Enlaces entre o Feminino e a Psicanálise na Obra de Louise Bourgeois

Autores

  • Vitória Rosa Cougo Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
  • Camilla Baldicera Biazus Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
  • Ana Carolina Bicca Bragança Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
  • Cláudia Maria Perrone Universidade Federal de Santa Maria.

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v22i1.e10277

Palavras-chave:

Arte, Maternidade, Sexualidade Feminina, Psicanálise

Resumo

Este trabalho surge da associação criada entre a obra da artista Louise Bourgeois e a teoria psicanalítica, com o intuito de produzir um espaço passível de historicização dos lugares ocupados pela mulher na sociedade e suas relações com o feminino. Louise Bourgeois foi precursora da arte feminista dos anos 70, em Nova York, e por ser uma das primeiras artistas a levantar o tema do feminino e da maternidade a partir da sua arte. Através de uma perspectiva metodológica ensaística, elencou-se para este estudo três obras da artista: Femme Maison, Arc of Hysteria e Maman, a partir das quais, tornou-se possível pensar acerca das mudanças sociais que imprimiram transformações na posição do feminino em relação à lógica fálica. A análise das três obras possibilitou acompanhar os deslocamentos do feminino – da mulher casa até a mulher aranha - em justaposição às transformações discursivas ocorridas desde o enfraquecimento do saber religioso até a ascensão do discurso científico, que foram atravessados pela irrupção da teoria psicanalítica. Se antes, a mulher estava restrita a esfera do lar, agora ela passa a ocupar e a ter que dar conta de vários lugares e funções e, por isso, acaba sendo capturada pela ilusão de autossuficiência, sustentada pela ciência e representada neste estudo a partir da obra Maman, a qual confere à mulher a forma de um aracnídeo. A contribuição desse trabalho compreende a possibilidade de pensar criticamente, a partir da teoria psicanalítica e da arte, sobre a ilusão de autossuficiência provocada pelos discursos científicos como a manifestação contemporânea do conflito feminino de lidar com a falta.

Biografia do Autor

Vitória Rosa Cougo, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Formada em Psicologia pela Universidade Franciscana (UFN). Atualmente é mestranda em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na linha de pesquisa Psicanálise e Políticas do Contemporâneo.

Camilla Baldicera Biazus, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Psicóloga pela Universidade Franciscana (UFN), Mestre em Psicologia Clínica pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Doutora em Letras pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Pós-doutoranda em Psicologia pela UFSM. Pesquisadora na linha de pesquisa Psicanálise e Políticas do Contemporâneo.

Ana Carolina Bicca Bragança, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Psicóloga pela Universidade Franciscana (UFN), Especialista em Clínica Psicanalítica pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Santa Maria) e Mestranda em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Maria. Pesquisadora na linha de pesquisa Psicanálise e Políticas do Contemporâneo.

Cláudia Maria Perrone, Universidade Federal de Santa Maria.

ossui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1988),Especialização em Psicoterapia Psicanalítica CELG/UFRGS, mestrado em Lingüística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1996) e doutorado em Lingüística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1999). Professora Associada-II do Departamento de Psicanálise e Psicopatologia do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora colaboradora da Pós-Graduação em Psicologia da UFSM.

Referências

Alves, M. B. (2016). Quando uma mulher é mãe: O gozo feminino na maternidade (Tese de Doutorado não publicada). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil. Link

Bastos, L. A. M. (2006). Corpo e subjetividade na medicina: Impasses e paradoxos. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.

Beauvoir, S. (2016). O segundo sexo: Fatos e mitos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. (Originalmente publicado em 1949)

Bourgeois, L. (2000). Destruição do pai, reconstrução do pai: Escritos e entrevistas 1923-1997. São Paulo: Cosac Naify.

Braga, M., & Amazonas, M. (2005). Família: Maternidade e procriação assistida. Psicologia em Estudo, 10(1), 11-18.

Braunstein, N. (2010). O discurso capitalista: Quinto discurso? O discurso dos mercados (PST): Sexto discurso? A Peste: Revista de Psicanálise e Sociedade e Filosofia, 2(1), 1-23.

Foucault, M. (2006). O poder psiquiátrico. Rio de Janeiro: Martins Fontes. (Originalmente Publicado em 1974)

Foucault, M. (2014). História da Sexualidade: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Paz & Terra. (Originalmente publicado em 1980)

Freud, S. (1974). Sobre o narcisismo: Uma introdução. In J. Strachey, Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas (Vol. 14, pp. 45-64). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1914)

Freud, S. (2019). Feminilidade. In M. R. S. Moraes, Amor, sexualidade, feminilidade. Obras incompletas de Sigmund Freud (pp. 313-345). Rio de Janeiro: Editora Autêntica. (Originalmente publicado em 1933)

Kehl, M. R. (2008). Deslocamentos do feminino (2ª ed.). Rio de Janeiro: Imago.

Lacan, J. (1985). O Seminário, livro 20: mais, ainda (2ª ed.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Lições originalmente pronunciadas em 1972-73)

Lacan, J. (1992). O Seminário, livro 17: O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Lições originalmente pronunciadas em 1969-1970)

Lanius, M. & Sousa, E. (2010). Reprodução assistida: os impasses do desejo. Revista Latino-americana de Psicopatologia Fundamental, 13(1), 53-70. DOI: 10.1590/S1415-47142010000100004

Larrosa, J. (2003).O ensaio e a escrita acadêmica. Revista Educação e Realidade, 28(2), 101-115. Link

Laurentiis, G. (2017). Louise Bourgeois e modos feministas de criar. São Paulo: Annablume.

Martins, A. P. V. (2004). Visões do feminino: A medicina da mulher nos séculos XIX e XX.Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.

Pallamin, V. (2006). Corpoescultura: O olhar, a metáfora, o abismo. Logos: Comunicação e Universidade, 13(2), 107-116. Link

Plon, M., & Roudinesco, E. (1998). Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar.

Ramírez-Gálvez, M. (2009). Corpos fragmentados e domesticados na reprodução assistida. Cadernos Pagu, 33, 83-115. Link

Porge, E., Chaumon, F., Lérès, G., Plon, M., Bruno, P., &Aouillé, S. (2015). Manifesto pela psicanálise. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Quinet, A. (1998). As novas formas do sintoma na medicina. Acheronta: Revista Psicoanálisis y Cultura, 8. Link

Rivera, T. (2002). Arte e psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar.

Roudinesco, E. (2003). A Família em desordem. Rio de Janeiro: Zahar.

Roudinesco, E. (2016). Sigmund Freud: Na sua época e em nosso tempo. Rio de Janeiro: Zahar.

Safatle, V. (2018). Introdução à Jacques Lacan. Belo Horizonte: Editora Autêntica.

Soler, C. (2016). O que faz laço? São Paulo: Escuta.

Downloads

Publicado

29.04.2022

Edição

Seção

Estudos Teóricos