As(os) adolescentes desta pesquisa tiveram suas relações amorosas iniciais nos microssistemas escola e bairro, redes sociais - <italic>Facebook</italic> e <italic>Instagram</italic> - e entre amigos. Como relataram que conheceram os(as) namorados(as) ou “ficantes” no próprio bairro ou na escola, tal proximidade geográfica favoreceu a continuidade da relação durante a pandemia da COVID-19 de forma presencial, frequentando a casa um do outro. Nesse cenário, verificou-se que não houve aumento da utilização dos aplicativos de trocas de mensagens, como <italic>WhatsApp</italic>, para manter o contato com a parceria por conta do isolamento social no ano de 2020.</p>
			<p>Todas(os) adolescentes haviam sido, direta ou indiretamente, expostos à violência nos microssistemas familiar, escolar ou no bairro, aspectos contextuais evidenciados na literatura como fator de risco relacionado à violência no namoro ( <xref ref-type="bibr" rid="B27"> Rey-Anacona &amp; Martínez-Gómez, 2021</xref>). Mesmo diante de contextos adversos, há, por parte delas e deles, um otimismo em relação ao futuro, nomeadamente, casar-se, ter filhos e trabalho, além da capacidade de enfrentamento das adversidades que a vida lhes impôs. Foi possível perceber a mobilização positiva das(os) participantes e trabalhadores no tocante à temática que, segundo eles, é nova, atual e necessária, sobretudo para instituições que trabalham com a população nessa faixa etária.</p>
			<p>As verbalizações destacam satisfação quanto a ser um(a) beneficiário(a) da ONG e esta ser um espaço que promove bem-estar, segurança e relações satisfatórias entre as(os) adolescentes, os(as) educadoras(es) sociais, a coordenadora e a gestão da instituição e suas famílias. Compreendeu-se que a relação mesossitêmica família-ONG pode ser considerada um fator de proteção para as(os) adolescentes.</p>
			<p>A seguir, são apresentadas e discutidas cinco categorias: o namoro para as(os) adolescentes; concepção de violência no namoro; episódios de violência no namoro; entendimentos sobre namoro saudável; aprendizagens e influências positivas das relações amorosas.</p>
			<sec>
				<title>O namoro para (as)os adolescentes</title>
				<p>A narrativa das(os) participantes sobre o que é namorar possibilitou compreender que essa é uma fase da relação amorosa com exclusividade da parceria, que antecede ao casamento e o início da própria família, aspectos que são perpassados por elementos macrossistêmicos. A literatura refere que o namoro subtende relações socioculturais construídas que se ligam às regras estabelecidas como fidelidade, monogamia e, principalmente, encontros constantes entre a parceria. Abordar o namoro implica conhecer os sentidos que as(os) adolescentes atribuem às suas relações amorosas no contexto social que pertencem (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Sánchez et al., 2011</xref>). Para alguns deles, primeiro é preciso “ficar” para conhecer a pessoa e depois assumir um relacionamento mais sério, sendo o namoro uma etapa com vistas ao matrimônio: “namoro pra mim é base, você namora, pra depois você casar e ter sua família (...) você vai ficando pra depois namorar” (João Cabral, 18 anos). “Pra mim, tem três fases que é: namoro, noivado e casamento. Então, pra você chegar no casamento você vai ter que passar pelas duas primeiras fases” (Conceição Evaristo, 18 anos).</p>
				<p>Para duas adolescentes, o tempo do relacionamento (cronossistema), a frequência regular de encontros e a exclusividade da parceria não foi algo que condicionou denominar de namoro o envolvimento amoroso. Para um casal, passar do “ficar” para o namorar muitas vezes não é algo marcado, mas que ocorre naturalmente, até o momento em que os dois confirmem que estão namorando. A literatura aponta também o ficar “ficando” como mais uma modalidade de relação amorosa entre adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Barth et al., 2017</xref>).</p>
				<p>Uma das adolescentes destacou uma traição que descobriu no primeiro namoro, o que fez com que tivesse dificuldades de “confiar nos homens”, indicando a possibilidade de evitar novos relacionamentos amorosos (insegurança), reforçados pela traição. Mesmo salientando características desorganizadoras (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Paludo et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa &amp; Tudge, 2017</xref>), como insegurança e dificuldade de estabelecer confiança, aspectos que poderiam comprometer o engajamento nos processos proximais, identificou-se uma disposição para novas relações amorosas. Segundo assinalam <xref ref-type="bibr" rid="B22">Nunes e Morais (2018</xref>, p. 290), “as características da pessoa não são estáticas e podem ser transformadas, ainda que esteja submetida a condições adversas”.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Concepção de violência no namoro</title>
				<p>As(os) adolescentes nomearam como violência no namoro as características das tipologias física - uso intencional da força com o objetivo de causar medo e possíveis lesões - e psicológica - ameaçar, insultar e prejudicar a autoestima da parceria. Na concepção deles, a violência psicológica é aquela que mais comumente ocorre em concordância à prevalência no cenário internacional (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Peralta et al., 2019</xref>) e nacional (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Borges et al., 2020</xref>), como em comportamentos de controle de roupas, amizades, xingamentos e desqualificação da parceria.</p>
				<p>A violência psicológica é evidenciada como uma estratégia de resolução de conflitos nas relações amorosas que pode comprometer o bem-estar da parceria, podendo se tornar padrões relacionais de enfrentamento de conflitos ao longo do desenvolvimento. <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lapierre et al. (2019</xref>) sugerem que programas de prevenção precoce ou intervenção intensiva que visam à promoção de habilidades - para comunicar necessidades, medos, vulnerabilidades e compartilhamento de intimidade - seriam particularmente benéficos na adolescência, pois podem ser habilidades aprendidas e desenvolvidas: “Não só violência física, mas também a pessoa se sentir como seu dono. Quer controlar tudo que você faz e tudo o que veste. O que acontece mais é o controle e esse negócio de xingamento” (Carolina de Jesus, 17 anos). “<italic>É forçar algo que a mulher não quer.</italic> Tem a <italic>física e a</italic> violência psicológica, tipo o homem rebaixar a mulher, dizendo que ela não serve, que ela não presta” (Guimarães Rosa, 19 anos).</p>
				<p>Apesar da espontaneidade verbalizada sobre os tipos de violência que mais ocorrem no namoro, o conhecimento por si só parece não ser suficiente para evitar a sua ocorrência nos relacionamentos, podendo, assim, ser considerado uma força desorganizadora que não contribui com a formação de competências para o manejo de um namoro abusivo (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza et al., 2022</xref>). Outro ponto relevante é que a naturalização e a legitimação de tais comportamentos tornam o seu reconhecimento difícil.</p>
				<p>As adolescentes são mais vítimas desse tipo de violência, que perpassa o controle das vestimentas e de seus corpos (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Martínez-Gómez et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza et al., 2022</xref>), reforçando os comportamentos tradicionais dos papéis de gênero que atribui uma percepção desigual quanto às condutas socialmente atribuídas a homens e mulheres, correlacionando-se de forma significativa às violências exercidas e sofridas. Para <xref ref-type="bibr" rid="B12">Flach e Deslandes (2021</xref>), trata-se de uma conformação que ainda se encontra assentada no cotidiano das relações sociais. No entanto, tais convicções permanecem em constante disputa com outras mais emancipatórias.</p>
				<p>Determinados comportamentos, relacionados à preocupação com a autoimagem, foram identificados nas narrativas tanto de mulheres quanto de homens. Destacou-se, especialmente, o cuidado com o cabelo como forma de aumentar a atratividade, evidenciando características pessoais de comportamento que parecem fomentar os processos proximais. A demanda é um atributo individual que se refere aos aspectos mais visíveis, capazes de instigar reações do contexto social (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bronfenbrenner &amp; Morris, 2006</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Episódios de violência no namoro</title>
				<p>Para certos participantes, o primeiro namoro não foi tido como uma experiência positiva, pois foi atravessado por situações de traição e episódios de violência. “Graças a Deus, não estou namorando” (Conceição Evaristo, 18 anos); “Eu pensava que era uma coisa, mas não era tão do jeito que eu pensava” (Fernando Sabino, 17 anos). As relações de namoro iniciais apresentam novos desafios que, combinados com expectativas idealizadas, podem causar conflitos e estresse, levando as(os) adolescentes a adotar vários comportamentos para manter o relacionamento (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Lapierre et al., 2019</xref>). No entanto, apesar desses relatos, as(os) adolescentes se mostraram dispostos a conhecer novas pessoas, preferencialmente nos relacionamentos mais efêmeros, como o “ficar”.</p>
				<p>A violência digital - ato intencional de controlar, ameaçar, humilhar e insultar a imagem da parceria, incitar constrangimento e perseguição por meio do uso dos dispositivos eletrônicos, como celular e <italic>tablet</italic> conectados à internet (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2020</xref>) - foi identificada nas relações amorosas mesmo sem o uso literal desse termo pelos participantes. Foi possível inferir que parecem comportamentos naturalizados entre as(os) adolescentes, que resultam em conflitos, estresse, invasão de privacidade digital. Essas ações são vistas, na maioria dos casos, como sinônimo de confiança e controle da fidelidade, motivados pela insegurança no manejo da relação amorosa.</p>
				<p>Talvez por ser uma expressão de violência contemporânea e que apenas recentemente começou a receber atenção tanto no meio acadêmico quanto na sociedade (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Flach &amp; Deslandes, 2021</xref>), as(os) adolescentes ainda não conseguem diferenciar essa das outras expressões de violência. Todavia, relatam que o controle do celular, ainda que escondido ou não da parceria, é algo que pode revelar algum segredo relacionado com uma possível infidelidade real ou imaginária, inspecionando os contatos, as ligações realizadas e recebidas, além das mensagens. Outros comportamentos incluem: checar a localização da parceria por meio de várias ligações durante o dia; controlar a prontidão da parceria para responder mensagens seguidas, provocando desconforto, e curtir a foto de uma pessoa do gênero oposto, ainda que conhecida.</p>
				<p>Todos esses comportamentos podem ser compreendidos como forma de exercer poder e controle sobre a parceria, bem como são confirmados na literatura no âmbito da violência digital como comportamentos de controle e monitoramento das atividades on-line (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et at., 2020</xref>). Estar em um relacionamento amoroso parece ser visto por algumas parcerias como um suposto direito à invasão da individualidade, intimidade e privacidade, fazendo com que esses aspectos, tão caros à construção de relações amorosas saudáveis, passem desapercebidos. A dinâmica dos comportamentos de controle - monitorar, controlar e vigiar - no namoro pode resultar, para muitas pessoas, em vivências constantes de “desassossego” e inquietação (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lucio-López &amp; Pietro-Quezada, 2014</xref>).</p>
				<disp-quote>
					<p>Eu ficava ligando pra saber onde ela tava. E ela me pedia para ver os contatos do meu zap (...) eu era muito ciumento, daí eu só via o nome dos contatos para ver se tinha algum nome carinhoso salvo. (Guimarães Rosa, 19 anos)</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>Uma vez eu peguei uma conversa dele no celular com uma menina. A gente imagina mil coisas, mas às vezes é tão simples. Eu briguei com ele, quase que eu matava. Eu fico investigando, quando ele tá botando a senha eu olho um número e de repente eu já sei a senha toda. (Lia de Itamaracá, 18 anos)</p>
				</disp-quote>
				<p>O desenvolvimento de ações preventivas voltadas para o uso responsável e mais positivo das tecnologias digitais, no contexto das relações amorosas entre adolescentes, pode ser um caminho para o enfrentamento desse fenômeno (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2020</xref>). Em termos de exossistema, a <italic>Safernet Brasil</italic>, uma associação civil de direito privado, com atuação nacional, vem desenvolvendo campanhas especialmente direcionadas para adolescentes, buscando fomentar o uso consciente, ético, responsável e seguro da internet por meio do seu site (<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.safernet.org.br">www.safernet.org.br</ext-link>) e pelo <italic>Instagram</italic> (@safernetbr).</p>
				<p>Foram identificadas nas dinâmicas relacionais íntimas das(os) participantes: o controle das amizades (off-line e on-line); agressões físicas como aperto no braço; bater na parede como forma de expressar a frustação e a raiva; xingamentos; controle do vestuário, especialmente para com as adolescentes do gênero feminino; desentendimentos que resultam na quebra de objetos e ameaças constantes de terminar o relacionamento para obter controle do comportamento da parceria.</p>
				<p>A violência bidirecional, ou mútua (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Martínez-Gómez et al., 2021</xref>), foi identificada nas relações íntimas das(os) participantes, apresentando-se com tipologias e em momentos diferentes na dinâmica da relação do casal. Em alguns casos, foi possível compreender que a violência unididecional se tornou bidirecional, configurando um padrão de resolução inadequado de conflitos.</p>
				<disp-quote>
					<p>Um namorado impedia que eu saísse com meus amigos (...) o outro namorado não gostava de um amigo meu e pedia pra eu me afastar porque ele não prestava (...) E eu não gostava da ex-namorada, ela não ia com a minha cara e eu não ia com a dela (...) eu já quebrei uma corrente de um namorado (risos), porque eu tava estressada com ele. (Carolina de Jesus, 17 anos)</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>A minha ex-namorada dava murro na parede, nas brigas, eu ficava assustado. Eu não conseguia conversar com ela. Ela mandava tomar naquele canto (...) era uma gritaria se eu falasse: “eu vou ali com os meninos”, ela dizia: “Se tu for, a gente, acaba agora mesmo”. Eu também já fiz isso com ela, porque tipo era direitos iguais. Ela fazia, eu fazia. (João Cabral, 18 anos)</p>
				</disp-quote>
				<p>O ciúme, a imaturidade, o estresse, a impulsividade e a insegurança foram ressaltadas pelas(os) adolescentes como comportamentos que eliciam episódios de violência. Salienta-se que a crença no amor romântico abrange a ideia do ciúme como uma demonstração de amor, cuidado e tratamento atencioso, fortemente partilhado na sociedade, produzido e baseado em estereótipos de gênero, que atravessa as relações íntimas de mulheres e homens (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Martínez-Gómez et al., 2021</xref>). Entretanto, esse pode ser um aspecto que legitima e justifica comportamentos de controle sobre a parceria.</p>
				<p>Esses comportamentos das(os) adolescentes descritos acima parecem se apresentar como possível dificuldade no controle das emoções, o que denota uma característica desorganizadora da pessoa na manutenção de um relacionamento saudável e até mesmo o rompimento do ciclo de comportamentos violentos no âmbito da relação amorosa. Também foi possível verificar tais atributos desorganizadores no casal, uma vez que se mostram presentes nas primeiras experiências com as relações íntimas e na concretização do vínculo do “ficar” para o namorar, muitas vezes mostrando recursos ainda a serem desenvolvidos, além de baixa autoestima para lidar com aspectos requeridos nas relações (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Leme et al., 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Lordello &amp; Costa, 2015</xref>).</p>
				<p>Nessa fase desenvolvimental, o interesse e a materialização das primeiras parcerias amorosas surgem marcadas pela descoberta do prazer, proporcionada pelos toques íntimos, e que, geralmente, são acompanhadas por emoções, como ciúmes, ansiedade, frustração, desapontamento e confusão relacionados aos seus próprios sentimentos. Assim, parece que os recursos biopsicológicos ativos que se referem a conhecimentos e habilidades necessárias para o funcionamento dos processos proximais (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>) podem se apresentar pouco eficazes, diminuindo as possibilidades de uma relação amorosa construtiva.</p>
				<p>Em contrapartida, as disposições/forças organizadoras e recursos biopsicológicos ativos (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bronfenbrenner &amp; Morris, 2006</xref>), vistos no reconhecimento de comportamentos abusivos por algumas adolescentes, reforçam a ação transformadora da pessoa com vistas a romper o ciclo de violência, posicionando-se de forma ativa em prol de relações proximais mais saudáveis:</p>
				<disp-quote>
					<p>Quando ele falou da minha roupa e pegou no meu braço, eu já achei estranho. Ele pediu desculpas: “eu tenho muito medo de perder a pessoa”. Aí eu fiz: “mas desse jeito você vai perder. Ninguém quer viver num relacionamento a qual você tá toda hora falando da roupa e que não quer ela com os amigos”. (Carolina de Jesus, 17 anos)</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>Eu gosto de roupas apertadas que marque isso aqui meu (pega nos quadris). Ele não gostou, e eu: “tá bom, se você quiser a gente vai sair assim, se você não quiser, eu fico em casa, porque eu não vou trocar de roupa por causa de um querer seu”. (Lia de Itamaracá, 18 anos)</p>
				</disp-quote>
				<p>Os processos proximais influenciam o desenvolvimento, variando de maneira articulada com as características da pessoa em desenvolvimento (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>), e não devem ser tidos como estáticos, determinantes, universais ou unidirecionais (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Nunes &amp; Morais, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa &amp; Tudge, 2017</xref>). Ao analisar tais relatos sob a lente da TBDH, foi possível observar que estes pareceram mostrar mais efeitos de disfunção que competência. A relação violenta é considerada uma disfunção (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Carvalho-Barreto et al., 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Paludo et al., 2021</xref>), pela dificuldade da parceria diante da imposição de poder e controle de um para o outro, exemplificada sob as variadas tipologias de violência, como a psicológica, a digital e a física, todas identificadas neste estudo.</p>
				<p>Nesse sentido, compreendeu-se que a relação de namoro é um processo proximal para as(os) adolescentes, pois engloba as interações complexas, duradouras e bidirecionais que a pessoa estabelece no curso do seu desenvolvimento com outras pessoas (parceria), objetos (tecnologia por meio de dispositivos eletrônicos, como <italic>smartphones</italic>) e símbolos (crença pessoal no amor romântico) em seu ambiente imediato, que podem gerar efeitos de disfunção, descritos anteriormente, ou de competência, como os apresentados na próxima categoria.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Entendimentos sobre namoro saudável</title>
				<p>Foram exploradas algumas características do namoro saudável entre as(os) adolescentes entrevistadas(os), pois entende-se a importância de lançar luz sobre o fenômeno da violência e suas implicações para as relações afetivo-sexuais, bem como faz-se relevante construir reflexões sobre relações saudáveis e promotoras de desenvolvimento. Essas podem ser consideradas disposições/forças organizadoras e processos proximais que geram competência e aquisição de conhecimentos. Os traços mais elencados foram: confiança, privacidade, fidelidade, respeito, honestidade, limites, comunicação e amizade.</p>
				<disp-quote>
					<p>Ser honesto um com o outro cria mais confiança, respeito e fidelidade. A gente se entender e ser melhor amigo do outro (...) Controle também, por exemplo, porque tem algumas brigas, mas você tem que ter controle para não explodir, não gritar. (João Cabral, 18 anos)</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>Privacidade faz parte do namoro saudável. Tem coisas que mulheres conversam que só pertence às mulheres. E a privacidade já puxa o que? Já puxa confiança, que puxa o que? O respeito. (Lia de Itamaracá, 18 anos)</p>
				</disp-quote>
				<p>Resultados semelhantes foram encontrados por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Flach e Deslandes (2021</xref>) como confiança, individualidade e intimidade/privacidade, que figuram valores essenciais para o namoro. O diálogo foi o meio idealizado pelos participantes como forma de lidar com dúvidas e discordâncias. Para o <xref ref-type="bibr" rid="B17"><italic>Love is Respect</italic> (2019)</xref> e o <xref ref-type="bibr" rid="B24"><italic>One Love Foundation</italic> (2020)</xref>, tais elementos são evidenciados como imprescindíveis para a construção de um relacionamento amoroso saudável. Não observamos questões ligadas à violência sexual nesta pesquisa; pelo contrário, existiram verbalizações que remetem respeito ao tempo do outro e negociação sobre toques íntimos não autorizados.</p>
				<p>Com base nas concepções de <xref ref-type="bibr" rid="B29">Santos (2019</xref>), verificou-se que fatores como engajamento, reciprocidade nas relações, complexidade crescente e período regular de tempo desempenham um papel significativo na manutenção dos processos proximais na construção de um relacionamento interpessoal. Além disso, identificou-se a possibilidade de aprimoramento contínuo, o que pode gerar efeitos de competência, sugerindo uma evolução a partir de cada experiência íntima. De maneira geral, as(os) adolescentes demonstraram que a prontidão para o diálogo entre o casal é de vital importância para evitar conflitos, muito embora não tenha sido uma habilidade transformada em ação para alguns deles. Em uma das narrativas, foi utilizada a metáfora de um copo transbordando, em alusão à possibilidade de evitar conflitos, utilizando a comunicação de sentimentos de ambos.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Aprendizagens e influências positivas das relações amorosas</title>
				<p>Ao analisar o tempo/cronossistema, constatamos que, ao longo dos anos, o namoro também promoveu a descoberta de sentimentos bons e experiências que proporcionaram momentos de aprendizagens, em consonância com <xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner (2011</xref>). Um dos adolescentes expressou a magnitude ao perceber que aprendeu com a namorada a dizer “Eu te amo”, no relacionamento que durou mais de dois anos. Tal aprendizagem e descoberta revelaram-se relacionados à sua história familiar e de vida. Para alguns/algumas adolescentes, a primeira relação vivida em um período maior de tempo - namoro e ficar “ficando” - proporcionou reconhecer comportamentos relacionados à “imaturidade” do casal, por não haver conhecimento sobre como enfrentar questões do relacionamento: “Eu já namorei, e se eu errei aqui nisso, agora eu vou acertar, como se com minha ex-namorada fosse só um teste e com a atual é o certo. Se eu errei, desconfiando muito com ela, quero ser melhor” (João Cabral, 18 anos); “No namoro de agora, a gente criou uma estratégia pra nenhum dos dois ficar chateado quando não puder atender o telefone: só mandar uma mensagem antes dizendo: ‘urgente’ antes de ligar” (Adélia Prado, 18 anos).</p>
				<p>Observa-se que o componente tempo comporta as mudanças do próprio indivíduo em sua história de vida (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>). Certos relatos remetem ao reconhecimento do comportamento como a insegurança, referindo-se a uma possível infidelidade corriqueira em um relacionamento passado. Ainda, no namoro atual, observa-se a tentativa, o movimento de fazer algo diferente no tempo decorrido (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Nunes &amp; Morais, 2018</xref>) entre um relacionamento e outro, o que se torna importante para o surgimento de um novo sentido, bem como no estabelecimento de novos processos proximais.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Este estudo objetivou compreender as experiências de violência no namoro entre adolescentes, a partir da perspectiva bioecológica do desenvolvimento humano. Por ser um fenômeno humano complexo, identificou-se que a violência, em suas diversas possibilidades de expressão, atravessou as relações de namoro das/dos adolescentes que participaram desta pesquisa. Apesar da espontaneidade demonstrada ao verbalizar sobre as tipologias que mais ocorrem no namoro, as(os) adolescentes nem sempre nomearam esse fenômeno como “violência”, o que parece reforçar a ideia de naturalização e legitimação desta, além de sugerir uma dificuldade na construção de contornos mais saudáveis nas relações.</p>
			<p>Percebe-se que o namoro foi visto como uma fase da relação amorosa com exclusividade da parceria que antecede ao casamento e o início da própria família, aspectos marcados pela construção social das(dos) adolescentes envolvidos na pesquisa. Para alguns deles, o namoro ou o ficar “ficando” por um tempo maior proporcionou reconhecer comportamentos relacionados à “imaturidade” do casal por não saber enfrentar questões do relacionamento, mas que foram experiências significativas levadas para relacionamentos posteriores. Reconheceram as expressões física e psicológica; a violência digital não foi citada, apesar de terem relatado comportamentos de controle e vigilância atrelados ao uso do celular, aplicativos de troca de mensagens (<italic>WhatsApp</italic>) e redes sociais (<italic>Instagram</italic> e <italic>Facebook</italic>). Tais comportamentos foram vistos pelas/pelos adolescentes como sinônimo de confiança e controle da fidelidade, motivados pela insegurança no manejo da relação amorosa. O compartilhamento de senhas, controle de postagens e curtidas, ligações e mensagens sucessivas, com o intuito de saber a localização e afazeres da parceria, eram corriqueiros e naturalizados nas relações amorosas, resultando em conflitos, estresse e invasão de privacidade digital.</p>
			<p>Em virtude de a pesquisa ter sido realizada ao longo do período da primeira onda da pandemia de COVID-19, foram necessárias adaptações na inserção ecológica: a) na seleção dos participantes - que foram indicados pelos educadores sociais da instituição, levando em consideração a disponibilidade individual e desejo de participar de uma pesquisa presencial no momento do cenário pandêmico - o que pode ter levado ao viés de seleção; e b) na participação de atividades promovidas pela ONG, como rodas de conversa e oficinas, as quais estavam suspensas nesse período. Ainda assim, as adaptações não impediram o desenvolvimento da inserção ecológica.</p>
			<p>Ainda que diante de adaptações motivadas pelas condições de saúde pública adversa, a pesquisadora foi marcada por comportamentos de receptividade e não houve desistência por parte das(os) participantes, o que indica uma relação mesossistêmica positiva entre família, adolescentes e a instituição, bem como sugere a importância do espaço de escuta ofertado aos participantes, sobretudo no momento pandêmico. Ademais, o engajamento - processos proximais - das(os) adolescentes com a pesquisadora foi revelado por meio de narrativas densas sobre suas histórias de vida.</p>
			<p>Para futuras investigações, recomenda-se a compreensão da dinâmica relacional de namoro e da violência na população LGBTQIA+, além de melhor aprofundamento relacionado à bidirecionalidade da violência nas relações íntimas entre adolescentes. Admitindo a violência no namoro como um fenômeno complexo e multifacetado, parece urgente a construção de políticas públicas nacionais que atuem em diferentes níveis: individual, familiar, escolar, espaços de formação profissional, comunitário, entre outros. As ações de enfrentamento podem ser concretizadas por meio de oficinas, rodas de conversa com temáticas voltadas para a violência e relações saudáveis, sinalizando a potência silenciosa da violência, naturalizada, como parte integrante do relacionamento amoroso entre adolescentes.</p>
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					<article-title>Points of view of Chilean adolescents about asking for help and suggestions to prevent dating violence based on an ecological systems theory</article-title>
					<source>Open Journal of Social Sciences</source>
					<volume>10</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>458</fpage>
					<lpage>477</lpage>
					<pub-id pub-id-type="doi">https://doi.org/10.4236/jss.2022.101034</pub-id>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B32">
				<mixed-citation>Souza, W. G. G., Lordello, S. R. M., &amp; Murta, S. G. (2022). “Eu quero um amor”: Violência no namoro e medida socioeducativa. <italic>Revista Polis e Psique</italic>, <italic>12</italic>(1), 211-238. https://doi.org/10.22456/2238-152X.112387</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Souza</surname>
							<given-names>W. G. G.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Lordello</surname>
							<given-names>S. R. M.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Murta</surname>
							<given-names>S. G.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2022</year>
					<article-title>“Eu quero um amor”: Violência no namoro e medida socioeducativa</article-title>
					<source>Revista Polis e Psique</source>
					<volume>12</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>211</fpage>
					<lpage>238</lpage>
					<pub-id pub-id-type="doi">https://doi.org/10.22456/2238-152X.112387</pub-id>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B33">
				<mixed-citation>Turato, E. R. (2008). <italic>Tratado de metodologia de pesquisa clínico-qualitativa: Construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas</italic>. Editora Vozes.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Turato</surname>
							<given-names>E. R.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2008</year>
					<source>Tratado de metodologia de pesquisa clínico-qualitativa: Construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas</source>
					<publisher-name>Editora Vozes</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
		<front-stub>
            <article-id pub-id-type="doi">10.5020/23590777.rs.v25i1.e14147</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>RELATOS DE PESQUISA</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Dating violence among adolescents: a bioecological perspective on human development</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5784-1674</contrib-id>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-6600-8625</contrib-id>
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						<given-names>Marisa Amorim</given-names>
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						<given-names>Priscilla Machado</given-names>
					</name>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff5">
				<institution content-type="original">PhD and MSc in Clinical Psychology from the Unicap. Trained in Systemic Therapy for Individuals, Couples, and Families at the Hospital das Clínicas/Universidade Federal de Pernambuco. Psychologist, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.</institution>
				<institution content-type="orgname">Unicap</institution>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<aff id="aff6">
				<institution content-type="original">PhD and MSc in Maternal and Child Health from the Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira, Recife, Pernambuco, Brazil, with a Sandwich PhD Program at the Tavistock Clinic, London, England, United Kingdom; postdoctoral training in Clinical Psychology at the Unicap, Recife, Pernambuco, Brazil; full-time faculty member at Unicap (undergraduate and graduate programs in Clinical Psychology), Recife, Pernambuco, Brazil.</institution>
				<institution content-type="orgname">Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira</institution>
				<addr-line>
					<city>Recife</city>
					<state>Pernambuco</state>
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			</aff>
			<aff id="aff7">
				<institution content-type="original">PhD in Clinical Psychopathology from Université Paris Diderot-Paris 7, Paris, France; postdoctoral training in Clinical Psychology at the Unicap, Recife, Pernambuco, Brazil. MSc in Musicology from Université Paris-Sorbonne (Paris IV), Paris, France. Coordinator of the Graduate Program in Clinical Psychology at Unicap and Coordinator of the Research Line in Cyberpsychology and Digital Humanities in the same program, Recife, Pernambuco, Brazil.</institution>
				<institution content-type="orgname">Université Paris Diderot-Paris 7</institution>
				<addr-line>
					<city>Paris</city>
				</addr-line>
				<country country="FR">France</country>
			</aff>
			<aff id="aff8">
				<institution content-type="original">PhD and MSc in Clinical Psychology from the Unicap, Recife, Pernambuco, Brazil. Specialist in Mental Health from Faculdade de Ensino Pio Décimo, Aracaju, Sergipe, Brazil. Clinical Psychologist from Universidade Tiradentes, Aracaju, SE, Brazil. Family Therapist, Associação de Terapia Familiar de Goiás. Coordinator and faculty member of the Graduate Program in Clinical and Health Psychology at Centro Universitário UniEVANGÉLICA, Anápolis, Goiás, Brazil.</institution>
				<institution content-type="orgname">Unicap</institution>
				<addr-line>
					<city>Recife</city>
					<state>Pernambuco</state>
				</addr-line>
				<country country="BR">Brazil</country>
			</aff>
			<abstract>
				<title><italic>Abstract</italic></title>
				<p><italic>Dating violence among adolescents is a phenomenon with high prevalence and repercussions for physical and mental health throughout development. This study aimed to understand experiences of dating violence among adolescents, based on the Bioecological Theory of Human Development. It is a qualitative research conducted through Ecological Insertion, carried out at a non-governmental organization (NGO) in the city of Recife, Brazil. Eight adolescents between the ages of 16 and 19 participated in semi-structured interviews, conducted individually in two sessions. Observations and informal conversations with NGO workers were recorded in a field diary. Data were analyzed using the thematic content analysis technique, within the framework of the Bioecological Theory of Human Development. The results indicate that: adolescents were direct and/or indirect victims of violence in microsystems of development (family, school, and neighborhood); violence, in its psychological, digital, and physical forms, was frequent; despite the spontaneity in verbalizing the most frequent types of dating violence, adolescents did not always name this phenomenon as “violence”, which seems to reinforce the idea of its normalization and legitimation, suggesting difficulties in constructing healthier relationship boundaries; the pandemic was linked to increased cell phone internet use for school activities; jealousy, immaturity, and impulsiveness were markers used both to justify and to attempt to resolve dating conflicts. It is recommended that public policies be developed through preventive and intervention actions that consider the various expressions of dating violence.</italic></p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title><italic>Keywords:</italic></title>
				<kwd>adolescence</kwd>
				<kwd>violence</kwd>
				<kwd>dating</kwd>
				<kwd>bioecological theory of human development</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<p>Dating is a mutually agreed romantic relationship between two people and, in many cultures, is viewed as an exploratory stage of love (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Sánchez et al., 2011</xref>). The intensity of physical-affective expressions - such as kissing, hugging, and touching hands and body - creates opportunities for adolescents to experience new situations at a vital stage of the life cycle, one that occupies a privileged place. However, some couples experience episodes of violence in their early romantic relationships (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Centers for Disease Control and Prevention [CDC], 2021</xref>). Among these experiences is dating carried out on social networks, which offers both opportunities for flirting and risks related to controlling and monitoring behaviors (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2020</xref>).</p>
			<p>Dating violence can be understood as a pattern of abusive behavior used to exert power and control over the partner - a gender-neutral term used here in place of “girlfriend” or “boyfriend” in the context of romantic relationships (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Love is Respect, 2019</xref>). Violent behaviors enacted in different ways enable the gain and maintenance of one person’s power and control over another. Any adolescent may become involved in a serious or casual violent relationship, regardless of gender identity, sexual orientation, socioeconomic position, race, religion, or culture (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Love is Respect, 2019</xref>).</p>
			<p>In the international literature - especially in the United States - studies on this phenomenon are frequent and well established (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bonell et al., 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">DeGue et al., 2020</xref>). Data from the 2019 Youth Risk Behavior Survey (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Basile et al., 2020</xref>), conducted annually with U.S. adolescents, indicate that about 1 in 11 female high-school students and about 1 in 14 male students reported experiencing physical dating violence in the year prior to the survey (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Basile et al., 2020</xref>). In Brazil, violence in adolescent romantic relationships - dating and “seeing someone” - has received increasing academic attention. Visibility grew with a study conducted from 2007 to 2009 with 3,600 adolescents aged 15-19 years in 10 Brazilian capitals, which revealed alarming data: most girls and boys (76.6%) simultaneously perpetrated and suffered multiple types of violence in their relationships - physical (64%), psychological (96.9%), and sexual (83%) (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Oliveira et al., 2011</xref>).</p>
			<p>The theoretical framework adopted in this article is the Bioecological Theory of Human Development (BTHD). This framework is well suited to a broader understanding of dating violence because it promotes a contextualized and multifactorial perspective. It posits that human development arises from interdependence and reciprocal interactions between the person and the environment across generations. <xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner (2011</xref>) argues that human psychological processes are not merely properties of the individual but the product of interdependent systems in which the person is embedded. Over 40 years, the theory evolved to its most mature form, the process-person-context-time (PPCT) model.</p>
			<p>Proximal processes are the reciprocal, enduring, bidirectional interactions that occur between the person and the context, from the most immediate to the more distant. Depending on their characteristics, these processes may lead to competence effects - acquisition of knowledge and social skills - or to dysfunction effects, reflected in difficulties maintaining and integrating behavior (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bronfenbrenner &amp; Morris, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Paludo et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa &amp; Tudge, 2017</xref>).</p>
			<p>The person component encompasses individual biological, psychological, and social (biopsychosocial) characteristics that influence engagement in proximal processes. Three attributes shape developmental trajectories. The first involves dispositions/forces that may be generative - those that foster the development of proximal processes - or disruptive, which hinder their maintenance. The second attribute, resources, includes biopsychological characteristics that affect the capacity to engage effectively in proximal processes (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Paludo et al., 2021</xref>). Resources may be active - expanding constructive possibilities across the life course - or passive - conditions that limit the organism’s functional integrity (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bronfenbrenner &amp; Morris, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa &amp; Tudge, 2017</xref>). Demand is the third attribute and has the potential to invite or discourage reactions from others in the social context, thereby fostering or interrupting proximal processes (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Lordello &amp; Costa, 2015</xref>).</p>
			<p>The context component refers to interconnections within and between the four systems of the ecological environment: the microsystem (the most immediate setting in which the developing person participates, with a complex of interrelations); the mesosystem (relations among microsystems); the exosystem (settings in which the person does not participate but that influence development); and the macrosystem (the subculture or culture, social organization, and belief systems of a given society) (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Nunes &amp; Morais, 2018</xref>).</p>
			<p>Time, or the chronosystem, concerns the influence of the historical moment in which the other systems are situated, as well as changes within the individual’s own life history. It is divided into a) microtime - continuity and discontinuity of frequent episodes of proximal processes; b) mesotime - the periodicity of these episodes over broader intervals such as days and weeks; and c) macrotime - societal events that change across and within generations, along with life-course history (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>).</p>
			<p>Dating violence is recognized as a public health issue that warrants investigation to deepen knowledge for prevention and intervention in this social problem, which affects the romantic relationships of thousands of adolescents (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Basile et al., 2020</xref>). The World Health Organization recommends public-health studies grounded in this approach to capture the complex, multifactorial nature of violence (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Dahlberg &amp; Krug, 2006</xref>). Prevention and intervention strategies based on the ecological model are also recommended because they highlight the interplay of personal, relational, contextual, and historical-time factors that may be associated with the phenomenon, reinforcing the idea of multiple causalities (<xref ref-type="bibr" rid="B11">DeGue et al., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Borges et al., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rey-Anacona &amp; Martínez-Gómez, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Sanhueza et al., 2022</xref>). Accordingly, this article aims to understand adolescents’ experiences of dating violence from a bioecological perspective of human development.</p>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Method</title>
				<p>This qualitative study, conducted as part of a doctoral thesis, used Ecological Insertion (EI) (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Koller et al., 2020</xref>) to systematize the four aspects of the BTHD - the PPCT framework. This ethnomethodological approach (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza et al., 2022</xref>) entails the researcher’s insertion into the research setting, which in this case was a developmental microsystem: a nongovernmental organization (NGO). EI was carried out with attention to five essential aspects (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Koller et al., 2020</xref>): i) engagement of participants and researcher in a shared activity; ii) the researcher’s systematic presence over an extended period; iii) implementation of progressively more complex activities; iv) reciprocity in relationships; and v) focus on a topic that stimulates the interest of participants and researchers, such as attention, exploration, and imagination.</p>
				<p>The host NGO is a private civil society organization in the social assistance sector, established in 2006. It is located in the city of Recife, state of Pernambuco, Brazil, and serves children and adolescents aged 0-18 years. Adolescents attend the institution opposite their school shift and receive two daily meals to ensure food security. Activities include socio-professional training through non-degree and technical courses that introduce adolescents from age 16 as well as youth in their first work experience to the labor market. The NGO, which did not address dating violence in its routine activities, was selected for convenience (ease of access).</p>
				<p>During the COVID-19 pandemic, activities with adolescents at the NGO were suspended; only administrative work and the distribution of food and hygiene products continued. The NGO authorized EI to be conducted in October 2020, with the researcher visiting daily under strict health protocols.</p>
				<p>Contacts with adolescents took place individually in the NGO garden to ensure physical distancing and confidentiality. Three adolescents were interviewed per day, in sessions of approximately 1 hour and 30 minutes, held in one or two rounds depending on each participant’s engagement with the study activities.</p>
				<sec>
					<title>Participants</title>
					<p>Eight adolescents aged 16-19 participated - four female and four male - according to the following criteria: age 15-19; female and male; currently dating or previously dated. Exclusion criteria were current or past cohabitation with a dating partner. Recruitment ended upon reaching saturation, defined by recurrence and complementarity across interviews (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Minayo, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">Turato, 2008</xref>). <xref ref-type="table" rid="t2">Table 1</xref> presents sociodemographic data and a brief contextualization of the study participants.</p>
					<p>
						<table-wrap id="t2">
							<label>Table 1.</label>
							<caption>
								<title><italic>Sociodemographic characteristics and romantic relationships</italic></title>
							</caption>
							<table>
								<colgroup>
									<col/>
									<col/>
									<col/>
									<col/>
									<col/>
									<col/>
								</colgroup>
								<thead>
									<tr>
										<th align="left">Name/Age</th>
										<th align="left">Schooling</th>
										<th align="left">Family configuration</th>
										<th align="left">Who works</th>
										<th align="left">Current romantic relationship</th>
										<th align="left">Previous romantic relationship</th>
									</tr>
                                </thead>
                                <tbody>
									<tr>
										<td align="left">Adélia Prado 18 years</td>
										<td align="left">3rd year of high school</td>
										<td align="left">Mother and sister</td>
										<td align="left">Adélia (youth apprentice) and mother (older person caregiver)</td>
										<td align="left">Luís, 28 years / 3 months</td>
										<td align="left">Moisés, 19 years / 2 years and 5 months</td>
									</tr>
									<tr>
										<td align="left">Carolina de Jesus 17 years</td>
										<td align="left">1st year of high school, EREM</td>
										<td align="left">Mother and sister</td>
										<td align="left">Mother (domestic worker)</td>
										<td align="left">“Seeing someone”</td>
										<td align="left">Antônio, 21 years / 17 days; Jonas, 19 years / 2 years</td>
									</tr>
									<tr>
										<td align="left">Conceição Evaristo 18 years</td>
										<td align="left">2nd year of high school</td>
										<td align="left">Mother, uncle, and two brothers</td>
										<td align="left">Conceição (youth apprentice) and brother (informal work)</td>
										<td align="left">-</td>
										<td align="left">Lucas, 18 years / 2 years; João, 16 years / 3 months</td>
									</tr>
									<tr>
										<td align="left">Fernando Sabino 17 years</td>
										<td align="left">2nd year of high school, EREM</td>
										<td align="left">Adoptive father, adoptive grandfather, and two cousins</td>
										<td align="left">Father (social educator) and grandfather (retired)</td>
										<td align="left">“Seeing someone”</td>
										<td align="left">Cecília, 16 years / 4 months</td>
									</tr>
									<tr>
										<td align="left">Guimarães Rosa 19 years</td>
										<td align="left">High school complete - <xref ref-type="fn" rid="TFN2">EJA</xref>
										</td>
										<td align="left">Mother, stepfather, three brothers, two sisters, and a nephew</td>
										<td align="left">Mother (domestic worker) and brother (refrigeration sector)</td>
										<td align="left">-</td>
										<td align="left">Grazi, 18 years / 2 years</td>
									</tr>
									<tr>
										<td align="left">João Cabral 18 years</td>
										<td align="left">2nd year of high school, <xref ref-type="fn" rid="TFN2">EREM</xref>
										</td>
										<td align="left">Mother, stepfather, and one sister</td>
										<td align="left">Mother (self-employed)</td>
										<td align="left">Francis, 15 years / 4 months</td>
										<td align="left">Valentina, 17 years / 1 year and 7 months</td>
									</tr>
									<tr>
										<td align="left">Lenine 16 years</td>
										<td align="left">2nd year of high school, <xref ref-type="fn" rid="TFN2">EREM</xref>
										</td>
										<td align="left">Mother, father, sister, two nieces, and a nephew</td>
										<td align="left">Mother (bus fare collector); sister and father (informal work)</td>
										<td align="left">“Seeing someone”</td>
										<td align="left">Yolanda, 14 years / 2 years</td>
									</tr>
									<tr>
										<td align="left">Lia de Itamaracá 18 years</td>
										<td align="left">High school complete, <xref ref-type="fn" rid="TFN2">EREM</xref>
										</td>
										<td align="left">Grandmother and two brothers</td>
										<td align="left">Brother receives <xref ref-type="fn" rid="TFN2">BPC**</xref>
										</td>
										<td align="left">Roberto, 21 years / more than 2 years</td>
										<td align="left">-</td>
									</tr>
								</tbody>
							</table>
							<table-wrap-foot>
								<fn id="TFN2">
									<p>BPC = Continuous Cash Benefit (non-contributory social benefit for older adults or people with disabilities); EJA = Youth and Adult Education (adult/continuing high-school program); EREM = State Reference High School (full-time program).</p>
								</fn>
							</table-wrap-foot>
						</table-wrap>
					</p>
					<p>Most adolescents were dating, casually seeing someone, or had done so for more than 3 months. Five lived in single-mother households - three with their biological mother, one with a grandmother, and one with an adoptive father - while two lived in stepfamilies and one in a nuclear family. These families commonly faced unemployment, poverty, precarious housing, early deaths of close relatives, and significant family figures with alcohol dependence or drug abuse, including cocaine. The adolescents lived in a neighborhood with more than 10,000 residents, marked by intense drug-trafficking activity and frequent gunfights between police and traffickers.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Instruments</title>
					<p>
						<list list-type="bullet">
							<list-item>
								<p><italic>Biosociodemographic questionnaire</italic>: developed by the authors to collect personal data (age, sex, schooling, religion, family configuration, household composition, dating duration, partner’s name and age, and employment).</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Field diary: records of proximal processes between participants and the researcher, along with notes from informal conversations with staff to contextualize and support understanding of the research setting. It also included informal field notes (feelings, questions, difficulties, positive moments) and records of research actions (descriptions, reports, decisions, brief analyses).</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Individual semi-structured interview: designed to deepen the topic of dating violence (DV) among adolescents, covering: how they date; conceptions of violence and of DV; possible experiences of DV in current or past relationships; strategies adopted when violence occurred; and contextual influences (neighborhood, work, school, NGO, family, and romantic partners).</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>“Getting to Know Dating Relationships” questionnaire: yes/no responses to 24 behaviors assessing four types of violence-physical, digital, psychological, and sexual-six items per type. Participants were invited to elaborate on their answers with examples of situations that had occurred or were ongoing. Developed based on articles included in <xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al. (2020</xref>) and on the Conflict in Adolescent Dating Relationships Inventory (CADRI) (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Minayo et al., 2011</xref>).</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Word S<italic>earch</italic>: adolescents selected, from a list of 24 words, those that must be present in a healthy relationship. This instrument - based on guidance about healthy relationships from <xref ref-type="bibr" rid="B17">Love is Respect (2019)</xref> and the <xref ref-type="bibr" rid="B24">One Love Foundation (2020)</xref> - sought to understand adolescents’ views of healthy dating relationships.</p>
							</list-item>
						</list>
					</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Procedures</title>
					<p>The study comprised 16 visits, held Monday through Thursday from 9:00 a.m. to 4:00 p.m. Each individual meeting with adolescents lasted approximately 1 hour and 30 minutes. Observations and informal conversations - recorded in the field diary - with social educators, kitchen staff, a general services assistant, the pedagogical coordinator, and the director were conducted to contextualize and support understanding of the interview content, to learn about families’ relationships with the institution, and to gather other information about the community.</p>
					<p>Given the pandemic context, initial contact to schedule the first interview round was made by a social educator, who provided interested adolescents with basic information about the study - topic, objectives, and its two-stage format. The second meeting was scheduled directly by the researcher. Participants chose the time that best fit their online school activities and other commitments, including informal work.</p>
					<p>The adaptations required by the pandemic did not prevent the expression of emotions that emerged when sensitive topics were verbalized - teary eyes, spontaneous laughter. Eye contact proved to be a genuine and respectful form of connection with another person’s story. EI was indispensable for aligning interpretations of the narratives with the adolescents’ perspectives, thereby contributing to the study’s ecological validity (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza et al., 2022</xref>).</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Ethical considerations</title>
					<p>All procedures followed National Research Ethics Commission Resolution 466/12 (CAAE: 24624619.7.0000.5206). To ensure confidentiality, participants were assigned fictitious names. The TCLE (parent/guardian consent and consent for individuals aged ≥ 18 years) and the TALE (assent for individuals aged &lt; 18 years) were carefully drafted to guarantee participants’ right to withdraw from the study at any time without any penalty.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Data analysis</title>
					<p>Construction of the corpus considered familiarity with the phenomenon and deeper engagement with the topic based on the interview material. Field-diary notes (elements from informal conversations) were analyzed - individually and collectively - through discussions among the research team. These discussions sought representativeness of meanings and broader, deeper interpretations through the exchange of impressions and information.</p>
					<p>Using analytical categories, we triangulated research instruments and researchers to identify empirical categories interpreted according to the BTHD (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>). In this process, the interviews-including the “Getting to Know Dating Relationships” questionnaire and the “Word Search” activity - were triangulated with the biosociodemographic questionnaire and the field diary and examined from multiple perspectives (the field researcher and three supervising researchers). Triangulation aimed to analyze data obtained from these different sources and to reach conclusions based on the whole, adding auditability and credibility to the core phenomena under analysis and helping to validate or expand interpretations. Finally, thematic content analysis was applied, privileging the interrelations among PPCT (Bronfenbrenner, 2011), and proceeded through pre-analysis, organization of materials, analysis, and interpretation of data (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Minayo, 2014</xref>).</p>
				</sec>
			</sec>
			<sec sec-type="results|discussion">
				<title>Results and Discussion</title>
				<p>Adolescents reported that their first romantic relationships formed within the school and neighborhood microsystems, on social networks-Facebook and Instagram-and among friends. Because many met their boyfriend/girlfriend, or the person they are casually seeing, in their own neighborhood or at school, this geographic proximity supported in-person contact during the COVID-19 pandemic, with visits to each other’s homes. In this context, there was no increase in the use of messaging apps such as WhatsApp to maintain contact with partners during the 2020 period of social isolation.</p>
				<p>All adolescents had been directly or indirectly exposed to violence in family, school, or neighborhood microsystems - contextual factors identified in the literature as risk factors for dating violence (Rey-Anacona &amp; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Martínez-Gómez, 2021</xref>). Despite adverse contexts, they expressed optimism about the future - marriage, children, employment - and confidence in their capacity to face life’s challenges. We also noted a positive mobilization among participants and staff around the topic, which they viewed as new, timely, and necessary, especially for institutions serving this age group.</p>
				<p>Participants described satisfaction with being beneficiaries of the NGO and with the NGO as a space that promotes well-being, safety, and positive relationships among adolescents, social educators, the coordinator, management, and families. The mesosystemic NGO-family relationship appears to function as a protective factor for adolescents.</p>
				<p>Five categories are presented and discussed below: what dating means to adolescents; conceptions of dating violence; episodes of dating violence; understandings of healthy dating; and learning and positive influences of romantic relationships.</p>
				<sec>
					<title>Dating for adolescents</title>
					<p>Participants’ narratives suggest that dating is a stage of a romantic relationship marked by exclusivity, preceding marriage and the start of one’s own family - meanings shaped by macrosystemic elements. Literature describes dating as embedded in sociocultural norms such as fidelity, monogamy, and especially frequent in-person meetings between partners. Addressing dating thus involves grasping the meanings adolescents assign to their romantic relationships within their social context (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Sánchez et al., 2011</xref>). For some, one should first casually see someone to get to know the person and only then assume a more serious relationship; dating is a step toward marriage: “For me, dating is the foundation; you date, then you marry and have your family (...) you see someone first, then you date” (João Cabral, 18). “For me, there are three stages: dating, engagement, and marriage. So to get to marriage you have to go through the first two” (Conceição Evaristo, 18).</p>
					<p>For two adolescents, relationship duration (chronosystem), regularity of encounters, and exclusivity did not determine whether they labeled the relationship as dating. For some couples, the shift from “seeing someone” to dating is not explicitly marked but occurs naturally until both confirm they are dating. The literature also points to ongoing “seeing someone” as a distinct form of adolescent romantic relationship (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Barth et al., 2017</xref>).</p>
					<p>One adolescent recounted discovering infidelity in her first relationship, which made it hard to “trust men,” suggesting possible avoidance of new relationships (insecurity) reinforced by the betrayal. Even while noting disorganizing characteristics (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Paludo et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa &amp; Tudge, 2017</xref>) - such as insecurity and difficulty establishing trust - that could hinder engagement in proximal processes, we identified a disposition toward new romantic relationships. As <xref ref-type="bibr" rid="B22">Nunes and Morais (2018</xref>, p. 290) note, “a person’s characteristics are not static and can be transformed, even under adverse conditions.”</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Conceptions of dating violence</title>
					<p>Adolescents described dating violence primarily in terms of physical violence - intentional use of force to instill fear and cause possible injury - and psychological violence-threats, insults, and undermining a partner’s self-esteem. In their view, psychological violence is the most common form, consistent with international (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Peralta et al., 2019</xref>) and national (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Borges et al., 2020</xref>) findings, and includes behaviors such as controlling clothing and friendships, name-calling, and disparagement.</p>
					<p>Psychological violence was also portrayed as a conflict-resolution strategy within romantic relationships that can undermine partners’ well-being and crystallize into relational patterns for managing conflict over time. <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lapierre et al. (2019</xref>) suggest that early prevention or intensive intervention programs that promote skills - communicating needs, fears, and vulnerabilities and sharing intimacy - are particularly beneficial in adolescence because such skills can be learned and developed: “Not only physical violence, but also when the person acts like they own you. They want to control everything you do and everything you wear. What happens most is control and this name-calling thing” (Carolina de Jesus, 17). “It’s forcing something a woman doesn’t want. There’s physical and psychological violence, like a man putting a woman down, saying she’s worthless” (Guimarães Rosa, 19).</p>
					<p>Despite speaking freely about the types of violence most common in dating, knowledge alone does not seem sufficient to prevent their occurrence. This may represent a disorganizing force that does not foster competencies for handling an abusive relationship (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza et al., 2022</xref>). Another salient point is that normalization and legitimation of such behaviors make them harder to recognize.</p>
					<p>Girls are more frequently victims of this type of violence, which includes control over their clothing and bodies (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Martínez-Gómez et al., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza et al., 2022</xref>). This pattern reinforces traditional gender-role behaviors that produce unequal perceptions of socially assigned conduct for men and women and are significantly associated with violence perpetrated and suffered. As <xref ref-type="bibr" rid="B12">Flach and Deslandes (2021</xref>) argue, these arrangements remain embedded in everyday social relations, though they are continually contested by more emancipatory convictions.</p>
					<p>Certain behaviors related to concern with self-image appeared in narratives of both girls and boys. Hair care stood out as a way to increase attractiveness, illustrating personal behavioral characteristics that seem to foster proximal processes. Demand is an individual attribute referring to salient features capable of eliciting reactions from the social context (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bronfenbrenner &amp; Morris, 2006</xref>).</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Episodes of dating violence</title>
					<p>For some participants, their first dating relationship was not a positive experience; it was marked by infidelity and episodes of violence. “Thank God I’m not dating” (Conceição Evaristo, 18); “I thought it was one thing, but it wasn’t the way I imagined” (Fernando Sabino, 17). Early dating relationships bring new challenges that, combined with idealized expectations, can generate conflict and stress, leading adolescents to adopt various behaviors to keep the relationship going (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Lapierre et al., 2019</xref>). Even so, they expressed willingness to meet new people, preferably through more short-lived relationships, such as casually see someone.</p>
					<p>Digital violence - intentional acts of controlling, threatening, humiliating, or insulting a partner’s image, and provoking embarrassment or stalking through internet-connected devices such as cell phones and tablets (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2020</xref>) - was present in these romantic relationships even when participants did not use that term. Such behaviors appeared to be normalized, resulting in conflict, stress, and invasion of digital privacy. In many cases, these actions were viewed as signs of trust and as ways to control fidelity, driven by insecurity in managing the relationship.</p>
					<p>Perhaps because it is a contemporary form of violence that has only recently received attention in academia and society (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Flach &amp; Deslandes, 2021</xref>), adolescents still struggle to distinguish it from other forms. They reported that checking a partner’s phone - openly or secretly - can reveal a “secret” related to real or imagined infidelity by inspecting contacts, incoming and outgoing calls, and messages. Other behaviors included repeatedly calling to track a partner’s location; policing how quickly a partner replies to successive messages, causing discomfort; and “liking” a photo of someone of the opposite gender, even if known.</p>
					<p>All these behaviors can be understood as ways of exerting power and control over a partner and are documented in the literature on digital violence as control and monitoring of online activities (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2020</xref>). Being in a romantic relationship is sometimes treated as a supposed right to invade individuality, intimacy, and privacy - aspects essential to building healthy relationships that may go unnoticed. This controlling dynamic - monitoring, policing, surveilling - can produce a constant sense of unease and restlessness for many people in dating relationships (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lucio-López &amp; Pietro-Quezada, 2014</xref>).</p>
					<disp-quote>
						<p>I kept calling to find out where she was. And she asked to see my WhatsApp contacts (…) I was very jealous, so I would just look at contact names to see if there was any affectionate nickname saved. (Guimarães Rosa, 19 years)</p>
					</disp-quote>
					<disp-quote>
						<p>Once I caught him chatting with a girl on his phone. We imagine a thousand things, but sometimes it’s so simple. I fought with him; I almost killed him. I investigate; when he’s entering the password, I watch one number and suddenly I already know the whole password. (Lia de Itamaracá, 18 years)</p>
					</disp-quote>
					<p>Development of preventive actions to promote responsible and more positive use of digital technologies - within the context of adolescents’ romantic relationships - may help address this phenomenon (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Andrade et al., 2020</xref>). At the exosystem level, Safernet Brasil, a private civil-society association with nationwide reach, has run campaigns specifically aimed at adolescents to encourage conscious, ethical, responsible, and safe internet use through its website (<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.safernet.org.br">www.safernet.org.br</ext-link>) and Instagram (@safernetbr).</p>
					<p>Intimate relationship dynamics reported by participants included: controlling friendships (offline and online); physical aggression such as grabbing an arm; hitting the wall to express frustration and anger; name-calling; controlling clothing - especially for girls; arguments that led to breaking objects; and repeated threats to end the relationship to gain control over a partner’s behavior.</p>
					<p>Bidirectional, or mutual, violence (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Martínez-Gómez et al., 2021</xref>) was identified in participants’ intimate relationships, appearing in different forms and at different moments in the couple’s dynamics. In some cases, unidirectional violence became bidirectional, forming a maladaptive pattern for resolving conflicts.</p>
					<disp-quote>
						<p>One boyfriend kept me from going out with my friends (…) another didn’t like a friend of mine and asked me to distance myself because he ‘was no good’ (…) And I didn’t like his ex-girlfriend, she didn’t like me, and I didn’t like her (…) I once broke a boyfriend’s chain (laughs) because I was stressed with him. (Carolina de Jesus, 17 years)</p>
					</disp-quote>
					<disp-quote>
						<p>My ex-girlfriend would punch the wall during fights; it scared me. I couldn’t talk to her. She told me to “get lost” (...) it was shouting - if I said, “I’m going out with the guys,” she’d say, “If you go, we’re done right now.” I did that to her too, like, equal rights. She did it; I did it. (João Cabral, 18 years)</p>
					</disp-quote>
					<p>Jealousy, immaturity, stress, impulsivity, and insecurity were highlighted by adolescents as triggers for violent episodes. The ideal of romantic love often frames jealousy as a sign of love, care, and attentiveness - widely shared in society and grounded in gender stereotypes that cut across women’s and men’s intimate relationships (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Martínez-Gómez et al., 2021</xref>). However, this belief can legitimize and justify controlling behaviors toward a partner.</p>
					<p>The behaviors described above suggest difficulty regulating emotions, a disorganizing personal characteristic that undermines the maintenance of a healthy relationship and even the interruption of violent cycles. Such disorganizing attributes were also observed at the couple level, especially in initial experiences of intimacy and in the transition from “see someone” to dating, often revealing skills still under development and low self-esteem for dealing with relational demands (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Leme et al., 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Lordello &amp; Costa, 2015</xref>).</p>
					<p>At this developmental stage, interest in and formation of first romantic partnerships are marked by the discovery of pleasure through intimate touch and are commonly accompanied by emotions such as jealousy, anxiety, frustration, disappointment, and confusion about one’s own feelings. Thus, active biopsychological resources - knowledge and skills needed for proximal processes (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>) - may be insufficient, reducing the chances of a constructive relationship.</p>
					<p>Conversely, organizing dispositions/forces and active biopsychological resources (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bronfenbrenner &amp; Morris, 2006</xref>) - evident when some girls recognized abusive behaviors - underscore a person’s capacity to transform and break the cycle of violence by taking an active stance in favor of healthier proximal relationships:</p>
					<disp-quote>
						<p>When he commented on my clothes and grabbed my arm, I already thought it was strange. He apologized: “I’m very afraid of losing someone.” I said, “But acting like this you will lose her. No one wants to be in a relationship where you’re always talking about her clothes and don’t want her with friends.” (Carolina de Jesus, 17 years)</p>
					</disp-quote>
					<disp-quote>
						<p>I like tight clothes that accentuate this here (touches hips). He didn’t like it, and I said, “Okay, if you want, we’ll go out like this; if you don’t, I’ll stay home, because I’m not changing my clothes just because you want it.” (Lia de Itamaracá, 18 years)</p>
					</disp-quote>
					<p>Proximal processes influence development in concert with the characteristics of the developing person (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>) and should not be seen as static, deterministic, universal, or unidirectional (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Nunes &amp; Morais, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa &amp; Tudge, 2017</xref>). Viewed through the lens of the BTHD, these accounts showed more dysfunction effects than competence. A violent relationship is considered a dysfunction (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Carvalho-Barreto et al., 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Paludo et al., 2021</xref>), given the difficulty partners have when one imposes power and control over the other, expressed across psychological, digital, and physical forms - all identified here.</p>
					<p>Accordingly, dating can be understood as a proximal process for adolescents: it encompasses the complex, enduring, bidirectional interactions a person establishes over the course of development with other people (a partner), objects (technology via electronic devices such as smartphones), and symbols (personal beliefs about romantic love) in the immediate environment. These interactions can produce dysfunction effects, as described above, or competence effects, as presented in the next category.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Understanding healthy dating</title>
					<p>We explored characteristics of healthy dating among the adolescents, recognizing the importance of highlighting violence and its implications for affective-sexual relationships while also fostering reflection on relationships that promote development. Such characteristics can be viewed as organizing dispositions/forces and proximal processes that generate competence and knowledge acquisition. The traits most frequently cited were trust, privacy, fidelity, respect, honesty, boundaries, communication, and friendship.</p>
					<disp-quote>
						<p>Being honest with each other creates more trust, respect, and fidelity. Understanding each other and being each other’s best friend (…) Self-control too, for example, because there will be some arguments, but you need control not to explode, not to shout. (João Cabral, 18 years)</p>
					</disp-quote>
					<disp-quote>
						<p>Privacy is part of healthy dating. There are things women talk about that belong only to women. And privacy leads to what? It leads to trust, which leads to what? Respect. (Lia de Itamaracá, 18 years)</p>
					</disp-quote>
					<p>Similar findings were reported by <xref ref-type="bibr" rid="B12">Flach and Deslandes (2021</xref>) - trust, individuality, and intimacy/privacy as core values of dating. Dialogue was envisioned as the preferred way to handle doubts and disagreements. <xref ref-type="bibr" rid="B17">Love is Respect (2019)</xref> and the <xref ref-type="bibr" rid="B24">One Love Foundation (2020)</xref> likewise emphasize these elements as essential to building healthy romantic relationships. We found no issues related to sexual violence in this study; on the contrary, youths described respecting each other’s timing and negotiating unwanted intimate touch.</p>
					<p>Drawing on <xref ref-type="bibr" rid="B29">Santos (2019</xref>), we observed that engagement, reciprocity, increasing complexity, and regularity over time play a significant role in sustaining proximal processes in interpersonal relationships. We also noted ongoing potential for improvement, which can generate competence effects and signal growth from each intimate experience. Overall, adolescents showed that readiness for dialogue within the couple is vital to avoiding conflict, although for some this had not yet become a practiced skill. In one narrative, a “overflowing glass” metaphor illustrated the possibility of preventing conflict by communicating feelings on both sides.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Learning and positive influences of romantic relationships</title>
					<p>From a time/chronosystem perspective, we observed that over the years dating also fostered the discovery of positive feelings and learning experiences, in line with <xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner (2011</xref>). An adolescent emphasized the significance of learning to say “I love you” from a girlfriend in a relationship that lasted more than 2 years - an experience tied to his family and life history. For some adolescents, their first longer relationship - dating or extended “see someone” - made it possible to recognize behaviors reflecting the couple’s “immaturity,” stemming from not knowing how to handle relationship issues: “I’ve dated, and if I made mistakes there, now I’ll get it right, as if with my ex it was just a test and with my current girlfriend it’s for real. If I was wrong by being too suspicious with her, I want to be better” (João Cabral, 18). “In my current relationship, we created a strategy so neither of us gets upset when we can’t answer the phone: just send a message first saying ‘urgent’ before calling.” (Adélia Prado, 18)</p>
					<p>The time component encompasses changes within the person’s own life course (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bronfenbrenner, 2011</xref>). Some accounts reflected recognition of behaviors such as insecurity tied to suspected infidelity in a past relationship. In the current relationship, we observed attempts to do things differently over time (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Nunes &amp; Morais, 2018</xref>) from one relationship to the next, which is important for the emergence of new meanings and for establishing new proximal processes.</p>
				</sec>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Final considerations</title>
				<p>This study sought to understand adolescents’ experiences of dating violence from the BTHD. As a complex human phenomenon, violence - in its various forms - cut across the dating relationships of the adolescents who participated. Although they spoke readily about the types most common in dating, they did not always label these experiences as “violence.” This appears to reinforce their normalization and legitimation and suggests difficulty in establishing healthier boundaries in relationships.</p>
				<p>Dating was viewed as a stage of a romantic relationship marked by exclusivity, preceding marriage and the start of one’s own family - meanings shaped by the adolescents’ social context. For some, a longer period of dating or extended “seeing someone” made it possible to recognize behaviors reflecting the couple’s “immaturity,” due to not knowing how to handle relationship issues; even so, these were significant experiences carried into later relationships. Participants recognized physical and psychological forms of violence. Digital violence was not explicitly named, despite reports of controlling and monitoring behaviors tied to cell phone use, messaging apps (WhatsApp), and social media (Instagram and Facebook). Such behaviors were often seen as signs of trust and fidelity control, driven by insecurity in managing the relationship. Sharing passwords, monitoring posts and likes, repeated calls and messages to track a partner’s location and activities - all were common and normalized, resulting in conflict, stress, and invasions of digital privacy.</p>
				<p>Because the study was conducted during the first wave of the COVID-19 pandemic, adaptations to EI were required: a) participant selection by the institution’s social educators, based on individual availability and willingness to take part in in-person research during the pandemic - introducing potential selection bias; and b) suspension of NGO activities such as discussion circles and workshops. Even so, these adjustments did not prevent the development of EI.</p>
				<p>Despite pandemic-driven adaptations, the researcher was met with receptivity, and no participant withdrew. This points to a positive mesosystemic relationship among families, adolescents, and the institution and underscores the value of providing a listening space for participants, especially during the pandemic. Moreover, adolescents’ engagement - proximal processes - with the researcher emerged through rich narratives about their life histories.</p>
				<p>Future research should examine dating dynamics and violence among LGBTQIA+ adolescents and probe more deeply into the bidirectionality of violence in adolescent intimate relationships. Recognizing dating violence as a complex, multifaceted phenomenon, there is an urgent need to develop national public policies that operate at multiple levels: individual, family, school, vocational training settings, community, and beyond. Actions to confront the issue can include workshops and discussion circles focused on violence and healthy relationships, making visible the “silent power” of violence normalized as part of adolescent romantic relationships.</p>
			</sec>
		</body>
	</sub-article>
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